TRABALHOS PARA DISCUSSÃO
n. 117/2002
Maio · 2002

MUDANÇAS ESTRUTURAIS NA DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA BRASILEIRA: 1950-2050

Morvan de Mello Moreira[1]


INTRODUÇÃO

O Brasil está passando por profundas transformações demográficas, inclusive por significativas alterações na sua estrutura etária. A principal variável responsável por estas mudanças é a fecundidade, cujo declínio inscreve-se entre os mais rápidos e intensos recentemente observados entre os países mais populosos do mundo. A Taxa de Fecundidade Total declinou de 5,8 filhos por mulher, em meados dos anos 60 (Carvalho, 1978), para 2,3 na segunda metade dos anos 90 (IBGE, 2001); deverá alcançar o nível de reposição nos próximos anos, continuando então, provavelmente, a declinar de forma bastante discreta (IBGE, 1997).
Quando do início da queda da fecundidade nos anos 60, o crescimento demográfico brasileiro era de aproximadamente 3,0% ao ano. No período 1991/2000 a população experimentou incrementos proporcionais bastante menores, com uma taxa de crescimento médio de 1,6% ao ano. Para o futuro, as diversas projeções concordam com a continuação desta diminuição, que passaria de 1% ao ano, entre 2000 e 2010, para 0,3% ao ano, entre 2045 e 2050 (IBGE, 1997; United Nations, 2001)
Como resultado deste declínio, estima-se que, apenas entre 1980 e 2000, deixaram de nascer, aproximadamente, 35 milhões de crianças no Brasil. Pelo menos outros 35 milhões nasceriam entre 2000 e 2010, se os níveis de fecundidade de 1980 tivessem permanecido constantes desde então. Por sua vez, o contingente de idosos brasileiros, aqui entendido como a população acima de 65 anos, aumentou em torno de 3,7 milhões entre 1980 e 2000. Entre 2000 e 2010, um lapso correspondente à metade do período anterior e sinalizando a aceleração do processo de mudança, o número absoluto de idosos deverá crescer quase o mesmo montante, isto é, 3,3 milhões de pessoas.
As modificações estruturais na composição etária brasileira são de natureza tal que, segundo se deduz das estimativas da ONU, no espaço de 100 anos entre 1950 e 2050, a proporção da população acima de 65 anos, inicialmente inferior a 3%, atingirá 18% ao final do período. Igualmente, de grande magnitude será a profunda redução na participação do contingente menor de 15 anos, que, com 41,6%, em 1950, e 28,8%, em 2000, deverá representar apenas 19,9% em 2050. No longo prazo, crianças e idosos passarão a ter pesos relativos, na população total, bastante semelhantes. Em conseqüência do anterior, entre os países mais populosos do mundo, o Brasil será o quarto de mais intenso processo de envelhecimento populacional nesse período.
Tão amplas variações num curto espaço de tempo terão importantes repercussões sobre a sociedade brasileira, a trajetória de seu desenvolvimento e a qualidade de vida de sua população. Elas ocorrem numa sociedade que se moderniza, mantendo, entretanto, uma distribuição de renda das mais desiguais do mundo, com significativa proporção de população vivendo abaixo da linha de pobreza e que tem experimentando desde os anos 80 baixas taxas de crescimento econômico e altas taxas de desemprego.
Este trabalho busca traçar um panorama geral do processo de envelhecimento demográfico da população brasileira cobrindo o período 1950-2050[2]. Nele chama-se a atenção para a velocidade com que o envelhecimento brasileiro ocorre e as conseqüentes mudanças nas taxas de dependência demográficas. Ressaltam-se, também, algumas de suas características mais específicas, tais como, a feminização do processo e a sobrevida dos mais idosos. Para melhor entendimento do processo, e feita uma referência ao contexto internacional.

MUDANÇAS NO PADRÃO ETÁRIO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

Entre 1950 e 2000, a população brasileira, que representa aproximadamente um terço do total latino–americano, aumentou de 54 milhões para 170 milhões, estimando-se que em 2050 atingirá 244 milhões[3]. Nos cinco decênios finais do século XX, a população menor de 15 anos incrementou de 22 para perto de 50 milhões, devendo manter-se neste patamar, com pequenas oscilações, até 2050. A população acima de 65 anos, por outro lado, passou de 1,6 milhões, em 1950, para 8,7 milhões, em 2000, e, provavelmente, 42 milhões, em 2050. Assim, enquanto a população jovem pouco mais que duplicará, a idosa cresceria em aproximadamente 26 vezes em 100 anos[4].
Uma síntese desta transformação é mostrada no Gráfico 1, no qual a seqüência cronológica da distribuição por sexo e idade, iniciada pela pirâmide de formato tipicamente jovem de 1950, que se mantém similar até 1970, torna-se, no final do período (2050), praticamente retangular. Esta série aponta um processo de estabilização relativamente veloz se comparado com a evolução demográfica que, no passado, tiveram os países hoje desenvolvidos[5].

Brasil – Distribuição Etária Relativa – 1950, 1970, 1990, 2000, 2025, 2050







Os Gráficos 2 e 3 ilustram, com maior detalhe, a variação diferenciada por idade, tanto no volume, como na distribuição proporcional. No primeiro caso – Gráfico 2 –, alerta-se para a variação no volume, bastante mais acentuado nos primeiros 25 anos do período de referência, quando, como se viu no caso das pirâmides etárias, a variação na forma era bastante pequena. Estabiliza-se o contingente populacional jovem, declinando, em termos absolutos, a população de menores de 5 anos de idade a partir de 1985.

