Fundação Joaquim Nabuco

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Migrações da África para o Brasil são debatidos na Fundaj Derby

A Fundação Joaquim Nabuco recebeu, nesta quinta-feira (8), mais uma etapa do Programa Institucional Territórios de Educação e Cultura, coordenado pela pesquisadora Cibele Barbosa. O evento aconteceu na sala Aloísio Magalhães, Fundaj/Derby, e foi intitulado Encontro “Migrações africanas, atualidades e direitos”.

O encontro contou com a presença de professores da Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Estadual de Londrina (UEL), representantes de Defensoria Pública Federal e um pesquisador da Universidade de Mohamed V- Marrocos. O evento é baseado no projeto desenvolvido na Fundaj, “Trocas Atlânticas”, que visa trabalhar com biografias e perceber os fluxos Brasil-África.

A primeira mesa, “Brasil e África”, foi coordenada pela professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Luiza Reis, que começará o curso de História da África Moderna, na Fundaj. Os palestrantes foram Acácio Almeida (UFABC) e Cibele Barbosa (Fundaj). Durante sua fala inicial, Acácio explicou porque não concorda em chamar a vinda dos africanos ao Brasil no século XX de "migração contemporânea". Para ele, deve ser dito o termo "escravidão", para reforçar e diferenciar os fenômenos. Ele ainda acrescentou que não é possível pensar em migração africana sem perceber que o Brasil é um país racista e é preciso debater a questão do racismo estrutural.

Em seguida, Cibele Barbosa falou sobre a visibilidade de migrações na contemporaneidade. A partir disso, a pesquisadora apresentou as diferenças entre a migração dos europeus, quando vinham com o objetivo do governo brasileiro de “branqueamento da raça”, e dos africanos. Ela também falou que os imigrantes têm um papel importante tanto no país de acolhida quanto em seus países de origem. “Não existe no Brasil uma política pública de acolhimento de imigrantes”, explicou. Luiza Reis acrescentou, ainda, a reflexão sobre como as instituições de ensino brasileiras recebem esses imigrantes. Ela percebe, a partir de sua vivência em sala de aula, que as demandas de estudantes africanos no país hoje são muito semelhantes com as demandas no Brasil de 1960.

A mesa foi aberta para debate, onde foi destacado a precariedade atual do estudo sobre a arte africana como forma de expressão no Brasil. Já a mesa “Migrações africanas e direitos” teve como um dos focos os direitos dos imigrantes. “Migração é um fato social, nós migramos porque queremos ou porque precisamos. Quando migramos é porque queremos mudar de vida”. Essa foi uma das falas iniciais do marroquino Abdelfattah Ezzine. Durante sua palestra, ele explicou de que forma a migração é uma forma de construir a sociedade em que vivemos. O pesquisador também destacou as relações transatlânticas da África e da América do Sul, contextualizando historicamente desde o século XIX.

André Carneiro Leão - representante da Defensoria pública Federal - destacou a Lei de Migração, de 2017, que mudou o tratamento com relação à pessoa migrante. A professora Maria Nilza, porém, fez um balanço dos números dos migrantes, analisando a partir de suas nacionalidades

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