Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Educação Contextualizada > Vírus são os únicos organismos acelulares da Terra Atual
Início do conteúdo da página

Vírus são os únicos organismos acelulares da Terra Atual

Publicado: Terça, 04 de Agosto de 2020, 17h12 | Última atualização em Terça, 04 de Agosto de 2020, 17h12 | Acessos: 23616

https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/biovirus.php

06/04/2020

Ilustração do vírus HIV mostrando as proteínas do capsídeo responsáveis pela aderencia na célula hospedeira.

Os vírus são seres muito simples e pequenos (medem menos de 0,2 µm), formados basicamente por uma cápsula proteica envolvendo o material genético, que, dependendo do tipo de vírus, pode ser o DNA, RNA ou os dois juntos (citomegalovírus).

A palavra vírus vem do Latim vírus que significa fluído venenoso ou toxina. Atualmente é utilizada para descrever os vírus biológicos, além de designar, metaforicamente, qualquer coisa que se reproduza de forma parasitária, como ideias. O termo vírus de computador nasceu por analogia. A palavra vírion ou víron é usada para se referir a uma única partícula viral que estiver fora da célula hospedeira.

Das 1.739.600 espécies de seres vivos conhecidos, os vírus representam 3.600 espécies.

Vírus é uma partícula basicamente proteica que pode infectar organismos vivos. Vírus são parasitas obrigatórios do interior celular e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular. O termo vírus geralmente refere-se às partículas que infectam eucariontes (organismos cujas células têm carioteca), enquanto o termo bacteriófago ou fago é utilizado para descrever aqueles que infectam procariontes (domínios bacteria e archaea).

Tipicamente, estas partículas carregam uma pequena quantidade de ácido nucleico (seja DNA ou RNA, ou os dois) sempre envolto por uma cápsula proteica denominada capsídeo. As proteínas que compõe o capsídeo são específicas para cada tipo de vírus. O capsídeo mais o ácido nucleico que ele envolve são denominados nucleocapsídeo. Alguns vírus são formados apenas pelo núcleo capsídeo, outros no entanto, possuem um envoltório ou envelope externo ao nucleocapsídeo. Esses vírus são denominados vírus encapsulados ou envelopados.

O envelope consiste principalmente em duas camadas de lipídios derivadas da membrana plasmática da célula hospedeira e em moléculas de proteínas virais, específicas para cada tipo de vírus, imersas nas camadas de lipídios.

São as moléculas de proteínas virais que determinam qual tipo de célula o vírus irá infectar. Geralmente, o grupo de células que um tipo de vírus infecta é bastante restrito. Existem vírus que infectam apenas bactérias, denominadas bacteriófagos, os que infectam apenas fungos, denominados micófagos; os que infectam as plantas e os que infectam os animais, denominados, respectivamente, vírus de plantas e vírus de animais.

Esquema do Vírus HIV

Os vírus não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação. Alguns vírus possuem enzimas. Por exemplo o HIV tem a enzima Transcriptase reversa que faz com que o processo de Transcrição reversa seja realizado (formação de DNA a partir do RNA viral). Esse processo de se formar DNA a partir de RNA viral é denominado retrotranscrição, o que deu o nome retrovírus aos vírus que realizam esse processo. Os outros vírus que possuem DNA fazem o processo de transcrição (passagem da linguagem de DNA para RNA) e só depois a tradução. Estes últimos vírus são designados de adenovírus.

Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios: a falta de hialoplasma e ribossomos impede que eles tenham metabolismo próprio. Assim, para executar o seu ciclo de vida, o vírus precisa de um ambiente que tenha esses componentes. Esse ambiente precisa ser o interior de uma célula que, contendo ribossomos e outras substâncias, efetuará a síntese das proteínas dos vírus e, simultaneamente, permitirá que ocorra a multiplicação do material genético viral.

Em muitos casos os vírus modificam o metabolismo da célula que parasitam, podendo provocar a sua degeneração e morte. Para isso, é preciso que o vírus inicialmente entre na célula: muitas vezes ele adere à parede da célula e "injeta" o seu material genético ou então entra na célula por englobamento - por um processo que lembra a fagocitose, a célula "engole" o vírus e o introduz no seu interior.

