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Bioma caatinga é destaque na Semana do Meio Ambiente da Fundaj

Publicado: Segunda, 07 de Junho de 2021, 11h35 | Última atualização em Segunda, 07 de Junho de 2021, 11h35 | Acessos: 38

Evento debateu pesquisas, biodiversidade e desertificação do bioma. A programação do seminário foi finalizada na tarde desta quarta-feira (02), com transmissão ao vivo pelo YouTube da Fundaj

 

Realizada pela primeira vez no formato on-line por conta da pandemia no coronavírus (COVID-19), a Semana do Meio Ambiente — 30 de maio a 5 de junho —, promovida tradicionalmente pela Fundação Joaquim Nabuco, aconteceu nos últimos dias 1 e 2, com transmissão no YouTube da Fundaj, com a temática principal “Oportunidades e Ameaças no Bioma Caatinga”. Tratado como um momento para debates esclarecedores e de reflexão das ações em relação à questão ambiental, a abertura do encontro foi realizada pelo Diretor da Diretoria de Pesquisas da Casa, Luis Henrique Romani.

"O bioma Caatinga está extremamente ligado ao desenvolvimento, origens e história da Fundaj. As primeiras pesquisas foram focadas nesse bioma que toma o Nordeste brasileiro, por isso é tão importante e especial para a Instituição", enfatizou Romani em seu discurso de abertura. A apresentação da primeira mesa ocorreu às 10h, com debate acerca do "Panorama da Pesquisa no Bioma Caantiga". Participaram o coordenador do seminário e pesquisador da Fundação, Neison Freire, e o coordenador regional do Projeto Rural Sustentável Caatinga, Francisco Campelo.

"No momento em que o meio ambiente está em xeque em todo o mundo, com novos desafios para a geração atual e futura, ter a oportunidade de contribuir e debater com grandes profissionais sobre o único bioma exclusivamente brasileiro é um prazer. Nós vemos que há uma relação cada vez mais conflituosa entre o homem e o meio ambiente, com a ação de desmatamento, poluição, globalização, comércio cada vez mais intenso e outros fatores. Isso nos traz novos desafios e estamos interessados em debater para um mundo mais sustentável", comentou Neison.

Para finalizar a mesa do turno da manhã do primeiro dia do seminário, o coordenador regional do Projeto Rural Sustentável Caatinga, Francisco Campelo, deixou suas considerações sobre a temática, pontuando, principalmente, o comportamento das pessoas no ambiente da caatinga. "O mais importante é ter o compromisso com a sustentabilidade, ou seja, o uso criterioso do bioma. É preciso ter a responsabilidade para que o ser humano olhe para o bioma de forma mais consciente, pois não podemos correr o risco de perder esse espaço tão importante e valioso. É essencial aliar o uso com critério de sustentabilidade no processo de conservação para diminuir o esforço na restauração. Além de incentivar as relações institucionais, para que as empresas mudem o olhar com relação ao meio ambiente", finalizou.

A tarde foi marcada pela mesa “Biodiversidade e Desertificação na Caatinga”. O debate teve mediação de Bartolomeu Israel, do Departamento de Geociências da UFPB, e contou com palestras das pesquisadoras da Fundaj, Alexandrina Sobreira, e Edneida Cavalcanti, do Diretor Presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Bezerra, e do Coordenador Geral do Caatinga, Paulo Pedro de Carvalho. Alexandrina foi a primeira palestrante da mesa e destacou a importância do trabalho de programas como o Programa MaB - Homem e Biosfera, criado pela Unesco em 1971 que tem por objetivo harmonizar as relações entre as populações e o meio ambiente em todo o planeta a partir do monitoramento, pesquisas e gerenciamento de ecossistemas. A pesquisadora ainda falou sobre os maiores desafios para as reservas da biosfera, como os desastres naturais, a pobreza e exclusão social, e a importância da criação dos Comitês Estaduais para preservar a identidade das biosferas no Brasil.

Atualmente, há cerca de 700 biosferas distribuídas em 124 países. A Reserva da Biosfera da Caatinga, criada há 20 anos, representa uma das mais populosas e ricas em biodiversidade das regiões áridas. Alexandrina trabalhou desde o início para o credenciamento internacional da Caatinga como Reserva da Biosfera, inserindo-a no programa MaB. Além disso, divulgou a riqueza desse bioma em várias conferências da ONU em que integrou as delegações brasileiras. Atualmente, o Brasil conta com 7 biosferas que trabalham em rede, atuando na defesa do patrimônio natural, cultural e do desenvolvimento sustentável. “Nossa caatinga, com toda riqueza e capacidade de resiliência, é uma das florestas secas mais extensas da América do Sul e, por isso, nós tivemos a oportunidade de defender a importância do bioma para entrar nas biosferas mundiais”, disse.

