Fundação Joaquim Nabuco

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Debate sobre feminismo negro e indígena marca último dia da 16ª Semana da Mulher

Um debate conduzido por mulheres, sobre mulheres para um público majoritariamente feminino fechou com chave de ouro a 16ª Semana da Mulher na Unicap. O último dia do evento foi sediado, nesta sexta-feira (9), na Fundaj Casa Forte e recebeu uma roda de diálogo sobre o Observatório de Violência Contra a Mulher, que discutiu os diversos segmentos da luta feminista, como o movimento indígena, negro e quilombola.

A roda foi aberta pela repórter especial do Jornal do Commercio, Ciara Carvalho, que foi taxativa sobre o posicionamento da mídia em relação à pautas do feminismo: “o jornalismo não pode mais estar em cima do muro.” Ela afirma que é preciso abordar os temas com um protagonismo diferente do que apenas escrever relatos de casos; o que cria um movimento que não tolera retrocessos. “A imparcialidade do jornalismo é questionável por que não é factível. No que diz respeito a violência contra a mulher, existe um posicionamento político que não pode se pode mais abandonar”, afirma.

Ciara citou como exemplo o especial Movimento A Culpa Não É Delas, que traz depoimentos tanto de mulheres notórias em Pernambuco quanto de vítimas de violência doméstica. “Estamos abrindo caminhos, mas precisamos entrar mais na luta. Não dá para fazer isso sem um ativismo maior.” Enquanto representante da mídia, ela justifica essas mudança de discurso por cobrança dos grupos de militância .Segundo ela, não basta noticiar que uma mulher foi morta, mas sim lançar uma reflexão maior.

Em seguida, a professora do curso de Direito da Unicap, Marília Montenegro, enalteceu o simbolismo por trás do fechamento do evento na Fundação Joaquim Nabuco -que leva o nome de um abolicionista- em Casa Forte -bairro que presta tributos à casas-grandes da época escravocrata. “Que a gente possa, todos os dias, ter o constrangimento da lembrança dessa opressão”, diz. Em seu discurso, predominou o reconhecimento dos privilégio de classe e raça. “É muito fácil pra mim como mulher branca me isentar disso. Eu não posso dizer que eu não sou cúmplice.” Marília aproveitou a oportunidade para também desmistificar a narrativa de que mulheres são naturalmente rivais.

Ao fim da roda de diálogo, o microfone foi cedido a quem quisesse contribuir para o debate ou responder alguma provocação das palestrantes. Temas como o conceito da branquitude, o discurso do homem no cotidiano e a segmentação das diversas vertentes do feminismo apareceram no discurso do público. Logo mais, deu-se início a mesa redonda “A Resistência das Mulheres: Negras e Indígenas no Brasil”, introduzida pela pró-reitora de pós graduação e pesquisa da Unicap, Valdenice José Raimundo. A mesa teve como ponto de partida a fala da mestra em Direito Valdênia Brito sobre questões étnicas e territoriais das mulheres indígenas na américa-latina.

Uma grande contribuição para o evento foi a presença da Sangoma (termo quilombola que representa um posto de guia) Yashodhan, que vio Rio Grande do Sul representando a comunidade kilombola Morada da Paz Território de Mãe Preta. Ela afirma que veio representando parte de um povo para difundir um pouco da experiência geográfica, social, histórica e espiritual sobre a mulher do quilombo “As pessoas precisam entender que o quilombo não é remanescente. É resiliente. Remanescente é o que sobra, resiliente é o que sobrevive e se transforma diante das adversidades.”

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