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Programação de lançamento do selo de 100 anos de Clarice Lispector emociona

Publicado: Quinta, 01 de Outubro de 2020, 16h27 | Última atualização em Quinta, 01 de Outubro de 2020, 16h27 | Acessos: 73


Fundaj foi instituição escolhida, pelos Correios, para obliteração em Pernambuco. Palestra de Fátima Quintas desvenda autora de Perto do Coração Selvagem

 

“Clarice Lispector (1920—1977) viveu a vida toda buscando o mistério da existência”, resume a antropóloga Fátima Quintas. Nesta quarta-feira (30), sua palestra integrou o lançamento do selo comemorativo em homenagem ao centenário de nascimento da escritora naturalizada brasileira. A iniciativa dos Correios foi promovida, em Pernambuco, em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). A cerimônia de lançamento, transmitida no canal da Instituição no YouTube, contou também com a participação do presidente da Fundaj, Antônio Campos, e do superintendente dos Correios em Pernambuco, Ademar Morais.

“A sua leitura da alma humana é algo que nos instiga até hoje. Há dez anos fiz uma palestra sobre Clarice Lispector e sua geografia fundadora no Recife. Pernambuco precisa estar ainda mais próximo dela. Ela está no Ginásio Pernambucano, onde estudou, nos banhos de mar em Olinda, em sua casa no centro do Recife. Esse lançamento do selo na Fundaj é de grande simbolismo e agradecemos aos Correios”, celebrou Antônio Campos, entre a leitura de trechos da autora de títulos como Laços de Família (1960) e A Paixão Segundo G.H. (1964). Na sequência, o presidente da Fundaj obliterou o selo, com a imposição de carimbo sobre o adesivo.

“Os selos têm registrado todos os grandes acontecimentos do País e homenageado seus personagens. A Literatura Brasileira tem um destaque especial nesta galeria e lançar um selo em homenagem a Clarice Lispector faz jus a uma das mais importantes escritoras da literatura nacional. A história da literatura jamais estaria completa sem uma peça em sua homenagem. Ela soube com maestria tratar das questões da alma. Ficamos felizes com uma peça tão singular, que expressa a vitalidade de Clarice, ainda mais pela bela arte ter sido criação de sua neta”, comemora Ademar Morais.

O selo comemorativo estará disponível nas principais agências do País, com valor de R$ 2,05 a unidade, e na loja online dos Correios (link: bit.ly/3kOF5xS). Para a homenagem, uma tiragem de 900 mil selos foi produzida. Na sequência à obliteração, Fátima Quintas falou das angústias e histórias da escritora que viveu, até os 14 anos, no Recife. “Falar de Clarice não é simples. Ela é uma escritora complexa, de escrita densa, que nos leva a refletir muito. A construção da sua escrita é extremamente singular e original. Coisa que ela nunca se preocupou, ao contrário, foi uma escrita que a alimentou cada vez mais”, iniciou Quintas.

A antropóloga lembrou que Clarice tinha aversão a classificações. “Não a vejo com modernista, mas como Clarice. Ela mesma criou a sua linguagem, sua forma de escrever”, destaca, ao falar da fixação da escritora pela compreensão da morte. “Clarice carregou durante sua infância e adolescência da culpa de não ter curado a mãe. Quando ela nasceu, tinha o nome de Chaya, que quer dizer ‘vida’. A origem de toda a história fica nela, que sente uma culpa enorme durante a vida inteira”, defende. Mania ‘Marieta’ Krimgold Lispector faleceu em 1933, de uma doença degenerativa, quando a filha tinha apenas 13 anos.

Especialista em Clarice Lispector, Fátima Quintas falou da infância e adolescência de poucos recursos da homenageada, lembrou crônicas como Restos de Carnaval, as mudanças de Pernambuco para o Rio de Janeiro, o casamento com o diplomata brasileiro Maury Gurgel Valente, que acompanhou por diversos países. Outro ponto abordado na palestra, foi a relação de Lispector com outros autores. “O primeiro romance de Clarice, Perto do Coração Selvagem, foi escrito em 1943. O título é uma epígrafe de James Joyce, mas é curioso que ela nega a influência do autor. No entanto, ela não negava a influência de Katherine Mansfield e Virginia Woolf.”

Ao fim da cerimônia, a atividade relembrou os recitais promovidos pela Fundaj na Festa Digital do Livro, em abril, que dedicou 18 horas de programação a Clarice. A atriz Maria Fernanda Cândido leu trechos do título Felicidade Clandestina (1971), enquanto a atriz Beth Goulart leu Perto do Coração Selvagem. Por sua vez, o escritor norte-americano Benjamin Moser leu o romance A Cidade Sitiada (1948), já o roteirista e diretor Marcelo Gomes leu Água Viva (1973) e o cantor Almerio leu a crônica É para lá que eu vou, do livro Onde estivestes de noite (1974).

A transmissão completa pode ser conferida em https://bit.ly/2Geo8hp

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