Fundação Joaquim Nabuco

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MEDIADORES PARTICIPARAM DE FORMAÇÃO CONTINUADA NO MUHNE

Grace Kelly conduz as discussões junto aos mediadores. (Foto: Marcela Lins) Grace Kelly conduz as discussões junto aos mediadores. (Foto: Marcela Lins)  Por Marcela Lins

Como a educação pode acontecer no museu? Como partilhar lugares de fala? Onde a educação acontece? Como ativar transformações? Como promover outras narrativas a partir de um acervo?

Entre 22 e 25 de agosto, algumas destas questões foram elencadas na atividade formativa Mediação Cultural e práticas artísticas contemporâneas, aos educadores da Coordenação de Programas Educativo-Culturais do Museu do Homem do Nordeste.

Inspirada por procedimentos de práticas artísticas contemporâneas como manuais, cartografias, performances, happenings e derivas, os encontros tinham por objetivo integrar o corpo de educadores dos equipamentos culturais do Muhne e instigá-los a pensar como poéticas artísticas podem inspirar práticas educativas. A formação foi ministrada por Gleyce Kelly Heitor, coordenadora pedagógica da Escola do Olhar, programa de educação do Museu de Arte do Rio (MAR).

“O objetivo é que a gente se integre e encontre formas de pensar e trabalhar juntos, mobilizando a busca pelas nossas intersecções, e as intersecções entre práticas artísticas e educativas como um modo não só de fazer arte ou de fazer educação, mas um modo de fazer museus na contemporaneidade”, apontou Kelly em um primeiro momento.

Durante os três dias, os participantes debateram alguns conceitos relativos ao pensar o museu e ao pensar a educação enquanto espaços de criar outras leituras, outras interpretações e outras formas de ser.  “É importante pensarmos o espaço da conversa como um dispositivo de deslocamento”, acrescentou ainda Gleyce Kelly. Ao longo dos encontros, os educadores também puderam dialogar sobre trabalhos de artistas como Jorge Menna Barreto, Walmor Corrêa he os coletivos E/Ou e Poro.

“A formação é uma oportunidade importante porque juntamos todas as unidades do complexo do Muhne [Museu do Homem do Nordeste, Engenho Massangana e galerias] e aqui conversando juntos sobre práticas mediativas”, concluiu Alysson Henrique, educador do Museu.

“É super importante essa formação continuada porque estamos nos renovando sempre. Esse é o terceiro curso de formação que eu faço aqui pela Fundação. E, a cada curso, a gente olha pra novos lugares. Quando eu entrei, eu pensava que mediar era fazer a ponte entre o museu e as pessoas. E a palavra mediar tem disso. De ficar no meio entre um e outro. Só que, na verdade, é muito mais. Mediar, pra mim, é você conhecer pessoas, é conversar com elas sobre áreas de interesse comuns [...]  Aquela relação de uma hora tem que tocar tanto o mediador quanto o visitante. E se você consegue fazer com que esses temas acabem envolvendo, dialogando desde a  expografia, até os temas que vem sendo tratados no museu, e eu acredito que você consegue fazer uma boa mediação”, concluiu Mayana Rodopiano.

A oficina faz parte de uma política de formação continuada do Museu do Homem do Nordeste, em mediação, à sua equipe educativa. 

MEDIADORES PARTICIPARAM DE FORMAÇÃO CONTINUADA NO MUHNE

MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE RECEBE GRUPOS DE JOVENS E ADULTOS EM HORÁRIO ESPECIAL

Hygor Callas apresenta o Museu aos jovens e adultos (Foto: Marcela Lins)Hygor Callas apresenta o Museu aos jovens e adultos (Foto: Marcela Lins)Por Marcela Lins

Todas as quartas-feiras, o Museu do Homem do Nordeste funciona até as 21h. Na ocasião, além de receber público espontâneo, o Muhne também dispõe de uma equipe de mediadores que recebe grupos de Educação para Jovens e Adultos (EJA) ou do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem).

Na última quarta-feira (17), o Museu recebeu um grupo de 28 estudantes, entre 18 a 29 anos, do ProJovem Urbano Recife. Hygor Callas e Nathália Sá foram os mediadores que, por meio de perguntas-chave, iniciaram o debate no espaço museal. “Quem é esse homem do nordeste?”, “O que vocês esperam encontrar aqui?”, “Que nordestes são estes?” foram alguns dos apontamentos deste primeiro momento.

