Fundação Joaquim Nabuco

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Empoderamento LGBT e visibilidade trans são temas de debate no estande Fundaj/MEC



Trazer o debate sobre a "Literatura e a visibilidade trans" é uma das funções do espaço disponibilizado na pela Fundaj/MEC na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. A mesa recebeu os escritores Amara Moira e Chico Laudemir, que abordaram a diversidade cultural LGBT, falaram sobre transição, aceitação e relações interpessoais descritos em suas obras.

Durante o encontro, que teve um bom público no estande da Fundaj/MEC, os escritores explicaram que ainda não existem muitos livros sobre a cultura trans no Brasil, mas que nos últimos três anos, cerca de 19 foram publicados. "Desde 1980, apenas 34 livros sobre transsexualidade foram escritos. O ponto positivo é que estamos ganhando mais espaço nos últimos anos", afirmou Amara Moira. Os livros escritos por Amara falam sobre suas "experiências como profissional do sexo" e alguns aspectos introspectivos sobre o seu processo de transição. "Escrevi o 'Vidas Trans' ao lado de três pessoas. Ele fala sobre a transição e a luta para saber quem você é", continuou a escritora.

Além do baixo número de títulos escritos nas últimas décadas, há muita dificuldade para encontrá-los e comprá-los. "As violências contra as pessoas trans são tentativas de acabar com o que o corpo que dizer", afirmou Ludemir. O escritor e jornalista acredita que "as pessoas ainda querem limitar esses corpos na arte, por isso é importante debater o tema". "Mesas sobre temas como literatura e visibilidade trans devem ser realizadas com mais frequência para acabar com qualquer tipo de preconceito", ressaltou.



Mais cedo, também no estande Fundaj/MEC, o empoderamento e o protagonismo LGBT na literatura brasileira contemporânea foi tema de palestra. Na ocasião, estiveram presentes os escritores pernambucanos Raimundo de Moraes, Dielson Vilela e Jayme Benvenuto. Durante a conversa, o escritor Jayme Benvenuto enfatizou que "o grande compromisso contemporâneo de quem escreve numa perspectiva LGBT é sair da caverna, da imagem antiga que não nos serve mais.” De acordo com ele, “é preciso tirar essa literatura do campo da marginalidade e do pecado para que possamos naturalizar as relações homoafetivas da mesma forma que as relações heteros.”

Também estiveram na pauta da discussão os selos editoriais empenhados em publicar literatura LGBT de qualidade. “É preciso estar consciente que a arte se renova através das transgressões, as grandes ou as pequenas”, declarou o poeta Raimundo Moraes sobre a necessidade e a urgência de legitimar, por meio da literatura, a voz LGBT num país como o Brasil, considerado um dos mais homofóbicos do mundo.

Para Dielson Vilela, autor do livro "Meu melhor amigo é gay", a literatura deve ser vista como instrumento crucial de afirmação da população LGBT. "Antigamente, ser gay na escola era muito difícil, você se sentia muito sozinho. Foi na literatura que eu encontrei um alento, só que eu precisei ler escondido porque não queria que meus pais soubessem que eu era LGBT. Hoje, o acesso às informações é muito mais fácil. Ver alunos lendo o meu livro e postando na internet tem um papel primordial na luta LGBT. É isso que a gente precisa, não ter medo de mostrar quem somos", concluiu.

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