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RIO CAPIBARIBE, Recife

CAPIBARIBE

Regina Coeli Vieira Machado

Servidora da Fundação Joaquim Nabuco

pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Capibaribe ou Caapiuar-y-be ou Capibara-ybe (ou ipe), vem da língua tupi e significa rio das Capivaras ou dos porcos selvagens.

Nasce na serra do Jacarará, no município do Brejo da Madre de Deus, na divisa de Pernambuco com a Paraíba. Seu curso tem cerca de 250 quilômetros e sua bacia, aproximadamente, 5.880 quilômetros quadrados.

Possui cerca de 74 afluentes e banha 32 municípios pernambucanos, sendo os principais: Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Salgadinho, Limoeiro, Paudalho, São Lourenço da Mata e o Recife.

Navegável no verão até dois quilômetros acima de sua foz por canoas e botes, no inverno torna-se tão caudaloso que às vezes provoca enchentes e estragos nas áreas ribeirinhas dos município do interior.

O Capibaribe tem grande importância histórica e social na formação e no desenvolvimento de Pernambuco e da região Nordeste do Brasil. Foi denominado de rio-ponte por ter sido, na época colonial, um significativo elo de ligação entre a cultura da cana-de-açúcar da zona da Mata pernambucana e os currais do Agreste e do Sertão.

No século XVI, falava-se muito na gente da várzea do Capibaribe. Foi essa várzea, na paisagem colonial brasileira, a primeira a povoar-se de feitores, lavradores de cana-de-açúcar e senhores de engenhos que deram origem aos conjuntos de casas-grandes ligadas pela água do rio e pelo sangue dos colonos.

Foi na várzea do Capibaribe onde primeiro se consolidou a cultura da cana-de-açúcar no Nordeste, devido ao tipo de solo, o massapê, terra vermelha e fértil, própria para a agricultura canavieira.

A agricultura e a pecuária desenvolvida às margens do Capibaribe muito contribuiu para a evolução do estado de Pernambuco, que não se deu apenas do centro para a periferia, mas também dos engenhos para o centro comercial.

No século XIX, havia alguns locais no Recife, onde as pessoas tomavam banho no Capibaribe e veraneavam às suas margens como, na Várzea, Poço da Panela, Ponte de Uchôa e Monteiro. Podiam ser vistas canoas deslizando ao longo do rio, impulsionadas por canoeiros com remos ou varas, que utilizavam o rio para transportar pessoas, objetos e mercadorias.

O seu percurso no município do Recife, até o local onde ele se bifurca, passa por vários bairros : Várzea, Caxangá, Apipucos, Monteiro, Poço da Panela, Santana, TorreCapunga, Derby, Madalena. Quando se bifurca o seu braço norte encontra-se com o rio Beberibe e deságua no mar. Seu braço sul, passa por Afogados , Ilha do Retiro, rumo a Ilha Joana Bezerra, juntando-se ao rio Tejipió e tendo a sua foz em pleno porto do Recife, alguns quilômetros da foz do braço norte.

Apesar da sua grande contribuição para o desenvolvimento sócioeconômico do Estado de Pernambuco e do Nordeste, hoje o Capibaribe encontra-se poluído por dejetos orgânicos, coberto de lama e assoreado.

Além de ter sido fundamental para o desenvolvimento da região, o rio Capibaribe também foi uma grande fonte de inspiração para poetas e escritores.

 

O rio está ligado da maneira mais íntima à história da cidade. O rio, o mar e os mangues. Assassinatos, cheias, revoluções, fugas de escravos, assaltos de bandidos às pontes, fazem da história do Capibaribe a história do Recife.

(Gilberto Freyre, Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife,1942).

 

 

Dia nítido lavado pelo Capibaribe,

O rio ninando o Recife,

O Recife criança em seus braços

(Mauro Mota, Domingo no Recife. In: Elegias, 1952)

 

 

                                                Recife, 11 de julho de 2003.

                                (Atualizado em 31 de agosto de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

CHACON, Vamireh. O Capibaribe e o Recife: história social e sentimental de um rio. Recife: Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, 1959.

 

GONÇALVES, Fernando Antônio. O Capibaribe e as pontes: dos ontens bravios aos futuros já chegados. Recife: Comunigraf, 1997.

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Rio Capibaribe, Recife, PE. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.




 

 


 
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