3ª edição

ELEIÇÕES 2002: CONTINUIDADE E MUDANÇA

Emir Sader é Coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 

 

 

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::. LULA: O POSNEOLIBERALISMO CHEGOU?
CUBA, CHILE, NICARÁGUA - BRASIL? .::
Emir Sader

Cuba, 1959 - Chile, 1970 - Nicarágua, 1979. As datas logo vêm à mente - principalmente do exterior -, quando se procura dar conta da vitória de Lula e de sua ascensão, como líder de origem operária, à cabeça de um Partido dos Trabalhadores, mas nenhuma delas dá conta do significado da eleição de Lula à presidência do Brasil, em 2002. Nem tanto pelas particularidades do Brasil - enormes distâncias separavam Cuba do Chile. Nem pelas vias de triunfo da esquerda - entre Cuba e Nicarágua, por um lado, com a via insurrecional e o Chile, pela via eleitoral, as distâncias não eram menores.

As diferenças principais vêm dos períodos históricos diferenciados em que elas se dão e das situações muito diferentes que vive a América Latina. A revolução cubana se dava em plena "guerra fria", em seu período áureo ainda, como uma ruptura brusca com as zonas de influências rigorosamente delimitadas, num marco ainda estritamente respeitado, que tinha permitido que os EUA tivessem intervindo na Guatemala, cinco anos antes, em 1954, sem qualquer esboço de reação internacional. O triunfo cubano se dava igualmente, apesar disso, num marco de expansão do chamado "campo socialista": havia menos de uma década e meia a URSS saíra fortalecida politicamente da Segunda Grande Guerra, alçava-se a potência atômica, os países do leste europeu se incorporavam a esse campo e apenas dez anos antes da entrada de Fidel Castro e seus companheiros em Havana, triunfara a revolução na China. O clima de "desestalinização" aparecia como uma "renovação democrática" da URSS, como contraponto - e eventual antídoto - das intervenções militares na Hungria, na Polônia e na Alemanha Oriental.

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