Fundação Joaquim Nabuco

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Reflexões sobre Aloísio Magalhães abrem seminário na Fundaj

O Seminário Aloisio Magalhães: Patrimônio, Museus e Políticas Públicas de Cultura, na Fundaj/Casa Forte, foi aberto, às 15 horas, com uma mesa formada pela viúva de Aloísio, Solange Magalhães, pelo coordenador da Regional Nordeste do Ministério da Cultura (MinC), Roberto Azoubel, pelo diretor da Diretoria de Memória,  Educação, Cultura e Arte (MECA), da Fundaj, José Astrogildo dos Santos, e pelo presidente da Fundação, Luiz Otávio Cavalcanti. Este lembrou Aloísio através de fotos, que foram exibidas aos espectadores do evento, e que representaram fatos e períodos da vida dos dois amigos, Luiz e Magalhães.

A primeira foto, de 1975, mostrava apenas Aloísio, sentado numa cadeira, no gabinete do então Secretário de Planejamento de Pernambuco. Dali ele iria promover uma ação conciliadora entre dois grupos opostos sobre um  mesmo tema, o dano ao meio ambiente que a criação do Complexo Industrial de Suape representaria. Luiz Otávio daí, narrou uma história, que ele, enquanto Secretário do Planejamento do governador Francisco de Moura Cavalcanti, estava concentrado na instalação do Complexo de Suape, ocasião em que o projeto dava seus primeiros passos, o governador começando a dar o processo de início às obras, se encarregando de começar com as licitações, e todos eles (Luiz, Moura Cavalcanti e Aloísio) lêem notícias no jornal de que Gilberto Freyre e os economistas Clóvis Cavalcanti e Renato Duarte, estavam contra o projeto e publicaram um manifesto contrário a Suape. Nesta ocasião , Aloísio Magalhães estava no gabinete de Luiz Otávio, e quando sabe da notícia, diz ao secretário de planejamento  que não precisa ele ficar preocupado, pois conhecia Gilberto Freyre e que ele mesmo, Aloísio, iria falar com ele, para ele mudar de ideia a respeito do projeto Suape, de ser favorável a ele.

A partir dali, houve uma mudança, graças a ação de convergência de Aloísio, que era de congregar, que era um pacificador, segundo as palavras de Luiz Otávio. E aí, o atual presidente da Fundaj, começou a mostrar outras duas fotos a todos que estavam na plateia da sala Calouste Gulbenkian, onde houve a abertura do Seminário. Uma, por exemplo, que já exibia o Gilberto Freyre ao lado do governador Moura Cavalcanti, do próprio Luiz Otávio, de Aloísio Magalhães e do ecologista Vasconcelos Sobrinho, que também era contra o projeto, no alto do Cabo de Santo Agostinho, no lançamento do Marco Ecológico de Suape. Tudo porque, na opinão de Luiz Otávio, Aloísio, que dirigia o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), criou o programa Ecológico Cultural de Suape, junto à Secretaria de Planeljamento do Estado de Pernambuco, e apaziguou os ânimos exaltados de quem era contra Suape. Pelo programa ecológico, se atenuaria os impactos da construção do projeto com uma barreira ecológica, deixando-se um resto de Mata Atlântica, dividindo a parte idustrial da parte residencial da área de Suape.

Na segunda mesa da tarde, Clóvis Cavalcanti, que foi o coordenador da palestra de Joaquim de Arruda Falcão, explicou melhor a situação, contando que redigiu o manifesto e o assinou, juntamente com Vasconcelos Sobrinho, Renato Duarte, Roberto Martins. José Antônio Gonsalves de Melo e Nelson Chaves, entre outros. "Só que, segundo Clóvis, o governo do Estado começou a conceber um grupo, que atuaria no projeto  Suape de forma ecológica, formado, entre outros por Luiz Otávio, Armando de Holanda Cavalcanti e Aloísio Magalhães, que, de fato, tratou de provar a todos, inclusive a Gilberto Freyre, que haveria proteção ambiental naquele complexo industrial. Eu cheguei a perguntar ao Armando: que garantia você dá de que o projeto será implantado desta forma e ele me respondeu, nenhuma, e pouco depois veio a falecer, suicidando-se.

São histórias que foram relembradas por todos na primeira tarde do seminário, e também pelo palestrante do evento, Joaquim Falcão, que centrou sua fala numa conversa que teve com Aloísio Magalhães, pouco antes dele falecer, na qual Aloísio dizia que não seria nunca mais designer, no que Falcão ficou perplexo, pois esta era a profissão de Magalhães, e tão bom profissional na área, que, após a sua morte, o Estado brasileiro instituiu o dia 5 de novembro (dia do nascimento de Aloísio) como o Dia do Designer. Joaquim Falcão discorreu seu discurso imaginando três hipóteses sobre o porque do designer ter afirmado tão contundentemente que deixaria de ser o que era.

A primeira, segundo Falcão, era a de que o imaginário de Aloísio multiplicava hipóteses de enlaces, fórmulas de conexões, de classificação. Ele sistematizava e nessa sistematização já estava antenado com o mundo da tecnologia atual, sabendo das transformações que o mundo passaria. Para Joaquim, era a mudança disrrupítica, de refazer o caminho, e que leva também ao tecnológico, que muda do analógico ao digital, que dá mais valorização ao softaware do que ao hardware, à imagem do que às palavras.

