Fundação Joaquim Nabuco

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Raízes da antropologia brasileira é tema de Seminário de Tropicologia

“Está aberta a 401ª sessão ordinária do Seminário de Tropicologia”. O anúncio de Luiz Otávio Cavalcanti, presidente da Fundação Joaquim Nabuco, marca o início da palestra “Primórdios da antropologia brasileira”, com o professor Roque Barros Laraia, convidado pela casa.

Mineiro, de Pouso Alegre ("ninguém sabe quem foi o cansado viajante que, repousando sob um céu estrelado, emoldurado pelas sombras das escuras montanhas, resolveu denominar de alegre o seu modesto pouso"*), e bacharelado em História, o professor discursa na sala Gilberto Freyre, na Fundaj - Casa Forte.

Portador de uma das 10 mais importantes trajetórias acadêmicas pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília, traz, em sua participação no Seminário, um texto estimulante ao debate — uma das premissas do evento. “Por isso que eu fiz um texto aberto, eu não estou definindo as coisas, estou colocando as posições diferentes, as diferentes pessoas que consideram a história isso, aquilo”, afirma. Com leitura do texto “Primórdios da Antropologia Brasileira”, o professor apresenta “sua versão”, como chama, das raízes da antropologia no Brasil, questionando o começo da antropologia supostamente nascida no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e na Semana de Arte Moderna.

Com um aparato histórico aprofundado e demonstrando um conhecimento detalhado das áreas dos antropólogos brasileiros, Laraia questiona “o que é isso que chamamos de antropologia brasileira?”, com base nos estudos de Roberto Cardoso de Oliveira, exclamando, ainda: “Como um chão tão inóspito pôde dar início a antropologia?”.

Finaliza a palestra citando Euclides da Cunha e Chico Buarque, os quais considera terem “descrito os modos de viver do nosso posso”, podendo, assim, também serem considerados antropólogos — afinal, como acredita, “a natureza dos homens é a mesma, são seus atos que os mantém separados”. Cita, ainda, Joaquim Nabuco e sua ideia de defender a igualdade biológica, colocando-o também como precursor da antropologia brasileira.

No debate com a mesa, composta por pesquisadores da Fundaj, Clóvis Cavalcanti, economista ecológico, abre os comentários revelando que utiliza a antropologia como recurso para entender questões do meio ambiente, como, por exemplo, o sentido de sustentabilidade a partir dos povos originais (indígenas, arboristas). Clemente Rosas, escritor e economista, elogia a apresentação: “Senti como se pode observar a evolução do pensamento científico ao longo dos anos, se ajustando a realidade do País”. Eleonora Marston, fotógrafa, comenta sobre o papel dos fotógrafos no estudo antropológico, o que chama de “antropologia visual”.

Em tom descontraído e dando boas vindas a uma plateia que se apertava por vaga na sala (e ainda ocupava outro auditório, na sala Calouste Gulbenkian, assistindo a palestra ao vivo), Roque Laraia concedeu, também, entrevista a Fundaj. Confira no Blog da Fundação.

 


* http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832014000200014  

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