A Representação do Nordeste na Produção Artística Contemporânea foi o tema do debate dos três textos premiados na 1ª edição do Concurso Mário Pedrosa de Ensaios sobre arte e cultura contemporâneas.
Os selecionados Felipe da Costa Trotta(1º), Arthur Coelho Bezerra(2º) e Marco Antonio Teixeira Gonçalves(3º), apresentaram, respectivamente, os trabalhos A Reinvenção Musical do Nordeste, Movimento Mangue: Tradição e Modernidade na Cultura Pernambucana e Nordeste e Antinordeste: A Experiência Nordestina Contemporânea Através do Mundo Poético do Cordel.
A discussão, promovida pela Coordenação-Geral de Capacitação e Difusão Científico-Cultural (CGCADIF) da Diretoria de Cultura (DIC) aconteceu no dia 25.06.09, às 19h, na sala Aloísio Magalhães, na Fundação Joaquim Nabuco, no Derby
Na ocasião, Cristiana Tejo, coordenadora da Cadif, apresentou o edital da 2ª edição, que tem por tema Arte e Mundo após crise das utopias. Os prêmios do concurso são de 30, 20 e 10 mil reais para os três primeiros colocados. Inscrições até 18/09/2009. Maiores informações no site www.fundaj.gov.br ou no 81.3073-6659.
A prática musical do forró eletrônico foi a direção da abordagem de Felipe Trotta. Ele focou seu trabalho em aspectos como: música e identidade; mercado e experiência musical; o ético e o eletrônico; a representação musical e a nordestinidade; o forró eletrônico: o pré-texto.
“O Nordeste também é uma construção contraditória, reforçada por imagens, narrativas, sonoridades. È a sanfona de Luiz Gonzaga ou o grupo É o Tchan; é Calcinha Preta ou Reginaldo Rossi; é Mestre Salu ou Nação Zumbi. Todos compartilham o mesmo ambiente cultural e símbolos”.
Felipe Trotta enfatizou que a cultura é um território de conflitos, embates e disputas. Que o forró eletrônico é um mercado em transformação, onde existe a perda do valor comercial da música gravada em relação às grandes “festas”, geralmente o local preferido pelo estilo.
Mesmo sendo o forró eletrônico considerado pela crítica como música de baixa qualidade, o autor do ensaio afirma que esse mesmo forró, que é julgado inferior pela repetição,vulgarização e sexualidade extrema, opera um processamento de referências de nordestinidade.
O músico profissional paraense, radicalizado desde criança no Rio de Janeiro, Arthur Bezerra, partiu da própria motivação como jovem e do seu grupo de relacionamento para abordar a experiência do Movimento Mangue, com Chico Science a Nação Zumbi, em plagas cariocas.
“Foi através do Movimento Mangue que o Rio passou a conhecer o que é maracatu, coco e cavalo marinho. A nova proposta de reeditar o passado, misturando tradição e modernidade, foi a inovação da música brasileira dos anos 90”, enfatizou Arthur Bezerra.
Como marcas da diferenciação e identidade genuinamente pernambucanas do Movimento Mangue, o autor do trabalho ressalta o manifesto dos caranguejos com cérebros e a imagem da antena parabólica fincada na lama da cidade. “O Movimento Mangue Beat é multifacetado, com sua mistura de influências externas e internas, fazendo uma referência à antropofagia cultural”.
O antropólogo Marco Antonio Gonçalves, depois de muito estudar os índios na Amazônia, mudou, radicalmente, em 2005, seu campo de trabalho. Daí chegou ao Juazeiro do Norte, no Ceará, na Região do Cariri, para deparar-se com o maior centro editorial, por mais de 50 anos, da literatura de cordel.
Seu ensaio é centrado no Manifesto dos Jovens Poetas Malditos do Juazeiro do Norte, lançado no ano de 2000, onde, segundo o pesquisador, eles exageram nas tintas quando o assunto é cordel tradicional.
“Existe o trash cordel, sempre com temas satíricos, contra a excessiva religiosidade da cidade e de seus romeiros. Um exemplo disso são os versos do cordel que ironiza o ataque que fez o terrorista Bin Laden à estátua do padre Cícero”.