Gráfico 2 – Brasil – População Acumulada Até a Idade Indicada – 1950-2050

Fonte: United Nations (1999)

O ponto de máximo volume de população menor de 15 anos Brasil, pouco acima de 51 milhões de pessoas, corresponde a 1990; em 2000, estes jovens apresentam decréscimos tendendo depois a se estabilizar numericamente. Desde os anos 60, quando os níveis de fecundidade nacional passaram a apresentar uma trajetória descendente, foram cada vez menores os incrementos absolutos nas coortes nascidas até 1985. Este movimento perdura na década seguinte, na qual as variações absolutas –positivas ou negativas– são cíclicas, tendendo a vegetar em torno de um valor assintótico nulo. O efeito inercial desta desestabilização iniciada com a queda da fecundidade nos anos 70, mas que em termos do número absoluto de nascimentos se manifesta na década de 90, permanecerá ao longo das décadas futuras com as correspondentes variações na demanda social e econômica que cada grupo etário gera. Este aspecto será retomado mais adiante.
O Gráfico 3, com a distribuição etária proporcional da população total, mostra a transformação acima mencionada. As curvas permitem constatar, proporcionalmente, mudanças mais acentuadas entre a população jovem depois de 1965 – início da desestabilização – e até, aproximadamente 2005, a partir de quando, provavelmente, se tenderia, celeremente rumo a uma nova quase-estabilização.
Gráfico 3 - Brasil - Distribuição Etária da População Total - 1950 -2050


Fonte: United Nations, 1999

AS INTERRELAÇÕES ENTRE OS GRUPOS ETÁRIOS.

No intuito de quantificar as transformações da estrutura etária brasileira, apresenta-se na Tabela 1 indicadores da estrutura etária segundo grandes grupos de idade, assim como os valores das idades média e mediana.
Antes de se analisar as relações entre os grandes grupos etários, veja-se a variação nos valores médios da distribuição por idade, mais concretamente com relação à idade mediana. Ela comprova, de maneira eloqüente, a rapidez da mudança, ao duplicar seu valor durante o período de referência.
Se, no início, 50% da população tinha menos de 20 anos de idade, em 2050, tal proporção corresponderia aquela abaixo de 38 anos. Este aumento, no contexto latino–americano, seria inferior apenas aos casos de México, Colômbia e Cuba; de qualquer maneira, seria maior do que o previsto para a América Latina, como um todo, e, ainda, para Ásia no seu conjunto[6]


Tabela 1 - Brasil – Distribuição proporcional da população por grupos etários selecionados, Razões de Dependência Total, Jovem e Idosa e idades média e mediana – 1950-2050
Anos
População Total
Distribuição Proporcional dos Grandes Grupos Etários (%)
Razões de Dependência
(%)
Idade
Média
Idade
Mediana
00-14
15-64
65 +
TDT(a)
RDJ(b)
RDI(c)
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)
(7)
(8)
(9)
1950
53.977
41,6
55,5
3,0
80,3
74,9
5,4
23,5
19,2
1960
72.757
43,3
53,5
3,3
87,1
80,9
6,1
23,2
18,6
1970
96.021
42,4
54,0
3,7
85,3
78,5
6,8
23,6
18,6
1980
121.673
38,1
57,8
4,2
73,1
65,9
7,2
24,7
20,3
1990
147.939
34,8
60,9
4,3
64,1
57,0
7,1
26,2
22,7
2000
170.116
28,8
66,0
5,1
51,4
43,7
7,8
28,7
25,9
2010
190.876
25,3
68,4
6,3
46,2
37,0
9,2
31,3
29,4
2020
209.734
23,3
68,2
8,5
46,7
34,2
12,5
33,8
32,9
2030
225.161
21,5
66,6
11,8
50,0
32,3
17,7
36,2
35,5
2040
236.541
20,6
65,0
14,5
53,9
31,7
22,2
37,9
37,0
2050
244.228
20,1
62,6
17,3
59,6
32,0
27,6
39,0
38,2
Fonte dos dados: United Nations, 1999

Observe-se as modificações que o processo de envelhecimento provocaria nas taxas de dependência demográfica - medida de cunho puramente demográfico -, uma vez que toma, como única variável, a idade, mas indicativa de importantes relações sociais e econômicas intergeracionais em uma população. Em termos gerais, a evolução diferenciada dos jovens e dos idosos determina uma trajetória declinante para a taxa de dependência demográfica; esta taxa que se mantinha praticamente constante e em patamares altos, em torno de 80-90%, até 1970, começa a diminuir devido exclusivamente à diminuição do peso dos menores de 15 anos (coluna 2). A TDT atingiria seus valores mínimos no período 2010 a 2020, devido à rápida diminuição da proporção de jovens (coluna 2). O componente idoso (TDI – coluna 4), que permanece, ainda, pouco expressiva, deverá apresentar aumentos significativos depois de 2020/30, em razão do aumento da população idosa. As significativas mudanças na trajetória da sua taxa de dependência ao longo do período 1950-2050 estão descritas no Gráfico 4.
Gráfico 4 - Brasil – Taxas de Dependência Total, Jovem e Idosa, 1995-2050

Fonte: Tabela 1.

Em síntese, por um longo período a taxa de dependência deverá se manter abaixo dos níveis históricos anteriores ao início da mudança da estrutura etária. Nesta transição a dependência jovem declinará rapidamente e aumentará a dependência idosa –no início, lentamente e depois celeremente– o que trará, certamente, importantes implicações para as necessidades de alocação de recursos públicos e privados entre jovens e idosos.
Com relação à população jovem, tão drástica variação nas razões, inclusive com declínio no número absoluto de jovens, tem importantes repercussões sobre as necessidades de investimentos neste grupo, criando oportunidades favoráveis à melhoria, por exemplo, do nível de escolaridade e da saúde, o que garantiria, no futuro, uma melhor qualidade de vida à população brasileira.
O período que se estenderá até aproximadamente 2025 é caracterizado por Carvalho e Wong (1995), entre outros, como uma “window of opportunity” ou ‘bônus demográfico’, no sentido de constituir-se em um lapso de tempo no qual se atenuarão as pressões quantitativas impostas pela dependência jovem, sem que as demandas quantitativas dos idosos cresçam expressivamente. Configura-se assim, uma conjuntura favorável para a ampliação da cobertura e qualidade dos serviços requeridos pela população jovem e para se preparar para os desafios impostos pelo previsto crescimento da população idosa[7].