A segunda era de que Aloísio era um conceituante, que faz um conceito e é atuante, traduzindo na ação o que tinha que ser o Brasil, para ele, na ideia dele. Ele reesignificava e reeditava o país.

E a terceira razão pela qual Aloísio Magalhães disse que não queria mais ser designer, era porque ele tinha a qualidade da ambiguidade. Tudo para ele tinha o lado bom e o lado ruim. Ele adorava um paradoxo. E um exemplo disso foi quando nos vimos pela última vez, quando nos despedimos, quando eu perguntei pra ele: você vai pra Veneza à trabalho? e ele me respondeu que, depois, iria à Cracóvia, e falou: ou se diverte, ou não se aguenta, né? Então, finalizou Joaquim Falcão: "eu acredito que ele sofria mesmo com essa ambiguidade, muito embora fosse uma pessoa positiva, pois quem é que quando vê você e diz: Viva! e quando se despede de você também diz Viva! Só pode ser um otimista, com fé e esperança.                        

O SEMINÁRIO

A Fundação, por meio do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra), dará continuidade, na sua sede, e no Museu do Homem do Nordeste (Muhne) no Recife, nos dias 8, 9 e 10 de novembro, ao Seminário Aloisio Magalhães: Patrimônio, Museus e Políticas Públicas de Cultura.

O encontro busca, ao tempo em que homenageia Aloisio Magalhães, por ocasião da passagem dos seus 90 anos (dia 5 de novembro), reavivar a memória e reacender o debate sobre a sua produção intelectual e a sua atuação enquanto homem público com significativo protagonismo na área da cultura.

“Com isto, esperamos contribuir para a preservação da memória e a difusão do conhecimento científico”, explica a pesquisadora Rita de Cássia Araújo, coordenadora do evento.

Os três dias do seminário serão realizados na sala Calouste Gulbenkian, juntamente com a reprodução do album Olinda (1981). A exposição O açúcar e o homem: museografia revisitada de Aloisio Magalhães, será realizada parte na galeria Waldemar Valente, parte no circuito expositivo do Museu do Homem do Nordeste. Entre os convidados para palestrar estão a viúva de Aloisio Magalhães, Solange Magalhães; suas duas filhas Clarice e Carolina Magalhães e algumas personalidades que conviveram com o artista, como o Doutor em educação, Joaquim Falcão, o membro fundador da Sociedade Internacional de Economia Ecológica, Clóvis Cavalcanti, entre outros.

A entrada no evento acontecerá por ordem de chegada, mas as incrições estão abertas para controle de credenciamento e certificação. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo e-mail seminario.aloisiomagalhaes@fundaj.gov.br


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

08/11/2017 (QUARTA-FEIRA)
Local: Sala Calouste Gulbenkian – Fundação Joaquim Nabuco – Avenida Dezessete de Agosto, 2187 - Casa Forte, Recife - PE
15h - Solenidade de abertura do Seminário
15h20 - Palestra de abertura com Joaquim de Arruda Falcão – Doutor em Educação; diretor da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio Vargas
16h - Lançamento Olinda nos quatros cantos do mundo — e no coração de Aloisio Magalhães - Reprodução da obra Olinda, de autoria de Aloisio Magalhães (1981), Editora Cepe

09/11/2017 (QUINTA-FEIRA)
Local: Sala Calouste Gulbenkian
9h30 - Mesa-redonda: Aloisio Magalhães: Memórias
Composta por:  Clarice Magalhães - Especialista em Concepção e Realização de Projetos Culturais; produtora cultural.
Rui Mourão - Coordenador do Programa Nacional de Museus e Diretor do Museu da Inconfidência (Ouro Preto/MG), de 1974 a 2017; membro da Academia Mineira de Letras.
Fernando Coelho – Advogado, deputado federal por Pernambuco, décadas de 1970-1980, Presidente da Comissão da Verdade e da Memória Dom Helder Câmara.
Clóvis Cavalcanti – Economista ecológico; pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (1980-2010); membro fundador e Presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE); professor da Universidade Federal de Pernambuco (1965-2010). 

14h30 - Mesa-redonda: Aloisio Magalhães e os Museus
Composta por: Henrique Cruz - Mestre em Museologia e Patrimônio; analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco.
Flávio Weinstein Teixeira - Doutor em História Social; professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco.
Roberto Sabino - Doutorando em História pela Universidade Federal do Ceará.


10/11/2017 (SEXTA-FEIRA)
Local: Sala Calouste Gulbenkian
9h30 - Mesa-redonda: Aloisio Magalhães, Patrimônio e Bens Culturais
Composta por: Rodrigo Cantarelli - Doutorando em História pela Universidade Federal de   Pernambuco; analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco.
Diogo Brito - Doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo.
Cêça Guimaraens -  Doutora em Planejamento Urbano e Regional; professora da UFRJ.

14h30 - Mesa-redonda: Aloisio Magalhães e as Políticas Públicas de Cultura
Composta por: Antônio Albino Rubim - Doutor em Sociologia; professor titular da Universidade Federal da Bahia.
Lia Calabre - Doutora em História; professora colaboradora da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Cândido Mendes; chefe do setor de Políticas Culturais da Casa de Rui Barbosa.

16h - Palestra de Encerramento com João de Souza Leite - Doutor em Ciências Sociais; professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Local: Jardim do Museu do Homem do Nordeste

17h - Atividade Cultural: Som na Rural, de Roger de Renor

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