Tânia Bacelar de Araújo é economista, Professora do Departamento de Economia da UFPE

 

* Artigo publicado na REVISTA ECONÔMICA DO NORDESTE, Banco do Nordeste Vol.30 n.2 abr -jun de 1999

** Ver, por exemplo, texto apresentado no Encontro Nacional ANPUR, realizado em Recife, em 1997, e trabalho realizado, em 1996/97, em parceria com o economista e Professor da UFPB Leonardo Guimarães Neto, para a Confederação Nacional da Indústria. Para o texto completo, faça aqui o DOWNLOAD
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publicado no Observanordeste em
abril de 2002

|=| POR UMA POLÍTICA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL |=|
Tânia Bacelar de Araújo

APRESENTAÇÃO

O presente artigo tem como objetivo contribuir para a discussão sobre a necessidade , a possibilidade e a pertinência de se formular e implementar uma Política Nacional De Desenvolvimento Regional no Brasil. Um tema que desapareceu da pauta de discussão nacional nesses tempos de hegemonia das idéias liberais onde se prefere defender que o mercado será capaz de comandar a vida do país , inclusive sua dinâmica regional.

As idéias nele expostas não resultam de reflexão recente e isolada, mas vêm sendo amadurecidas há alguns anos e partilhadas com outros estudiosos da questão regional brasileira que, como eu, insistem em discordar da proposta liberal e teimam em reafirmar que sua implementação só fará ampliar as já gritantes e inaceitáveis desigualdades regionais do Brasil . Em textos anteriores avançamos nas análises e proposições aqui apresentadas (**)

Após examinar a herança da dinâmica regional brasileira , tentar ressaltar as novas tendências de comportamento da economia brasileira e seu rebatimento na dinâmica espacial das atividades econômicas, busca-se especular sobre uma provável redefinição da dinâmica regional num contexto de globalização e de opção por priorizar a chamada "integração competitiva" comandada pelo mercado .

Trabalha-se com a hipótese da fragmentação espacial do país em tempos de inserção competitiva mas sobretudo de inserção passiva do Brasil nos mercados em globalização. Possibilidade de fragmentação aqui chamada de "desintegração competitiva" . Tendência que pode ser contrabalançada por uma nova política nacional de desenvolvimento regional. Política que exige a negação de teses neo - liberalizantes tão em voga , que requer presença ativa e articuladora do Estado na cena nacional, inclusive do Governo Federal ( mas não apenas dele) . Política praticada, contemporaneamente, em outros países e até por Blocos Econômicos, como é o caso da União Européia.

Contrapondo-se à visão dominante atual, esse artigo procura argumentar que a inserção de um país como o Brasil no novo ambiente mundial pode se dar sem ampliar ainda mais as fraturas (especialmente as sociais e regionais ) herdadas do passado . E que se pode combinar inserção econômica no mercado global com busca de integração das diversas regiões do país na dinâmica do desenvolvimento nacional.

Defende-se aqui que o controle social da economia é tarefa do Estado, como afirma Alain Touraine (TOURAINE,1997) e ele deve se impor aos ventos liberalizantes que sopram atualmente, em meio à exaustão do nacional desenvolvimentismo , hegemônico no Brasil do século XX . Subordinar a dinâmica econômica regional ao objetivo da consolidação da integração nacional é tarefa do Estado - não apenas do Governo.

A dinâmica regional entregue apenas às próprias decisões do mercado tende a exacerbar seu caráter seletivo, ampliando fraturas herdadas. Tende a desintegrar o país. A proposta aqui exposta se contrapõe à desintegração competitiva , excludente, seletiva e em curso. Supõe uma nova abordagem da questão regional brasileira e propõe a formulação e implementação de uma Política Nacional De Desenvolvimento Regional.

Promoção
     Instituto de Pesquisas Sociais - INPSO, da FJN
     Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, da UFPE
     Núcleo de Estudos Estratégicos - NEST, da UFPE

Apoio
     Prefeitura da Cidade do Recife
     UNESCO