Vírus, seres vivos ou não?

Vírus não têm qualquer atividade metabólica quando fora da célula hospedeira: eles não podem captar nutrientes, utilizar energia ou realizar qualquer atividade biossintética. Eles obviamente se reproduzem, mas diferentemente de células, que crescem, duplicam seu conteúdo para então dividir-se em duas células filhas, os vírus replicam-se através de uma estratégia completamente diferente: eles invadem células, o que causa a dissociação dos componentes da partícula viral; esses componentes então interagem com o aparato metabólico da célula hospedeira, subvertendo o metabolismo celular para a produção de mais vírus.

Há grande debate na comunidade científica sobre se os vírus devem ser considerados seres vivos ou não, e esse debate e primariamente um resultado de diferentes percepções sobre o que vem a ser vida, em outras palavras, a definição de vida. Aqueles que defendem a ideia que os vírus não são vivos argumentam que organismos vivos devem possuir características como a habilidade de importar nutrientes e energia do ambiente, devem ter metabolismo (um conjunto de reações químicas altamente inter-relacionadas através das quais os seres vivos constroem e mantêm seus corpos, crescem e performam inúmeras outras tarefas, como locomoção, reprodução, etc.); organismos vivos também fazem parte de uma linhagem contínua, sendo necessariamente originados de seres semelhantes e, através da reprodução, gerar outros seres semelhantes (descendência ou prole), etc.

Os vírus preenchem alguns desses critérios: são parte de linhagens contínuas, reproduzem-se e evoluem em resposta ao ambiente, através de variabilidade e seleção, como qualquer ser vivo. Porém, não têm metabolismo próprio, por isso deveriam ser considerados "partículas infecciosas", ao invés de seres vivos propriamente ditos. Muitos, porém, não concordam com essa perspectiva, e argumentam que uma vez que os vírus são capazes de reproduzir-se, são organismos vivos; eles dependem do maquinário metabólico da célula hospedeira, mas até aíi todos os seres vivos dependem de interações com outros seres vivos. Outros ainda levam em consideração a presença massiva de vírus em todos os reinos do mundo natural, sua origem - aparentemente tão antiga como a própria vida - sua importância na história natural de todos os outros organismos, etc. Conforme já mencionado, diferentes conceitos a respeito do que vem a ser vida formam o cerne dessa discussão. Definir vida tem sido sempre um grande problema, e já que qualquer definição provavelmente será evasiva ou arbitrária, dificultando assim uma definição exata a respeito dos vírus.

Sobre o assunto

Os vírus têm vida?

https://www.jcnet.com.br/noticias/ciencias/2020/01/712775-os-virus-tem-vida.html

Ciência no Dia a Dia - Alberto Consolaro

01/02/2020

Interior de uma célula com milhares de vírus prontos como carros no estacionamento da montadora de veículos!

É tão pequeno que fica difícil vê-los e por muito tempo se achou que eram substâncias tóxicas ou venenos! A palavra "vírus" é sinônimo de veneno! A maioria são mutantes e modificam sua composição a todo instante, como os coronavírus. Quando se faz uma vacina, logo aparece outra variante!

Imaginem o vírus como jabuticabas e lichias muito pequenas, mas muito mesmo, soltas por aí ao sabor dos ventos em todos os lugares como partículas nanométricas! Onde tem mais gente, tem mais vírus e são tão pequenos que uma bactéria parece uma gigante e pode ser infectada por eles, acreditem!

Sim, bactérias têm viroses!

Os vírus podem estar quietos na floresta, dentro de uma geleira ou em animais sem fazer mal algum, como nos frangos e porcos. Se liberados, sofrem variações e começam a fazer mal aos humanos: assim nasce uma nova doença! Eles são tão minúsculos que não dá para falar em milhares ou milhões de vírus, mas sim bilhões e trilhões, e cabem em todos os lugares!

