Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Imprensa > Fundaj: análise de dados do Caged aponta 190.081 postos de trabalho fechados no Nordeste até abril
Início do conteúdo da página

Fundaj: análise de dados do Caged aponta 190.081 postos de trabalho fechados no Nordeste até abril

Publicado: Segunda, 08 de Junho de 2020, 18h32 | Última atualização em Segunda, 08 de Junho de 2020, 18h32 | Acessos: 149

Pesquisa também aponta que 1.257.750 trabalhadores foram beneficiados pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda na região

Só no mês de abril, 126.834 postos de trabalho foram fechados no Nordeste. Somado aos números de janeiro, fevereiro e março, o total de demissões acima das contratações de empregos formais em 2020 é de 190.081. Destaca-se também que em 883 municípios nordestinos o saldo do emprego formal ainda é positivo. Esses possuem mercados de trabalho menores. As questões são observadas na nova análise feita pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), por meio de seu Núcleo de Estudos em Estatísticas Sociais (NEES). A pesquisa é baseada nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Além do mencionado, o material desenvolvido também traz dados do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda.

“Os setores mais afetados com as demissões são, respectivamente, o Comércio, a Indústria de Transformação, Alojamento e Alimentação e de Construção. O total de beneficiados pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda no Nordeste é de 1.257.750. Ao todo, aproximadamente 16,6% do mercado de trabalho formal nordestino está direta ou indiretamente afetado pela COVID-19”, afirmou o diretor da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes) e pesquisador do NEES da Fundaj, Luis Henrique Romani.

O primeiro destaque da pesquisa é para a perda de mais de 120.000 empregos em abril de 2020 na região, enquanto em abril de 2019 houve ganho no agregado. Nessa época, no ano passado, foram efetivados 67% de todos os desligamentos acumulados ao longo de 2020. A comparação direta entre os acumulados de 2020 e 2019 mostra que houve aproximadamente 140.000 fechamentos de postos formais de trabalho a mais em 2020, o que indica uma tendência sombria para o mercado de trabalho. Vê-se que Bahia, Pernambuco e Ceará são os estados que mais perderam postos, em termos absolutos e relativos. Comparando a perda acumulada em emprego formal com a estimativa de estoque de emprego de 2019, nota-se que Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte são os estados em pior situação.

Para a análise, os pesquisadores da Fundaj também montaram uma tabela dos dados em níveis municipais. “O número de municípios onde o saldo de emprego é positivo (909) é superior aos que tiveram perda de emprego (883). Contudo, a maior parte da população trabalha nos municípios onde houve perda de emprego. Isso ocorre porque o ganho de emprego ocorreu nos municípios pequenos. Porém, mesmo nos municípios cujo acumulado ainda é positivo, há perda de postos”, destacou a pesquisadora do NEES da Fundaj Isabel Raposo. Em geral, o estoque médio dos municípios com ganho de empregos é inferior a 2.000 postos, enquanto, na média, os que perdem emprego flutuam entre 4.500 e 14.800 postos.

O mapa elaborado apresenta a distribuição espacial dos municípios com saldo positivo (representados em verde) e com saldo negativo (representados em vermelho). “É importante fazermos a análise dessa forma porque a expansão da Covid-19 tem apresentado dinâmica espacial de espalhamento a partir dos grandes centros urbanos. O que se nota é que os municípios com saldo acumulado positivo estão localizados mais ao interior da região Nordeste. A região da Zona da Mata está com marcação majoritariamente negativa. Já as regiões com dinâmicas econômicas onde a agricultura possui papel importante tendem a ter saldos positivos, como por exemplo, o cerrado dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia”, afirmou a pesquisadora do NEES da Fundaj Michela Camboim.

Na divulgação do Caged, também foi disponibilizado o salário médio real de admissão no Brasil. O valor médio de contratação de abril foi de R$ 1.814,62, uma alta de 7,6% sobre março. Tal informação pode parecer, a princípio, inconsistente, uma vez que em abril houve uma brutal destruição de trabalho formal, o que levaria a uma redução da média salarial. “A possível explicação para esta dinâmica é que as contratações estão centradas em funções onde as necessidades das empresas sejam muito grandes, o que combina com perfis de escolaridade mais altas e/ou conhecimento prático específico e estratégico. Infelizmente, não estão disponíveis, ainda, desagregações do salário médio real de contratação por estados, por setores ou por escolaridade, o que permitiria comprovar esta hipótese”, afirmou Romani.

Os dados do “Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda” também foram divulgados. Esse programa permite a flexibilização do contrato de trabalho com os empregadores podendo reduzir a carga de trabalho (e o salário) ou até mesmo suspender o contrato de trabalho. Os trabalhadores que passarem por essa situação terão assistência do seguro desemprego. Ao término do período de flexibilização, a empresa se compromete a manter o funcionário por tempo similar ao que ficou com contrato suspenso ou reduzido. No relato do Ministério da Economia, o número de empregados que estão passando pela situação estão classificados como “empregos preservados”. Até o dia 25 de maio, a contagem deles estava em 8,1 milhões de empregados e 1,2 milhões de estabelecimentos. A estimativa de gastos com o programa estava em R$ 14,2 bilhões.

Um dos gráficos construídos apresenta a composição dos tipos de contratações que envolvem o Programa. Nota-se que a grande maioria dos trabalhadores está em redução acima de 50% do seu contrato de trabalho. Isso indica que há uma grande redução da massa salarial do emprego formal e, ao mesmo tempo, a importância desse tipo de política para diminuir os efeitos negativos das medidas de distanciamento social. Outro gráfico apresenta o número de contratos beneficiados pelo programa por estado do Nordeste. Ao todo, são 1.257.750 trabalhadores. Os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco concentram a maior parte dos beneficiários, em linha com o peso econômico desses estados na economia nordestina.

Segundo dados da PNAD Contínua do último trimestre de 2019, o emprego formal representava 40% dos trabalhadores do Nordeste. Ou seja, essa pesquisa mostra um impacto muito grande, mas não está mostrando o quadro todo, pois 60% dos trabalhadores nordestinos não entram nas estatísticas do sistema Rais/Caged. Conclui-se que a deterioração do mercado de trabalho pode ser bem maior do que a apontada nesse material.

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página