Fundação Joaquim Nabuco

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Exposição “Marcas” lança olhar sobre os museus e como eles contemplam o presente

 

Como o museu contempla o presente? Como os acervos históricos brasileiros são construídos? Quais estruturas de poder estão responsáveis pela produção da história? Essas são algumas das reflexões que a exposição “Marcas”, do artista plástico paulista Jaime Lauriano nos convoca a fazer. Em exibição até 11 de novembro, a exposição traz à tona traumas históricos do passado a partir de uma coletânea de imagens feitas durante o período de escravidão que até hoje são estampadas em objetos cotidianos.


Graduado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Jaime é destaque da nova geração de artistas plásticos brasileiros e seus trabalhos são conhecidos pelo tom provocativo. Ele conta que a exposição, resultado de cinco meses de pesquisas e do contato com os acervos disponíveis no Cehibra e no Museu do Homem do Nordeste, surgiu através do convite de Moacir dos Anjos, curador da Fundaj, mas que a ideia de juntar imagens históricas com imagens presentes é mais antiga.

 


 

“No final do ano passado, eu fiz uma exposição na Galeria Leme de São Paulo, juntando imagens que comprava em antiquários, mercados de pulgas e casas de leilões que tinham reproduções de gravuras do Jean-Baptiste Debret, um artista que registrava o cotidiano da escravidão no Brasil. Notei como essas imagens eram reproduzidas em objetos cotidianos, como camisetas, notas de dinheiro, vasos, cinzeiros, etc e como a naturalização dessas imagens naturaliza também as imagens de violência contemporânea aos corpos marginalizados, em especial os corpos de pessoas negras”, conta.


Sua expectativa é mostrar como as imagens históricas de violência não ficaram somente no passado. Para ele, “as mesmas violências estão acontecendo de formas atualizadas”. Por isso, defende a ideia de tornar o museu “não só um depositário de imagens e objetos antigos, mas também um lugar para tratar e pensar as imagens do hoje, especialmente as imagens de violência”.

 

Em seus trabalhos, antigos e novos, o artista demonstra preocupação com as desigualdades e procura abordar a relação das estruturas de poder com a opressão sofrida pelas minorias sociais. “Quando comecei a fazer exposições sobre a ditadura, em 2014, tinha a vontade de transitar entre o regime militar e a colonização/escravidão para mostrar como esses dois momentos de segregação e de exclusão dos direitos civis e humanos desembocam no genocídio da juventude negra atual. Ou seja, pensar como esses braços bélicos do poder estão assassinando sempre as mesmas pessoas.”

 

 

Moacir dos Anjos fala sobre a importância da união dos acervos da Fundaj com a visão do artista. “Ele põe em contato obras suas e obras do acervo da Fundação Joaquim Nabuco, desde gravuras, cartas postais, rótulos de cachaça que de alguma forma demonstram os modos como o corpo negro foi e é representado visualmente no país. Através de seus trabalhos ele consegue aproximar esse acervo da violência de que essa população ainda hoje é objeto.”

 

Jaime explica que seu objetivo com a exposição é levar os visitantes a refletirem sobre a história do negro no Brasil e como ela está presente na atualidade. “Espero que daqui para frente a gente possa entender que a luta antirracista é uma luta de todos nós brasileiros. Que ele é um problema que atinge todos nós, não somente a população negra, nem somente a população branca e a população indígena”, diz.

 

Serviço

Exposição “Marcas”, de Jaime Lauriano
Visitação: 21 de setembro a 16 de dezembro, terça a sexta, das 15h às 20h/ sábados, domingos e feriados, das 15h às 20h.
Local:  Galeria Vicente do Rêgo Monteiro, Fundação Joaquim Nabuco/Derby, Rua Henrique Dias, 609

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