Fundação Joaquim Nabuco

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Vitrais do Edifício Ulysses Pernambucano passarão por revitalização

*Por Malu Didier

O conjunto de painéis em vitral que colorem a fachada do prédio da Fundação Joaquim Nabuco no Derby passarão por um processo de restauração. As peças começaram a ser retiradas no dia 29 de Maio e foram transferidas para a sede do Laborarte, na unidade de Casa Forte, para o início do processo.

 Os painéis foram confeccionados na tradicional técnica de grisalha de vitral em calha de chumbo pelo vitralista alemão Heinrich Moser em 1933. Na época, o edifício Ulysses Pernambucano abrigava a Escola de Aprendizes Artífices de Pernambuco, que serviu de inspiração na composição das ilustrações; a fachada Sul faz alusão às aos ofícios ministrados na Escola, enquanto as fachadas Leste e Oeste enaltecem o tema ArtDeco.

A herança de utilizar vitrais para decoração veio diretamente da idade média  européia e se incorporou na arquitetura contemporânea pernambucana através de Moser. “Ele foi um artista com uma formação muito rígida. Dominava muitas técnicas de artes aplicadas; não só vitrais, mas pinturas, elementos decorativos, ilustrações para revistas, ele foi um dos fundadores da Escola de Belas Artes no Recife. Nesses vitrais, os desenhos eram aplicados sobre uma matriz de vidro e queimados para adquirir cores. É muito refinado,” explica o diretor da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Meca) Antônio Montenegro.

Para ele, a ilustração dos vitrais transmitem uma mensagem imediata  sobre as atividades que costumavam ser feitas na Escola e cria uma identidade para o edifício, além de fornecer uma iluminação diferenciada. “É uma luz especial e colorida que passa por eles. Isso cria uma espacialidade muito rica para as escadas e para as duas janelas laterais.”

A proposta da revitalização foi feita pelo Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte (Laborarte) e está em execução pelo Estúdio Sarasá.  A primeira fase -o desmonte dos vitrais- foi realizada  após um levantamento fotográfico para identificar os danos. “Existem vários problemas no estado de conservação dos vitrais,” afirma a coordenadora do Laborarte Ana Marques. “Como o prédio está sendo restaurado, achamos conveniente aproveitar o momento para fazer a restauração dos painéis também.”

Os vitrais apresentam pontos de oxidação no metal de sustentação, desgaste no material de calafetagem, trincas e perdas de alguns vidros, respingos de tinta etc. A restituição não mudará a parte estética dos vidros  e tem por fim exclusivo a recuperação deles. As próximas etapas consistem na troca da estrutura de chumbo, retirada das massas de fixação, higienização das peças, aplicação de nova pintura e, por fim, sua recolocação, prevista para Setembro/Outubro/2017.

Todo processo de restauração será realizado no Laborarte, na unidade da Fundaj de Casa Forte.  As etapas da obra estarão abertas ao público em forma de oficina de conservação, demonstrando todo processo desde o desmonte à recolocação. “Depois de restaurado, é preciso que haja conservação. Não conseguimos isso sem a contribuição da população. Será uma oficina de educação patrimonial, mostrando a importância daquele bem e o que ele significa para o edifício e para as pessoas. Restaurar essas peças é algo muito importante não só para a Fundaj e para o Recife, mas também para a história da arte no Brasil,” declara Montenegro.

* estagiária de Jornalismo da Ascom/Fundaj

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