As "jabuticabas" ou vírus por fora têm proteínas na capa e no interior tem um "fiozinho" ou filamento de DNA ou RNA, mas não têm metabolismo próprio e nem proliferam sozinhos! Proliferarão apenas se entrarem em uma célula do corpo e da qual usará tudo para ela virar uma "fabriquinha" de vírus até que morra depois de liberar "zilhões" de novos vírus! Neste período o corpo fica doente! Onde tem gente, eles deitam e rolam, afinal, cada um de nós tem 10 trilhões de células ou potenciais "fábricas virais"!

"VIDA"?

Para a ciência, vida é todo fenômeno que anima a matéria, como os íons que mudam a posição na molécula! Se assim for, tudo tem vida, até os vírus! Se a reprodução for critério para ter vida, os animais híbridos como as mulas não deveriam ser chamados de seres vivos, pois não proliferam. As formigas obreiras não se reproduzem!

Se o movimento, a capacidade de se transformar, de acumular energia e massa podem ser critérios para confirmarmos a presença da vida, as estrelas são vivíssimas pois fazem tudo isto e ainda pulsam, piscam, emitem energia. O Sol é nossa estrela maior. Lindas estrelas!

A barata, o sapo, o carrapato, a pulga e o morcego são vidas. As vacas, porcos, frangos e peixes também são vidas como as plantas. Definir vida não é fácil, então, definir o que é tirar a vida, dar a vida ou estragar a vida também deve ser difícil. Quando matamos os animais ou cortamos o pé de uma planta, como a alface, estamos tirando uma vida de circulação.

POR FIM!

Nas refeições ingerimos o que foi vida! Será que precisamos comer vidas para manter a nossa existência? Quando não se fornece alimentos, tira-se a vida. Quando não atendemos no hospital, tiramos a vida. Quando não se presta socorros, nega-se a vida. Quantas vidas tiramos de circulação, negamos ou comemos por dia? Quantas vidas moram em nós?

E todos querem a vida eterna. Ai, ai, ai... e agora?

Comunique-se

Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

COMENTÁRIOS


Miguel Gilvan – Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA)


Essa matéria está muito bem escrita.

Evidentemente, muitíssimo simplificada e que não retrata a grande diversidade encontrada no mundo dos vírus.

Por exemplo, além dos retrovírus, existem os pararetrovírus, os vírus satélites ou satélites virais que são dependentes de seus vírus auxiliares.

Foi ressaltado o aspecto de serem infecciosos. 

Esse é muito importante, sob todos os sentidos, biológico e como agentes patogênicos de animais, vegetais, fungos ...

Contudo, existem vírus de planta que só passa de uma célula a outra durante o processo de divisão celular.

Apesar das grande variabilidade entre vírus, eles podem ser organizados em famílias, gêneros e espécies, semelhantemente aos seres vivos.

Todos eles possuem genoma, que é a informação genética dos seres vivos (nos "seres vivos" o genoma encontra-se sempre na forma de DNA, que é transcrito para RNA e traduzido para formar as proteínas). 

Já, no caso dos vírus o genoma pode ser DNA ou RNA.

Diante da grande diversidade fica difícil estabelecer um conceito comum para todos os vírus.

O Tobacco mosaic vírus (a nomenclatura dos vírus em geral é em Inglês, ao invés de latina), foi o primeiro a ser cristalizado, isso em 1936.

Daí em diante surgiu essa pergunta: o vírus é ou não vivo?

Como posso obter cristais, armazená-los e depois dissolve-lo e ainda termos multiplicação (o termo replicação passou a ser usado após o conhecimento da replicação dos ácidos nucléicos). Pode algo semelhante ser considerado vivo?

Os vírus se replicam, formam réplicas, nem sempre perfeitas devido às mutações, as quais permitem os vírus evoluírem, o que é mais uma características de seres vivos.

Portanto, desde 1936 essa pergunta vem sendo repetida milhares de vezes.

Mesmo depois do conhecimento da natureza viral, da sua composição, modo de replicação, transmissão, interações vírus x vetor, distribuição e ocupação de nichos específicos, que também se constitui uma característica de ser vivo, tudo isso junto com o fato de não ter metabolismo próprio, ser uma matéria inerte fora da célula suscetível (um vírus de planta pode entrar numa celular humana e continuar inerte e, quem sabe, "servir de alimento", fornecendo algumas moléculas de proteína), chega-se a conclusão:

Vírus é vivo ou não, dependendo do que se entende por vida.

