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Luzilá Gonçalves revela Clarice Lispector

Publicado: Sexta, 11 de Setembro de 2020, 17h40 | Última atualização em Segunda, 28 de Setembro de 2020, 16h33 | Acessos: 105

Ocupante da cadeira 31, da Academia Pernambucana de Letras, escritora comenta literatura clariciana e conta histórias sobre autora, nesta quarta (30), às 17h. Palestra faz parte do projeto Celebração da Memória, uma parceria da Fundaj com a APL

 

O escritor Affonso Romano de Sant'Anna ficou eufórico ao receber a confirmação de que Clarice Lispector (1920—2020) estaria presente em uma aula dedicada a ela. O que o jovem professor da PUC-Rio não esperava era que ela iria embora, sem dar qualquer satisfação, entre uma apresentação e outra dos estudantes. “Aquelas falas todas… Foi me dando uma fome”, justificou, mais tarde, a autora. Quem conta, aos risos, essa história é a escritora Luzilá Gonçalves. Nesta quinta-feira (30), às 17h, ela dá continuidade ao ciclo de palestras do projeto Celebração da Memória promovido pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no YouTube, em parceria com a Academia Pernambucana de Letras (APL).

Natural da Ucrânia, Clarice Lispector migrou com a família para o Nordeste brasileiro, em 1922, ainda menina. Filha de família judaica que fugia da perseguição iniciada ainda na Primeira Guerra Mundial. “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”, disse, ao reconhecer o Brasil como sua pátria. “Homenageamos Clarice para assegurar um direito dela, que nunca esqueceu o Recife tão mencionado em suas crônicas. De escrita singular, permanece pungente. Ainda mais neste ano, em que comemoramos seu centenário de nascimento”, celebra o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

Com dezenas de títulos publicados, dentre eles Muito Além do Corpo (1988) e A Cabra Sonhadora (2012), Luzilá lembra que a primeira vez que ouviu falar sobre a literatura de Lispector foi em 1944, na extinta Folha da Manhã. Um ano após o lançamento de Perto do Coração Selvagem (1943), o crítico literário Antonio Candido a reconheceu como “uma tentativa de renovação”. “Fiquei curiosa! Quem era essa pessoa tida como um acontecimento na literatura brasileira?”, conta Luzilá. “Eu era apaixonada por Katherine Mansfield e por Virginia Woolf. Reconheci em Clarice aquele fluxo da consciência, dos gestos não explicados, do ministério das relações humanas.”

Longe das coincidências, em certo momento a própria Clarice se reconheceu nas referências de Luzilá. “Mas essa mulher sou eu”, teria dito ao ler Mansfield. Por isso, o fenômeno de uma literatura tida “feminina” motivou a ocupante da cadeira 31, da APL, a se aprofundar na temática, sobre a qual é hoje uma das referências no Brasil. Sobretudo, na Literatura Escrita por Mulheres e na Imprensa Feminina em Pernambuco. Natural do município de Garanhuns, a acadêmica veio ainda menina viver no Recife. Assim, como Lispector. Por isso, assegura que outro aspecto que não ficará de fora será “o Recife de Clarice”.

“Ela andou por nossas pontes, morou na rua da Imperatriz, em velhos sobrados, roubou rosas em jardins de ricos, sonhava ler livros que a família não podia comprar na antiga livraria Berenstein”, revela, ao contar de documentos encontrados no colégio Ginásio Pernambucano — onde Clarice e o poeta João Cabral de Melo Neto (1920—1999) estudaram —, e que irá apresentar na palestra, junto às diversas histórias que ouviu das pessoas que conviveram com a homenageada. “Era inquieta, carregava consigo os dilemas e as contradições. Foi uma ‘cidadã do mundo’, por isso, todos os questionamentos humanos, de qualquer país, estão nela”, conclui.

Programação:

30 de setembro
Clarice Lispector
Palestra proferida pela acadêmica Luzilá Gonçalves Ferreira

7 de outubro
A poesia de Joaquim Cardozo
Palestra proferida pelo acadêmico José Mário Rodrigues

21 de outubro
João Cabral de Melo Neto, centenário de nascimento
Palestra proferida pelo acadêmico Alvacir Raposo

28 de outubro
Narrativas da memória
Palestra proferida pelos acadêmicos José Luis da Motta Menezes e Lucilo Varejão

4 de novembro
Gilberto Freyre
Palestra proferida pela acadêmica Lectícia Cavalcanti

11 de novembro
Três homens chamados João e os 90 anos da Revolução de 30
Palestra proferida pela acadêmica Ana Maria César

18 de novembro
Lourenço Barbosa – Capiba
Palestra/recital proferida pela acadêmica Elyana Caldas Silveira

Serviço
Palestra: Clarice Lispector, por Luzilá Gonçalves Ferreira
Data: 30 de setembro
Horário: 17h
Transmissão no YouTube da Fundaj

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