Fundação Joaquim Nabuco

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O casarão onde nasceu a Fundação Joaquim Nabuco

16.03.2018

Por Malu Didier

O majestoso casarão Solar Francisco Ribeiro Pinto Guimarães é o cartão de boas vindas da sede da Fundaj. A construção erguida no século XIX conserva grande parte de sua estrutura original e é carregada de histórias dos tempos do comércio açucareiro em Recife, além de ter sido o marco zero de pesquisas do instituto que mais tarde se tornaria a Fundação Joaquim Nabuco.

 

O solar recebe o nome de seu proprietário, um rico comerciante de açúcar, que utilizava o espaço para compra e exportação da mercadoria. Os anos de 1874 e 1877, respectivamente início e término da construção, estão gravados no prédio onde Francisco Ribeiro Pinto Guimarães implementou seu ponto de negociação durante anos. Os anexos laterais em formato de “U” foram definidos como áreas residenciais e a pequena construção adjacente como banheiro que, juntamente com os bancos, faz parte da conformação original do local.


A arquitetura neoclássica/eclética da casa -estilo que predominou no Recife no final do século- conta um pouco do contexto em que se inseriu. “Boa parte do casarão foi conservada. Houve intervenções pontuais, mas 90% dele é original”, explica o coordenador da Villa Digital, Antônio Montenegro. Sem quartos ou cozinha, o imóvel era considerado pequeno por dentro, o que acaba contrastando com sua imponente vista externa. Subindo a grande escadaria, encontra-se ainda hoje a fachada coberta com azulejos portugueses, esquadrias de madeira de lei, e coloridas claraboias, todos da época do grande aristocrata do açúcar.


Anos mais tarde, o espaço seria ocupado por uma clínica veterinária, pelo Hospital Magitot e serviria de sede para o Instituto Joaquim Nabuco -IJNPS, que deu o pontapé inicial ao que é a Fundação Joaquim Nabuco hoje. Em 1965, foi sede do Museu Antropológico do IJNPS (cujo acervo hoje pertence ao Museu do Homem do Nordeste) e o porão da casa, após algumas intervenções, foi transformado na Galeria Baobá.


Em frente ao solar, costumavam cultivar um jardim de plantas exóticas, que hoje dá lugar a um canteiro de plantas tropicais. As adaptações foram feitas dando prioridade à conservação do local, mantendo ao máximo sua originalidade. Hoje, nas imediações da construção, funcionam a sede da MECA, das salas Gilberto Freyre, Mauro Mota e os caixas eletrônicos da instituição.


Recentemente, a obra oitocentista recebeu a classificação de Imóveis Especiais de Preservação pela Prefeitura do Recife (IEP). “Esse edifício tem uma identificação total com as finalidades originais da Fundação Joaquim Nabuco. Ele conta a história da sociedade da época”, atesta Montenegro. Ele acredita que a instituição percebe isso como expressão antropológica e que a preservação é fundamental para manter-se em sintonia com a proposta da Fundação.


MITO OU VERDADE?


Apelidado de Edifício “Chico Macaco”, o solar Francisco Ribeiro Pinto Guimarães esconde alguns segredos. Reza a lenda que o filho do Francisco morou no casarão e acabou enlouquecendo, passando a alimentar-se exclusivamente de banana. Ele ficava em uma das salas do anexo e não saía de lá em hipótese alguma, fazendo com que os empregados levassem banana para ele comer.


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