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Entre o movimento e a falha, exposição de Flávia Pinheiro reúne mais de cem pessoas

Publicado: Sábado, 07 de Março de 2020, 22h29 | Última atualização em Sábado, 07 de Março de 2020, 22h43 | Acessos: 282

Lançamento na Galeria Massangana, no campus Casa Forte, contou com performance de ativação, em que coreógrafa dá vida a objetos de ferro-velho

Em meio ao sistema neoliberal, onde o corpo é reconhecido pelo seu poder de aquisição, o entulho pode ser tido como sinônimo de progresso. Enquanto as máquinas operam em ritmo semelhante ao da Bolsa de Valores, os objetos se tornam obsoletos tal como o corpo, que instrumento do modo de vida capitalista, é ultrapassado. Estas são algumas das impressões de ‘Abismos de um corpo que falha’, da coreógrafa e diretora Flávia Pinheiro. A performance-exposição foi lançada, neste sábado (7),  na Galeria Massangana, localizada no campus Casa Forte, na Zona Norte do Recife. A visitação segue até o dia 19 de abril.

Ao todo, três formatos ocupam o vão: os quatro registros fotográficos de Pedro Coelho, os três vídeos co-produzidos por Pedro Giongo e quase uma dezena de objetos resgatados no Bessa Lyra Sucata — um ferro-velho localizado na Guabiraba, bairro da Zona Norte do Recife. Ao centro, um tablado de barro peneirado aguardava a performance que ativaria a exposição. Surpreendendo a todos, Flávia conduziu uma sequência arrojada de interações entre elementos da exposição e demais atores. Com o corpo — vestindo um Marc Andrade — produziu desenhos no espaço, simulou saltos e desmaios, lançou uma roda sobre o público.

Placas de acrílico e alumínio, peças eletromecânicas, uma gaiola de ferro suspensa na diagonal e uma espécie de roda enferrujada completaram a instalação. Na performance de ativação, os objetos até pouco obsoletos ganharam novos sentidos. Da placa de alumínio, soaram trovões. Com a roda, a artista percorreu toda a extensão da galeria, levando os espectadores a contemplar seu desempenho de diversos ângulos da sala. Já sobre o tablado de barro, ela executou a coreografia que encerrava sua participação revelando duas outras placas de vidro temperado. Toda a apresentação foi registrada com uma câmera 360°. 

Para outra coreógrafa, Maria Paula Costa Rego, 56 anos, é preciso tempo para a digestão. “Foi uma performance forte, em que evidencia uma performer dona de si. Quando se arremessa sobre o barro, dá formas ao corpo e contornos à matéria, ela descobre um ‘espelho’. Me faz pensar que a gente cava e, no fundo, só chegamos em nós mesmos”, reflete. A atriz Tham Borges, 30, observa as sobreposições construídas entre o corpo e a imagem. “Em seu trabalho, ela desenvolve um grande desafio: a disciplina da coreografia. Outro aspecto que vale destaque, é o hibridismo de linguagens em seu trabalho”, destaca.

Durante a vernissage, mais de cem pessoas passaram pelo espaço. Dentre elas, a atriz Maia de Paiva, 25, que celebrou a trajetória da artista. “Acompanho-na há algum tempo. Flávia é uma amiga e artista que admiro muito, sobretudo pelo trabalho persistente e insistente nesta temática, que é a falência do corpo. É surpreendente ver o trabalho ganhando desdobramentos”, comenta Maia, em referência a performances anteriores, como Tudo que é sólido desmancha no ar (2006), 58 indícios sobre o corpo (2016) e a penúltima Ruínas de um futuro em desaparecimento (2018). 

Em ‘Abismos de um corpo que falha’, Flávia apresenta nas artes visuais os procedimentos de suas performances cênica. A mostra é resultado do projeto Residências Artísticas 2018, promovido pela Coordenação de Artes Visuais (Coart), da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca). A exposição segue aberta à visitação da terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 13h às 17h. Para quem quiser conferir de perto a performance, Flávia volta à mostra no dia 4 de abril.

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