Fundação Joaquim Nabuco

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Entrevista com o sociólogo e cientista político Simon Schwartzman

Por: Malu Didier

Foto: Gil Vicente/Fanzine/FundajFoto: Gil Vicente/Fanzine/Fundaj 


Simon Schwartzman é sociólogo, cientista político e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) no Rio de Janeiro. Tem mestrado em sociologia pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (FLACSO, Chile), e é doutor em ciências políticas pela Universidade da California, Berkeley. Nos últimos anos, tem dedicado suas pesquisas a temas de educação, ciência e tecnologia e políticas sociais. Foi professor de Ciência Política e diretor científico do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP entre 1990 e 1994, e Presidente do IBGE entre 1994 e 1998. É membro da Academia Brasileira de Ciências, e no último dia 25 de julho foi convidado pela Fundação Joaquim Nabuco e apresentar seu trabalho no Seminário de Tropicologia.


O que fez o senhor querer pesquisar sobre a educação no Brasil?

Acho que o tema da educação é muito importante, pois, em última análise, nunca vamos resolver os problemas do país se não tivermos uma população educada, e isso passa por um bom sistema escolar. Eu comecei na área da pesquisa científica, depois Ciência e Tecnologia, para depois pesquisar a educação superior. Hoje tenho trabalhado mais com a educação média e básica, então são temas centrais; sem eles o resto não anda.

 

As pesquisas atuais feitas no âmbito acadêmico são suficientes para diagnosticar alguma falha no sistema?

             
Acho que nosso problema não é falta de pesquisa, é falta de implementação de políticas adequadas. Hoje em dia já existe um conhecimento bastante aprofundado de quais são as questões e os problemas e em que direção precisamos caminhar. O que não se tem conseguido é que a sociedade se organize para fazer o que é necessário.


Sinteticamente falando, qual a relação entre educação e progresso social?

                
A educação contribui para o progresso social em vários aspectos. Podemos assinalar neste trabalho, primeiramente, que a educação forma melhor as pessoas, tem uma função humanística. Ela desenvolve a cultura, o conhecimento e a equidade na sociedade. A partir do momento que se dá mais oportunidades, diminuímos a desigualdade social. A educação também desenvolve o crescimento da economia, porque você forma pessoas competente com capacidade de trabalho que aumentam a produtividade.

 

O senhor diria que houve alguma mudança nessa estrutura desde que começou a pesquisar educação até os dias de hoje?


A educação brasileira vem se transformando, não só por conta das pesquisas, mas por um processo de maior participação, de aumento dos gastos públicos, de expansão, que são pontos fundamentais. Temos cada vez mais gente nas escolas estudando. Por outro lado, temos um problema muito sério, pois a qualidade da educação pública melhora pouco e os custos da educação estão aumentando; em alguns casos, até saindo de controle do que é possível. Hoje em dia temos um problema central, que são  demandas e expectativas crescentes, o custo crescente, mas a falha na educação em cumprir termos de qualidade e competência.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     
Qual a importância de um debate como esse para entendermos o atual cenário acadêmico no país?

 
Eu vim apresentar a ideia geral desse documento feito pelo grupo de trabalho. Nunca apresentei isso no Brasil. É um grupo internacional, e nele discutimos muito entre nós, mas agora queremos saber se o que pensamos faz sentido quando trazemos para quem não participou das pesquisas. Procuramos responder essa questão com pessoas de várias partes do mundo; a partir daí a gente olha para educação em diferentes aspectos: como formadora de pessoas, como contribuinte para o desenvolvimento da economia e para igualdade social. Esses são os grandes temas e cada um deles traz questões sobre como se organiza equal a relação da educação com a sociedade de forma mais ampla.

 

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