ENVELHECIMENTO POPULACIONAL BRASILEIRO NO CONTEXTO INTERNACIONAL

As transformações mencionadas nas linhas anteriores, mostram, principalmente, o processo de envelhecimento da população brasileira. Nesta seção, o mesmo será analisado mais detalhadamente, considerando o volume e a intensidade do mesmo dentro do contexto internacional.
Com relação à intensidade, se utilizará a variação no tempo do Índice de idosos (II). Ele é definido como a razão entre os maiores 65 anos e os menores de 15 anos de idade e sua evolução relaciona-se diretamente ao processo de envelhecimento populacional. O Índice de Idosos é de fácil interpretação e altamente sensível às variações na distribuição etária causadas por declínios na fecundidade, como no caso brasileiro.
A Tabela 2 retrata a evolução provável da população de idosos, do seu peso relativo e do Índice de Idosos do Brasil, do conjunto dos países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos[8] e de algumas Regiões selecionadas. Os dados apontam a existência de mundos distintos no que tange à população idosa: um deles, composto pelos países menos desenvolvidos, no qual o número de idosos é elevado, mas o seu peso é relativamente pequeno. O outro, formado pelos os países mais desenvolvidos, no qual o tamanho absoluto da população idosa é menor, mas é elevada a participação relativa do grupo no total da população. Nos menos desenvolvidos, os maiores de 65 anos de idade em 2000, eram aproximadamente 250 milhões mas correspondiam a apenas 5,1% da sua população total. Nos mais desenvolvidos, este contingente atingia 170 milhões mas representava 14,4% da sua população total. Enquanto, em 1950, a população idosa dos países menos desenvolvidos era praticamente igual à dos mais desenvolvidos (60.6 e 64.2 milhões respectivamente), em 2050 passaria a ser quase quatro vezes maior (1,2 bilhões contra 300 milhões).
Ressalte-se, ademais, a velocidade em que a estrutura etária das regiões que iniciaram a transição demográfica envelhecerá, o que é o caso para América Latina e o Sudeste Asiático. Tomando-se 1950 como base de comparação, estas Regiões apresentarão um rápido processo de envelhecimento, multiplicando a sua população idosa em mais de 20 vezes. O Índice de Idosos (II), que em 1950 apresentava valores abaixo de 10 idosos por 100 jovens para ambas regiões, situar-se-ia em torno de 100 idosos por 10 jovens, em 2050. Manter-se-ia, no entanto, a ampla distância com relação ao envelhecimento atingido pela Europa, na qual haveria significativamente mais idosos do que jovens. Em suma, quanto ao processo de envelhecimento entre 1950 e 2050 medido pela variação do Índice de Idosos, ele seria mais rápido nos países menos desenvolvidos do que nos países mais desenvolvidos: o Índice de Idosos aumentaria em 617% e 486%, em cada caso respectivamente[9].
Com relação ao Brasil, a Tabela 2, mostra que este deverá apresentar, entre 2000 e 2050, se comparado com o conjunto de países de América Latina e Caribe: um crescimento similar na proporção do número de idosos (em torno de 385%); um maior aumento relativo na proporção de idosos (249% contra 211%, para América Latina) e um maior aumento relativo, também, no Índice de Idosos (313 contra 286% para América Latina). Esta aparente contradição se deve ao fato de que o número absoluto de idosos em 2050 será menos afetado pelo momento do início e o ritmo do declínio da fecundidade observados na Região e no Brasil, do que os outros dois indicadores. Os dados apontam para um processo mais rápido de envelhecimento da população brasileira, do que o da Região, como um todo.

Tabela 2 - População de 65 anos e mais, Proporção de Idosos e Índice de Idosos, para o Brasil e Regiões selecionadas do Mundo - 1950-2050
Brasil e Regiões selecionadas do Mundo
1950
1975
2000
2025
2050
População de 65 anos e mais (em mil)

Brasil

1.604
4.247
8.709
21.919
42.243
Países menos desenvolvidos (*)
66.644
118.027
248.221
561.749
1.163.054
Países mais desenvolvidos(*)
64.202
116.029
171.069
253.912
299.249
América Latina e Caribe
6.178
14.061
28.080
67.472
135.666
Sudeste Asiático
6.735
10.691
24.371
58.100
177.542
Europa Ocidental
14.373
23.513
29.151
41.749
46.918
Proporção de Idosos
Brasil
3.0
3.9
5.1
10.1
17.8
Países menos desenvolvidos(*)
3,9
3,9
5,1
8,5
15,0
Países mais desenvolvidos(*)
7,9
10,7
14,4
20,9
25,9
América Latina e Caribe
3,7
4,4
5,4
9,7
16,8
Sudeste Asiático
3,7
3,3
4,7
8,5
22,6
Europa Ocidental
10,2
13,9
15,9
22,7
27,5
Índice de Idosos
Brasil
7,2
9,7
18,1
46,8
92,9
América Latina e Caribe
9,2
10,6
17,2
41,1
83,7
Países menos desenvolvidos(*)
10,3
9,4
15,7
34,1
73,9
Países mais desenvolvidos(*)
28,9
44,2
79,1
133,1
169,3
Sudeste Asiático
9,4
7,7
15,0
37,0
115,3
Europa Ocidental
43,8
61,0
93,5
152,3
185,8
Dados básicos de: United Nations (1999)
(*) Ver nota explicativa anterior

Adicionalmente, a se aceitar as projeções das Nações Unidas, em 2050 o Índice de Idosos do Brasil (93) ainda seria bem menor do que aquele da Europa Ocidental (186) e do Sudeste Asiático (115). Aliás, nesta última Região, o processo de envelhecimento seria espantoso entre 2025 e 2050, quando seu Índice de Idosos passaria de 37 para 115 idosos por cada 100 jovens.