Seguindo a mesa, o Diretor Presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Bezerra, falou sobre o trabalho da ONG. Ele chamou atenção para a necessidade da educação ambiental para a preservação da caatinga, com ações na escola e com a população. “Nós queremos mostrar que é um ambiente rico em fauna, flora e biodiversidade”, ressaltou. A pesquisadora da Casa, Edneida Cavalcanti prosseguiu o debate com a apresentação “Degradação ambiental, semiaridez, desertificação - com que convergências podemos trabalhar?”. Ela explicou a origem da expressão desertificação e falou sobre o enfoque geográfico, histórico e ecológico presente em trabalhos literários ligados ao contexto da semiaridez. “A desertificação é um problema ambiental, resultado da degradação ambiental num determinado contexto socioecológico e carregado de complexidade e dilemas conceituais e semânticos”, completou Edneida. Em seguida, a pesquisadora destacou os recortes e interpretações nas políticas públicas. “Precisamos ir para uma perspectiva mais integrada, que fale da problemática ambiental no sentido mais amplo e na complexidade que está por trás disso”, refletiu.

O último palestrante do primeiro dia foi o Coordenador Geral do Caatinga, ONG do Sertão do Araripe, Paulo Pedro de Carvalho. Ao longo da sua fala, ele ressaltou a falta de apoio de gestores para a preservação do bioma. “A agroecologia cuida do meio ambiente e das relações saudáveis entre as pessoas, da luta e defesa pelos direitos humanos do cidadão. Precisamos estudar cada vez mais e valorizar os nossos saberes do bioma caatinga”, acrescentou. Ele ainda finalizou destacando a importância de se usar o espaço da internet para a comunicação sobre a riqueza da caatinga e as formas de resistência com o semiárido. Após as palestras, o professor Bartolomeu Israel ressaltou a importância de se debater e pesquisar sobre o tema para incentivar as políticas públicas. “Ficou claro a importância das políticas públicas para conter os efeitos das secas, do desmatamento, das questões sociais e políticas complexas”, concluiu.

Segundo dia debate educação, Unidades de Conservação, povos e comunidades tradicionais

O segundo e último dia da Semana do Meio Ambiente, ocorreu na quarta-feira (02). A “Convivência com o Semiárido - Educação, Contexto e Pandemia”, temática principal da mesa, iniciou às 10h, e contou com a mediação da pesquisadora da Casa, de Janirza da Rocha Lima. “O nosso principal objetivo nessa mesa é refletir sobre a educação contextualizada, os desafios que a região semiárida está enfrentando com o cenário da pandemia do coronavírus (COVID-19), os caminhos que já foram percorridos pela Fundação Joaquim Nabuco acerca da temática e mostrar alguns caminhos alternativos”, pontuou Janirza na abertura do seminário.

Participaram da mesa a pesquisadora da Instituição, Edilene Pinto, os professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Josemar Martins (Pinzoh) e Maísa Antunes, e o professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Marcelo Ribeiro. Josemar foi o primeiro palestrante da mesa e destacou a importância da educação se relacionar com a realidade do semiárido e de quem vive na região. “Pra mim uma das coisas mais importantes que a gente ainda carece e precisa desenvolver melhor, é a necessidade de produzir uma racionalidade. Essa racionalidade é capaz de possibilitar uma convivência melhor com o ambiente, coloca em prática o desenvolvimento real e sustentável”, enfatizou.

Seguindo a mesa, a professora do Estado da Bahia (UNEB), Maísa Antunes, falou sobre as diversas quarentenas existentes na região do semiárido brasileiro. “A pandemia veio para provocar algumas crises que estão relacionadas aos diversos aspectos de nossa vida, seja profissional, social, educacional, sanitária. Ela nos apresentou as várias vertentes da nossa realidade, e nos revelou a possibilidade de viver outras alternativas, com outros modos de vida, modificando totalmente o que já era imposto, como trabalho, consumo e lazer”, compartilhou Antunes.

Marcelo Ribeiro, professor da Universidade Federal do Vale São Francisco (Univasf), deu continuidade aos debates na mesa da manhã. Ele pontuou a importância da educação para a melhor relação da convivência com o semiárido e as relações com o cenário pandêmico que enfrentamos. “O ambiente somos nós e, a partir disso, podemos pensar na nossa relação com a vida e com o todo. A pandemia veio para ampliar as desigualdades, pois vai atingir mais fortemente os grupos vulneráveis. Porém, por outro lado, a experiência desse cenário tem nos mostrado um novo caminho e outras necessidades para os seres humanos, como a questão da solidariedade e a ruptura com os paradigmas individualistas, por exemplo”, comentou.