Em tom de brincadeira, costumo dizer que os vírus não só  são vivos, mas "muito vivos".

Entra na célula hospedeira e faz com que todo o maquinário da célula trabalhe para eles, inclusive, para formar cópias, a sua descendência.

O que o arquivo não mencionou é que existe uma outra categoria de patógenos acelulares de plantas (só ocorre em plantas) e que são bem mais simples do que os vírus. Não possuem proteínas, nem codificam para proteínas, só existe na forma de RNA e são capazes de, até, matar uma planta grande como uma laranjeira, um coqueiro. São os chamados viróides. Não são vírus, mas as doenças causadas por eles eram tidas como viroses porque induzem sintomas semelhantes aos das viroses.

E aí, viróides são vivos? Uns dizem que eles estão no limiar da vida.

Romero Moura – Academia Pernambucana de Ciência Agronômica – APCA

Parabéns ao Gilvan, sempre brilhante. Comentário excelente!  O meu comentário pessoal,como fitopatologista e microbiologista cuja formação envolve muitas horas de virologia,  permite-me comentar sobre a condição dos vírus serem vivos como alguns colegas admitiram de imediato. Essa conceituação não pode ser aceita de modo simplista, de imediato. As conclusões devem ser tomadas à luz de diversos conceitos do que é vida e do que é ser vivo. Os vírus possuem apenas uma molécula de um dos tipos de ácido nucleicos - dna ou rna - protegida por uma camada de proteína. Os  seres vivos possuem esses materiais. Entretanto, os vírus não se alimentam, não respiram nem se multiplicam. Eles são replicados pela célula infectada, que tem o seu mecanismo nuclear "adaptado" para, apenas, produzir ou replicar o vírus é por isso, muitas vezes morrem. É como o minério de ferro entrando numa fábrica e saindo automóveis  na outra. É por isso que o conceito de vírus com ser vivo não é aceito pela grande maioria dos cientistas. A discussão é boa, Gilvan colocou a questão de modo competente e de modo  muito didático, mas o conceito pessoal deve se fundamentar na análise comparativa de  relações de filogenia, biologia e filosofia. É um ponto onde a filosofia e a ciência tem um excelente ponto de interação. A questão não é simples!

Miguel Gilvan – Academia Pernambucana de Ciência Agronômica - APCA

Caríssimo confrades,

A minha despretensiosa resposta ao Prof. Aleixo faz referência ao artigo, cujo link mencionarei abaixo.

É um artigo muito bom e, necessário para entender o que respondi e ilustrará tudo aquilo, e muito mais, do que o Prof. Romero colocou em seus comentários.

Na minha resposta ao Prof. Aleixo, faria uma única correção: 

a obtenção do Tobacco mosaic virus (TMV)   em forma de cristais, foi em 1935, ao invés de 1936.

E acrescento: 

os vírus satélites, que se replicam na dependência de outros vírus, são verdadeiros parasitas dos seus auxiliares (a doença fica menos severa e a quantidade de partículas dos auxiliares diminuem).

Pasmem, até  naquele nível existem  parasitas, coisas de seres vivos!!!

Porém, eu garanto a vocês, essa é uma questão que não terá fim, porque depende do que se entende sobre o que seja a essência da vida.

Os vírus podem ser mais ou menos estáveis. 

O TMV é, possivelmente, o de maior estabilidade, razão pela qual serviu de ferramenta fundamental para o início da Virologia.

Em cigarros, depois de todos os processos sofridos, pode ter o TMV infectivo. O fumante não deve manusear plantas de solanaceas, sob pena de poder transmitir esse vírus.

Muitos vírus perdem a infectividade em tratamento entre 60 e 65° C. O dano pode ter sido só no ácido nucleico e as partículas ficarem com aparência normal. 

Nesse caso, que aconteceu? Morte? Perda de infectividade, com certeza.

Porém, caríssimos, repito, vejam esse artigo antes de tirar as suas próprias conclusões

https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/biovirus.php

Fim do conteúdo da página

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o fundaj.gov.br, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de privacidade. Se você concorda, clique em ACEITO.