TRABALHOS PARA DISCUSSÃO
n. 143/2002
julho · 2002

Velhos Desafios

Maria do Socorro Araújo [1]


Apresentação
Segundo os dados do último censo demográfico,[2] o Recife, cuja área equivale a 220 km2, tem uma população de 1.422.905 habitantes, o que corresponde a uma densidade demográfica de aproximadamente 6,5 mil habitantes/km2 (64,78 hab/ha), que vivem praticamente (99%) nas zonas urbanas do município. Do total dessa população, 53,5% pertencem ao sexo feminino, cerca de 28% possuem menos de 15 anos de idade e 18% se encontram na faixa de 16 a 24 anos

Uma das cidades mais antigas do Brasil,[3] o Recife exerceu ao longo de sua história um importante papel no cenário econômico e político nacional, e, do ponto de vista regional, ainda hoje sua influência é expressiva. Na rede urbana do Nordeste, considerando-se as interações espaciais e os níveis de centralidade das cidades da região, o Recife é classificado como tendo o nível máximo de influência, com uma posição de liderança não apenas em relação aos outros importantes municípios pernambucanos mas também a outros importantes municípios nordestinos, inclusive capitais estaduais como Natal, João Pessoa e Maceió.[4] Dados produzidos pelo IPEA e IBGE mostraram que o Recife gerou, no ano de 1999, um produto interno bruto de aproximadamente R$11 bilhões, o que correspondeu naquele ano a uma participação da ordem de 42,9% do PIB do Estado de Pernambuco e a algo em torno de 1,1% do PIB nacional.

Mesmo dispondo de um parque industrial expressivo, a cidade exibe um melhor desempenho econômico no comércio e na prestação de serviços, setores em que se vêm destacando algumas atividades, como, por exemplo, as ligadas ao comércio moderno e aos serviços de saúde, cujo potencial de crescimento está a estimular novos investimentos. Apesar desse potencial, o Recife parece ampliar e aprofundar os seus contrastes, sobretudo no que diz respeito às condições de habitabilidade e ao padrão socioeconômico dos seus habitantes.

É verdade que as desigualdades e contradições não são exclusivas do Recife. As grandes cidades da América Latina, de modo geral, também incorporam à sua realidade condomínios de luxo e favelas, desperdícios e mendicância. A riqueza aumentou, mas a pobreza também. Hoje, pelo menos no Brasil, a pobreza urbana é maior do que a média da pobreza nacional. Dos pobres brasileiros, 33% se encontram nas metrópoles do sudeste, e, conforme estudo feito por Suzana Pasternak, 80% da população moradora das favelas se concentram nas regiões metropolitanas.[5] E o que diz Carlos Vogt,[6] pensando no mundo como um todo, se aplica ao Brasil, em particular: “Por mais que aumente a riqueza, sua divisão diminui e o seu volume se concentra.” Por isso, “as cidades tendem a aglomerar pobreza, dor, sofrimento e abandono”. [7]

No Recife não é diferente. O Recife das águas limpas que inspiram os poetas e atraem os turistas é o mesmo Recife das águas sujas que ameaçam a saúde dos que vivem nos alagados. O Recife visto das alturas pelos que moram nos andares altos dos modernos apartamentos, que proporcionam ventilação aprazível e vista panorâmica, é o mesmo Recife visto das alturas pelos que habitam nos morros da cidade e que não dormem tranqüilos nas noites chuvosas porque sentem a ameaça dos desabamentos. É o Recife moderno e o Recife atrasado, o Recife da alegria e o Recife da dor.

O objetivo deste texto é, tendo como principal fonte de informações o levantamento censitário mais atual, mostrar como algumas dessas contradições se expressam numericamente e, a partir dos resultados de pesquisa recentemente realizada,[8] focar a atenção nas condições das áreas pobres existentes na cidade.

Apesar de publicado como “Texto para Discussão”, certamente ele não provocará discussão alguma, em razão do “tom” de constatação que nele predomina, decorrente, inclusive, da natureza do seu objetivo: sistematizar informações sobre a cidade, com vista apenas a trazer elementos que, porventura, possam subsidiar algum outro trabalho.

As Contradições

Em nota introdutória de livro publicado em 1990,[9] o autor relembra a sensação de frustração e indignação que sentiu, ainda na década de setenta (após um período de ausência compulsória), ao sobrevoar grandes cidades da América Latina, vendo o desastre social ao lado do ecológico: “As favelas ao lado do luxo, a escassez ao lado do fausto e do desperdício.” Segundo ele, foi uma sensação que se aprofundou em 1989, quando intensificou as suas viagens pelo Brasil. Iniciou-se um novo milênio e o que se vê é o aprofundamento desse quadro. Segundo dados da Cepal, o número de pobres e indigentes em dezenove países da América Latina e do Caribe passou de 136 milhões, em 1980, para 211 milhões em 1999 – portanto, um crescimento de mais de 50%.

