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Sucesso! Festival Digital do Livro soma mais de 3,4 mil acessos em 23 países

Publicado: Sexta, 24 de Abril de 2020, 12h52 | Última atualização em Sexta, 24 de Abril de 2020, 12h53 | Acessos: 179
Em maratona com 18 horas de programação, iniciativa da Fundação Joaquim Nabuco emocionou público em homenagens a Clarice Lispector e à literatura mundial
 
A Festa Digital do Livro promovida pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), nesta quinta-feira (23), alcançou repercussão internacional. O evento online celebrou o Dia Mundial do Livro e homenageou a escritora Clarice Lispector, cujo centenário será comemorado neste ano. Em uma maratona de 18 horas ininterruptas de programação, foram mais de 3,4 mil acessos em território nacional e países como Argentina, Austrália, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Inglaterra, Índia, Israel, Japão e outros 12 países. A transmissão, realizada via YouTube e replicada nas demais redes da Instituição, recebeu elogios. A gravação completa ficará disponível a partir desta sexta (24) no YouTube da Fundaj.
 
Em Pernambuco, universidades tornaram a ‘live’ a aula do dia. Enquanto os Institutos Federais de Ensino compartilharam o conteúdo chamando os estudantes para participarem. Para o presidente da Fundação, o escritor, Antônio Campos, a experiência apontou uma direção para a TV Fundaj, projeto em fase de construção. “Ao bem da verdade, toda crise é também um momento para pensar novos modos. A Fundaj sempre esteve atenta às novas tecnologias e, neste momento, não poderíamos fugir à regra. Foi o nosso compromisso com a memória, a pesquisa e a educação que nos levou a tantos lugares”, comemorou.
 
Participaram da celebração escritores, professores, especialistas em literatura e personalidades de outras linguagens artísticas. O evento contou com a mediação do jornalista Ivan Júnior, direto da sede da Fundação, em Casa Forte, no Recife. A professora da UFRPE Sherry Almeida foi uma das primeiras entrevistadas e falou sobre a presença fundamental do não dito e do cotidiano nas obras de Clarice, além de dar dicas para a leitura da autora de A Paixão Segundo G.H. (1964). Enquanto, à noite, o escritor Marcelino Freire respondeu sobre si e seu trabalho, comparando-os à semelhante trajetória de deslocamentos de Clarice.
 
A escritora brasileira — embora de naturalidade ucraniana — foi apresentada sob diversos ângulos e formas, na grande maioria das vezes sob o olhar de mulheres como ela. Como na participação da psicanalista Isabela Cribari, que abordou as subjetividades, da perspectiva da abordagem freudiana, e seus desdobramentos nas obras de Lispector. As familiaridades entre a autora, suas produções e as experiências humanas, aliás, foram aspectos também refletidos pela escritora Georgia Alves. Trechos de sua antologia foram recitados por nomes como as atrizes Beth Goulart e Maria Fernanda Cândido, o cantor pernambucano Almério, dentre outros.
 
Os jornalistas Luís Pellanda e Marcelo Pereira comentaram sobre a crônica de Clarice. Marcelo lembrou também o cronista pernambucano Antônio Maria (1921-1964). Enquanto o crítico literário José Castello comentou a identidade da escritora, seus públicos, a recepção do seu trabalho e a relação com a cultura da época. “Ser cult para Clarice é uma consequência, nunca foi uma pretensão”, observou Castello, em resposta à provocação sobre a linguagem da escritora. Por sua vez, a escritora e tradutora Dirce Waltrick do Amarante falou da relação entre Clarice e o irlandês James Joyce, traçando paralelo entre os romances dos autores.
 
A professora de crítica literária Yasmin Galindo apontou as questões raciais presentes na literatura clariciana. Já a jornalista e escritora Cláudia Nina refletiu sobre o livro “A descoberta do mundo” (1967), que reúne 468 crônicas publicadas por Clarice quando colunista no Jornal do Brasil. Teve também leitura da autora para crianças. A artista plástica Amanda Mirella leu “O mistério do coelho pensante” (1967) para os pequenos, que, ao longo do dia, compartilharam trechos dos livrinhos que mais gostam. Em defesa do casarão onde viveu a homenageada, a jornalista Stella Maris Saldanha bradou: “O Recife deve a Clarice uma casa viva. Ela é hoje uma desabrigada.”
 