Por último, segundo as projeções das Nações Unidas (United Nations, 1999), o processo de envelhecimento da população nacional, medido pela evolução do Índice de Idosos inscrever-se-ia entre os mais intensos, se visto no período 1950-2050. Estes dados caracterizam o Brasil, entre os 35 países mais populosos do mundo, como o 4° mais intenso processo de envelhecimento, após a República da Coréia, Tailândia e Japão. No período de um século, o Brasil multiplicaria em 12 vezes o seu Índice de Idosos, a República da Coréia 21 vezes, a Tailândia, 19 e o Japão em torno de 16 vezes (Veja a Tabela A2, em anexo).
No Gráfico 5, a evolução do Índice de Idosos do Brasil, entre 1950 e 2050, é comparada com a da República da Coréia, Japão, Espanha, Estados Unidos e a Republica Democrática do Congo (correspondendo ao primeiro e ao último, os processos de envelhecimento mais intenso e mais lento, respectivamente, entre os 35 países mais populosos em 2000).



Gráfico 5 – Brasil e Países Selecionados – Números Índices de Base Fixa do Índice de Idosos – 1950-2050


Fonte dos dados: Tabela A2.

A maior velocidade do processo de envelhecimento da população brasileira contrasta com aquela observada entre os países já envelhecidos nos quais a transição da fecundidade a níveis baixos iniciou-se bem antes e deu-se num período de tempo maior. Consequentemente, nestes países os ajustes institucionais e as transformações sociais e econômicas necessárias à adequação de uma população mais velha puderam se dar em um intervalo temporal mais longo.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO BRASILEIRO

Tendo constatado o relativamente rápido processo de envelhecimento que o país muito provavelmente experimentará, este item contempla algumas características deste processo, restringindo a análise ao diferencial por sexo e, brevemente por grupos etários dentro da população idosa.[10]

Feminização

O envelhecimento incide diferencialmente por sexo. As mulheres, beneficiadas que são por menores níveis de mortalidade, apesar da razão de sexo ao nascer favorável aos homens, passam a ser mais numerosas do que estes a partir da idade 20, aproximadamente. Usualmente as razões de sexo (RS) bastante baixas localizam-se nas idades mais velhas, nas quais os efeitos cumulativos da maior mortalidade masculina são mais intensos. Como é suposto que, pelo menos num horizonte temporal amplo, as esperadas ampliações da expectativa de vida da população brasileira se darão mantendo constante o significativo diferencial de mortalidade por sexo, pode-se esperar uma crescente feminização do envelhecimento nacional.
Os dados referentes ao Brasil (Tabela 3) mostram a evolução provável das diferenças entre o total de homens e mulheres idosos, ao longo do período 1950-2050. O maior contingente de mulheres idosas existente em 1950 (quase 25% mais mulheres do que homens) deverá aumentar substancialmente até 2050 (as mulheres seriam 40% mais numerosas do que os homens), resultando num incremento na sua participação na população idosa de 55,5%, em 1950, para 58,4%, em 2050, ampliando assim a distância entre sexos do Índice de Índice de Idosos.
Adicionalmente, dois aspectos devem ser considerados ao tratar da feminização no processo de envelhecimento esperado. Em primeiro lugar, será nestas idades onde haverá, provavelmente, ganhos nos níveis de mortalidade acima dos projetados, aumentando, possivelmente, os diferenciais por sexo. Assim sendo, os dados acima não estão certamente, revelando em sua inteireza, o verdadeiro grau de feminização da população idosa brasileira.

Tabela 3 – Brasil – População Idosa, Razão de sexos, Participação na População Total e Índice de Idosos por Sexo – 1950-2050
Anos
População de idosos (em mil)
Razão
de sexos (%)
Proporção no total de População (%)
Índice de Idosos
(%)
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
1950
715
891
80,2
2,7
3,3
6,3
8,0
1960
1.068
1.315
81,2
2,9
3,6
6,7
8,4
1970
1.614
1.918
84,2
3,4
4,0
7,9
9,5
1980
2.378
2.677
88,7
3,9
4,4
10,2
11,6
1990
2.886
3.505
82,5
3,9
4,7
11,1
13,8
2000
3.790
4.919
77,0
4,5
5,7
15,2
20,4
2010
5.094
6.893
73,9
5,4
7,1
20,7
29,0
2020
7.509
10.345
72,7
7,3
9,7
30,1
43,1
2030
11.105
15.476
71,8
10,1
13,4
44,8
65,1
2040
14.131
20.052
70,4
12,3
16,5
56,8
84,2
2050
17.560
24.683
71,2
14,8
19,7
70,1
103,0
Fonte dos dados: United Nations, 1999.

Tabela 4 - Brasil e Regiões selecionadas do Mundo – Razões de Sexo dos Idosos -
1950-2050.
Brasil e Regiões selecionadas do Mundo
1950
1975
2000
2025
2050
Brasil
80.3
86.9
77.0
72.1
71.1
Países menos desenvolvidos
80,3
84,9
84,1
83,4
82,7
Países mais desenvolvidos
71,0
62,9
65,4
72,4
74,1
América Latina e Caribe
84,7
85,4
78,4
75,7
76,2
Sudeste Asiático
83,7
82,2
78,9
78,4
79,8
Europa Ocidental
74,6
62,3
64,9
75,6
76,6
Fonte: United Nations, 1999.

