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CANHOTO DA PARAÍBA
O músico e compositor Francisco Soares de Araújo, conhecido como Canhoto da Paraíba, nasceu de uma família de músicos – avô clarinetista, o pai tocava violão, os irmãos (nove) revezavam-se entre outros instrumentos – aos dezenove dias do mês de maio de 1928, na cidade de Princesa Isabel, sertão da Paraíba.
Canhoto da Paraíba é considerado por expoentes musicais brasileiros – Pixinguinha, Luperce Miranda, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim, Radamés Gnatalli, Paulinho da Viola, entre outros – um violonista de primeira grandeza e esse reconhecimento deve-se ao seu talento e à sua técnica de tocar o violão num estilo contrário ao da escola de violão convencional: do lado esquerdo, sem precisar inverter as cordas. Aliás, ele adotou essa técnica quando tinha 12 anos. O instrumento era compartilhado com os irmãos e, por isso, ele não podia transformá-lo num violão que somente os canhotos pudessem dedilhar. Desta forma, observava seu pai tocando e ia aprendendo.
O curioso é que para escrever ele utiliza a mão direita; para chutar bola, o pé direito, mas para realizar qualquer serviço utiliza a mão esquerda, inclusive para tocar violão, cavaquinho e bandolim.
Sua trajetória musical iniciou-se em 1948, quando viajou para o Recife para participar de um programa na Rádio Clube de Pernambuco. Em 1953, assinou contrato com uma rádio da Paraíba. Nessa época, já havia formado um conjunto musical. Em 1958, mudou-se para o Recife e, no ano seguinte, numa excursão de músicos nordestinos, viajou para o Rio de Janeiro. Lá, ele participou de um sarau na famosa casa de Jacob do Bandolim, onde estava presente a nata do choro carioca. Canhoto da Paraíba tocou violão magistralmente e despertou o entusiasmo e a admiração de todos.
Autor de mais de 80 canções, Canhoto da Paraíba já se apresentou em shows com grandes nomes da música popular brasileira e gravou alguns discos: Único Amor (1968) e Um violão direito nas mãos do Canhoto (1974), que saíram pelo selo da extinta Rozemblit; Canhoto da Paraíba com mais de mil (também conhecido como Violão brasileiro tocado pelo avesso) produzido por Paulinho da Viola para Discos Marcus Pereira; Fantasia nordestina volume dois (1990), produção independente de Geraldino Magalhães e Lula Queiroga; Pisando na brasa (1990), último trabalho solo, gravado pela Kuarup; e, em 1993, sai o CD Instrumental no CCBB: Canhoto da Paraíba e Zimbo Trio, pelo selo Tom Brasil.
Em 1998, Canhoto da Paraíba sofreu uma isquemia cerebral que paralisou o braço esquerdo e o impede de tocar até hoje. No mês de maio deste mesmo ano, sabedores do seu estado grave, em sua homenagem e para ajudá-lo a cobrir as despesas médicas e de tratamento intensivo, vários dos grandes nomes do chorinho e do samba realizaram um show beneficente no Teatro Guararapes, Recife.
Canhoto da Paraíba está no Recife desde 1958 e, atualmente, mora com as filhas, fruto de dois casamentos, no bairro de Maranguape I, cidade de Paulista, Pernambuco.
Francisco Soares de Araújo, o Canhoto da Paraíba, foi um dos contemplados como Patrimônio Vivo de Pernambuco através da Lei estadual nº 12.196 de 2 de maio de 2002.
Faleceu na cidade do Recife, no dia 24 de abril de 2008.
Recife, 29 de maio de 2006.
(Atualizado em 14 de setembro de 2009).
FONTES CONSULTADAS:
AMORIM, Maria Alice. Canhoto tocador. Continente Documento, Recife, ano 4, n. 43, p. 53-55, mar. 2006.
CANHOTO da Paraíba. Disponível em: http://www.pe.az.com.br/biografias/pernambucanos_adocao/canhoto_paraiba.htm>. Acesso em: 4 maio 2006.
FEITOSA, Aline. Acordes do mestre da Paraíba: toque único. Diario de Pernambuco, Recife, 31 jan. 2006. Especial: Patrimônio Vivo.
TELES, José. Solidariedade para Canhoto da Paraíba. Jornal do Commercio, Recife, 15 out. 1999. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/JC/_1999/1510/cc1510c.htm>. Acesso em: 5 maio 2006.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: BARBOSA, Virgínia. Canhoto da Paraíba. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
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