Para finalizar os debates do turno da manhã, Edilene Pinto, pesquisadora da Casa, pontuou a importância das atividades promovidas pela Fundaj durante anos acerca da temática. “A Fundaj sempre incentivou a promoção da educação contextualizada para a convivência com o semiárido, que tem como objetivo informar e formar os cidadãos para a possibilidade de vida digna na realidade da região de semiaridez. Precisamos debater e levantar essa pauta tão importante com autoridades que possam realmente mudar a realidade e promover o desenvolvimento para reduzir as desigualdades sociais”, finalizou.

O turno da tarde iniciou com a mesa “Unidades de Conservação, Povos e Comunidades Tradicionais”. O debate teve mediação de Beatriz Mesquita, pesquisadora da Fundaj, e palestras de Antônio Crioulo, coordenador executivo da CONAQ e Liderança da Comunidade de Conceição das Crioulas (Salgueiro/PE), e dos pesquisadores da Casa, Solange Coutinho, Pedro Silveira e Neison Freire. Pedro Silveira foi o primeiro palestrante, que iniciou a apresentação destacando os ataques violentos que aconteceram recentemente por parte dos garimpeiros às comunidades. Dentre as reflexões escolhidas pelo pesquisador para nortear sua fala, estavam: o que vem junto com a caatinga? Que tipo de coexistência ou conflitos de existências se dão? “Se estamos pensando em povos e comunidades tradicionais, unidade de conservação e caatinga, precisamos entender o conjunto de relações que compõem essa caatinga hoje”, destacou. As relações a que o palestrante se refere são dos animais, solo, chuvas e seres humanos com o ambiente.

Ele seguiu refletindo sobre o contexto histórico na região, com a relação de conquista e exploração no sertão colonial e processos como o de expulsão dos povos indígenas litorâneos. De acordo com o pesquisador, os modos de vida desses povos e comunidades tradicionais compõem uma paisagem que inclui uma convivência com outras espécies, mantendo a biodiversidade do bioma. “As estratégias que vêm sendo desenvolvidas nas últimas décadas com relação à ideia de convivência com o semiárido são fundamentais para se pôr em prática um projeto de bem viver na caatinga”, finalizou a reflexão.

A mesa seguiu com a palestra de Antônio Crioulo. O ativista falou sobre a importância das comunidades quilombolas como espaços de resistência dos negros que, além de manter uma relação com a cultura ancestral, também vivem de forma harmoniosa com o meio ambiente. “A nossa preocupação enquanto comunidade quilombola é produzir para comermos e produzir de maneira que tenhamos uma relação harmoniosa e não degrade totalmente a terra”, ressaltou Crioulo. De acordo com ele, no Brasil há cerca de 6 mil comunidades quilombolas, 196 delas em Pernambuco. Antônio também refletiu sobre a falta de políticas públicas direcionadas para que as comunidades possam fazer o cultivo.

Solange Coutinho deu continuidade ao debate apresentando “Unidades de conservação como lugares educadores”, pesquisa com objetivo de avaliar unidades de conservação como lugares educadores no âmbito das políticas públicas vinculadas à educação e à sustentabilidade, a partir da sua inserção na educação formal e não formal. “A educação contextualizada contribui na proteção do ambiente, uma vez que conduz ao reconhecimento do lugar, o que cria corresponsabilidade com a sua qualidade ambiental”, afirmou a pesquisadora da Casa. A pesquisa foi iniciada em 2017 pela Coordenação Geral do Centro de Estudos em Dinâmicas Sociais e Territoriais (Cedist) da Fundaj e avalia as seguintes unidades: Monumento Natural do São Francisco, o Parque Nacional do Catimbau, a Resex Acaú-Goiana, a APA-Costa dos Corais e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão.

O pesquisador Neison Freire foi responsável pela última apresentação da mesa e do evento. A pesquisa do mapeamento das 14 unidades de proteção integral do bioma caatinga foi escolhida para integrar o tema. “Nos causa muita preocupação identificarmos, em áreas de proteção integral, mais de 2540 km² em áreas degradadas”, afirmou Freire. A pesquisa durou quatro anos e foi conduzida pela Fundaj e pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em parceria com outras universidades, pesquisadores e professores. Alguns dos resultados foram o site “Atlas Das Caatingas”, o videodocumentário “Caatingas em Risco”, workshops, seminário, cursos, livro, monografias, entre outros.

Dentre as conclusões, Neison destacou: "Há graves conflitos socioambientais entre as populações tradicionais e do entorno, pouca ou nenhuma integração com as escolas públicas dos municípios do entorno, baixos indicadores socioeconômicos em geral, falta de recursos humanos e financeiros e infraestrutura local, pouco ou nenhum conhecimento da população local. As unidades de conservação estão praticamente abandonadas”. No Parque Nacional do Catimbau, por exemplo, foram observados a degradação ambiental como supressão da vegetação e o surgimento de solo exposto. As mesas tiveram mais de 400 visualizações durante os dois dias e seguem disponíveis no canal do YouTube da Fundação Joaquim Nabuco.

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