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A arte de tatuar é tema de debate na Fundaj

Publicado: Terça, 26 de Novembro de 2019, 11h17 | Última atualização em Terça, 26 de Novembro de 2019, 11h17 | Acessos: 52

A palestra “Corpos - História da Tatuagem no Brasil” aconteceu nesta segunda-feira (25), na sala Aloísio Magalhães, Fundaj/Derby

Antes mesmo de se falar em globalização, o conceito de tatuagem já se misturava entre a espessa camada cultural híbrida dos povos que começavam a habitar o Brasil. Inicialmente ligada à marginalidade, o ato de riscar a pele era muito mais que estético, trazia consigo histórias e significados próprios de quem buscava ir além da normatividade urbana. Dentro dessa abordagem, levando em conta aspectos sociais de cada época, a historiadora e pesquisadora Silvana Jeha, apresentou a palestra “Corpos - História da Tatuagem no Brasil”. O encontro é uma iniciativa do Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional (ProfSocio/Fundaj) e aconteceu nesta segunda-feira (25), às 19h, na sala Aloísio Magalhães, Fundaj campus Derby, contando também com a presença da interlocutora Vânia Resende e mediação do sociólogo, pesquisador da Casa e coordenador do projeto "A política dos corpos: um estudo dos limites da vida na legislação brasileira", Alexandre Zarias. 

Os índios já pintavam a pele quando o Brasil foi colonizado. Desta forma, pediam proteção e apresentavam a identidade de cada tribo. Os escravos eram marcados, como um registro de suas origens. Imigrantes árabes, armênios, japoneses, italianos e portugueses chegaram ao Brasil com desenhos e significados próprios - também eternizados na pele - e técnicas singulares de cada lugar. "Nesses traços percebíamos características que estavam, muitas das vezes, ligadas à religião. Os italianos, por exemplo, tatuavam anjos e imagens católicas. Os portugueses, por sua vez, adoravam tatuar instrumentos da paixão de Cristo. No povo africano também era fácil notar essa identidade, estando em marcas de terreiros, que revelam de onde cada indivíduo tinha vindo", contou Silvana Jeha para o público presente.

Tais observações são fruto do trabalho da pesquisadora, tendo como resultado o livro "Uma História da Tatuagem no Brasil", publicado em agosto deste ano. Para poder se aprofundar no assunto, Jeha visitou os arquivos do Carandirú, da Biblioteca Nacional, da literatura de Machado de Assis, de João do Rio e Plínio Marcos, além de registros da Marinha. "Na década de 30 os marinheiros já se tatuavam, junto com as prostitutas. Algumas delas eram suas amantes. Essas tatuagens representavam homenagens de amor, símbolos de bandeiras ou elementos de proteção. E isso acontecia muito antes das bobinas, na época da agulha, quando a classe média ainda não tinha popularizado a arte", continuou Jeha, apresentando parte do material iconográfico presente na obra.

Ainda segundo a pesquisadora, foi somente a partir da década de 60 que as máquinas de tatuagens chegaram ao Brasil, ganhando a simpatia dos grupos hippies, punks, de surfs e artistas de circo. Assim quebrava-se os padrões da época, fazendo com que cada vez mais pessoas passassem a adotar os riscos na pele. "Mas a relação com os marinheiros nunca deixou de existir. Esse é um encadeamento que continuou a acontecer, tanto pelas técnicas aprendidas, quanto pelas máquinas adquiridas". 

Durante a segunda metade do século XX, a popularização da tatuagem serviu também para fortalecer visões sociais estigmatizadas de quem as tinha, remetendo à desordem e ao desserviço. A adesão da mídia  "contribuia com esse pensamento, sempre publicando capas com fotografias de gente morta e tatuada. Automaticamente, a sociedade colocava na cabeça que tatuar era coisa de bandido, pois era isso que se via cotidianamente nos jornais", explicou a pesquisadora.

Ao final do encontro, o microfone foi aberto para que os presentes tirassem suas dúvidas ou acrescentassem com experiências pessoais.

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