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Aral, o mar que está virando pó

Publicado: Segunda, 05 de Outubro de 2020, 13h37 | Última atualização em Segunda, 05 de Outubro de 2020, 13h37 | Acessos: 251

https://www.msn.com/pt-br/noticias/meio-ambiente/aral-o-mar-que-est%c3%a1-virando-p%c3%b3/ar-BB12G6WJ

 15/04/2020

A agonia do Aral entre 2000 e 2018. Crédito: Nasa/GSFC/Diminishing Sea

Fornecido por Revista Planeta A agonia do Aral entre 2000 e 2018. Crédito: Nasa/GSFC/Diminishing Sea

Em 24 de março de 2020, o Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada (MODIS) no satélite Aqua, da Nasa, capturou esta imagem em cores naturais de uma tempestade de poeira sobre o outrora vasto lago interior denominado Mar de Aral, na Ásia Central. Parecia que grande parte da poeira vinha do deserto de Aralkum, que surgiu quando o Mar de Aral secou nas últimas décadas. Os leitos secos do lago são fontes abundantes de poeira atmosférica porque são preenchidos com sedimentos leves e de grão fino que os ventos podem facilmente levantar.

 O Mar de Aral está encolhendo desde os anos 1960, quando ocupava 68 mil quilômetros quadrados de área (mais do que os territórios do Rio de Janeiro e de Sergipe somados). Nessa época, a antiga União Soviética empreendeu um grande projeto de desenvolvimento da agricultura nas planícies áridas das atuais repúblicas do Cazaquistão e do Uzbequistão e, para isso, desviou a água dos rios que alimentavam o lago, o Syr Darya e o Amu Darya. À medida que o lago secava, o escoamento dos rios enriquecia a água cada vez mais salgada com fertilizantes e pesticidas. Como resultado, a poeira salgada que sopra do leito do lago exposto apresenta riscos à saúde pública e pode degradar a fertilidade dos solos na área circundante.

 Trabalhando desde os anos 1990, o Cazaquistão conseguiu deter o processo de secagem do lago na parte norte, abastecida pelo Syr Darya, e ali o Aral ainda resiste. Um passo decisivo para isso parece ter sido a construção do dique Kokaral, de 13 quilômetros de comprimento, que separou as partes norte e sul do Aral. O dique reduziu a salinidade das águas, permitindo que algumas espécies de peixes locais voltassem a habitar o lado cazaque do lago.

Prospecção de petróleo

Já na parte meridional, o Amu Darya, desviado para o cultivo de algodão pelo governo uzbeque, não chega mais ao lago, cada vez mais seco. Antes um importante centro de pesca, a região hoje é fortemente poluída e assolada pela poeira, no que é considerado um dos piores desastres ambientais do planeta. O Uzbequistão não vê o quadro tão feio assim: pretende prospectar petróleo no leito seco do Aral.

Os cientistas usam satélites para rastrear quando e onde os ventos transportam mais poeira. Uma análise de quase uma década de dados do satélite Aura, da Nasa, descobriu que o transporte de poeira do Mar de Aral atinge o pico na primavera (março-maio) e no início do inverno (novembro-janeiro). Na primavera, os ventos do nordeste e do sudoeste costumam prevalecer, com 42% das nuvens de poeira soprando para o norte, 32% para o sul e 26% para o oeste.
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 Fonte:

Apolo Heringer Lisboa – Idealizador e Coordenador do Projeto Manuelzão, UFMG

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