No Brasil, o crescimento das chamadas “cidades informais” – áreas de favelas, habitações precárias, loteamentos irregulares e clandestinos – apresenta uma evidência tal que nem necessita ser ratificada por dados de censos ou pesquisas. Indicadores selecionados para o Recife e outras capitais metropolitanas[10] mostram que a proporção de pobres aumentou, no período 1980-1991, no Brasil (de 39,47 para 45,46) e no Recife (de 33,69 para 43,61), tendo também aumentado o grau de desigualdade: no Brasil (de 0,70 para 0,78) e no Recife (de 0,68 para 0,88). Considerando-se o período 1977-1999, o número de pobres aumentou no Brasil cerca de 13 milhões, passando de 41 milhões para 53 milhões.[11]

Dados do Censo 2000 dão uma idéia melhor dos contrastes, em termos de Brasil, quando mostram que quase um quarto (24,4%) da população ocupada e com rendimento mensal de trabalho, à época do levantamento, ganhava até 1 salário mínimo, enquanto apenas 2,6% situavam-se na faixa de mais de 20 salários mínimos. No confronto regional vê-se que o Nordeste tem o maior percentual (46,2%) de pessoas ocupadas com rendimento na faixa de até 1 salário mínimo, e o menor (1,4%) na faixa de mais de 20. Já o Sudeste aparece com a proporção mais reduzida (15,9%) na classe de até 1 salário mínimo, e uma das mais altas (3.3%) na classe de mais de 20 salários.

O crescimento da pobreza expressa-se no território com muito mais visibilidade, e as contradições são bem mais acentuadas à medida que as desigualdades se avizinham. Em trabalho ainda recente,[12] o cenário do Recife é descrito como “marcado por fronteiras tênues entre áreas de alto valor de mercado – com padrões nobres de edificação e atendidas por serviços de infra-estrutura básica – e assentamentos populares com casas precárias e tecido urbano tortuoso, permeado de valas de esgoto a céu aberto (...). Em praticamente todos os bairros onde se concentra a população de mais alta renda encontram-se incrustadas, ao menos, pequenas ocupações irregulares em terras ou vias públicas, palafitas sobre os rios ou em áreas de propriedade questionada.”

A pobreza alcançou uma dimensão tal que já não é mais possível escondê-la, removendo-a para a periferia.[13] Ela se encontra em toda parte, inclusive onde a riqueza se concentra. Dados registrados no Plano Setorial de Uso e Ocupação do Solo, realizado pela PCR, mostram que hoje “nenhum bairro da cidade se situa a uma distância superior a 1,2 km de uma favela”.

O Recife mantém uma divisão político-administrativa constituída de seis RPAs – Regiões Político-Administrativas – que congregam os 94 bairros existentes na cidade, agrupados de acordo com sua localização. Embora a funcionalidade dessa divisão se volte mais para as necessidades do planejamento e da administração para as quais foi criada, ela reflete de algum modo a realidade dos diferentes territórios existentes na cidade, do ponto de vista das relações sociais que neles se desenvolvem ou da realidade econômica da população que neles vive, permitindo que se identifiquem os locais onde os contrastes encontram-se mais acirrados. Aparentemente, pode não haver diferenças entre, por exemplo, ser pobre morando no Caçote, nas proximidades da Avenida Recife, e ser pobre morando na Lemos Torres, em Casa Forte, da mesma forma como ser rico morando em Boa Viagem e ser rico morando na Jaqueira. Mas é possível que, para a pobreza, do ponto de vista prático, a sua localização – próxima ou distante de áreas ricas – constitua um diferencial. Nesse tom especulativo, pode-se também pensar que a pobreza, quando se encontra espacialmente mais próxima à riqueza, dispõe de um leque mais amplo de estratégias de sobrevivência – o que Luchiari, ao se referir à proximidade física entre os condomínios fechados e os núcleos residenciais pobres existentes no seu entorno, chama de “fragmentação articulada”.[14] No entanto, também se pode ver “le voisinage” das desigualdades sob a ótica do que significa a tomada de consciência de ser desigual; de sentir-se diferente; de ver e desejar ter; de ver e desejar ser.

Regiões Político-administrativas do Recife

RPA 1, formada por 11 bairros: do Recife, Santo Antônio, São José, Boa Vista, Ilha do Leite, Soledade, Paissandu, Cabanga, Ilha Joana Bezerra, Santo Amaro e Coelhos.

RPA 2, constituída de 18 bairros: Torreão, Encruzilhada, Rosarinho, Ponto de Parada, Campo Grande, Hipódromo, Arruda, Campina do Barreto, Peixinhos, Cajueiro, Porto da Madeira, Água Fria, Alto Santa Terezinha, Bomba do Hemetério, Fundão, Linha do Tiro, Beberibe, Dois Unidos.

RPA 3, que compreende 29 bairros: Aflitos, Alto do Mandu, Apipucos, Casa Amarela, Casa Forte, Derby, Dois Irmãos, Espinheiro, Graças, Jaqueira, Monteiro, Parnamirim, Poço, Santana, Sítio dos Pintos, Tamarineira, Alto José Bonifácio, Alto José do Pinho, Mangabeira, Morro da Conceição, Vasco da Gama, Brejo da Guabiraba, Brejo de Beberibe, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Macaxeira, Nova Descoberta, Passarinho e Pau Ferro.

RPA 4, formada por 12 bairros: Caxangá, Cidade Universitária, Cordeiro, Engenho do Meio, Ilha do Retiro, Iputinga, Madalena, Prado, Torre, Torrões, Várzea e Zumbi.