A partir de uma perspectiva dialógica, os mediadores, junto com os estudantes exploraram cada uma das salas expositivas. “É importante a gente lembrar que este é um museu antropológico, cujo acervo foi constituído a partir do olhar de estudiosos brasileiros, dentre eles o Gilberto Freyre. Teremos aqui um ponto de vista, mas também queremos ouvir vocês”, enfatizou Hygor em determinado momento do percurso.

Entre porcelanas, pratarias, máquinas fotográficas e objetos cotidianos, os jovens faziam selfies, fotografavam as peças do acervo e debatiam, entre si e com os mediadores. Amanda, de 22 anos, afirmou ter vontade de retornar: “Foi minha primeira vez no Museu. E me vi principalmente na sala dedicada aos maracatus, que gosto muito”, concluiu.

Para Eugênio Souto Maior, professor de português e língua inglesa no ProJovem, é importante a visita aos espaços de educação não formal. “Trabalhamos com um ensino inclusivo e uma grande preocupação nossa é pensar o processo de aprendizado como algo prazeroso, e eles [os estudantes] gostam muito destas visitas”. A turma já foi a outros espaços cidade, como o Paço do Frevo e o Cais do Sertão.

Rafael, de 22 anos, afirmou ter tido uma experiência positiva: “Gostei muito da visita, principalmente a sala dos indígenas, onde tivemos uma visão mais crítica, de questionar o que estava sendo exposto. Adorei ver o praiá”, disse.

“Gosto muito de receber grupos de EJA e ProJovem porque, normalmente, são pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir a escola e agora estão numa espécie de ‘segunda chance’. Então, acredito que por isso, vejo uma expectativa e um interesse grande nas visitas e, na maior parte das vezes, são pessoas que nunca tiveram contato com museus”, enfatizou Hygor.

Apesar do bom recebimento do grupo, a sala dedicada à religiosidade de matriz africana ainda é um desafio, segundo o mediador. “Acho importante, mesmo com a relutância de alguns alunos e visitantes, trabalhar a questão do candomblé, justamente por ser um assunto delicado e ainda de pouco conhecimento social, o que gera certo preconceito e afastamento. É enriquecedor lutar pela quebra deste tabu e mostrar que essa religião contribui para atos e crenças cotidianas”, concluiu.

BUÍQUE RECEBE O II FÓRUM NACIONAL DE MUSEUS INDÍGENAS

Furna dos Caboclos da Mina Grande no território Kapinawá (Foto: Sílvia Barreto)Furna dos Caboclos da Mina Grande no território Kapinawá (Foto: Sílvia Barreto)

Por Marcela Lins

Foi na década de 90 que surgiram as primeiras iniciativas de protagonismo indígena na construção de seus processos museológicos.  O Museu Magüta, considerado o primeiro museu indígena no Brasil, foi fundado pelos povos Ticuna, em 1990, e foi projeto pensado e gerido pela própria comunidade. A segunda iniciativa surgiu em 1996, com o Museu dos Kanindé, no Ceará e, a partir de 1997, o Museu Kuahí, dos povos indígenas do Oiapoque.

Desde então, o movimento têm se articulado e crescido cada vez mais no território brasileiro, sobretudo por meio de atividades e eventos que buscam alimentar esta rede, como o Fórum Nacional de Museus Indígenas, que terá sua segunda edição entre  16 e 20, no território indígena Kapinawá, no município de Buíque (PE). O encontro tem por objetivo reunir representantes de povos indígenas que desenvolveram processos museológicos em suas regiões, para a troca de saberes e experiências.

O evento é uma iniciativa da Rede Indígena de Memória e Museologia Social no Brasil e também conta com o apoio de Museu do Homem do Nordeste, do Instituto Brasileiro de Museus e o Museu do índio/ FUNAI – RJ.  Entre a programação, o Fórum contará com rodas de conversa, palestras com pesquisadores da museologia social e representantes dos museus de povos das regiões Norte a Sul.

Este ano, o Fórum acontece junto ao III Encontro de Museus Indígenas em Pernambuco, evento bienal organizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (UFPE), que reúne pesquisadores, indígenas e gestores públicos para dialogar sobre coleções etnográficas, museus indígenas, acervos indigenistas, processos museológicos colaborativos, formação de acervos, qualificação técnica para a gestão museológica, articulação em rede e políticas públicas no diálogo com o Estado.

Aproximação do Muhne com práticas muselógicas comunitárias

Para Alexandre Gomes, um dos organizadores do Fórum,  é interessante para o Museu colaborar para o fortalecimento destas iniciativas porque a instituição se repensa enquanto museu etnográfico  antropológico. “Uma das principais discussões que temos feito hoje, na Museologia Social e na Antropologia são os limites da representação etnográfica nos museus antropológicos e histórico tradicionais. Como se consegue representar estas populações?”, questiona o pesquisador.