Em segundo lugar, deve-se ressaltar, no entanto, que o acentuado desequilíbrio entre homens e mulheres idosas não é uma especificidade brasileira. Com efeito, as razões de sexo mostradas na Tabela 4, indicam que o Brasil está, atualmente, próximo da média latino-americana, ainda que, em 2050 –sempre segundo as projeções das Nações Unidas– entre as menores do mundo[11]. Note-se que o conjunto de países mais desenvolvidos, após alcançar uma razão de sexos mínima, nos anos 70 (62,9, em 1975), experimentará, provavelmente, uma recuperação persistente, ainda que leve, de seu nível (74,1 em 2050)[12].

Envelhecimento entre os idosos

Combinado com os efeitos do declínio da fecundidade, os ganhos de sobrevida, que tendem a beneficiar cada vez mais a população idosa, serão responsáveis por taxas mais altas de crescimento da população idosa, sendo, pelo menos durante um certo período, dentre os idosos, maiores nas idades mais avançadas. Como neste extremo da vida, a sobrevivência feminina é bem mais alta do que a masculina, a feminização da velhice é, em grande parte, devida aos grupos etários de idades muito elevadas. A Tabela 5 apresenta para o período 2000-2050, o contingente de idosos acima de 65, 70 e 80 anos, as respectivas participações relativas e taxas de crescimento.
Entre 2000 e 2050 os brasileiros com mais de 60 anos aproximadamente quintuplicariam em termos absolutos, e, na medida em que se contemplem grupos etários mais velhos, maior seria o ritmo de aumento. O volume de idosos de 70 ano e mais seria multiplicado por quase 7 vezes; incremento este, entretanto, que deverá ser inferior àquele da população maior de 80 anos, que se multiplicaria em quase 8 vezes e ampliaria sua participação para mais de 20% dentro da população idosa.
Por último, as elevadas taxas de crescimento, acima de 4,0% para períodos posteriores a 2020 nas idades acima de 70, serão produto do efeito combinado da alta fecundidade do passado e dos ganhos de mortalidade que se espera para estas idades.

Tabela 5 – Brasil – População Idosa por Grupos Etário – 2000-2050 (em mil)
a) Grupos etários (acumulados)
Anos
65 e mais
70 e mais
80 e mais
Valor absoluto
Proporção (%)
Valor absoluto
Proporção (%)
Valor absoluto
Proporção (%)
2000
8.709
100,0
5.371
61,7
1.219
14,0
2010
11.987
100,0
7.507
62,6
1.865
15,6
2020
17.854
100,0
10.798
60,5
2.763
15,5
2030
26.581
100,0
16.664
62,7
4.179
15,7
2040
34.183
100,0
23.081
67,5
6.606
19,3
2050
42.243
100,0
28.916
68,5
9.263
21,9
b) Taxas de crescimento médio anual (%)
Período
65 e mais
70 e mais
80 e mais
2000/10
3,19
3,35
4,25
2010/20
3,98
3,64
3,93
2020/30
3,98
4,34
4,14
2030/40
2,52
3,26
4,58
2040/50
2,12
2,25
3,38
Fonte: United Nations, 1999.