RPA 5, constituída de 16 bairros: Afogados, Bongi, Mangueira, Mustardinha, San Martin, Areias, Caçote, Estância, Jiquiá, Barro, Coqueiral, Curado, , Jardim São Paulo, Sancho, Tejipió e Totó.

RPA 6, que compreende 8 bairros: Brasília Teimosa, Ibura, Cohab, Jordão, Boa Viagem, Pina, Ipsep e Imbiribeira.

A população do Recife se distribui desigualmente no território, apresentando-se com o percentual mais alto (24,86%) na RPA 6, e, em segundo lugar (com 19,93%) na RPA 3 – que é a maior em extensão territorial. A menos expressiva em população é a RPA 1, que incorpora bairros onde predominam atividades financeiras, comerciais e de serviços, que retém somente 5,49% do total da população da cidade e que, se comparada com o ano de 1996[15], foi a que menos agregou população, com uma taxa de crescimento bem inferior à taxa média da cidade. Em termos absolutos, a população do Recife, nesse período, ganhou 76.860 novos habitantes. No entanto, comparando-se os dados populacionais de 2000 com os de 1991[16], notam-se diferenças até certo ponto significativas. Para a cidade como um todo, a taxa de crescimento é de 1,02%; para a RPA 1 a taxa é negativa (- 0,68), significando que houve perda de população no período 1991-2000; nas RPAs 2, 3 e 4 as diferenças são menores; e nas RPAs 5 e 6 as taxas, embora também menores, apresentam diferenças mais expressivas. Naturalmente que para uma análise comparativa é melhor considerar o período 1991-2000, tendo-se em vista que o instrumento utilizado foi o mesmo – Censos Demográficos. Em 1996 foi feita simplesmente uma contagem da população, em que o rigor da cobertura não atingiu o alcançado nos Censos.

De qualquer forma, o crescimento populacional do Recife, na última década, é considerado modesto, devido à baixa taxa de crescimento apresentada, concluindo-se que o movimento de emigração deve ter superado o de imigração, sendo o acréscimo populacional devido ao crescimento vegetativo.

RECIFE - RPA´s   POP. RESIDENTE   ANO 2000

Local

Total

%

Homens

Mulheres

Tx. Cresc. (%) *

Tx. Cresc. (%) **

Recife

1 422 905

100,00

661 690

761 215

1,40

1,02

RPA 01

78 098

5,49

35 639

42 459

0,16

- 0,68

RPA 02

205 986

14,48

95 876

110 110

0,61

0,46

RPA 03

283 525

19,93

132 227

151 298

1,28

1,05

RPA 04

253 015

17,78

117 249

135 766

1,57

1,42

RPA 05

248 483

17,46

116 529

131 954

1,19

0,79

RPA 06

353 798

24,86

164 170

189 628

2,29

1,66

Fonte: IBGE - Censo 2000. * Em relação a 1996
Elaboração: PCR/SEPLAN (sem a última coluna) ** Em relação a 1991

A densidade demográfica dos bairros deixa mais clara a desigualdade da distribuição da população na cidade. Na RPA 1, por exemplo, em quatro bairros a densidade demográfica não ultrapassa 20 hab/ha, como, por exemplo, Cabanga (18,33 hab/ha), Paissandu (12,94 hab/ha), Santo Antônio (7,08 hab/ha) e o Bairro do Recife (1,98 hab/ha), embora estes dois últimos não se caracterizem como bairros residenciais. Na RPA 3, a densidade demográfica em Pau Ferro e Guabiraba não chega a 2 hab/ha, havendo vários outros bairros onde a densidade demográfica fica bem abaixo da densidade média da cidade (64,78 hab/ha).

Confrontando-se, em cada uma das RPAs, os dois bairros que apresentam densidades demográficas mais baixas com os dois que têm as densidades mais altas, confirma-se o que já se sabe – que, de modo geral, a concentração de pessoas é muito maior nos bairros caracterizados como de baixa renda. Também que é muito grande a diferença entre os bairros no que se refere à densidade, sendo as distâncias entre as densidades mais altas e as mais baixas maiores na RPA 3, o que indica que nesse território a população se distribui de forma bem mais irregular.

RPA 1

RPA 2

RPA 3

Bairros

Densidade

Bairros

Densidade

Bairros

Densidade

Paissandu

12,94

Torreão

54,97

Pau Ferro

0,61

Cabanga

18,33

Hipódromo

80,83

Guabiraba

1,74

Joana Bezerra

110,10

Alto Sta. Terezinha

227,75

Mangabeira

253,17

Coelhos

171,24

Água Fria

241,96

Alto José do Pinho

299,57

Fonte: Censo 2000
Nota: Os bairros do Recife e Santo Antônio apresentam densidade demográfica mais baixa, 1,98 e 7,08, respectivamente, mas não se caracterizam como residenciais.


RPA 4

RPA 5

RPA 6

Bairros

Densidade

Bairros

Densidade

Bairros

Densidade

Várzea

28,49

Curado

16,33

Ibura

43,43

Prado

86,30

Jiquiá

47,71

Pina

44,52

Torre

142,48

Mustardinha

188,48

Jordão

137,93

Torrões

175,00

Mangueira

290,05

Ipsep

143,29

Fonte: Censo 2000
Nota: Cidade Universitária e Caxangá têm densidade inferior (3,63 e 26,22 respectivamente) mas não se caracterizam como bairros residenciais.

