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O que seria Massangana ?

O que seria Massangana? Leonardo Dantas Silva
Um leitor indaga através da Internet sobre a origem do vocábulo Massangana, conhecida página de Joaquim Nabuco publicada no seu livro autobiográfico, Minha Formação , lançado em 1900 pela Editora Garnier do Rio de Janeiro.
A denominação da Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco de há muito vem despertando a curiosidade particularmente de não pernambucanos, como o pesquisador gaúcho Paixão Cortez. Para Gilberto Freyre "não se deve desprezar o significado dos velhos nomes de lugares: povoados, vilas, cidades. Sob pena de se deixar de sentir o que neles é poesia e não simplesmente de história". [1]
Nos dicionários consultados, desde o vetusto Antônio de Moraes Silva (1813) até o clássico Laudelino Freyre e o atual Aurélio Buarque de Holanda, não se encontra qualquer registro.
No Dicionário Lello (Porto, 1959) aparece Massangano, com a designação de "posto administrativo do concelho de Cambambe, Angola"; servindo ainda para denominar "mau clima; terrenos pantanosos".
Palavra de origem africana, portanto, que chega até nós através de escravos angolanos para cá trazidos. Consultando o Dicionário Kimbundu-Português, de A. de Assis Júnior (Luanda, s/d), veremos que o vocábulo na sua forma masculina, Massanganu, serve como designativo de "confluência; foz. Lugar onde dois rios se juntam num só: Massanganuma Lukala ni Kuanza "; serve assim para denominar o "antigo concelho da freguesia de Nossa Senhora da Vitória, constituindo hoje a área e sede do posto deste nome, concelho de Cambambe (Dondo), distrito de Quanza-Norte, província de Luanda, compreendida na língua de terra formada pelos rios Lucala e Quanza, na margem direita deste rio".
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O Engenho Massangana Rodrigo Cantarelli - Arquiteto do Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte Diretoria de Documentação/Fundação Joaquim Nabuco
A cultura da cana-de-açúcar esteve presente em Pernambuco desde muito cedo, com registros remontando ao século XVI. Os primeiros pontos de ocupação foram as várzeas e margens dos rios Capibaribe, Beberibe e Igarassu. Esses grandes engenhos foram partidos em outros menores e com o passar dos séculos, a sua interiorização foi se tornando cada vez mais necessária. Nesse contexto surgiu, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, o Engenho Massangana, constituído por quatro edificações: a casa-grande, moradia do senhor de engenho; a capela, dedicada a São Mateus; a senzala, moradia dos escravos; e a moita que, movida pelas águas do riacho que dá nome ao engenho, produzia o açúcar. A casa-grande na sua concepção primitiva deveria se assemelhar às diversas edificações rurais pernambucanas construídas no período colonial, entretanto, as reformas realizadas por Paulino Pires Falcão em 1870 ampliaram o edifício, dando-lhe um pátio central e uma sua ornamentação de influencias neoclássicas, através do uso de frisos, forros trabalhados, azulejos importados ou de esculturas de louça na platibanda. Outras características marcantes do edifício são a composição simétrica da fachada, onde se destaca uma água-furtada acima da entrada principal e o pátio central, pouco comum em casas rurais. A Capela de São Mateus, situada no topo de uma pequena colina atrás da casa-grande, é composta por nave, capela-mor, sacristia e corredor lateral. A fachada da edificação, assimétrica, é marcada principalmente pelo volume da nave, com seu frontão triangular e o clássico do triângulo formado pelas aberturas, todas em arco abatido, da porta principal e das janelas do coro. Ao seu lado, ainda no mesmo plano, existe o volume do corredor lateral, com janelas sineiras, sem a marcação de uma torre, assim como a maioria das capelas rurais. A aparente simplicidade da composição é enriquecida pelo jogo de altos e baixos das cinco águas do telhado. A partir do último quartel do Século XIX, com a decadência do engenho, esse conjunto começa a entrar em um processo de deterioração, sendo abandonado por um longo período. Perdeu-se no tempo a senzala, a moita e a varanda da casa-grande, elementos essenciais da configuração vivenciada por Joaquim Nabuco em seus primeiros anos de vida, os da sua formação decisiva como ele próprio concluiu tempos depois. Juntamente com eles se foram o mobiliário e as imagens religiosas, com exceção da imagem de São Mateus que, doada à FUNDAJ pelos seus herdeiros, encontra-se hoje no Museu do Homem do Nordeste.
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Reconstituição História do Engenho Massangana Silvia Albuquerque da Carvalheira (Coordenadora) Cristina Inojosa Ilka Cavalcanti Loureiro
Em meados do século XIX, Pernambuco se encontrava em grande processo agrícola, colocando o Recife no mercado açucareiro de maior importância do império brasileiro. Da chamada “Zona da Mata” vinha a maior quantidade de açúcar e os proprietários dos canaviais viviam numa espécie de “estilo feudal”. “Eram os chamados senhores de engenho, os mais poderosos desses senhores de terras e de escravos” 1 Naquele panorama sócio-político-econômico nascia o quarto filho do casal, Senador José Tomás Nabuco de Araújo e Ana Barreto Nabuco de Araújo. Era um dia consagrado a São Joaquim e a criança, de acordo com o costume da época, recebeu o nome do “santo do dia”. Ninguém previa o adulto marcante, influente e construtor de uma das mais fortes etapas da história do Brasil. A casa onde nasceu Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo era simples, situava-se na antiga Rua do Aterro, no bairro da Boa vista (atual rua da imperatriz), na cidade do Recife. Algum tempo depois, foi batizado na capela de São Mateus a qual pertencia ao Engenho Massangana, cujos proprietários, Joaquim Aurélio de Carvalho e Ana Rosa Falcão de Carvalho, foram os padrinhos da criança. E na companhia destes, permanece esta, partindo para o Rio de Janeiro seus pais e demais irmãos. Naquela época era hábito os padrinhos agasalharem seus afilhados com amor e responsabilidade, como se fossem seus próprios filhos. Mais exacerbados teriam sido aqueles sentimentos em pessoas que não possuíam filhos como no caso a que nos referimos. No excesso do amor dos padrinhos, no verde dos canaviais, na liberdade de horizontes, crescia o menino Nabuco, inserido num contexto social e econômico de uma época de próspera produção agrícola, formando de um lado poderosos senhores de engenho e, de outro, escravos servis, humilhados e tantas vezes massacrados por esses semideuses da sociedade do açúcar. Talvez essa bipolaridade social tenha se adentrado tão profundamente no espírito sensível da criança que, mais tarde, aflorou no adulto o ideal de justiça social e o impulso para a luta em favor dela. Joaquim Nabuco tornou-se uma das figuras mais marcantes da História do Brasil, tendo sido talvez o maior abolicionista deste país, no sentido mais amplo, de uma abrangência psico-social e política, não somente lutando em prol da abolição da escravatura, mas também como primeiro diplomata brasileiro, revelando o nome do país no panorama das nações Sul-Americanas. O Engenho Massangana, onde Nabuco passou seus primeiros oito anos, é de uma simplicidade singular. Se não tivesse sido o cenário de uma infância destinada a um futuro marcantemente histórico, hoje, seria apenas um dos muitos engenhos do século XIX, perdido no meio dos canaviais da Zona da Mata de Pernambuco. Seria, simplesmente um amontoado físico, parado no tempo da história. Mas, as circunstâncias vivenciais do grande abolicionista, transformaram os elementos materiais de sua primeira etapa de vida em princípios perenizadores de uma cultura.
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