Fundação Joaquim Nabuco

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A história da Biblioteca Blanche Knopf

Fundada no ano de 1952 com o objetivo de fornecer uma coleção de livros e periódicos para os pesquisadores e funcionários da Fundação Joaquim Nabuco, a Biblioteca Blanche Knopf teve sua primeira coordenação orientada por José Antônio Gonsalves de Mello, o primeiro diretor do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS). Os documentos ficavam guardados no porão da Vila Elvira, um chalé construído nos anos de 1870, situado na Avenida Rui Barbosa, 1654, Ponte d’Uchôa, sob os cuidados de João Severino Leite, que também exercia as funções de zelador, porteiro, servente e garçom.

Depois de alguns anos, o acervo ficou sob responsabilidade de Henriqueta Veloso Freire, sobrinha do poeta, jurista e primeiro redator-chefe do Jornal do Commercio do Recife, Odilon Nestor. Inicialmente, a primeira preocupação do IJNPS era organizar uma biblioteca especializada em ciências sociais.

No ano de 1975, o acervo - com cerca de 34 mil volumes, entre livros e periódicos - foi duramente atingido pela enchente do Rio Capibaribe, ocorrida nos dias 17 e 18 de julho daquele ano. Com o ocorrido, foi necessário realizar a mudança da biblioteca para outro lugar. No segundo semestre do mesmo ano, a principal atividade da biblioteca se constituiu na recuperação do acervo danificado pelas águas, sendo necessária a contratação de profissionais qualificados para a restauração. O instituto trouxe ao Recife o especialista Edson Mota, do IPHAN, para orientar a equipe sobre as providências emergenciais visando a preservação dos documentos.

Posteriormente, foi montado um Setor de Restauração (origem do atual Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte - Laborarte). O IJNPS conseguiu trazer da atual Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, a Biblioteca Cely de Souza Pereira, que realizou um treinamento específico sobre desinfecção, limpeza, secagem, prensagem, desmontagem e encadernação de documentos.

Dois anos depois da ter quase 90% do seu acervo destruído, a Biblioteca Blanche Knopf já contava com 19.276 volumes. Ampliou ainda mais o acervo, com a aquisição dos periódicos e livros do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. Em 1980, houve a transformação do IJNPS em Fundação. O Departamento de Processamento de Dados e Documentação foi extinto, sendo criado o Instituto de Documentação (Indoc). A Biblioteca Central Blanche Knopf passou a ser um Departamento do Indoc, mas só em 1982, por resoluções do Conselho Diretor, foram criadas as Divisões de Processos Técnicos, Hemeroteca e Assistência ao Usuário e, em 1985, a de seleção e aquisição.

É importante destacar o pioneirismo da Biblioteca Central Blanche Knopf na área de automação da informação. Foi uma das primeiras bibliotecas brasileiras a disponibilizar seu catálogo na internet, em 1997. O crescimento do acervo e a expansão dos serviços criaram a necessidade de ampliar as instalações físicas da biblioteca. De 1988 a 1990, realizou-se uma reforma no prédio, com a construção de mais quatro pavimentos. O novo edifício, denominado Dirceu Pessoa, abrigou também outro departamento do então Instituto de Documentação, o Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade (Cehibra).

Atualmente, com um acervo de aproximadamente 105.000 volumes, entre livros, folhetos, teses e publicações periódicas (cerca de 1.300 títulos), nas áreas de ciências sociais e humanas, cultura e arte, a Biblioteca Central Blanche Knopf é considerada uma das mais importantes bibliotecas de ciências sociais no Brasil.

Obras raras
Sua coleção de obras raras e preciosas possui livros dos séculos XVII a XIX, a maioria proveniente do acervo da biblioteca do antigo Museu do Açúcar, obras de e sobre Joaquim Nabuco e parte de sua biblioteca particular doada à Fundaj pela família de Nabuco. Além de periódicos brasileiros e estrangeiros dos séculos XIX e primeira metade do XX, como a Revista do Instituto Arqueólogico Histórico e Geográfico de Pernambuco (1863-1993); a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839-1998) e a Ilustração Brasileira (1909-1949) e entre outros. Alguns dos principais livros raros estão expostos na sede da Fundaj no Derby, em exposição.

De acordo com Nadja Tenório, coordenadora geral da biblioteca, a maior parte do acervo do local já se encontra digitalizado para melhorar “devido à constante preocupação da Biblioteca com a preservação dessa documentação, vários livros e periódicos já se encontram microfilmados e digitalizados, evitando-se assim o manuseio do original e ampliando o acesso à informação e ao conhecimento”

Integram ainda o seu acervo, diversas bibliotecas particulares importantes, como as de Mauro Mota, Sylvio Rabello, Mário Souto Maior, Tadeu Rocha, José de Paiva Crespo, Flávio Guerra, Fernando Cavalcanti, Césio Regueira Costa, Jota Soares e etc. Seu catálogo online, no portal da Fundaj, contém aproximadamente 70% do acervo geral, incluindo mais de 15.000 registros de artigos, fotografias e ilustrações de periódicos. O local oferece ao público atendimento a consultas e orientações para pesquisas locais, por telefone e e-mail; elaboração de levantamentos bibliográficos; atendimento a solicitações de artigos de periódicos e teses nacionais através da comutação bibliográfica, e presta serviços de normalização de referências e citações em trabalhos acadêmicos e científicos.

Por motivos de preservação documental, não é permitido o acesso livre às estantes. O usuário é atendido por um bibliotecário ou auxiliar treinado. A consulta ao acervo raro ou precioso está sujeito a normas específicas. “A mudança na biblioteca foi tão grande que, atualmente, estamos fornecendo diversos cursos de indexação de documentos, recuperação de informações da web, pesquisas em sites confiáveis, normalização e citação bibliográficas focando nas regras da ABNT, mediação de leitura e entre outros. A nossa programação é bastante extensa e buscamos sempre novas parcerias para fornecer esses cursos em outros locais. Além disso, estamos sempre oferecendo projetos com escolas”, explicou  Nadja Tenório Pernambucano de Melo, atual coordenadora da biblioteca Blanche Knopf.

Quem foi Blanche Knopf
Filha de Bertha e Julius W. Wolf, Blanche Wolf Knopf nasceu no dia 30 de julho de 1894, na cidade de Nova York. Foi presidente da Alfred Knopf, uma das mais conceituadas editoras americanas. Faleceu aos 72 anos, no dia 4 de julho de 1966. Na década de quarenta, quando veio ao Brasil pela primeira vez, encontrou aqui uma literatura de genuíno valor que precisava ser revelada. Sua vontade era traduzir e publicar em língua inglesa obras que confirmassem seu juízo. De acordo com Nadja, Blanche Knopf foi a primeira editora que publicou um livro de Gilberto Freyre fora do Brasil. “Ela começou a disseminar os livros dele em outro idioma. Trabalhava e era casada com o dono da editora Alfred Knopf. Era uma pessoa que vivia muito além da época que nasceu. Muito batalhadora e decidida”, comentou. O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais decidiu prestar à memória de Blanche Knopf a homenagem.

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