“Para o Museu, se repensar enquanto instituição neste contexto atual, no qual os próprios povos formam suas coleções, constroem seus museus e gerenciam seus processos de patrimonialização, é uma verdadeira revolução interna dentro das instituições”, pontuou Alexandre.

Para o pesquisador, o Museu, ao reconhecer esta diversidade, está apoiando o fortalecimento destes processos museológicos comunitários e se reinventa, a partir do momento que identifica estas populações não apenas como participantes no sentido de doadoras de objetos, mas protagonistas ativos também dos seus próprios projetos de memória: “Quando nós passamos a reconhecer que aquelas populações também devem opinar sobre aqueles acervos, sobre as políticas de memória, as práticas de colecionamento, as formas expositivas e as propostas educativas que estão sendo desenvolvidas, a gente está trazendo a visão delas para esta instituição”, completa o pesquisador.

Desde 2014, por meio de uma consultoria prestada pela Unesco, o Museu do Homem do Nordeste têm articulado uma rede de aproximação de práticas comunitárias museológicas.

Confira a programação no site do Fórum.

TENDA DA MEMÓRIA MARCA PRESENÇA NO 13º FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO POPULAR (FREPOP)

Mariana Ratts contou a história do projeto Memória Social na Escola (Foto: Gil Vicente)Mariana Ratts contou a história do projeto Memória Social na Escola (Foto: Gil Vicente)Por Lara Ximenes e Marcela Lins

Luta camponesa, memória social e visibilidade dos povos indígenas. Quem esteve na Tenda da Memória do 13º Fórum Nacional de Educação Popular (FREPOP) nesta quinta-feira (21) e ontem (20) pôde ouvir e aprender um pouco mais sobre esses temas. O Museu do Homem do Nordeste (MUHNE) participou da Tenda com uma série de atividades e rodas de diálogo, fomentando debates a partir do tema Memória Social.

Na roda de diálogo pautada no tema Memória, Educação e a relação Museu e Escola, realizada nesta manhã, coube à equipe de educadores MUHNE a condução do debate sobre o projeto Memória Social na Escola, desenvolvido desde 2015 pelo Serviço Educativo do Museu e que tem por objetivo desenvolver, junto a escolas da rede pública de ensino, projetos sobre a memória local das comunidades.

Mariana Ratts, coordenadora do Serviço Educativo do Museu, fez um relato sobre as origens do Memória, desde a consultoria sobre história oral com a pesquisadora Cláudia Leonor, em 2014, ao recente e-book lançado em 2016, fruto de um ano de projeto. “O mais bacana é que o projeto pôde contribuir com o currículo escolar das instituições de ensino, facilitando também o entendimento da construção da comunidade”, afirma Mariana.

SEMINÁRIO MUSEU EDUCADOR RECEBE LANÇAMENTO DO E-BOOK "MEMÓRIA SOCIAL NA ESCOLA"

O livro pode ser baixado em qualquer dispositivo móvel, como tablets, celulares e notebooksO livro pode ser baixado em qualquer dispositivo móvel, como tablets, celulares e notebooks

Por Lara Ximenes

 

O Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco, recebeu dois eventos, no dia 27 de junho. Foram eles, a terceira edição dos Seminários Memória, Museologia e Patrimônio, com as mestras Juliana da Costa Ramos e Neila Denise Macedo Teles de Pontes, que discute as narrativas expográficas do Museu do Homem do Nordeste de 1979 a 2016, e o Seminário Museu Educador, que tem por objetivo promover discussões sobre as práticas educativas desenvolvidas em museus e espaços culturais, voltadas para os profissionais da área. O Museu Educador tem quatro edições durante o ano, para discutir práticas educativas não formais e museais. 


Esta edição do Museu Educador, cujo tema foi Memória, educação e a relação museu-escola, foi ainda mais especial: o e-book Memória Social nas Escolas foi lançado na ocasião. O livro é fruto da iniciativa homônima da Coordenação de Programas Educativo-culturais do Museu do Homem do Nordeste (Muhne/Fundaj), que tem por objetivo desenvolver, junto a  cinco escolas da rede pública de ensino, projetos sobre a memória local das comunidades onde as escolas estão localizadas.

