Fundação Joaquim Nabuco

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Oficina Deliberativa de Gênero e Relações Étnico-Raciais da Fundaj busca soluções para questões sociais

A Fundação Joaquim Nabuco recebe a Oficina Deliberativa de Gênero e Relações Étnico-Raciais, que integra o Programa Institucional “Educação e Relações Étnico-Raciais”. O projeto é coordenado pelo professor Dr. Joanildo Burity, que está à frente das oficinas juntamente com os professores doutores Robson Souza (Fundaj), Lilian Lira (UPE) e Anna Luiza Martins de Oliveira (UFPE). O encontro teve início ter-feira (10) e se encerra nesta quarta (11).

“A discussão se faz importante porque as questões de gênero são transversais a todas nossas relações e se articulam com a temática étnico-racial”, introduz o professor Robson Souza. Ele defende que as oficinas dão a oportunidade de trazer atrizes e atores sociais para debater temáticas que dificilmente encontram espaço para serem tratadas em outros locais. O evento funciona como uma técnica de coleta de inquietações para debate. Após serem provocados com questões envolvendo a temática, os participantes são divididos em grupos para promover soluções para os problemas apresentados. “É um momento para as pessoas trazerem suas experiências para promover pontos de ações para saber o que é possível cada um fazer dentro da sua realidade,” afirma Elida Roberta, uma das colaboradoras da equipe de trabalho.

A provocação inicial foi feita pela professora Valéria Cristina Vilhena, teóloga e doutora em Educação, Arte e História da Cultura, que veio de São Paulo para ser interlocutora acadêmica no evento da Fundaj. Ela convidou o público a fazer uma reflexão sobre os valores e as raízes que constroem a sociedade, defendendo que os dados de discriminação devem gerar indignação e estimular a resistência das minorias sociais. “Que sociedade é essa que prolifera com tanta facilidade preconceitos, mas reluta tanto em dar direitos?”. Ela explica que a mulher é metade de uma totalidade da espécie humana e coloca a marginalização e a negação de direitos como maiores perpetuadores de uma cultura machista e patriarcal. Sobre as questões étnicas, ela defende que há raízes fruto de uma colonização na sociedade e esse histórico cria uma hierarquia entre pessoas, aumentando a desigualdade e disseminando o racismo.

A presidente do conselho LGBT de Jaboatão, Janaína Lopes, participou da oficina do primeiro dia com o objetivo de ampliar conhecimentos sobre os temas para compartilhar com o seu município, levando o debate para escolas e comunidades. “Quando abrem o leque para além do universo acadêmico e permitem que diversas pessoas participem de um debate assim, quebram uma barreira. É muito importante essa discussão da academia com a sociedade civil.” A estudante de ciências sociais Manuela Catunda se sente próxima do tema das oficinas e destaca a pertinência de se aprofundar nessas questões, tanto para a vida acadêmica como para sua vivência enquanto mulher: “a gente que é mulher sabe que sofre isso na pele diariamente. Espero sair daqui com ideias novas sobre como me mobilizar contra essas estruturas e poder contribuir com minhas opiniões também.”

A palavra que melhor define a base da solução para essas questões foi proferida pela doutora Valéria Cristina em alto e bom som diversas vezes durante a apresentação: “resistência”. Segundo ela, estar do lado dos movimentos é sinônimo de resistir, e é o que as minorias precisam fazer para conquistar os direitos que a parcela opressora da sociedade os priva de ter.  “Eles estão aí para conservar, nós para resistir e mudar,” reforça ela.

Outras oficinas do Programa Institucional “Educação e Relações Étnico-Raciais” foram realizadas anteriormente em Fortaleza (UECE), Belém (UEPA) e agora, pela primeira vez está sendo promovida em Recife.


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