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Síndrome de Haff: pesquisadores falam sobre toxinas e qualidade do pescado

Publicado: Sexta, 23 de Julho de 2021, 15h03 | Última atualização em Segunda, 26 de Julho de 2021, 11h34 | Acessos: 180

Em março de 2021, ‘doença da urina preta’ provocou um óbito e intoxicou outras quatro pessoas no Recife. Caso mais recente ocorreu em Goiás, neste mês

Dores musculares no tórax, abdominais, estomacais, e urina escura. Túbulos renais obstruídos pela ruptura de células musculares e a consequente liberação da proteína mioglobina, que podem levar à falência renal aguda. Estes são os sintomas e consequências da Síndrome de Haff, um quadro de intoxicação até onde se sabe provocado pelo consumo de pescados, mas de origem ainda desconhecida. Após casos isolados, mas que acendem o sinal de alerta, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) emitiram, nesta quinta-feira (22), uma nota técnica, publicada no site fundaj.gov.br.

Confira a nota técnica na íntegra

A nota é assinada pela professora de Engenharia de Pesca Juliett Xavier, da Ufal, o professor Ranilson Bezerra, Doutor em Bioquímica de Organismos Aquáticos da UFPE, o pós-doutorando Caio Assis, da UFRPE, e a pesquisadora Beatriz Mesquita, da Fundaj. No documento são descritas orientações a curto e médio prazo, plano de ações, medidas de controle e dicas para escolher bem o pescado, além de uma revisão bibliográfica sobre as principais toxinas aquáticas que geram doenças nos seres humanos, cujas pesquisas aprofundadas a respeito do assunto ainda não são uma realidade. “A ausência de febre e sinais de infecções sugere que a doença seja causada por uma toxina produzida e bioacumulável na cadeia alimentar de ambos os ambientes aquáticos”, explica Juliett Xavier. Ou seja, a possível origem seria a alimentação dos peixes e crustáceos de água salgada e doce.

Nos últimos anos, as ocorrências da “doença da urina preta”, como também é conhecida, têm aumentado no Brasil. Em março de 2021 uma pessoa faleceu e mais quatro foram acometidas de sintomas no Recife, após a ingestão da espécie Arabaiana, o olho-de-boi. Ainda em julho, um jovem de Goiás apresentou sintomas após a ingestão de sashimi de tilápia e salmão (uma iguaria da culinária japonesa em que a carne do peixe é servida crua e fatiada). Ainda que raros, se comparados ao número de consumidores, o consumo de pescado tem entrado no debate sobre segurança alimentar. “Os organismos aquáticos são seres que possuem uma alta capacidade de incorporar e ou biotransformar, tanto micronutrientes, como vitaminas, minerais e vários bioativos, quanto agentes tóxicos”, ressalta a nota.

A Fundaj é membro do Comitê de Pesca do Estado de Pernambuco, arena onde as demandas se iniciaram. Os episódios culminaram na diminuição do consumo de pescado e, naturalmente, prejuízo aos pescadores e pescadoras artesanais, sobretudo com a divulgação de informações contraditórias e até falsas. De acordo com a pesquisadora Beatriz Mesquita, as lideranças da pesca se reúnem em um grupo do Comitê, e foi nessa arena que a diminuição da demanda por pescados ficou evidenciada. “Fizemos um levantamento bibliográfico que gerou um mapa com o histórico dos casos no mundo. Depois, colaborando com especialistas da área, começamos a nota técnica. Promovemos, ainda, a discussão do tema no webinário De Frente Pra Costa, um ciclo de debates realizado continuamente a mais de 10 anos pela Fundação”, conta a pesquisadora.

Para Beatriz Mesquita, investimentos em pesquisa precisam ser feitos, levando em consideração a saúde e o impacto à cadeia produtiva, às comunidades tradicionais costeiras e ribeirinhas. “Todo o nosso esforço nos mostra o quanto é importante estimular pesquisas sobre o tema. No mundo inteiro, ainda não se tem uma resposta para a doença. Essa é a grande conclusão”, explica. De acordo com ela, precisa-se de pesquisas interdisciplinares que envolvam, inclusive, a área médica. “É necessário que haja uma interação entre grupos de pesquisa multidisciplinares que estudem o ambiente do pescado, as espécies de peixes e sua ecologia, com a interação com o ser humano”, aposta. Por ora, não existe uma resposta concreta. Exceto que a atenção às características do pescado não deve ser negligenciada. Detalhes disponíveis na nota publicada.

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