Fundação Joaquim Nabuco

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As memórias, afetos e recordações de Aloísio Magalhães

Ao contar a história de Pernambuco, é inevitável mencionar Aloísio Magalhães e suas contribuições para a cultura do estado. Nesta quinta-feira (9), no segundo dia do Seminário Aloísio Magalhães: Patrimônio, Museus e Políticas Públicas de Cultura, a revivência de suas memórias deu a oportunidade do público relembrar um pouco de sua vida e enaltecer o impacto de suas realizações, tanto em aspectos pessoais quanto históricos.

“Uma mesa envolta em memórias, afetos e recordações.” Foi assim que a mediadora e coordenadora do Centro de Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira, Albertina Lacerda, deu início à rodada de depoimentos acerca das memórias de Aloísio. A primeira fala foi de sua filha, a produtora cultural Clarice Magalhães, que relembra tantos os aspectos profissionais quanto sua relação em meio familiar. “Eu trabalho na área cultural, então em todo lugar vejo a presença dele.” Brevemente trazendo lembranças da infância, relata como o pai encenava teatro de bonecos e ia para o aterro com ela e a irmã soltar pipa, descrevendo a relação com ele como “divertida.”

Clarice cita a longevidade de seu trabalho, cujo legado faz parte da história de diversos pontos do Brasil, em especial os museus. Se em 10 anos, afirma ela, houvesse outra reunião como esta, haveriam mais 10 anos de novas memórias para se discutir. A morte física de Aloísio tem uma data, mas tudo que ele desenvolveu continua em vigor, o que na concepção da filha, significa que ele não morreu de fato. “Quem conhecia papai sabe que ele ainda está aqui do lado atuando. Infelizmente a única coisa que ele não pode fazer é comentar.”

Em seguida, foi a vez do Coordenador do Programa Nacional de Museus e Diretor do Museu da Inconfidência, Rui Mourão, expor suas lembranças do ícone pernambucano. Com a leitura de um depoimento acerca das consequências das ações de Aloísio no âmbito da museologia, o diretor o enalteceu como homem público e político, mas que tinha sempre como objetivo principal o fazer cultural. Esse ativismo, como pontuou o palestrante seguinte, o economista ecológico Clóvis Cavalcanti, fazia com que ele simbolizasse a “força cultural” de Pernambuco; principalmente nas cidades de Olinda e Recife.

Com nostálgicos relatos de sua convivência com Aloísio em Olinda, que, como explica, é o melhor lugar para ilustrar o que chamava de “utopia pragmática”, Clóvis reitera que é preciso resgatar os valores pregados pelo artista. A memória do economista acerca da relação de Aloísio com a população foi um ponto marcante em sua fala, reiterando que isso promovia a arte da vida em um Brasil profundo e cheio de valores; o país utópico com que Aloísio sonhava.

Já durante a tarde, o doutor em História Social e professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Weinstein Teixeira, começou sua fala na mesa "Aloisio Magalhães e os Museus" destacando o "incostante" do artista plástico e designer pernambucano. "Tudo na sua obra parecia apontar para o inconstante. Aloísio é uma figura extraordinária e me ajudou a entender as mudanças culturais no Recife", continuou.

O debate também contou com a participação de Henrique Cruz, mestre em Museologia e Patrimônio e analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco, Roberto Sabino, doutorando em História pela Universidade Federal do Ceará, e Silvana Araújo, coordenadora geral do Museu do Homem do Nordeste.

De acordo com os palestrantes, Aloísio tinha interesse nas manifestações da cultura popular e não dissociava essas práticas da sua atividade de designer social. Na opinião dos convidados, Aloísio tinha apenas uma preocupação: afirmar os valores culturais com os quais se podia pensar. O doutor História Social foi além e falou sobre o artista completo que o museólogo era. “Nele, há uma continuidade entre os artistas plásticos dos anos de 1940 e 1950, os designers e programadores da década de 1960 e os militantes das causas culturais dos anos de 1975”, afirmou Weinstein.

Já para Henrique Cruz, estudar a história da museologia é estudar a história de Aloísio Magalhães, por isso é tão importante gerar debates sobre ele. “É fundamental estudar a nossa história, principalmente para quem faz os museus. Falar sobre a trajetória de Aloísio nas décadas de 1940 e 1950, que é quando ele foi para a França estudar museologia, é essencial.”


Confira a programação do último dia do Seminário Aloisio Magalhães

10/11/2017 (SEXTA-FEIRA)
Local: Sala Calouste Gulbenkian

9h30
- Mesa-redonda: Aloisio Magalhães, Patrimônio e Bens Culturais
Composta por: Rodrigo Cantarelli - Doutorando em História pela Universidade Federal de   Pernambuco; analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco.
Diogo Brito - Doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo.
Cêça Guimaraens -  Doutora em Planejamento Urbano e Regional; professora da UFRJ.

14h30 - Mesa-redonda: Aloisio Magalhães e as Políticas Públicas de Cultura
Composta por: Antônio Albino Rubim - Doutor em Sociologia; professor titular da Universidade Federal da Bahia.
Lia Calabre - Doutora em História; professora colaboradora da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Cândido Mendes; chefe do setor de Políticas Culturais da Casa de Rui Barbosa.

16h - Palestra de Encerramento com João de Souza Leite - Doutor em Ciências Sociais; professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Local: Jardim do Museu do Homem do Nordeste

17h - Atividade Cultural: Som na Rural, de Roger de Renor

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