Fundação Joaquim Nabuco

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Projeto Alumiar de cinema acessível estreia com o Auto da Compadecida

Os causos de Chicó e João Grilo mais acessíveis do que nunca na tela do cinema. É isso que o Cinema da Fundação/Museu, da Fundação Joaquim Nabuco vai promover na estreia oficial do projeto Alumiar, iniciativa realizada em parceria entre o Ministério da Educação, TV Escola e Fundaj O dia 17 de novembro marcará a primeira vez que o longa do cineasta Guel Arraes, baseado em obra do escritor Ariano Suassuna, será exibido nas três modalidades de acessibilidade comunicacional: audiodescrição (AD), Língua Brasileira de Sinais (Libras) e legendas para surdos e ensurdecidos (LSE), em sessão que terá início às 14h30.

Para o ministro da Educação, Mendonça Filho, a exibição é parte da função social do cinema, enquanto parte integrante do MEC. Com o Alumiar, o cinema será o  primeiro do país a exibir, sistematicamente, filmes nacionais destinados ao público com deficiências sensoriais "O projeto Alumiar foi elaborado por compreendermos que é função do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, enquanto instituição do Ministério de Educação (MEC), sem fins lucrativos e com objetivos culturais, sociais e inclusivos, ser um espaço acessível para todas as pessoas”, destacou. Ana Farache, diretora do Cinema da Fundação/Museu, explica que a escolha do Auto da Compadecida para a estreia de longas-metragens no Alumiar é uma forma de tornar acessível todo o humor, força dramática e regionalismo presentes na obra. "O projeto foi muito bem recebido e, a partir de agora, tornaremos as exibições sistemáticas. Para nós, nada melhor que começar com um filme ágil, bem-humorado e identificado com a cultura nordestina", apontou.

Numa parceria entre a Fundaj/TV Escola/MEC, durante o período de um ano, o projeto irá tornar  longas-metragens brasileiros acessíveis, selecionados mediante uma curadoria que prioriza a qualidade cultural e artística da obra. Depois de exibidos no cinema, os filmes serão disponibilizados na TV Escola e na TV INES. Para o presidente da Roquette Pinto, jornalista Fernando Veloso, Alumiar é um dos projetos de maior abrangência em acessibilidade comunicacional no país. Com a exibição dos  longos na  TV Escola e na TV INES, será ampliado o número de pessoas beneficiadas com o projeto, pioneiro ao levar filmes brasileiros com as três acessibilidades comunicacionais no cinema, num canal de televisão e numa webtv”,  destaca.

O Alumiar destina-se, também, a estudantes, profissionais e pesquisadores da área da acessibilidade, produtores de audiovisual, estudantes de artes visuais e o público em geral. Além de colaborar para a formação de um novo público a partir da inserção de pessoas com deficiências sensoriais no universo do cinema, a ação inclusiva, vai criar um canal de diálogo  entre o público e os profissionais da acessibilidade. A ideia é que as sessões se tornem um espaço de discussão e avaliação do modelo de acessibilidade aplicado aos filmes, com debates e pesquisas realizadas entre público e especialistas. O projeto visa ainda a realização de seminários e cursos sobre acessibilidade no cinema com especialistas brasileiros e internacionais.

Acessibilidade
Desde 2016, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) determinou que as salas de cinema brasileiras tornem-se acessíveis às pessoas com deficiência. Além da adaptação física, como rampas de acesso às salas, espaços reservados para as cadeiras de rodas, poltronas mais largas para pessoas de sobrepeso e banheiros adaptados, é necessário que haja implementação também para receber as tecnologias assistivas da acessibilidade comunicacional. O período para implantação da acessibilidade é até novembro deste ano.

Maquete
Para facilitar o reconhecimento do espaço do Cinema da Fundação/Museu pelas pessoas cegas e com baixa visão, foi construída uma maquete tátil que representa, em detalhes, o conjunto de ambientes mobiliados que compõe o cinema, como a tela de projeção e palco, sala e exibição, poltronas (num total de 166), cabine de projeção e áreas de circulação e entrada do cinema. A maquete estará exposta na entrada do cinema e foi confeccionada na escala de 1/25, com dimensões de 0,50 x 1,15m. Todos os elementos representados respeitam suas características originais como cores, texturas e formas. As legendas de orientação e descrição da maquete estão acompanhadas de caracteres braille.

SOBRE O  FILME
O Auto da Compadecida
Brasil, 2000 | 105 min| Livre | Globo Filmes
Diretor | Guel Arraes
Roteiro | Guel Arraes, Adriana Falcão, João Falcão
Elenco | Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Denise Fraga, Virginia Cavendish, Aramis Trindade, Lima Duarte

Sinopse | Baseado na obra de Ariano Suassuna, o filme narra as aventuras dos nordestinos João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. Eles vivem trapaceando o povo do pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba. Somente a aparição da Nossa Senhora poderá salvar essa dupla.
Prêmios | O filme recebeu quatro prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil 2001: Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Lançamento.
Diretor | O diretor pernambucano Guel Arraes (Miguel Arraes de Alencar Filho) nasceu no Recife, em 1953. Em 1999, ao lado de João e Adriana Falcão, adaptou e dirigiu ‘O Auto da Compadecida’, a primeira minissérie da TV Globo, inspirada na peça de Ariano Suassuna, de 1955. Filmada em película, a obra foi lançada nos cinemas em 2000.

EQUIPE DE ACESSIBILIDADE DE O AUTO DA COMPADECIDA
AUDIODESCRIÇÃO (AD)
Roteiro: Liliana Tavares
Narração: Ana Nogueira
Consultoria: Felipe Monteiro
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAS (LIBRAS)
Tradução e interpretação: Efraim Canuto
Consultoria: Thiago Albuquerque e Alessandro Vasconcelos
LEGENDAS PARA SURDOS E ENSURDECIDOS (LSE): Camila Reis, Flávia Machado, Talita Escobar

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