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Ida a Três Marias leva nova abordagem para analisar nível de turbidez das águas do Paraopeba e São Francisco

Publicado: Sexta, 15 de Fevereiro de 2019, 13h39 | Última atualização em Sexta, 15 de Fevereiro de 2019, 18h39 | Acessos: 786

 

O pesquisador Neison Freire, pós-doutorado em risco de desastres naturais da Fundaj, criou um novo processo científico para detectar e acompanhar a contaminação das águas atingidas pelo derramamento de rejeitos em Brumadinho. Ele segue na próxima segunda (18) o município de Três Marias, em Minas Gerais, acompanhado da pesquisadora Beatriz Mesquita, especialista em pesca artesanal da Fundaj.

O método detecta diferenças de energia eletromagnética na água para diferenciar a porção limpa da porção contaminada nos rios São Francisco e Paraopeba. “A superfície terrestre tem diferentes materiais. Cada material tem uma resposta, uma reflexão de energia, que é justamente aquilo que o satélite registra”, explica ele.

Ele compara a água do rio em datas anteriores e posteriores ao desastre. Na água coletada no dia 14/01, antes do rompimento da barragem, não havia sinais de contaminação. Comparado ao dia 30/01, quando a lama já havia chegado ao rio Paraopeba, é possível provar, por meio das imagens, a modificação da energia gerada no rio.

“A gente consegue saber até onde está indo a contaminação. Vamos buscar as datas mais recentes e acompanhar o deslocamento dos rejeitos no rio,” revela. Segundo ele, baseando-se em parâmetros físicos é possível ver o momento em que a lama toca na água e até onde ela se estende.

O procedimento funciona por meio de programação em álgebra espacial. A próxima aplicação será nesta sexta-feira (15) e os resultados serão comparados aos de coletas anteriores, realizadas nos dias 30/01 e em 06/02.

Pesquisadores vão a Três Marias analisar contaminação

Os pesquisadores da Fundaj Neison Freire, pós-doutorado em risco de desastres naturais, e Beatriz Mesquita, especialista em pesca artesanal, seguem nesta segunda-feira (18) para uma expedição de campo no município de Três Marias, em Minas Gerais, onde os rios Paraopeba e São Francisco se encontram. Lá, eles irão analisar a turbidez das águas dos rios atingidos pelo derramamento de rejeitos da mina Córrego do Feijão.

“Com o esse resultado, vamos validar as imagens de satélite que temos em laboratório e comprovar os estudos que estamos conduzindo, para poder ter uma confirmação científica dos resultados”, explicou Neison. Além do alto teor de argila presente na lama, a maior preocupação dos pesquisadores é a possível presença de materiais pesados nas águas, principalmente em período chuvoso. “Não é apenas uma onda de contaminação que veio e foi embora. É um processo contínuo de chuva, erosão e carreamento desse material.”

Também faz parte da agenda de pesquisa entrevistar pescadores, moradores da região e gestores na área de infraestrutura e meio ambiente dos municípios vizinhos que têm água na represa de Três Marias. Já existem relatos de morte de peixes na represa de Três Marias e, segundo Neison, é preciso agilidade para abrir o debate sobre o que fazer com a lama. “O tempo não espera, principalmente o meio ambiente, que segue seu próprio curso.”

Segundo o pesquisador, no caso do São Francisco, não existe tecnologia economicamente viável para filtros em termos de metais pesado. “A pesca artesanal ao longo da Bacia do São Francisco é uma importante fonte de renda para populações socialmente muito vulneráveis,” afirma. Até o momento, a pesquisa estima que 2 milhões e 600 mil pessoas, direta ou indiretamente, serão afetadas pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

A pesquisa completa será elaborada em um dossiê preliminar denominado “Monitoramento Geoespacial da Contaminação do Rio São Francisco Pós-Brumadinho: Possíveis Impactos na Economia, Meio Ambiente, Saúde Pública e Pesca Artesanal.” Os pesquisadores retornam à Fundação Joaquim Nabuco na sexta-feira (22). A partir daí, a instituição lançará a terceira nota técnica através do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados para a Pesquisa Social.

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