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Fundaj finaliza processamento de imagens de satélite em praias atingidas pelo óleo em Alagoas 

Publicado: Segunda, 23 de Dezembro de 2019, 12h47 | Última atualização em Segunda, 23 de Dezembro de 2019, 12h51 | Acessos: 297

Pesquisa socioeconômica está em andamento e avalia impactos sociais, econômicos e ambientais em municípios atingidos pelo derrame do petróleo. A análise tratará as diferenças entre os municípios especializados em pesca artesanal, em turismo e em grandes centros urbanos. Em Alagoas as imagens de satélite mostram que 390 hectares de corais podem estar contaminados

Uma pesquisa socioeconômica em 200 praias de 80 municípios do Nordeste atingidos pelo derrame de petróleo está em andamento na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Serão avaliados impactos sociais, econômicos e ambientais. Por meio de seu Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg), a instituição já finalizou o processamento das imagens de georreferenciamento das praias afetadas pelo desastre ambiental em Alagoas, onde 390 hectares de corais podem estar contaminados. Em relação à pesquisa socioeconômica, já foi feita a elaboração de questionários e testada a metodologia por meio de entrevistas em quatro municípios atingidos. A empresa contratada para entrevistar as pessoas já está treinando seu pessoal e deve ir a campo nos próximos dias.

A pesquisa foi iniciada tendo como base a publicação do Ibama do dia 28 de outubro deste ano, o qual indicou 201 praias nordestinas atingidas, distribuídas por 92 municípios, dentro de nove estados. Esse é o recorte temporal das análises. Cada uma dessas praias está sendo monitorada por meio de imagens de radar do satélite francês Sentinel-2, em cooperação técnica com pesquisadores do Centre d’Etudes Spatiales de la Biosphère (Cesbio), da Universidade de Toulouse, França. O estado de Alagoas teve 30 praias atingidas, em 10 municípios. Lá, o trabalho de sensoriamento remoto já foi concluído. 

No processo, a equipe de pesquisadores da Fundaj calibra os sensores de satélites, que medem a frequência da luz refletida pela terra e pela água e, a partir daí, gera imagens. Uma faixa de 1km x 4km de cada localidade é expressada nesse material. Oceano, areia, vegetação nativa e área urbana são elementos quantificados. Em Alagoas, ao total, há 390, 2 hectares de corais. Existe também 1.860 hectares de vegetação nativa (o que inclui a faixa de manguezal) que também podem ter sido impactados.

Entre as áreas investigadas, essas são as mais difíceis de limpeza e remoção de resíduos. Além de demorado e de alto custo, essa remoção exige conhecimentos técnicos, equipamentos e pessoal qualificado. Daqui a um ano pode-se fazer a mesma análise e constatar as mudanças que ocorreram ao longo do tempo. Ao combinar essas informações com a pesquisa socioeconômica, o material servirá para conhecer a situação de forma mais abrangente.

“Fazendo a comparação entre as imagens de satélite e a pesquisa socioeconômica, podemos correlacionar os perfis e entender todo o cenário. As áreas atingidas geram sustento para muitas famílias e podem estar em processo de morte por conta do óleo. Isso resulta em consequências a curto e longo prazos”, afirmou o pesquisador do Cieg e um dos coordenadores da pesquisa, Neison Freire. O próximo estado cujas imagens de satélite serão processadas será Pernambuco.

Além do trabalho de georreferenciamento, vários frequentadores das praias alagoanas de Japaratinga e Piaçabuçu foram entrevistados. Isso foi feito para testar a metodologia dos questionários a serem aplicados pela pesquisa socioeconômica. Pescadores de praias pernambucanas também já receberam telefonemas com esse mesmo fim. A partir dos testes, os questionários estão sendo aprimorados. O objetivo é entrevistar cerca de 4.000 pessoas, entre pescadores, vendedores ambulantes, empresários, entre outros. De forma amostral, a pesquisa está sendo elaborada pelo grupo de trabalho da Fundaj responsável pela iniciativa.

“Nossa hipótese de trabalho, a ser confirmada pela pesquisa, é o fato de existir diferentes tipos de municípios, os quais sofrem de formas distintas. Grandes cidades tendem a sofrer menos porque possuem outras alternativas de turismo, como o de negócios. Já cidades menores, onde famílias inteiras vivem da pesca, são mais prejudicadas”, afirmou o pesquisador do Cieg e um dos coordenadores da pesquisa, Luis Romani.

A pesquisa de campo é minuciosa. Ao todo, o Atlas das Praias Atingidas pelo Petróleo, segundo o recorte temporal, mostrará a situação das 200 localidades nordestinas atingidas pelo óleo. “Começamos por Alagoas porque participamos do conselho da Área de Preservação Ambiental da Costa dos Corais e também pela presença da foz do Rio São Francisco, rio que a Fundaj possui atuação histórica na pesquisa”, afirmou Romani.

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