Fundação Joaquim Nabuco

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Equipe de Cabo verde realiza residência técnica na Fundaj

Do dia 24 de setembro a 05 de outubro, a Fundação Joaquim Nabuco receberá a visita de quatro profissionais de biblioteconomia da BNCV, Biblioteca Nacional de Cabo Verde, na África. Durante as duas semanas, as técnicas Cheila Antunes, Maria Educarda Santos, Maria Jacqueline Silva e Telma Britoserão apresentadas à Instituição, em especial aos procedimentos técnicos e operacionais de setores como a Biblioteca Blanche Knopf, o Cehibra, o Laborarte e o Museu do Homem do Nordeste. A visita é fruto de uma parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que escolheu a Fundação, no início do ano, para ministrar o curso de capacitação.

De acordo com a chefe de gabinete da Fundação Joaquim Nabuco, Joana Cavalcanti, a Fundaj foi solicitada pela ABC para desenvolver o projeto na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, contribuindo para a formação dos técnicos e estruturação da biblioteca. "Esta missão de Cabo verde em Recife é importante para que os técnicos conheçam a Fundaj e o que é oferecido pela Fundação nas suas diferentes área de atuação", resume Joana.

A pareceria da Fundaj não ficará restrita às duas semanas nas quais a equipe caboverdiana estará presente. A Editora Massangana é responsável pela edição de uma coleção com quatro livros voltada para o público juvenil, denominada "Coleção Travessia: Literatura, Educação e Cultura de Paz", que abordará os direitos humanos por meio da ficção. Além disso, doze clássicos da literatura de Cabo Verde serão reeditados e enviados pela Massangana. Ao todo, cerca de sete mil exemplares chegarão ao país africano.

Para Isabel Rosa, coordenadora da BNCV, a expectativa é de que a equipe que participa do intercâmbio na Fundaj leve de volta ganhos que possibilitem a resolução de falhas atuais, assim como a implementação de outras atividades. "A Fundaj é uma instituição muito sólida, com as mesmas características da BNCB. Poderemos trocar experiências e, desta forma, capacitar as nossas técnicas em diferentes vertentes", afirmou.

 O objetivo é dar continuidade ao intercâmbio de conhecimentos para identificar e estabelecer melhorias nas atividades cotidianas da biblioteca de Cabo Verde, como organização, catalogação, pesquisa e conservação. Durante o programa de Residência Técnica, serão mostradas Coleções Especiais do acervo, seu tratamento, formação e disponibilização. No último dia, será entregue um documento norteador, fruto do projeto, para reformulação dos fluxos operacionais e reestruturação do espaço físico da BNCV.

Em Abril deste ano, a Fundaj enviou uma equipe técnica para a África, visando preparar um programa preliminar de curso, formada por Antônio Montenegro, arquiteto lotado no Cehibra, Joana Cavalcanti, Chefe de Gabinete, Veronilda Santos, gestora da Biblioteca Blanche Knopf e Maria Ferreira, Coordenadora Geral de Cooperação e Estudos de Inovação da Difor. Na época, foi feito um diagnóstico das principais demandas da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, a preservação, a conservação do acervo e a promoção da leitura articulada aos direitos humanos.

Por isso, cada atividade a ser feita na Fundação tem objetivos específicos. Além da Biblioteca Blanche Knopf, as técnicas também passarão pelo Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte (Laborarte), conhecendo seu histórico, missão e conceitos, Cehibra (CDOC e Villa Digital), para aprender sobre a origem, formação dos acervos documentais e digitalização, e Difor, onde acontecerá um workshop sobre Justiça Restaurativa na Escola. Por fim, serão apresentadas as instalações e coordenadores da Editora Massangana, Cinemateca e Museu do Homem do Nordeste.

 
Entrevista com Anna Pérez, analista de Projetos na
Agência Brasileira de Cooperação

Por que a ABC escolheu a Fundaj para fazer o Programa de Residência Técnica?

A oportunidade para o estabelecimento do presente projeto de cooperação técnica surge de demanda apresentada pela Biblioteca Nacional de Cabo Verde (BNCV) à Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em dezembro de 2017, a ABC enviou à Fundação Joaquim Nabuco mensagem acerca de solicitação de cooperação do governo cabo-verdiano para o desenvolvimento das capacidades técnicas do quadro de funcionários da Biblioteca Nacional de Cabo Verde.

A ABC direcionou à demanda a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) por sua reconhecida expertise em projetos e atividades no campo da gestão de acervos arquivísticos, bibliográficos e museológicos, particularmente no que se refere à preservação, difusão e acesso a esses acervos, dispondo de um quadro técnico de pesquisadores com reconhecido conhecimento em biblioteconomia e arquivística.  Nesse sentido, a Fundaj apresenta-se como a instituição brasileira que detém expertise no domínio da matéria demandada pela Biblioteca Nacional e manifestou concordância em compartilhar esse conhecimento com aquela instituição.

Qual era a expectativa inicial?

A expectativa é compartilhar conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento de capacidades do corpo técnico da BNCV de modo a aprimorar os serviços prestados pela BNCV quanto à conservação, promoção e difusão de seu patrimônio cultural. Esta parceria desenvolvida por meio deste projeto, “Reforço das capacidades da BNCV em matéria de biblioteconomia e arquivística”, está em fase inicial e prevê ainda diversas ouras atividades que serão realizadas ao longo de um ano e meio.

Além da preservação e da conservação de acervos, como esse intercâmbio de conhecimentos pode ajudar as instituições?

A cooperação técnica brasileira é pautada pela transferência de conhecimento com aplicação em processos que permitam ao país parceiro alavancar seu desenvolvimento em um assunto específico. O patrimônio cultural – do qual os acervos sob a guarda das bibliotecas, dos arquivos e dos museus são parte significativa – tem relevante função social, constituindo-se em fontes de estudos e de conhecimento, atuando como elemento essencial na construção da cidadania. São, portanto, bens públicos capazes de contribuir para um processo de desenvolvimento efetivamente democrático.  Também se destaca o ganho que a instituição brasileira terá, pois ao compartilhar seus conhecimentos também aprimorará sua prática, sua experiência internacional sua projeção e visibilidade.

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