O QUE ASSISTIR NO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS

Chocolate (2016) é um dos destaques do festival (Foto: Reprodução)Chocolate (2016) é um dos destaques do festival (Foto: Reprodução)Por Lara Ximenes

Desta quarta-feira (09) até 22 de junho o Cinema do Museu recebe o Festival Varilux de Cinema Francês, que traz na programação 15 filmes inéditos e um clássico premiado em Cannes. Durante as duas semanas de festival, em exibição também nas salas dos cinemas São Luiz, Moviemax Rosa e Silva e Cinemark Riomar, o público poderá acompanhar o melhor da última temporada do cinema francês. 

Além disso, os estudantes da UFPE contam com três sessões extras gratuitas no auditório do Centro de Artes e Comunicação (CAC) nos dias 15, 16 e 17. O Cine Teatro Samuel Campelo, em Jaboatão dos Guararapes, também recebe uma sessão extra e única do filme Abril e o Mundo Extraordinário (Franck Ekinci, 2015), animação vencedora do Prêmio Cristal do Festival de Animação de Annecy, na terça-feira (21).

Para ajudar na hora de escolher o filme ideal, o Blog da Fundação conversou com Luiz Joaquim, curador do Cinema do Museu, Cristina Menelau, diretora do Moviemax Rosa e Silva e Geraldo Pinho, programador do Cinema São Luiz para saber quais as dicas do que não perder na maratona cinematográfica.

FUNDAJ MOSTRA SEU LADO HUMANO EM NOVO VÍDEO INSTITUCIONAL

Desenho feito por Felipe Botelho para o storyboard do vídeo (Foto: Acervo Pessoal/Felipe Botelho)Desenho feito por Felipe Botelho para o storyboard do vídeo (Foto: Acervo Pessoal/Felipe Botelho)

Por Lara Ximenes

A partir desta semana quem for ao Cinema do Museu poderá conferir, antes de cada sessão, o novo vídeo institucional da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Intitulado Somos a Fundação Joaquim Nabuco, o vídeo faz uma viagem nas imagens, inclusive aéreas, que representam o patrimônio histórico, cultural e humano da Fundação. Criado e produzido pela equipe da Massangana Multimídia, a peça enaltece os pilares da Fundaj - formação, pesquisa, memória e cultura. Filmado com auxílio de drones, Somos a Fundação Joaquim Nabuco tem roteiro e direção assinados por Felipe Botelho e coordenação geral de Cynthia Falcão, da Massangana Multimidia Produções.

“Por coincidência, o que nos inspirou mais foi o vídeo de uma antiga parceira da Fundaj, a Calouste Gulbenkian, de Portugal”, conta Felipe. “Percebemos que além do ser humano que vai assistir ao vídeo, precisávamos buscar o lado humano da própria instituição, para que pudesse existir uma identificação. Buscar um valor emocional fosse reconhecido através das imagens – e esse foi o nosso desafio”, revela o diretor.

MEEIROS DO CACAU SOB AS LENTES DE EMILIANO DANTAS

Os meeiros dividem dividem a produção e a terra com os donos das fazendas (Foto: Divulgação)Os meeiros dividem dividem a produção e a terra com os donos das fazendas (Foto: Divulgação)

Por Lara Ximenes

Para o professor de Antropologia James Spradley, a etnografia pode ser definida como “o trabalho de descrever uma cultura, sendo o objetivo do investigador etnográfico compreender a maneira de viver do ponto de vista dos seus nativos”. Esse exercício, segundo Spradley, é uma ferramenta útil para que possamos compreender o modo como outras pessoas experienciam a vida, aprendendo com elas - indo além de apenas estudá-las.

Assim, utilizando os métodos da etnografia como a observação participante e a Antropologia visual, o fotógrafo e antropólogo Emiliano Dantas conheceu os meeiros do cacau do Sul da Bahia para sua pesquisa de mestrado, que começou em 2008, buscando registrar sua história e entender seu modo de vida. Hoje, eles são amigos de Emiliano, que irá expor na Fundação Joaquim Nabuco, neste sábado (21), vinte fotos que compõem a exposição Meeiros do Cacau, que não só retrata a história desse povo como busca “ir além de uma leitura perpassada por estereótipos ligados a exploração, pobreza e desigualdade”, segundo o próprio fotógrafo.

Para Sílvia Barreto, coordenadora Substituta de Exposições e Ações Culturais do Museu do Homem do Nordeste, a pesquisa etnográfica de Emiliano vai além do factual e captura de forma poética representações mais complexas do ser regional. "O Museu quer abrir espaço para artistas e fotógrafos que trabalhem com memória para que possamos expandir o diálogo sobre a identidade nordestina, buscando versões mais complexas do que é ser nordestino. A questão identitária precisa de um aprofundamento maior", acrescenta Sílvia.

