Fundação Joaquim Nabuco

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Projeto desenvolvido na Fundaj traz olhar evangélico sobre gênero, raça e etnia

A existência de protestantes engajados em espaços de militância tem despertado o interesse de muitos pesquisadores. Um deles, é o doutor em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Robson Souza, que desenvolveu o projeto “Religião, Gênero e Habilidades Sociais: Considerações acerca da Condição Feminina no Protestantismo Brasileiro” para estudar as diversidades dentro da doutrina evangélica.

A pesquisa traz um ponto de vista científico sobre as percepções de gênero, raça e etnia, mostrando como se associam na esfera pública e dentro do protestantismo. Segundo o pesquisador, a atual discussão sobre os “papéis tradicionais” de gênero é um grande divisor entre os grupos estudados. “Um dos objetivos é entender a fluidez dessas identidades e verificar se a diversidade de configurações no protestantismo dialoga com políticas de enfrentamento ao sexismo, ao racismo e à intolerância religiosa”, explica.

Ele notou que tanto líderes quanto fiéis lidam de forma ambígua com cada temática, mudando o jeito que se percebem. Após a descoberta, uma certeza: ao contrário do que se pensa, nem todo evangélico é conservador. Algumas das entrevistadas se mostraram bastante críticas em relação aos posicionamentos oficiais de suas igrejas. A presença desses sujeitos no espaço público torna possível que se identifique e compare os diversos segmentos dentro de uma mesma religião.

Segundo Robson, o projeto “Religião, Gênero e Habilidades Sociais” reflete sobre as práticas dos atores envolvidos e pode ser um aliado na hora de planejar os próximos passos: “Pretendemos facilitar a difusão de uma agenda com temas voltados à promoção dos direitos humanos, combate à violência de gênero e ao racismo, implementação de políticas públicas de educação para respeito ao pluralismo religioso e diversidade.”

A pesquisa foi feita com dados reunidos através de um questionário aplicado em Recife e nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e de Vitória, sempre colocando em evidência o olhar da mulher evangélica. “Com esse método, estamos fortalecendo a compreensão sobre os processos sociais que intervêm na construção dessas relações”, atesta.

O trabalho é direcionado, além do público acadêmico, para ativistas, dirigentes de organizações e atores nas áreas de direitos humanos, igualdade étnico-racial e justiça de gênero. Em andamento desde 2016, o projeto faz parte do Programa Institucional Educação e Relações Étnico Raciais da Fundação Joaquim Nabuco, sob a supervisão do Prof. Dr. Joanildo Burity.

Os resultados são parcialmente narrados no site do projeto, alimentado pelo próprio Robson Souza: bit.ly/2BwDuJx.

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