Mas as desigualdades na RPA 3 não se mostram apenas do ponto de vista da distribuição da população. Levando-se em conta que a renda é um dos indicadores que mais pesam nos estudos da desigualdade social, verifica-se que o rendimento médio mensal das pessoas (com rendimento) responsáveis pelos domicílios particulares permanentes, no bairro da Jaqueira chega a R$ 5.195,62 e no bairro de Casa Forte equivale a R$ 4.002,59, enquanto no Córrego do Jenipapo ele só atinge R$ 324,28 e no bairro de Nova Descoberta não ultrapassa R$ 280,60. Considerando-se que na Jaqueira essa média diz respeito aos rendimentos auferidos por 305 pessoas, em Casa Forte a 1.243 pessoas, no Córrego do Jenipapo a 1.989 pessoas e em Nova Descoberta a 7.625, pode-se concluir que os rendimentos na RPA 3 se distribuem de forma bem mais heterogênea e muito mais concentrada que nas demais.

Já na RPA 5, no confronto dos rendimentos médios os valores mais altos aparecem mais próximos dos mais baixos, conforme se pode ver no segundo dos quadros a seguir apresentados, podendo-se deduzir que se trata de um território onde existe uma distribuição mais homogênea dos rendimentos, e, conseqüentemente, de um território com menos contrastes e, inclusive, com uma população mais pobre, já que os rendimentos se homogeneízam para baixo.

Enquanto na RPA 5 a diferença entre o maior e o menor rendimento médio é de aproximadamente duas vezes, na RPA 3 ela chega a quase vinte e sete vezes. Lembre-se, no entanto, que esse indicador não expressa a real disparidade da renda, uma vez que nas médias, como se sabe, os extremos não aparecem.

Na RPA 6, a disparidade maior, em relação aos outros bairros dessa RPA, ocorre no bairro de Boa Viagem, que apresenta um rendimento médio mensal mais elevado (R$ 3.012,16) e mais distante dos demais.

RPA 1

RPA 2

RPA 3

Bairros

Rendimento

Bairros

Rendimento

Bairros

Rendimento

Paissandu

1.903,95

Torreão

2.920,78

Jaqueira

5.195,02

Soledade

1.756,88

Rosarinho

1.881,21

Casa Forte

4.002,59

Ilha Joana Bezerra

233,15

Dois Unidos

324,02

Córrego do Jenipapo

324,28

Bairro do Recife

203,51

Alto Santa Terezinha

293,63

Nova Descoberta

280,60

Fonte: Censo 2000

RPA 4

RPA 5

RPA 6

Bairros

Rendimento

Bairros

Rendimento

Bairros

Rendimento

Madalena

1.869,95

Bongi

727,65

Boa Viagem

3.012,16

Ilha do Retiro

1.598,42

Jardim São Paulo

701,04

Ipsep

917,087

Várzea

767,77

Mangueira

360,06

Ibura

456,12

Torrões

409,95

Caçote

304,15

Jordão

410,72

Fonte: Censo 2000

Essas disparidades e os baixos níveis dos rendimentos têm a ver com a dinâmica e as características do mercado de trabalho da cidade que, segundo os estudos mais recentes, vêm chamando a atenção pelo agravamento da situação do emprego – traduzido pela deterioração do nível de emprego, com o crescimento do desemprego e a intensificação da informalidade, que, naturalmente, implica a redução dos níveis de rendimento das pessoas ocupadas. Existe uma correlação entre a subutilização dos recursos humanos nas atividades econômicas e o nível de pobreza. Assim, mediante a estrutura do emprego, pode-se vislumbrar a estrutura social da cidade. Por ela pode-se ver o nível de precarização do emprego que, medido pelo emprego informal – sem qualidade, desprotegido, mal remunerado –se traduz, no Recife, num percentual de 55,1% da população ocupada. O setor de serviços é o que mais emprega (60,6% da população ocupada), mas vê-se que o que predomina são os serviços informais, ou seja, os serviços precários, porque os de ponta tendem a ser informatizados, e, conseqüentemente, empregam muito menos.

No Recife, a presença marcante das atividades informais tem se revelado ao longo de sua história, sendo bastante significativa nos subsetores do comércio e dos serviços. As taxas de desemprego têm-se mantido altas a ponto de o Recife disputar com Salvador as taxas mais altas de desemprego aberto no contexto das seis regiões metropolitanas para as quais o IBGE calcula o desemprego aberto mensal. Pensando-se nas projeções que apontam para a ampliação da população que demandará trabalho nos próximos anos, e admitindo-se a permanência da tendência que hoje se observa no comportamento desse mercado, a única conclusão plausível é que a situação tende a se agravar.

Recife - População Ocupada Por Setor de Atividade - 1999

Setores

FORMAL

INFORMAL

TOTAL

Absoluto

%

Absoluto

%

Absoluto

%

Indust. de Transform.

27.693

61,8

17.126

38,2

44.819

100,0

Construção Civil

7.623

25,7

22.016

74,3

29.639

100,0

Comércio

35.026

32,4

73.158

67,6

108.183

100,0

Serviços

157.636

49,8

158.724

50,2

316.360

100,0

Outras Atividades

6.189

26,8

16.871

73,2

23.060

100,0

Total

234.167

44,9

287.895

55,1

522.062

100,0

Setores

FORMAL

INFORMAL

TOTAL

Absoluto

%

Absoluto

%

Absoluto

%

Indust. de Transform.

