UMA CONSTRUÇÃO
DE NOVOS OLHARES

Introdução
Textos do Seminário · síntese
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CONCLUSÕES GERAIS
PROPOSTAS

AVALIAÇÃO GERAL E RESULTADOS

O Seminário Internacional Polifonia da Miséria foi, dentro da experiência da Fundação Joaquim Nabuco, e ao testemunho dos parceiros e participantes, um sucesso. Reuniu uma diversidade de pesquisadores, gestores públicos e privados e ativistas sociais de diferentes perspectivas intelectuais e políticas; mobilizou a atenção da mídia local antes e durante sua realização; possibilitou a discussão do tema numa perspectiva comparativa, que ressaltou a extensão e a profundidade do problema da pobreza, visto desde um ponto de vista não centrado na sua dimensão estritamente econômica, embora claramente interligado a esta, uma vez que salta à vista o impacto combinado de décadas de um modelo de desenvolvimento excludente com as medidas de ajuste estrutural e reforma estatal tomadas na última década; enfim, o Seminário ensejou a articulação de uma rede de interesses acadêmicos, envolvendo a maioria das instituições representadas, além daquelas cujos participantes não puderam comparecer, mas solicitaram que os mantivéssemos informados dos desdobramentos do evento.

Nesta área da articulação acadêmica, o espaço do Seminário possibilitou a intensificação de contatos entre participantes cujos interesses de pesquisa convergem de alguma maneira, diretamente no tema ou em temáticas adicionais, tanto brasileiros como estrangeiros. Um resultado disto foi a elaboração e anúncio, no encerramento do Seminário, de uma convocatória para um próximo evento, a ser realizado em Havana, Cuba, em fevereiro de 2003, com a explícita pretensão de ampliar o debate sobre a pobreza, nos moldes propostos pelo nosso, para o conjunto da América Latina e o Caribe. Para tanto, a Sociedade Latino-americana de Estudos da América Latina e o Caribe (SOLAR, México), o Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco e o Laboratório de Estudos do Imaginário/Núcleo Interdisciplinar do Imaginário e Memória da Universidade de São Paulo, contaram com a oferta de parceria e sede do seminário proposto do Centro de Investigações Psicológicas e Sociológicas, de Cuba, representado na programação por um de seus pesquisadores.

O novo seminário, que terá como título "A pobreza na América Latina e o mundo frente ao século XXI", será organizado em função das seguintes temáticas, a serem objeto de montagem de mesas redondas e/ou grupos de trabalho: Imagens da Intolerância; Espacialidade e a questão do outro; As regiões: uma representação espacial da pobreza e da marginalização; Movimentos populares e religiosos na América Latina e a periferia mundial; Pobreza e violência; Cultura, pobreza e multiculturalismo; Novos caminhos para a inclusão social: economia solidária, gestão pública e democratização digital; Meio ambiente e alternativas de desenvolvimento; Economia - integração ou exclusão; Marginalização e pobreza: paradigma da história de nossa América?; Pensamento e ética frente à pobreza; Novas visões sobre políticas sociais; Juventude, família e gênero. Para tanto, a equipe organizadora agendou uma primeira reunião de planejamento para setembro próximo, na Cidade do México, com o fim de estruturar a proposta e iniciar as gestões junto a convidados e instituições parceiras e financiadoras.

Em relação à difusão dos resultados do Seminário, várias iniciativas se somam. Primeiramente, contamos com cobertura da mídia local antes e durante o evento, colocando-o em evidência durante vários dias; o Canal Futura (tevê por assinatura) também incluiu uma chamada para o seminário, na semana anterior a sua realização; e diversos boletins eletrônicos de circulação nacional divulgaram o seminário (CPDOC, ANPOCS, NEAD, Centro de Estudos Afro-Asiáticos, SBPC), além do Campus Virtual do CLACSO, que cobre toda a América Latina e o Caribe. Esta divulgação possibilitou que nos chegassem algumas dezenas de inscrições de outros estados do país, inclusive da região sudeste e sul.

Em segundo lugar, estaremos enviando por e-mail, proximamente, a todos os participantes inscritos, palestrantes e conferencistas, bem como às entidades que receberam divulgação eletrônica do evento, uma síntese das apresentações, também incluída na página web do Seminário.

Em terceiro lugar, duas publicações resultarão da realização do evento. Em função do apoio do CNPq e do Banco do Nordeste, está em preparação o volume dos anais do seminário, que esperamos possa sair ainda este ano, e que permitirá o acesso ao texto integral das conferências e apresentações nas mesas-redondas. Além dos anais, uma das instituições apoiadoras, a SOLAR, do México, se comprometeu, ao final do Seminário, em viabilizar a publicação em espanhol de uma coletânea com uma seleção de trabalhos apresentados no Seminário Polifonia da Miséria, a partir de recomendação da Comissão Científica do evento. Tal publicação deverá sair no próximo ano. Finalmente, recebemos a oferta, já após a realização do Seminário, da Rede de Instituições do Terceiro Setor (RITS) de publicar também, através do seu site na Internet, trabalhos apresentados durante o Seminário.

Desta maneira, cremos que os debates ocorridos no Seminário se projetarão para um público bem mais amplo do que o que fisicamente participou do mesmo, e alcançando repercussão internacional, através das publicações, da realização do próximo evento e do engajamento de pesquisadores de vários países que demonstraram o compromisso de dar continuidade a iniciativas nesta área de estudos. Assim, poderemos contribuir para dar maior peso a interpretações do fenômeno da pobreza que dêem conta do amplo espectro de seu impacto na vida social e na subjetividade dos que estão nele incluídos. Interpretações que redescrevem a pura materialidade da miséria e da exclusão em termos que integram suas condicionantes econômicas a um conjunto de outras variáveis - que contextualmente assumem, em muitos casos, peso tão ou mais significativo - que vão da política e da cultura ao impacto ambiental dos modelos de desenvolvimento que, em nosso mundo, geram pobreza, passando por dinâmicas institucionais no âmbito público e privado, e pelos diversos formatos de enfrentamento alternativo do problema.