Fundação Joaquim Nabuco

  • Full Screen
  • Wide Screen
  • Narrow Screen
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Restauração de veículos do Museu do Homem do Nordeste busca registros históricos em suas peças

Os veículos em exposição no jardim do Museu do Homem do Nordeste estão sendo revitalizados. A histórica coleção é formada por uma locomotiva da década de 40, que pertencia à Usina Santa Terezinha e foi doada em 1967 ao Museu do Açúcar; um locomóvel, veículo a vapor utilizado como fonte móvel de energia elétrica, vindo da usina paraibana de Santa Rita; uma jangada conhecida por ter feito uma importante travessia do Ceará até o Rio de Janeiro, doada pelo Museu Histórico Nacional ao Museu do Homem do Nordeste em 1984; e um bonde da empresa inglesa Pernambuco Tramways and Power Company Limited, que costumava circular no Recife.


As peças estão sob os cuidados do Estúdio Sarasá desde maio deste ano e é previsto que fiquem prontas em outubro. O restauro está sendo gerenciado e fiscalizado pelo Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte (Laborarte) juntamente com a coordenação do Museu do Homem do Nordeste.


Esse processo, no entanto, ainda não tem uma trajetória exata. A proposta do Estúdio Sarasá é desvendar o máximo de conteúdo histórico que as peças têm a oferecer. A atual etapa da restauração consiste na remoção das camadas de tinta mais superficiais na esperança de revelar algum registro da época em que as máquinas foram utilizadas. 

 

Em uma restauração anterior, foi descoberto o letreiro do bonde, revelando qual era sua antiga linha. Pensando nisso, o restaurador responsável pela atividade, Antônio Sarasá, afirma que são as peças que vão mostrar o critério de intervenção: “O que podemos encontrar e resgatar talvez não seja tão bonito quanto a peça pintada, mas com certeza deixa uma bagagem histórico-cultural mais forte. A gente vai trabalhar muito mais com valor e resgate simbólico tentando encontrar a mão do homem nesse processo,”  afirma Sarasá. 

 

Depois da raspagem da tinta, serão identificados os pontos de oxidação ativos e danosos nas peças. Trabalhando com um protetor, as peças serão desoxidadas, a ferrugem será substituída por uma camada de proteção e uma nova mão de tinta será aplicada apenas onde for necessário. “O volume da oxidação é importante pra gente entender o fabrico da peça. Se começar a limpar muito essas informações perdemos a instância,” explica o restaurador.

 

Por serem mantidos ao ar livre no jardim do Museu, os veículos acabam sendo castigados pelo sol, vento e chuva e é necessário que se faça uma nova revitalização a cada cinco anos. Levando em conta a preservação do material original, a coordenadora-geral do Museu do Homem do Nordeste, Silvana Araújo, explica que uma solução está sendo buscada para expandir o tempo entre uma restauração e outra. “Estamos pensando se não valeria a pena sacrificar um pouco a estética dessas peças ao ar livre, sem nenhum tipo de cobertura, em prol de sua conservação.” 

 

Adquiridas através de doações, essas peças fazem parte do patrimônio da Fundação Joaquim Nabuco e carregam uma bagagem histórica.  “Muito mais do que fazer manutenção, a gente tem que transmitir zelo e afeição. Queremos que as pessoas se apaixonem por essas peças, que sintam que são documentos históricos, não simplesmente enfeites,” diz Sarasá. A coordenadora do Museu adiciona: “É nosso compromisso que elas sejam conservadas para que não só a nossa geração, como também gerações futuras tenham a oportunidade de entrar no museu e ver essas peças sempre em exposição.”

Navegando em: :: Outras Notícias Restauração de veículos do Museu do Homem do Nordeste busca registros históricos em suas peças