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A homenagem da Fundaj ao nordestino Patativa do Assaré no Dia do Escritor

Publicado: Quinta, 30 de Julho de 2020, 10h02 | Última atualização em Quinta, 06 de Agosto de 2020, 13h32 | Acessos: 85

Transmissão ao vivo, no canal da Fundação Joaquim Nabuco no YouTube, foi marcada por oficinas para crianças e debates sobre o poeta cearense

O escritor recifense Manuel Bandeira dizia que o poeta cearense Patativa do Assaré (1909-2002) falava a língua do povo e retratava seu dia a dia nos próprios versos. Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, foi o homenageado pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) no Dia do Escritor, que celebrou literatura popular, nesta quarta-feira, 29 de julho. Em comemoração à data, a Instituição realizou uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, com mediação da jornalista e professora Andrea Trigueiro.

A programação contou com oficina de cordel para crianças e debates sobre Patativa do Assaré e literatura popular, além da participação do cantor e compositor recifense Publius Lentulus, responsável pela trilha sonora. Na abertura do evento, a cordelista Susana Morais destacou a importância da escrita para a inclusão social e o desenvolvimento emocional da criança. Ela também visitou a obra do homenageado durante a apresentação.

“Pensar rimando é diversão. Ensinar o que são estrofes e versos para a criançada é fundamental para o processo de aprendizagem. O contato com a literatura infantil desde cedo estimula a criatividade, a empatia, o raciocínio, o respeito, a imaginação, o desenvolvimento cognitivo e da linguagem”, ressaltou Susana, que também é contadora de histórias.

Dando continuidade ao encontro, os professores Gilmar de Carvalho (da Universidade Federal do Ceará – UFC) e Francisco Palácio (da Universidade Patativa do Assaré) ressaltaram o legado de Patativa do Assaré para a Literatura Brasileira. Ambos conviveram de perto com uma das figuras mais importantes do Nordeste.

“Faz 18 anos que Patativa morreu, mas só agora ele é colocado no lugar que é dele. Patativa era meu amigo, um autodidata e agricultor das mãos grossas. Foi violeiro também, fez muitos cordeis, mas sempre foi um poeta. Tinha como virtudes a coerência e a sensibilidade para compreender questões que estão perto da gente”, declarou o escritor e publicitário Gilmar.

Francisco Palácio fez coro a Gilmar de Carvalho. “Ele deixou a seguinte lição: ‘o poeta precisa ser sensível para que a leitura seja agradável’. Patativa demonstrou essa sensibilidade em sua escrita e oralidade. Tive a oportunidade de conhecê-lo em Assaré. Em 2011, tivemos a ideia de criar uma instituição com o seu nome. A ideia era difundir as obras do poeta e o seu acervo, levando assim mais conhecimento para as pessoas. Na universidade a gente explora textos de Patativa de forma mais profunda”, disse.

Para fechar a programação, o poeta e professor Felipe Júnior, que preside a Associação Pelo Cordel em Pernambuco (Acordel), e o editor, cordelista, poeta e declamador Altair Leal falaram da relação de Patativa com a literatura popular e sua identificação.

“Patativa é um ícone para a poesia popular. Diria que é a pedra fundamental, principalmente na literatura de cordel. O ponto máximo do poeta é construir uma poesia simples e que atinja a todos. A poesia de Patativa era ilustrativa, fazendo com que o leitor vivenciasse o que o poeta diz. Sua forma de falar e escrever era simplificada e sensível. Patativa é um ser atemporal. Essa é a melhor definição”, afirmou.

“Patativa é um dos poetas mais fortes da poesia popular. Todo cordel é poesia popular, mas nem toda poesia popular é cordel. A poesia de Patativa era simples, política e social. Tudo dele tinha um lado social, humano e crítico. Sua sensibilidade era incrível”, completou Altair Leal.

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