AS CONDIÇÕES SOCIAIS DOS IDOSOS NO BRASIL

Um dos primeiros conjuntos de evidências sobre a situação sócio-demográfica do idoso no Brasil foi elaborado pela Fundação Seade (1990) e centralizava suas indagações sobre o idoso do Estado de São Paulo. Outras pesquisas foram dadas a conhecer desde então, sendo particularmente importantes aquelas apresentadas nos Encontros Nacionais da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)[13]. A mais recente publicação enfocando o idoso em nível nacional foi organizada por Camarano (1999), traçando, com base em dados secundários e pesquisas de campo, um panorama geral sobre a condição social recente do idoso no Brasil.
A partir de uma ampla revisão das condições de vida da população idosa, é possível estabelecer que, de uma forma geral, o idoso brasileiro encontra-se em melhores condições de vida do que a população jovem. Eles têm rendimentos mais elevados, são em maior proporção proprietários de casa própria e contribuem de forma significativa para a renda familiar, sobretudo devido ao rendimento dos homens, principalmente no que se refere ao rendimento do trabalho (Conceição, 1998; Wajnmam et alii, 1999). Em situação de crise econômica e desemprego, a contribuição financeira dos idosos para o sustento familiar é fundamental. Há evidências de expressivos ganhos no nível de rendimento dos idosos ao longo do tempo, para os quais muito teria contribuído a previdência social. Ganhos mais expressivos teriam ocorrido entre as mulheres, principalmente com a extensão da cobertura previdenciária às áreas rurais. Também seriam as mulheres a apresentarem maior ampliação na proporção de alfabetizados e escolarizados. Entretanto, a continuidade, no futuro, do idoso como importante contribuinte para o sustento das famílias é colocada em dúvida, quando se têm em conta as dificuldades de acumulação de patrimônio dos adultos jovens, em razão das altas taxas de desemprego e informalização do mercado de trabalho que prevalecem na economia brasileira e o processo global de destruição de trabalhos não-qualificados, usualmente mais apropriados aos jovens que adentram a força de trabalho (Camarano et alii, 1999, Camarano, El Ghaouri, 1999)
A importância das transferências governamentais para os idosos é o elemento decisivo para a manutenção do bem estar dos mesmos no ciclo final de vida. Turra (2000) mostra que através da previdência social, uma enorme parcela de recursos públicos é transferida à população. No total, os mais beneficiados são os idosos, que em relação aos jovens recebem volumes superiores de transferências das esferas governamentais.
Na esfera pública, a previdência social rural constitui um elemento significativo de proteção social ao idoso das áreas rurais, contribuindo para uma significativa ampliação do rendimento domiciliar de seus beneficiários, geralmente muito pobres, assim como se constitui em importante forma de inclusão social das mulheres rurais. Em uma pesquisa domiciliar conduzida nas duas mais populosas regiões do Brasil, encontrou-se que mais de 60% dos aposentados e pensionistas, tanto no Nordeste como no Sudeste do Brasil, eram constituídos por mulheres (Delgado e Cardoso Jr, 1999). Embora isto possa ser reflexo da composição por sexo dos idosos, na qual, como visto, predominam as mulheres, ressalte-se, também, o perfil do rendimento dos idosos na área rural: 87% do total dos rendimentos das mulheres maiores de 60 anos origina-se na Previdência Social. Entre os homens, esta proporção é de 55%[14]. Outros dados mostram que a previdência social constitui importante fonte de sobrevivência de populações de municípios pequenos, para os quais os benefícios previdenciários constituem uma significativa fração dos recursos monetários que circulam nos mesmos
A presença do benefício previdenciário e seu significado para a renda familiar constituem elemento central para que, no Nordeste, as transferências intergeracionais diretas de renda se dêem dos idosos para os filhos mais jovens, ao contrário de São Paulo, onde o fluxo tem a direção esperada, conforme mostra Saad (1999). O autor mostra também que, no Nordeste, a co-residência entre gerações deve-se muito mais às necessidades dos filhos adultos do que a dos pais idosos (Saad, 1996). Ferreira (2001) observa o mesmo em relação à periferia da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesta mesma direção, com base em dados secundários, Camarano et alii (1999) indicam que, em famílias chefiadas por idosos, encontra-se uma proporção expressiva de filhos adultos e crianças residindo no domicílio. Em nível agregado, Turra (2000) aponta que, no Brasil, os fluxos intergeracionais fluem dos mais velhos para os mais jovens, contrapondo-se à sugestão de Caldwell (1976), constituindo-se, inclusive, elemento de explicação para a persistência da queda da fecundidade no Brasil, ao mostrar que a criação de filhos é, em termos líquidos, custosa para os pais. Camarano (1999) também afirma que, com base nos trabalhos reunidos na sua publicação, nas famílias brasileiras, as transferências intergeracionais têm caráter bidirecional, particularmente em razão das crises econômicas que têm afetado mais as populações jovens.
Barros et alii (1999) encontram que a percentagem de pobres tende a ser menor entre os idosos do que entre os não–idosos, o que, em grande parte, se deve ao rendimento dos idosos proveniente do sistema previdenciário e da sua capacidade de poupança. Os autores também encontram que a renda média dos idosos está acima da renda per capita da maioria dos domicílios, em especial dos domicílios pobres, o que implica em que não somente os idosos não representem um aumento na taxa de dependência econômica, mas, também, sejam responsáveis por um menor grau de pobreza entre os não–idosos.
Com o rápido envelhecimento, duas importantes incógnitas surgem: será possível continuar com este quadro relativamente positivo para os idosos que, inclusive, transferem rendimento às gerações mais jovens? A Previdência, com tão importante papel social, terá condições, de continuara exercê-lo no longo prazo?

CONCLUSÕES

O rápido e intenso declínio da fecundidade no Brasil não tem correspondência na experiência histórica dos países desenvolvidos. Ao lado de uma rápida redução em suas taxas de crescimento populacional, o País está experimentando uma profunda transformação na estrutura etária, em um curto lapso de tempo. Com um dos mais velozes processos de envelhecimento demográfico entre os países mais populosos do mundo, o Brasil enfrenta um profundo desafio, que é o de conciliar o desenvolvimento econômico, assegurando a manutenção dos atuais níveis de bem–estar geral, e, ao mesmo tempo, reduzir os elevados níveis de pobreza e as diferenças sociais que tanto marcam o País. Durante um período de tempo, em que o decremento da população jovem não é compensado pelo incremento da população idosa, o País experimenta um bônus demográfico, representado por uma taxa de dependência total declinante, que voltará a se ampliar posteriormente, sem entretanto atingir os níveis históricos anteriores. Nesta mudança, a dependência que era caracteristicamente jovem. passa a ser idosa, mudando o perfil das demandas sociais, que pressionará o sistema de saúde e, principalmente, a previdência social.
Os esforços de políticas públicas destinados a equacionar a trajetória demográfica e as necessidades de crescimento estão ainda em fase incipiente, mas não há evidências de que, atualmente, os idosos estejam em piores condições do que os demais grupos sociais. Pelo contrário, as transferências governamentais são favoráveis aos idosos, para as quais a previdência rural, por exemplo, em muito tem contribuído. Ademais, há evidências de que os fluxos intergeracionais de renda ainda se dão dos mais velhos para os mais jovens e que, entre os mais pobres, a situação dos mais velhos não é a pior. No entanto, são muitos os desafios a serem enfrentados pela sociedade brasileira para garantir o financiamento do bem–estar dos idosos diante do rápido processo de envelhecimento. Na formulação de políticas de proteção aos idosos, há que se ter especial atenção para as questões de gênero e a situação das mulheres, uma vez que estas apresentam menores taxas de participação no mercado formal de trabalho e, usualmente, elas se localizam nos setores de mais baixa remuneração e de menor proteção e é delas a maior contribuição, não remunerada, no cuidado dos familiares.
A combinação do bônus demográfico e a adequada formulação de políticas de previdência e de proteção social aos idosos em muito contribuiriam para a garantia do bem estar dos idosos brasileiros. No entanto, dado, de um lado, o crescente número de idosos na população brasileira, tanto em termo relativos, quanto absolutos, e, de outro lado, a escassez de recursos e a existência permanente de demandas sociais competitivas, há de se delimitar dentro da população idosa, aqueles grupos menos privilegiados e, consequentemente, mais carentes, que deveriam se constituir em populações–meta preferenciais das políticas públicas.

