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13 DE JULHO DE 2014

Publicado: Segunda, 14 de Julho de 2014, 11h09 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h22 | Acessos: 206

Clipagem ASCOM
Recife, 13 de julho de 2014

 

:: Jornal do Commercio

JC Mais

Benditas são as plantas

A planta do batismo, em alguns casos, pode ser a mesma do enterro. As folhas que abrem caminhos também podem ser as que curam uma doença. Entre perfumes, orações, mandingas e sabores, as ervas e outras plantas, além da fé, são mais um elo entre o homem e o sagrado. No Terreiro Obá Ogunté, o Sítio de Pai Adão, em Água Fria, periferia do Recife, Manoel Papai é o herdeiro de uma tradição secular. Babalorixá do mais famoso templo da religião afro-brasileira de Pernambuco, o senhor de cabelos brancos, voz calma e fala pausada louva os orixás seguindo os ensinamentos de seus antepassados: nos toques e mensagens, ele faz orações, agradecimentos e pedidos, com cheiros, banhos e temperos, prepara as oferendas para as divindades da sua crença. “A planta sagrada é um dos sangues da nossa religião”, afirma o sacerdote, um dos participantes do Seminário Folhas Sagradas, que acontece na próxima quinta e sexta-feira, no Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte, com entrada gratuita. “Há o sangue animal, o sangue vegetal e o mineral, usados nas oferendas”. No Obá Ogunté, tombado como patrimônio estadual em 1985 (o primeiro terreiro a receber esta salvaguarda do Governo do Estado), a relação de respeito e de credo nas folhas é uma herança trazida da África pela Ifá Tinuké, Inês Joaquina da Costa, dona dos conhecimentos da religião e fundadora da casa, em 1975. “O uso das folhas, no candomblé, vai da vida à morte: quando se batiza, quando o iniciado completa sete e 21 anos de iniciação, e também quando ele morre”, explica Manoel Papai. Para os africanos, as plantas têm um orixá regente. Ossain é o senhor das ervas. A ele os religiosos pedem licença para entrar na mata e colher as folhas sagradas. Por outro lado, cada orixá tem uma planta especial, usada nos seus louvores e oferendas. “No iorubá, fala-se a expressão ‘cosi ewê, cosi orixá’, que quer dizer ‘se não houver folha não há orixá’, daí você entende a importância que elas têm para o nosso povo”, diz o babalorixá, que em breve lança o documentário Folhas sagradas, sobre esta relação da natureza com a fé, recontando o encontro do povo africano escravizado no Brasil com as folhas santas. “Os negros devem ter chorado ao ver essa plantas, aqui. É como se fossem familiares deles. A lembrança da terra distante.” Se no terreiro nagô o mato ganha vida nas oferendas e nos temperos, na Igreja Católica a relação entre as folhas e os santos também tem seus misticismos. Frei Tito Figueiroa, vigário da Paróquia Nossa Senhora de Piedade, em Jaboatão, carrega no turíbulo os perfumes do incenso que purificam o ar e elevam o espírito dos que creem no Evangelho. “Essa é uma tradição judaico-cristã, quando ainda nos primeiro e segundo templos, dentro do Santo dos Santos (espaço mais nobre dos templos sagrados de Jerusalém), além de sacrifícios de animais também havia um lugar para a fumaça perfumada. Os judeus acreditavam que a oferenda chegaria ao céu através do perfume. Com o tempo, o cristianismo foi assumindo práticas pagãs, judaicas ou não”, conta Frei Tito, que também palestra no evento. Menos ligada à associação das folhas como temperos sagrados, a Igreja encontrou nas flores a ponte com o elevado. Rosas, angélicas e lírios são símbolos de carinho e respeito a Deus, entre as Ave-Marias e Pai-Nossos rezados nas igreja e nas procissões. No Brasil, a chegada dos portugueses trouxe novas assimilações ao uso das ervas e plantas. Os costumes indígenas já existentes foram somados às tradições europeias e africanas, que resultou nas expressões e manifestações típicas do País. Como exemplifica Frei Tito, a chamada igreja católica popular termina por viver sincretismos de fé e crenças que constroem o povo brasileiro. A jurema, por exemplo, foi uma das plantas não incorporadas pelos católicos nos seus rituais, mas para os indígenas tem seu papel extasiante e transcendente. Assim como as rezadeiras do Sertão do Nordeste que fazem das folhas do pião as armas contra o olhado. Além de papel religioso, as plantas também são medicamentos. “Integra a questão bioquímica e espiritual”, diz doutor Celerino Carriconde, mestre em Medicina Comunitária e Epidemiológica pela Queens University (Canadá). “Tem todo um simbolismo numa planta para poder retirar, fazer o remédio. São remédios feitos especialmente para cada pessoa, respeitando as individualidades. O médico africano, por exemplo, faz uma consulta em que leva em consideração a relação do paciente e seus familiares e antepassados”, explica o médico, que é membro do Centro Nordestino de Medicina Popular (CNM). “Os nossos médicos não tratam pessoas, tratam doenças.”

 

Caderno C

Cinema

Que estranho chamar-se Federico: Scola conta Fellini (Che estrano chiamarsi Federico!: Scolla racconta Fellini, ITA, 2013) – De Ettore Scola. Com Sergio Rubini, Sergio Pirattini. Cinema da Fundação – 18h20; 20h15.

Heli (Heli, MEX/FRA/HOL/ALE, 2013) – De Amat Escalante. Com Armando Espírita, Andrea Vergara. Cinema da Fundação – 16h10. Drama. 18 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Heli / De Amat Escalante / Com Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González, Juan Eduardo. Estela é uma menina de 12 anos que vive em uma pequena cidade mexicana e está perdidamente apaixonada por um jovem cadete da polícia. Ele quer fugir com ela e se casar e para realizar o seu sonho desvia alguns pacotes de droga. Cinema da Fundação: 16h10. 18 anos.

Que estranho chamar-se Federico: Scola conta Fellini / (Che Estrano Chiamarsi Federico! – Scolla Racconta Fellini) / De Ettore Scola. Com Sergio Rubini, Sergio Pierattini, Antonella Attilo. Um retrato maravilhoso pintado com as tintas do cinema sobre o cineasta mestre Federico Fellini, a partir das lembranças e das emoções do amigo e grande realizador italiano Ettore Scola Trata-se de uma viagem mágica e emotiva pelas imagens do cinema. Cinema da Fundação: 18h20, 20h15.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

Que estranho chamar-se Federico: Scolla contra Fellini – 12 anos. Cinema da Fundação. 18h20, 20h15.

Heli – 18 anos. Cinema da Fundação. 16h10.

 

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