27.693

11,8

17.126

5,9

44.819

8,6

Construção Civil

7.623

3,3

22.016

7,6

29.639

5,7

Comércio

35.026

15,0

73.158

25,4

108.183

20,7

Serviços

157.636

67,3

158.724

55,1

316.360

60,6

Outras Atividades

6.189

2,6

16.871

5,9

23.060

4,4

Total

234.167

100,0

287.895

100,0

522.062

100,0

Fonte dos dados básicos: PNAD – IBGE
Elaboração: CEPLAN - Consultoria Econômica e Planejamento

As Condições de Moradia

O nível dos rendimentos da população reflete-se na forma de morar, e os dados mostram que parcela significativa da população recifense mora mal, não somente do ponto de vista das características individuais das habitações mas também das carências coletivas, ou seja, das condições básicas de infra-estrutura das áreas onde elas se localizam. É certo que é de alguma forma impreciso concluir que uma área, um conjunto de áreas ou segmentos de uma população se encontram aquém de padrões habitacionais desejáveis, até porque existe toda uma questão conceitual que perpassa as afirmativas relacionadas a necessidades habitacionais, déficit habitacional, inadequação de moradia, condições de habitabilidade etc. Não obstante, quando as situações se mostram muito próximas do inaceitável e se manifestam no tecido urbano a ponto de impactar os que estão fora e ameaçar os que se encontram dentro, não há por que temer qualificá-las como indesejáveis ou inadequadas.

O último censo mostrou que somente 42,87% dos domicílios particulares permanentes do Recife se encontravam, à época do levantamento censitário, ligados à rede geral de esgoto ou pluvial, e que em 2,71% dos domicílios não havia banheiro nem sanitário. O censo mostrou, ainda, que, embora em 15,24% desses domicílios existissem fossas sépticas e 31,38% tivessem fossas rudimentares, 7,83% faziam uso de valas, rios/lago/mar ou outro tipo de escoadouro.

 

RPAs

Total

Rede Geral de esgoto ou pluvial

Fossa Séptica

Fossa Rudimentar

Vala

Rio, Lago ou Mar

Outro escoadouro

Sem banheiro nem sanitário

Recife

100,00

42,87

15,24

31,38

2,39

4,45

0,96

2,71

RPA 1

100,00

72,27

4,31

8,90

1,71

5,90

0,51

6,40

RPA 2

100,00

31,27

5,32

51,58

3,36

4,42

0,65

3,40

RPA 3

100,00

38,95

10,82

44,14

1,81

0,80

1,29

2,19

RPA 4

100,00

50,60

25,33

16,82

1,69

3,10

0,48

1,98

RPA 5

100,00

37,50

21,88

24,98

4,54

7,12

1,66

2,32

RPA 6

100,00

43,50

15,01

30,25

1,54

6,09

0,95

2,66

Fonte: Censo 2000

A situação mais crítica é a da RPA 2, que apresenta o mais baixo percentual de domicílios particulares permanentes ligados à rede geral ou pluvial e um percentual também muito baixo de domicílios com fossa séptica, predominando as fossas rudimentares. Os dados confirmam ser a cidade do Recife, como um todo, carente desse item de infra-estrutura. Naturalmente, se forem consideradas apenas as áreas pobres, a situação é de muito mais gravidade: em 92,16% dessas áreas inexiste esgoto.

O Cadastro das Áreas Pobres da Cidade do Recife,[17] concluído em 2.000 e trabalhado em pesquisa sobre as condições de moradia da população de baixa renda no Recife,[18] revelou que existem 421 assentamentos pobres[19] na cidade, dos quais 90,26% têm mais de 10 anos de existência, já se encontrando, portanto, consolidados. Os demais têm entre 5 e 10 anos (8,55%), e somente 5 áreas pobres (1,19%) têm até 5 anos de existência. Cerca de 20,0% dessas áreas foram classificadas como pobres, aproximadamente 64,0% como muito pobres e 16,0% em estado crítico. Somando-se as áreas classificadas como muito pobres às consideradas em estado crítico, chega-se a um percentual de 80,0% – que traduz a situação de precariedade em que vive a população de baixa renda da cidade do Recife. Verificou-se que a RPA 2 é a que apresenta o quadro de maior gravidade, com 32,47% de suas áreas classificadas em estado crítico, sendo também a que apresenta a pior situação (36,23%) quando comparada às demais. As áreas localizadas na RPA 3 são as que se mostram mais bem situadas, por esse indicador, tanto quando vistas internamente, como quando comparadas às das outras RPAs.

As 154.158 edificações contabilizadas nas áreas pobres do Recife abrigam uma população estimada em 659.076 pessoas. Esses números, no entanto, contêm inexatidões decorrentes da metodologia utilizada – baseada em fotografias digitais para a contagem das casas, a partir do que se fez a estimativa da população. Viu-se que o forte adensamento verificado nessas áreas, a proliferação dos chamados “correr de quartos” e das “verticalizações” foram bem mais expressivos do que se havia suposto, além de que a adoção de um dado uniforme (4,4) de pessoas por habitação também levou a distorções em razão de sua variação real de uma área para outra. Vale ressaltar, porém, que consideradas a dimensão da pobreza e a gravidade da situação em que ela se encontra, as inexatidões numéricas se tornam inexpressivas e não comprometem o retrato da realidade.