Já sobre o mercado editorial, destaque para a agente literária Luciana Villas-Boas. Ela refletiu sobre as oportunidades e desafios do mercado, diante da pandemia do Covid-19, e lançou luz sobre o futuro. Também comentou a quebra de grandes redes, como a Cultura e Saraiva, e a poderosa chegada dos e-books. “Esses fatores já eram a realidade dos players da literatura, ao contrário do cenário das empresas de aviação que, hoje, vivenciam a perda de passageiros com o isolamento social”, disse. Sobre os consumidores, a professora paraibana Zuleide Duarte foi categórica: “Faltam leitores porque falta aprendizado de leitura no Brasil”. Cobrou o incentivo.
 
Celebrando os 20 anos do jornal literário Rascunho, produzido em Curitiba, o editor Rogério Pereira falou do desafio de produzir conteúdo específico no Brasil diante da média de leitura no País. “O que a gente busca fazer é tentar uma radiografia mais próxima da realidade possível do que acontece na literatura brasileira de Norte a Sul e fazer com que as pessoas se aproximem dela”, coloca. O gestor da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte, Mario Helio Gomes, lançou o e-book “Duas ou três coisas que eu sei dele — Prefácio aos livros livres do futuro”, que homenageia o Museu do Homem do Nordeste. O download da obra pode ser feito no flidfundaj.com.br ou no catálogo da Editora Massangana.
 
Participaram ainda o escritor Raimundo Carrero, o romancista Julián Fuks, o escritor e teatrólogo Ronaldo Correia de Brito, que falou do seu livro “Dora sem véu”; e o crítico literário João Cezar de Castro, que falou da atualidade nas obras de Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Ainda sobre Cervantes, participaram
poeta e tradutor Lawrence Flores e o diretor do Instituto Cervantes do Recife e de Salvador, Daniel Galego Arcas. Sobre Lispector, a escritora pernambucana Clarice Freire, o biógrafo da autora Benjamin Moser, o cineasta Marcelo Gomes, a poetisa Cida Pedrosa, a antropóloga Fátima Quintas e o escritor Raimundo Moraes.
 
Ao longo de todo o dia foram exibidos filmes do acervo da Cinemateca Pernambucana, como O Rochedo e A Estrela, de Katia Mesel, e Clandestina Felicidade, de Beto Normal e Marcelo Gomes. Também ganharam as telas os clássicos da década de 1920, do conhecido Ciclo do Recife, como Veneza Brasileira, e Retribuição. Canções clássicas da Era do Rádio tiveram minutos da programação nos intervalos das participações. “Estou acompanhando a live o dia inteiro. Belíssima e merecida homenagem a Clarice Lispector”, comentou a espectadora Ana Karla Farias. “A arte sempre nos mostrando a direção a tomar: para dentro de nós mesmos”, disse Samuel Nunes.
 
Última atração, o ator Carlos Mesquita, da Literatrupe, leu contos Assombrações do Recife Velho (1954), do sociólogo Gilberto Freyre. . “
Concursos
Foram mais de 150 produções inscritas nos concursos Claricem Palavras e Claricem Imagens em uma semana. E uma certeza, Clarice é amada. Sua obra segue viva. “Clarice: muito além da liberdade”, de Débora Andrade, foi o grande campeão do concurso Claricem Palavras. O segundo lugar foi conquistado por Rafael Almeida, com “Clarice e o Recife”, e Angélica Ramos, da cidade de Triunfo, no sertão pernambucano, arrebatou o terceiro ao inscrever “Pensar Clarice”.
 

Os prêmios são 100, 50 e 30 entradas gratuitas para os cinemas da Fundação, respectivamente, e os ingressos terão datas flexibilizadas em consequência do período de isolamento social. No Claricem Imagens, a produção de Keila Vieira, que enviou a foto legenda “Naquele Carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera”, foi a vencedora. Na imagem, uma menina de oito anos escreve uma carta para Clarice Lispector durante o Bloco das Flores, na Praça Maciel Pinheiro. Ela ganhou a fotobiografia “Clarice uma vida que se conta”, de Nádia Battella Gotlib.

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