Fundação Joaquim Nabuco

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Cinema da Fundação reabre as portas no Derby

 

O Cinema da Fundação/Derby volta ao convívio do público recifense depois de uma grande reforma - a segunda de sua história, que retoma suas características arquitetônicas originais, como as janelas que dão para o Rio Capibaribe e o jardim interno. A reabertura da sala fechada desde dezembro de 2015 será em grande estilo, com Vidas Secas, um dos clássicos do Cinema Novo, de Nelson Pereira dos Santos, em cópia restaurada em 4k. O Edifício Ulysses Pernambuco, que sedia a galeria Vicente do Rêgo Monteiro e a sala João Cardoso Ayrese a Escola de Inovação e Políticas Públicas, foi totalmente reformado e ganhou novos equipamentos. Ao todo, o investimento na reforma do Edifício Ulysses Pernambucano liberado pelo Ministério da Educação, sob gestão do ministro Mendonça Filho, foi superior a R$ 8 milhões.

Nesta primeira semana de sessões gratuitas no Cinema da Fundação/Derby, o cinéfilo pernambucano terá a oportunidade de ver, pela primeira vez, seis longas-metragens do Cinema Novo, dois de Nelson (Vidas Secas e Rio Zona Norte) e quatro de Cacá Diegues : Ganga Zumba, Os Herdeiros, Joana, a Francesa e Chuvas de Verão, todos em versões restauradas, em cópias digitais DCP, algumas inéditas no país.

O jornalista e realizador pernambucano, Geneton Moraes Neto, um dos principais diretores ligados ao movimento do super-8 do Recife, nos anos 1970, também será homenageado com uma mostra de sua obra, digitalizada recentemente em 4k, pela Cinemateca Pernambucana. Seu trabalho será apresentado pelo critico e professor da USP, Rubens Machado Júnior, curador da mostra Marginália 70: o experimentalismo no Super-8 brasileiro (Itaú Cultural, 2001-2003).

O público também será brindado com uma mostra de documentários de cineastas pernambucanas, acompanhada por uma mesa de conversa sobre a atuação da mulher na realização de filmes no estado, além da abertura do Encontro Alumiar de cinema acessível, que promoverá um debate com a equipe de acessibilidade do clássico brasileiro O Canto do Mar, após a exibição do filme.

E, claro, o público infantil não foi esquecido. A animação de Historietas Assombradas será aberta com show de Carol Levy, contadora de histórias querida pela criançada.

O Retorno
A data do retorno da sala é também uma marca histórica: o espaço volta para o público três dias depois em que se completam 20 anos da exibição inaugural do Cinema da Fundação, ocorrida no dia 23 de março de 1998, com a apresentação do longa-metragem inglês Bent, de Sean Mathias.

Agora, as poltronas ocupam o espaço completo da sala, com os espectadores tendo acesso por corredores laterais, mais espaçosos e que permitem maior segurança no acesso pelas escadaria. A saída de emergência também é uma novidade. Ao todo, a sala conta agora com 160 lugares, com assentos especiais para obesos e espaços para cadeirantes e pessoas de mobilidade reduzida. As poltronas são novas e obedecem a conceitos ergométricos de bem-estar.

Nos seus primórdios, o Cinema da Fundação - que originalmente foi batizado como Sala José Carlos Cavalcanti Borges - dividia seu espaço com sessões de filmes, peças de teatro e apresentações musicais. Nos anos 1980, ainda estruturado como um auditório multiuso, a sala já demonstrava sua vocação para o cinema, quando abrigou inúmeras mostras.  

O Cinema da Fundação/Derby começou a conquistar a cara que tem hoje com a instalação, em 1997, de um projetor americano de 35mm da marca Strong e do sistema som Dolby SR, até então inédito. Em 2006, a sala deu os primeiros passos em direção à projeção digital, com a implantação do sistema desenvolvido pela empresa brasileira Rain. Em julho de 2013, aconteceu a entrada definitiva na exibição digital DCP (Digtal Cinema Package), com a aquisição do projetor Barco 4K 3D e distribuição de som Dolby Digital 7.1.

Nestes 20 anos de história, o Cinema da Fundação/Derby ajudou na formação de uma geração inteira de cinéfilos e novos cineastas, que tornaram Pernambuco um dos estados mais importantes na renovação do atual cinema brasileiro.


O prédio
Localizado ao lado do Rio Capibaribe, no bairro do Derby, o Edifício Ulysses Pernambucano é um dos principais equipamentos culturais do Recife. Em reforma desde 09 de fevereiro de 2015, o prédio retoma suas atividades mantendo suas características originais, mas repleto de melhorias para receber ainda melhor o público.

Ele volta ao funcionamento com acréscimo de tecnologias de ponta, como a garantia de energia ininterrupta para elevadores e equipamentos de combate a incêndios e, claro, novos equipamentos educacionais e culturais, como a Escola de Inovação e Políticas Públicas (EIPP) e a Sala de Leitura. Eles se juntam ao tradicional Cinema da Fundação, ao Centro Audiovisual Norte e Nordeste (Canne), à Galeria Vicente do Rego Monteiro, à Massangana Produções Audiovisuais e Educacionais (MMP) e à Biblioteca Nilo Pereira. Além de tudo isso, a Fundaj do Derby é sede da Unidade Central da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Meca) e da Coordenação Administrativa e Financeira (Coex).

Todos esses setores retornam às suas sedes oficiais após realocação iniciada em janeiro de 2014 para os campi Casa Forte de Apipucos. Com a conclusão da reforma por meio de recursos na ordem de R$ 8 milhões do Ministério da Educação, voltam a fazer parte de uma casa cheia de história.

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