Bibliografia

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Tabela A1: Brasil - População por sexo e idade dos anos 1950, 2000 e 2050

Grupos
  de  
Idades
1950
2000
2050
Total
Homens
Mulheres
Total
Homens
Mulheres
Total
Homens
Mulheres
Total
53.975
26.776
27.199
170.115
84.003
86.112
244.230
118.653
125.577
00-05
8.984
4.533
4.451
15.994
8.142
7.852
16.374
8.373
8.001
05-10
7.013
3.523
3.490
16.123
8.196
7.927
16.330
8.346
7.984
10-15
6.436
3.230
3.206
16.960
8.614
8.346
16.282
8.314
7.968
15-20
5.405
2.711
2.694
17.389
8.812
8.577
16.169
8.247
7.922
20-25
5.016
2.515
2.501
16.525
8.263
8.262
16.011
8.148
7.863
25-30
4.127
2.068
2.059
14.601
7.232
7.369
15.912
8.071
7.841
30-35
3.445
1.718
1.727
13.650
6.736
6.914
15.887
8.024
7.863
35-40
3.071
1.525
1.546
13.039
6.400
6.639
15.854
7.961
7.893
40-45
2.592
1.277
1.315
10.977
5.349
5.628
15.543
7.748
7.795
45-50
2.082
1.010
1.072
9.103
4.404
4.699
15.050
7.437
7.613
50-55
1.816
856
960
7.121
3.412
3.709
14.452
7.058
7.394
55-60
1.362
633
729
5.399
2.551
2.848
14.079
6.765
7.314
60-65
1.022
461
561
4.526
2.098
2.428
14.042
6.599
7.443
65-70
723
330
393
3.338
1.511
1.827
13.327
6.070
7.257
70-75
463
206
257
2.570
1.130
1.440
11.335
4.884
6.451
75-80
267
116
151
1.582
670
912
8.318
3.340
4.978
80-85
153
63
90
790
320
470
5.341
1.987
3.354
85-90



326
124
202
2.832
951
1.881
90-95



88
31
57
916
277
639
95-100



14
4
10
163
47
116
100 +



1
-
1
11
4
7
Fonte: United Nations, 1999



Tabela A2 - Países mais populosos em 2000 - Índice de Idosos - 1950-2050
Países
Índice de Idosos
1950
1960
1970
1980
1990
2000
2010
2020
2030
2040
2050
Espanha *
26,9
29,9
35,0
40,2
71,3
117,0
138,5
174,3
239,0
293,1
311,4
Itália *
31,4
37,6
44,3
59,0
96,6
127,5
162,2
208,1
250,5
288,1
290,8
Japão *
13,9
19,0
29,4
38,4
65,1
115,2
145,5
187,8
202,9
216,3
229,6
Alemanha *
41,9
54,1
59,0
84,4
93,0
105,5
149,5
165,8
194,1
218,5
212,1
Ucrânia
27,9
29,3
36,6
55,8
56,6
79,6
106,3
117,3
150,2
168,3
195,9
Federação Russa
21,4
21,0
28,9
47,2
43,7
68,9
82,2
98,0
136,1
146,4
174,5
Polônia
17,8
17,2
30,6
41,7
40,0
61,8
76,9
103,5
135,5
143,1
167,6
Coréia
7,3
7,9
7,8
11,2
19,4
31,3
46,9
69,1
108,4
139,9
154,3
Reino Unido *
48,0
50,2
53,3
72,1
82,1
85,2
102,3
119,5
138,3
156,0
154,1
França *
50,1
44,1
51,8
62,7
69,1
85,2
95,3
116,6
136,7
152,7
152,6
Canadá *
25,9
22,4
26,0
41,4
54,1
67,4
86,3
108,6
133,2
142,0
140,0
China
13,4
12,4
10,8
13,4
20,1
27,6
39,8
60,2
90,4
130,2
138,5
Tailândia
7,1
6,1
6,5
8,8
13,6
23,1
34,5
51,0
81,6
116,5
137,4
Est. Unidos *
30,6
29,8
34,7
49,7
56,5
58,3
69,1
90,5
115,7
124,9
127,1
Myanmar
8,6
8,3
9,0
10,1
11,4
17,3
22,4
30,5
50,4
75,6
96,9
Turquia
8,6
8,6
10,7
12,0
12,2
20,6
25,6
36,7
53,8
74,2
96,7
México
10,6
10,2
9,2
8,4
10,3
14,2
20,8
32,1
49,3
74,2
96,6
Argentina
13,8
18,0
23,7
26,6
29,2
35,0
39,6
49,5
60,4
71,8
90,4
Vietnã
11,4
10,9
9,8
11,3
12,4
16,0
20,1
25,5
43,8
68,3
88,0
Brasil
7,2
7,6
8,7
10,9
12,4
17,7
24,8
36,5
54,8
70,2
86,2
Indonésia
10,1
8,3
7,2
8,2
10,8
15,4
22,3
30,3
44,7
65,3
83,0
Colômbia
7,4
6,7
7,4
9,3
11,9
14,4
19,0
29,6
46,4
64,9
80,2
Irã
13,7
9,3
7,5
7,4
7,8
12,1
16,8
21,3
34,6
54,6
80,2
Índia
8,6
8,6
9,0
10,5
11,9
14,9
20,7
30,4
43,4
60,3
77,3
Argélia
10,9
8,8
8,6
8,4
8,5
10,3
12,0
20,2
34,0
49,2
72,1
Egito
7,5
7,7
10,4
10,1
9,6
11,6
15,3
25,4
37,5
51,0
71,8
Filipinas
8,2
6,8
5,9
6,7
8,6
9,9
13,5
22,9
35,7
49,4
70,7
Bangladesh
9,6
9,1
7,7
7,5
7,1
9,1
12,1
19,1
29,2
43,3
69,0
Paquistão
14,1
9,5
6,8
6,5
6,8
7,6
9,4
14,0
24,6
36,5
49,3
Quênia
9,9
9,0
8,2
6,7
6,1
6,9
6,7
8,5
14,3
23,3
43,2
África do Sul
9,3
9,4
9,3
8,5
8,8
10,2
11,6
15,1
20,8
28,0
40,2
Nigéria
5,2
5,6
5,5
5,7
6,1
7,1
8,2
9,1
12,5
20,7
31,8
Tanzânia
4,8
5,0
5,1
4,9
5,4
5,7
6,1
6,8
9,4
16,5
26,8
Congo
8,7
6,6
6,3
6,1
6,1
5,8
6,1
6,6
8,3
12,9
21,7
Etiópia
6,8
5,7
5,6
6,6
6,5
6,2
6,1
6,6
8,4
12,8
21,2
Fonte: United Nations, 1999
* Países desenvolvidos mais ricos.