Para o Blog da Fundação, Emiliano conta sobre a crise da vassoura-de-bruxa, fungo que mudou a relação dos fazendeiros de cacau e os trabalhadores camponeses, o aprendizado com os meeiros e suas histórias e inspirações na entrevista abaixo.

AUDIODESCRIÇÃO NO CINEMA EM PERNAMBUCO: “ESTAMOS NUM MOMENTO DE TRANSIÇÃO E APRENDIZADO”, AFIRMA LILIANA TAVARES, DO FESTIVAL VEROUVINDO

Cinema São Luiz na 2ª edição do VerOuvindo, em 2015 (Foto: Divulgação)Cinema São Luiz na 2ª edição do VerOuvindo, em 2015 (Foto: Divulgação)

Por Lara Ximenes

Depois de realizar uma sessão adaptada para crianças com deficiências diversas na I Semana Estadual de Conscientização sobre Doenças Raras e de aproximar o público adulto com deficiência dos filmes de cunho erótico e sexual com a mostra Cine às Escuras, o Cinema do Museu da Fundação Joaquim Nabuco recebe outra ação inclusiva - a terceira edição do Festival VerOuvindo, projeto incentivado pelo Funcultura e realizado pela Com Acessibilidade Comunicacional, que será realizado entre 20 e 24 de abril. Além do Museu, os filmes também serão exibidos no Cinema São Luiz. A Fundação Joaquim Nabuco também sediará, na Sala Calouste Gulbenkian, a mesa-redonda A difusão da audiodescrição.

O festival, que já aconteceu no Cinema da Fundação em edições passadas, apresenta sua programação voltada para acessibilidade por meio de filmes com audiodescrição. Esse ano, destacam-se a Sessão Memória, novidade que celebra os 20 anos de lançamento do filme Baile Perfumado (Lírio Ferreira), exibindo-o pela primeira vez com recursos comunicacionais (audiodescrição e libras), e a Sessão Especial GloboNews, com o documentário Boa Noite Solidão, produzido pela emissora e dirigido pelo jornalista Geneton Moraes Neto, que após a sessão participará de um bate-papo com o público - além disso, o festival apresentará a cantora gaúcha Luíza Caspary, que realiza pela primeira vez em Recife um pocket show acessível no Cinema São Luiz. A programação completa pode ser conferida no site oficial do evento.

Na entrevista abaixo, Liliana Tavares, a coordenadora do VerOuvindo e gestora da Com Acessibilidade Comunicacional, conversou sobre a urgência da acessibilidade nos meios culturais e outros desafios e aprendizados ao longo dos três anos de festival. Liliana também é psicóloga e uma das responsáveis pelo livro Notas Proêmias – Acessibilidade Comunicacional para Produções Culturais, lançado em 2013 pelo Funcultura, onde sugere caminhos para realização de produções acessíveis para pessoas com deficiência visual ou auditiva.

PROJETO MEMÓRIA SOCIAL INTEGRA ESTUDANTES ÀS HISTÓRIAS DE SUAS COMUNIDADES

Alunos da Escola Joaquim Nabuco exploram o Engenho Massangana (Foto: divulgação)Alunos da Escola Joaquim Nabuco exploram o Engenho Massangana (Foto: divulgação)

Por Ana Carla Santiago

Manter a memória viva e desvendar histórias de uma comunidade a partir do olhar dos moradores mais antigos. E se essas histórias forem contadas pelos alunos de uma escola do bairro, com a ajuda de professores, funcionários da escola e suas famílias? E as entrevistas feitas pelo aparelho celular, aquele dispositivo que pode ser o terror dos professores quando usado em sala de aula? Mas aqui estamos falando de um projeto educativo, realizado junto às escolas públicas do Ensino Fundamental e Ensino Médio pela equipe do serviço educativo do Museu do Homem do Nordeste (MUHNE).

Assim funciona o Memória Social na Escola, projeto onde o Museu faz a articulação entre a comunidade escolar e os moradores do entorno com atividades integrativas, que vão desde exposições a entrevistas sobre a história da comunidade, seus fatos pitorescos e personagens mais expressivas. Um e-book, com as etapas do projeto piloto realizado em 2015, com cinco escolas da Região Metropolitana do Recife, está sendo finalizado. Ele vai apresentar o conteúdo, mostrando questões conceituais e metodológicas do Memória Social na Escola e como o Projeto foi construído, além dos relatos de experiência das escolas participantes.

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