Fotos do acervo da Iconografia da FJN
VICENTE DO REGO MONTEIRO

 

 

CITAÇÕES


Os Picasso, os Matisse, os Derain procuram, sem compromisso com as fórmulas clássicas, voltar ao sentimento dos antigos, à humanização da arte. (...) Se a missão desses homens, na Europa cansada e batida de tantos séculos de cultura, tem encontrado entusiasmos delirantes, que dizer de Vicente do Rego Monteiro, aqui onde tudo é novidade.
Ronald de Carvalho

Sobre ele a gente diz, nascido no Brasil, domiciliado na França. Tem uma grande reputação de pintor, grande mérito como impressor, confirmadamente poeta. (...) É preciso insistir nisso, raramente se viu um poeta, do qual o francês não seja a língua materna, obter um prêmio de poesia na França.
Pierre Mathias

Mesmo que sua técnica se tenha depurado totalmente, podemos dizer que o Brasil o enfeitiçou, e que ele é o mais brasileiro de todos os grandes pintores de nosso país.
Alberto Cavalcanti

Minha pobreza tal é
que pouco tenho O que dar:
dou da pitu que o pintor Monteiro
fabricava em Gravatá.

Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto

A sua brasilidade ? Eis aí: o saber traçar a universalidade de uma visão orgânica dos trópicos, sem o suicídio burlesco do antropofagismo, mas com a valorização de uma memória ativa do mundo de formas particulares que lhe instruiu o estágio telúrico de nossa cultura; a transformação da fruição no fazer, no artesanato da sobrevivência. Vicente não faz caricaturas sentimentais de tipicismos ou folclores. Não o adorno, mas a invenção-verdade; não a emoção pé-grande, comum ao ciclo social da década de 50, mas a deformação sábia, própria dos caldeus, astecas ou marajoaras. Eis o desenho da vida, não literário, que traduz através do ato divinatório do pintor a natureza da criação.
João Câmara

É provável que Vicente do Rego Monteiro tenha sido de fato o principal senão o único cubista da mostra, pois os outros pintores brasileiros dessa tendência, Ismael Nery e Gomide, não participaram da Semana. O mesmo aconteceu com Tarsila, cujos quadros cubistas foram feitos a partir de 1924. Di Cavalcanti, Brecheret e Goeldi eram expressionistas, enquanto os outros não iam além do impressionismo, segundo se comentava em São Paulo anos depois da Semana.
Antonio Bento, crítico.

O primeiro artista brasileiro a ter um entrosamento definitivo com a Escola de Paris.
Aracy Amaral, crítica.

O grande triunfador da Semana de 22.
Pietro Maria Bardi.

Vicente do Rego Monteiro foi um dos primeiros artistas brasileiros a ter consciência da necessidade de possuir um vocabulário moderno. Soube no momento do Cubismo vitorioso fugir dos plágios e criar, há uns 40 anos, um estilo próprio onde afirmou o seu senso de Classicismo e de grandeza. Na sua arte há um sentimento de equilíbrio e de plenitude, particularmente indicado para as vastas decorações murais.
Raymond Cogniat, crítico.

Eu vi teus bichos
Mansos e domésticos:
Um motociclo,
Gato e cachorro.
Estudei contigo
Um planador
Volante máquina
Incerta e frágil.
Bebi do álcool que fabricaste
Servido às vezes numa leiteira.
Mas sobretudo
Senti o susto
De tuas surpresas.
E é por isso
Que quando a mim
Alguém pergunta
Tua profissão
Não digo nunca
Que és pintor
Ou professor
(Palavras pobres
Que nada contam
Dessas surpresas).
Respondo sempre:
- É inventor,
Trabalha ao ar livre
De régua em punho
Janela aberta
Sobre a manhã.
João Cabral de Melo Neto.