[1] Diretor do Departamento de Estudos Populacionais do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco e Professor da Universidade Federal de Pernambuco. O autor agradece a leitura e sugestões de José Alberto Magno de Carvalho e Laura R. Wong, permanecendo de sua inteira responsabilidade as deficiências remanescentes do trabalho.
[2] O presente trabalho, para facilitar comparações com outros países, valeu-se das estimativas publicadas por Nações Unidas: The World Population Prospects – The 1998 revision (United Nations, 1999) e World Population Prospects – The 2000 Revision (2001); esta última, disponível on line (www.un.org/esa/population/wpp2000.htm ). A menos que se expresse o contrário, todas as estimativas provêm de resultados obtidos a partir da variante média destas fontes.
[3] A Tabela A1, no Anexo, mostra a distribuição por sexo e idade da população brasileira para os anos de 1950, 2000 e 2050.
[4] Note-se que, devido ao efeito inercial da estrutura etária e da relativamente estreita margem de variação plausível da fecundidade e da mortalidade futuras, é pequena a possibilidade de que estas previsões se afastem significativamente da realidade.
[5] Como evidência desta observação, tome-se como exemplo, a evolução mostrada por Pressat (1970) da estrutura etária da população francesa para o período 1775 a 1959.
[6] Cuba possui uma dinâmica populacional bastante diferenciada dentro de América Latina. Saliente-se que, já em 1950, a idade mediana cubana estava acima da média latino–americana: 23,0 e 20,1 anos respectivamente. Para 2050, os valores correspondentes seriam 43,1 e 37,5 (United Nations, 1999). No contexto asiático, no entanto, sobressaem Tailândia e República da Coréia, com um aumento superior a 22 anos na idade mediana no período de referência.
[7] Este perfil, demograficamente vantajoso estará presente, tal como no Brasil, em muitos dos países subdesenvolvidos que vem experimentando semelhantes mudanças demográficas. Este é o caso de vários países latino-americanos, como México e Colômbia. O mesmo aplica-se a vários países asiáticos, entre eles, Indonésia, Tailândia, República da Coréia e Tailândia.
[8] Pelo critério da Assembléia Geral das Nações Unidas de 1996, as categorias mencionadas incluem os seguintes países/regiões:
- Mais desenvolvidos: América do Norte, Japão, Europa e Austrália/Nova Zelândia
- Menos desenvolvidos: África, América Latina e Caribe, Ásia (exceto Japão) e Melanêsia, Micronêsia e Polinêsia. Note-se que esta categoria exclui os países extremamente menos desenvolvidos (38 em África, 9 na Ásia, 1 na América Latina e 5 na Oceania)
[9] Observe-se, ademais, que os países desenvolvidos, certamente, iniciaram este processo com anterioridade a 1950 e que para esta data seus Índices de Idosos eram quase três vezes o Índice de Idosos dos países menos desenvolvidos.
[10] Seria desejável caracterizar este processo levando em consideração informações sobre etnia, mas a fragilidade do dado censitário, a este respeito, impede efetuar a análise. A deficiência da informação sobre esta variável é visível, por exemplo, na razão de sexos: superior a 1 em idades acima de 30 anos, para a população preta/parda. Constata-se inconsistência, também, no aumento do volume de coortes pardas, na medida que estas envelhecem. Um claro exemplo disto, é a população parda de idade 10-14, no censo de 1960, cujo volume era de 1.343 mil crianças; em 1980, estando no grupo 30-34 anos, o contingente desta coorte foi de 1.355 mil; finalmente, em 1990, quando estariam nas idades 40-44 anos, o volume aumentou para 1.485 pessoas. Sobre a ‘migração’ entre os diversos grupos étnicos, veja Wood et al. (2000).
[11] Isto se deve, em grande parte, à significativa sobremortalidade masculina embutida nas projeções. Para o inicio do Século XXI, estima-se que a diferença entre as esperanças de vida ao nascer no país, oscile entre 7,5–7,8 anos em favor das mulheres (Pronex/Cedeplar, 1999; CELADE, 2001).
[12] Os baixos valores da RS entre idosos nos países mais desenvolvidos, mais especificamente aqueles localizados na Europa Ocidental, são, em parte, explicados pelas guerras mundiais.
[13] Vide especialmente o levantamento disponível em Moreira (1997)
[14] Informe da Previdência Social – 2001 – v. 3 n.3:1-16, p. 4