População e Edificações das Áreas Pobres do Recife

 

RPA

População

Edificações

%

%

1

42.213

6,40

95.953

14,56

2

9.796

6,35

22.067

14,32

3

126.119

19,14

114.195

17,33

4

28.033

18,19

26.719

17,33

5

162.089

24,59

118.507

17,98

6

38.355

24,88

29.188

18,93

Total

659.076

100,00

154.158

100,00

Fonte: PCR/UFPE - Cadastro de Áreas Pobres da Cidade do Recife, 2000.

20,19% das áreas foram classificadas como pobres, 63,42% como muito pobres, e 16,39% em estado crítico. Os dados mostraram ser a RPA 2 a que apresenta o quadro de maior gravidade, com 32,47% de suas áreas pobres classificadas em estado crítico, além de ser a RPA que apresenta o pior perfil de renda familiar (nessas áreas). As áreas pobres localizadas na RPA 3 são as que se mostram mais bem situadas no que se refere ao grau de pobreza.

A população pobre do Recife é preponderante na RPA 3, na qual se encontra a maior parte dos morros existentes na cidade, onde se registrou o maior número de áreas pobres, e que é, paradoxalmente, o território em que a renda se apresenta mais concentrada (“a tendência da renda é concentrar-se, enquanto a da pobreza é expandir-se”). Vê-se, no entanto, que a população pobre se encontra espalhada por todo o território recifense, muito embora em percentual muito inferior na RPA 1 – que incorpora os bairros centrais da cidade, alguns sem características residenciais e onde predominam atividades comerciais e de serviços.

Seguindo os padrões observados nos aglomerados urbanos de baixa renda, de modo geral, a densidade habitacional dessas áreas pobres é muito alta, com 61,28% delas apresentando uma densidade superior a 200 habitantes por hectare, sendo a densidade média equivalente a 196,32 hab/ha. Na quase totalidade das áreas pobres do Recife, a média de habitantes por hectare é superior a 120 pessoas. Para uma idéia melhor do que isso representa, é bom lembrar que a densidade demográfica do Recife como um todo é, hoje, equivalente a 64,68 habitantes por hectare.[20] A RPA 1 é a que exibe o percentual mais alto de áreas pobres com densidade superior a 200 habitantes por hectare, constatação coerente com a dificuldade de expansão das áreas pobres aí localizadas.

Do ponto de vista da topografia, os assentamentos pobres do Recife localizam-se, em sua maioria (57,72%), em áreas de planície, ficando 33,97% em morros e 8,31% em alagados. As áreas de morros são consideravelmente predominantes nas RPAs 2 e 3, tendo as áreas pobres situadas em alagados uma presença bem expressiva na RPA 6. Quase 70,0% desses assentamentos apresentam algum tipo de risco relacionado à topografia onde se encontram localizados, aparecendo o desabamento como o fator de risco predominante. A situação das áreas pobres localizadas na RPA 4 é, de certa forma, privilegiada, uma vez que, comparadas às das demais RPAs, são as que se mostram menos vulneráveis aos fatores de risco considerados. Obviamente, os tipos de risco relacionados dependem das condições topográficas das áreas, de modo que são justamente as que se localizam nas RPAs 2 e 3 – onde predominam os morros – as que apresentam percentuais mais altos de risco de desabamento, enquanto as áreas localizadas nas RPAs 5 e 6 – onde predominam a planície e o alagado – o fator de risco preponderante é a inundação.

A sistematização dos dados do Cadastro das áreas pobres do Recife mostrou que em nenhuma delas há registro de pessoas com oito ou mais anos de estudo, notando-se, ainda, que, em 23,75% desses assentamentos, os residentes não possuem senão até três anos de estudo. Nesse aspecto, as melhores situações são as das RPAs 2 e 3, nas quais predomina um nível de escolaridade entre quatro e sete anos. A situação mais precária é a da RPA 4, onde 54,55% de suas áreas pobres aglutinam populações que não conseguiram ultrapassar três anos de estudo.

No caso dos indicadores de infra-estrutura, o cadastro revelou que em 92,16% dessas áreas inexiste esgoto – um percentual que surpreende, apesar de se saber que a cidade do Recife, como um todo, é carente desse item de infra-estrutura (somente 42,87% dos domicílios particulares permanentes se encontram ligados à rede geral de esgoto). Mesmo sem ter sido averiguado o destino que a população dessas áreas dá aos detritos, é do conhecimento geral a relação existente entre a ausência de esgoto e a incidência de doenças, sobretudo as doenças infecto-contagiosas. Nas áreas carentes, as fossas – sépticas (não ligadas à rede coletora de esgoto ou pluvial) ou rudimentares (fossa negra, poço, buraco etc.) – são a forma mais usual para o destino dos detritos, mas sabe-se que, na maioria das vezes, elas são construídas sem os requisitos de segurança necessários: profundidade, paredes consistentes, distância de rios, poços, cacimbas, depósitos de água etc. Nesse aspecto, a RPA que se encontra em pior situação é a 2, onde em nenhuma área pobre existe rede de esgoto.

