Fundação Joaquim Nabuco

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Fundaj e Ministério da Educação lançam projeto Alumiar no Cinema do Museu

As pessoas com deficiências sensoriais terão no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco um espaço de inclusão social e de cultura com o lançamento do projeto Alumiar. A partir de outubro, o Cinema será o primeiro do Brasil a exibir, sistematicamente, filmes nacionais destinados ao público com deficiências sensoriais. O projeto Alumiar foi lançado, na última segunda-feira (04), às 15h, pelo Ministro da Educação, Mendonça Filho, com a assinatura do Termo de Cooperação entre a TV Escola/MEC e a Fundação Joaquim Nabuco.

Quinzenalmente o Cinema da Fundação exibirá filmes com três modalidades de acessibilidade comunicacional: Audiodescrição (AD) para pessoas cegas ou com baixa visão; Língua Brasileira de Sinais (Libras) para pessoas surdas e; Legendas para surdos e ensurdecidos (LSE). "O projeto Alumiar foi elaborado por compreendermos que é função do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, enquanto instituição do Ministério de Educação (MEC), sem fins lucrativos e com objetivos culturais, sociais e inclusivos, ser um espaço acessível para todas as pessoas”, esclarece o Ministro da Educação Mendonça Filho, entusiasta da proposta.

Após a assinatura do Termo de Cooperação, o ministro Mendonça Filho afirmou que o momento é um marco na cultura de Pernambuco, que sempre atuou na vanguarda no país. “Trata-se de um momento histórico no cinema pernambucano de inclusão. É preciso proporcionar esse exemplo para o Brasil.”

 


No período de um ano, o projeto irá tornar 20 longas-metragens brasileiros acessíveis, selecionados mediante uma curadoria que prioriza a qualidade cultural e artística da obra. Após a seleção, uma equipe especializada promoverá a acessibilidade dos filmes. Para o presidente da Roquette Pinto, jornalista Fernando Veloso, Alumiar é um dos projetos de maior abrangência em acessibilidade comunicacional no país. “Depois de exibidos no cinema, os longas serão disponibilizados na TV Escola e na TV INES, ampliando o número de pessoas que serão beneficiadas com o projeto, pioneiro ao levar filmes brasileiros com as três acessibilidades comunicacionais no cinema, num canal de televisão e numa webtv”, destaca.

O ato de lançamento do projeto, contou ainda com a participação do Presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil, Antonio Muniz, e  do membro da Associação de Surdos de Pernambuco, Bernardo Klimsa, entre outros representantes de entidades de pessoas com deficiência.

Representante da Associação Nacional de Cegos do Brasil, Roberto José da Silva, falou sobre a importância do lançamento do projeto Alumiar pelo Ministério da Educação. “Essa ação representa a possibilidade da interação com todo o conteúdo que está sendo exibido. É nesse sentido que a organização parabeniza o ministério e a Fundação Joaquim Nabuco que estão proporcionando esse acesso à tecnologia da comunicação.” 

O projeto Alumiar destina-se, também, a estudantes, profissionais e pesquisadores da área da acessibilidade, produtores de audiovisual, estudantes de artes visuais e o público em geral. Além de colaborar para a formação de um novo público a partir da inserção de pessoas com deficiências sensoriais no universo do cinema, a ação inclusiva da FUNDAJ/MEC, vai criar um canal de diálogo entre o público e os profissionais da acessibilidade. “As sessões vão se tornar um espaço de discussão e avaliação do modelo de acessibilidade aplicado aos filmes, com debates e pesquisas realizadas entre público e especialistas”, diz a coordenadora do projeto e do Cinema da Fundação, Ana Farache. Segundo ela, o projeto visa ainda a realização de seminários e cursos sobre acessibilidade no cinema com especialistas brasileiros e internacionais.

Após a exibição no Cinema do Museu, os longas serão transmitidos na TV Escola, do Ministério da Educação, e na WEBTV INES, que é a primeira TV bilingue brasileira.



Acessibilidade - Desde ano passado, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) determinou que as salas de cinema brasileiras tornem-se acessíveis às pessoas com deficiência. Além da adaptação física, como rampas de acesso às salas, espaços reservados para as cadeiras de rodas, poltronas mais largas para pessoas de sobrepeso e banheiros adaptados, é necessário que haja implementação também para receber as tecnologias assistivas da acessibilidade comunicacional. O período para implantação da acessibilidade é até novembro deste ano.

Com o novo projeto, o Cinema da Fundação, além de já estar adaptado fisicamente para receber pessoas com deficiência, passará a oferecer sessões inclusivas com filmes acessíveis para pessoas cegas, surdas e ensurdecidas. 

Censo - Segundo o censo do IBGE, em 2010 o Brasil contabilizava 45,6 milhões de pessoas (24% da população total)  com algum tipo de deficiência – visual, auditiva, motora ou mental/intelectual, o que significa 24% da população. A deficiência visual apresentou a maior ocorrência, afetando 18,6% da população brasileira. Em segundo lugar está a deficiência motora, ocorrendo em 7% da população, seguida da deficiência auditiva, em 5,1%, e da deficiência mental ou intelectual, em 1,4%. Trata-se de um enorme contingente que muitas vezes está alheio às ofertas da produção audiovisual. A maioria dessas pessoas não têm acesso à arte, nem frequentam as salas de cinema.

Apesar do evidente crescimento da produção cinematográfica no Brasil, é necessário ressaltar a escassez de obras audiovisuais com acessibilidade sensorial produzidas em nosso país. Raramente, as pessoas com deficiência sensorial têm oportunidade de assistir a um filme no cinema de forma acessível.

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