A condição de drenagem também é muito ruim, embora menos que a de esgoto. Em 40,86% das áreas pobres, a ausência de drenagem é total, permitindo que, ao se relacionar a falta de drenagem com a inexistência de esgoto, se vislumbre uma situação muito grave, visto que com a água correndo pela superfície os detritos encontram um excelente veículo para se espalhar com mais facilidade. A situação, nesse caso, é pior nas áreas que ficam às margens dos canais, acentuando mais ainda o nível de poluição das águas. Muito embora os indicadores falem por si, quando relacionados, eles mostram muito mais os riscos aos quais essa população está exposta. Se, por exemplo, aos dois indicadores citados – esgoto e drenagem – forem acrescentados os níveis de renda e de escolaridade – os mais utilizados para medir a desigualdade social –, o contexto em que se insere a população de baixa renda do Recife se mostra ainda mais precário. Em 81,95% das áreas pobres a renda familiar média não ultrapassa a barreira de 2 salários mínimos, enquanto o nível de escolaridade não contabiliza um único registro, em todas as 421 áreas pobres, de populações com média de anos de escolaridade superior a sete.

Conclusão

Os contrastes que, já em 1970, frustraram e indignaram Buarque, citado no início deste texto, certamente agora o enfartariam, caso tivesse ele, mais uma vez, deixado de acompanhar de perto os acontecimentos. No Recife, como em outras cidades, as desigualdades intensificaram-se nos diversos espaços. Os contrastes tornaram-se mais visíveis, mais próximos. Não que se defenda escondê-los, mas o fato é que mesmo se alguém assim o desejasse não mais conseguiria, tal a dimensão que alcançaram. Não é mais a periferia da cidade. É a periferia do centro, a periferia dos bairros, a periferia dos shoppings...[21]

Como já foi dito: “Hoje, no Recife, nenhum bairro se situa a uma distância superior a 1,2 km de uma favela”. Isso, entretanto, não significa o aparecimento de novos assentamentos nos locais mais centrais e valorizados da cidade[22]. As áreas pobres hoje incrustadas em espaços ocupados por populações de rendas média e alta – Boa Viagem, Casa Forte, Apipucos, Torreão – encontram-se, todas elas, já consolidadas, com bastante tempo de existência. Apesar de algumas terem se expandido espacialmente, como algumas das localizadas na RPA 1 [23], o que se observa é um forte adensamento – com o surgimento de “correr de quartos” e habitações precárias com um e até dois andares. O que parece ter sido mais significativo para que as desigualdades habitacionais ficassem mais próximas foi a expansão das áreas ocupadas pelos segmentos de rendas mais altas. Ou seja: nos territórios mais centrais ou mais valorizados, os pobres se comprimem enquanto os de renda mais alta se espalham – em condomínios cada vez mais altos e mais fechados. “Entra Apulso” já existia, quando para lá foram o Shopping Recife e os condomínios empresariais; “Coelhos” também, quando surgiram o Pólo Médico e seus serviços complementares; “Vila do Vintém” idem, quando surgiu o Plaza Shopping; “Lemos Torres” também, quando em Casa Forte chegou a Mc Donald – ícone da modernidade. Em bairros como Derby, Jaqueira, Casa Forte e Parnamirim, por exemplo, onde a densidade demográfica ainda é inferior (nos dois primeiros) ou ultrapassa pouco (nos dois últimos) a densidade média da cidade, o comércio e a prestação de serviços vêm tomando o espaço das residências, e as famílias transferindo-se para edifícios – que vão se espalhando e mudando a configuração do espaço.

A desigualdade da distribuição de renda (uma das maiores do Brasil), a precariedade observada na composição do mercado de trabalho e os baixos níveis de escolaridade que predominam nas áreas pobres (expressivas na cidade como um todo) são a evidência dos contrastes. Contrastes que geram desalento, pois sabe-se que as raízes do problema estão na política macroeconômica do país, e, naturalmente, as soluções dependem de mudanças profundas.

Não obstante, os municípios dispõem, hoje, de instrumentos que facilitam o encaminhamento de ações voltadas para a solução de alguns dos problemas. Na questão da habitação, por exemplo, o Estatuto da Cidade, ao enfocar a função social da cidade e da propriedade urbana, regulamentando o uso da propriedade urbana em prol do interesse público, aponta caminhos que devem ser trilhados, na perspectiva de que a distribuição da população e das atividades econômicas seja feita de maneira racional. Na questão do emprego, ou do subemprego, ações em nível local parecem menos efetivas, uma vez que, como já se assinalou, essa é uma questão que extrapola o mercado de trabalho pois reflete o que está acontecendo no nível macro da política econômica. Mesmo assim, políticas locais de geração de emprego e renda, mesmo compensatórias, poderão ser efetivadas, muito embora se tenha consciência de que o objetivo não deve ser incentivar o desemprego precário, mas insistir na ampliação do emprego formal, com qualidade e mais estabilidade.

Quanto à educação, já se conseguiu comprovar que, embora os efeitos se façam sentir num prazo mais longo, “educação remunera”. Nancy Birdsall, ao refletir sobre a educação na América Latina,[24] concluiu que a baixa e desigual acumulação de educação contribui não apenas para o fraco crescimento da região, como também para a persistente e alta desigualdade de renda. Referindo-se a pesquisas realizadas sobre o tema, ela lembra que as taxas de finalização da quinta série entre os pobres são mais baixas no Brasil do que no Zimbábue, Quênia e Tanzânia. O único país da África Oriental com resultado mais baixo que o Brasil é Uganda. Ela acha, no entanto, que “o problema não é primordialmente o baixo gasto público em educação, mas os sistemas de escolas públicas ineficientes – dos quais dependem inteiramente os pobres –, exacerbado pela proporção relativamente baixa de gastos em educação nos níveis primário e secundário, os quais beneficiariam sobremaneira os pobres.” (p. 102).

Os dados referentes aos níveis de escolaridade nas áreas pobres do Recife mostraram que em 23,8% delas o grau de escolaridade predominante não vai além de três anos de estudo, encontrando-se nessa situação áreas já consolidadas (com mais de 10 anos de existência)[25] e localizadas em territórios onde se concentram os níveis mais altos de rendimento. Nas 76,3% restantes das áreas pobres, o grau de escolaridade varia entre quatro e sete anos de estudo. Uma situação, portanto, que está a merecer uma política agressiva, com ênfase na qualidade – requisito sobre o qual é indiscutível a necessidade de melhoria.

 

Bibliografia

Birdsall, Nancy. “Educação: Patrimônio do Povo”. In: “Distribuição de Riqueza e Crescimento Econômico. Estudos NEAD 2. Brasília, 2000”.

BUARQUE, Cristovam. “A Desordem do Progresso: o fim da era dos economistas e a construção do futuro”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

CJC/FASE/ETAPAS. “Uma Política Inovadora de Urbanização no Recife”,1999.

IBGE. Censos Demográficos. 1991 e 2000.

IPEA/IBGE/NESUR/IE-UNICAMP. “Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil”, 1999.


MARICATO, Ermínia. Dimensões da Tragédia Urbana. In: http://www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid18.htm.

PCR/FJN. “Análise do Quadro Normativo e da Produção Habitacional de Interesse Social no Recife”. 2001.

PCR/FJN – “A Habitação de Interesse Social no Recife”. Outubro de 2001.

PNUD/PCR/FIDEM/SUDENE/IPEA/FJP – Desenvolvimento Humano Sustentável no Recife Metropolitano, Indicadores selecionados. Recife, 2000.

VOGT, Carlos. As Cidades e os Muros. In: http://www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid18.htm.

Ricardo Henriques (Org.) – “Desigualdade e Pobreza no Brasil”. Rio de Janeiro: IPEA, 2000.


[1] Pesquisadora da FJN.
[2] Realizado no ano 2000, pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
[3] Fundada em 1537.
[4] IPEA/IBGE/NESUR/IE-UNICAMP. “Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil”, 1999.
[5] MARICATO, Ermínia. Dimensões da Tragédia Urbana. In: http://www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid18.htm.
[6] VOGT, Carlos. As Cidades e os Muros. In: http://www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid18.htm.
[7] Op. Cit.
[8] PCR/FJN – “A Habitação de Interesse Social no Recife”. Outubro de 2001.
[9] BUARQUE, Cristovam. “A Desordem do Progresso: o fim da era dos economistas e a construção do futuro”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
[10] PNUD/PCR/FIDEM/SUDENE/IPEA/FJP – Desenvolvimento Humano Sustentável no Recife Metropolitano, Indicadores selecionados. Recife, 2000.
[11] In: Ricardo Henriques, Org. (2000).
[12] CJC/FASE/ETAPAS. “Uma Política Inovadora de Urbanização no Recife,1999.
[13] A política da remoção, que perdurou até os anos 80 do século passado, foi substituída pela política da
regularização e da urbanização – hoje reforçada pelo Estatuto da Cidade.
[15] Ano em que foi feita uma contagem geral da população.
[16] IBGE. Censo Demográfico, 1991.
[17] Elaborado pela UFPE/FADE, sob a coordenação de Marcos da Costa Lima e Maria de Jesus Leite.
[18] PCR/FJN. “Análise do Quadro Normativo e da Produção Habitacional de Interesse Social no Recife”. 2001.
[19] Identificados como espaços onde predominam a ocupação ilegal e moradias situadas nas encostas de morros, alagados, planícies ou mesmo em bairros relativamente centrais, em condições precárias – sem infra-estrutura e serviços urbanos.
[20] Calculada com base dos dados do Censo 2000.
[21] Para Maria Tereza Luchiari (Unicamp) a divisão centro x periferia não é mais tão rígida. Segundo ela, até os anos 70 a periferia era associada aos pobres, mas hoje não se sustenta mais esse modelo. A periferia hoje está no centro e vice-versa. In: www.comciencia.br/reportagens/cidades/cid18.htm.
[22] O cadastro das áreas pobres mostrou que somente 1,19% delas têm menos 5 anos de existência, enquanto 8,55% têm entre 5 e 10 anos e 90,26% têm mais de 10 anos de existência.
[23] Coque e Coelhos.
[24] Nancy Birdsall, “Educação: Patrimônio do Povo”. In: “Distribuição de Riqueza e Crescimento Econômico. Estudos NEAD 2. Brasília, 2000.
[25]Como, por exemplo, Brasília Teimosa, Dancings Days, Entra Apulso, Ilha das Cobras e Vila do Vintém.