
![]() Fotos do acervo da Iconografia da FJN |
VICENTE DO REGO MONTEIRO
|
|
Um artista vivido na mítica Escola de Paris, na vanguarda cubista, que assimilou o que de melhor havia e soube manter-se pessoal e brasileiro. Vicente do Rego Monteiro figurou na Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo, ao lado de Anita Malfatti, Goeldi e Di Cavalcanti, entre outros. Entretanto, já era conhecido internacionalmente, visto que em 1913 ele expõe pela primeira vez no Salon des Indépendants em Paris, onde mantinha contato com artistas como Braque, Léger, Modigliani e Miró. Sua família mudara-se para Paris em 1911. Irmão mais novo dos também pintores Fédora e Joaquim do Rego Monteiro, Vicente, ainda adolescente, faz vários cursos de pintura.
Decidiu, então, voltar para a França, não sem antes fazer presente dos trabalhos a Ronald de Carvalho. Entre eles, um nu cubista, selecionado pelo crítico para a Semana de 22. Passou por dificuldades mas manteve-se trabalhando como capista e ilustrador na imprensa. Em 1923 conhece o colecionador Felipe Leman, que atua para ele como um verdadeiro mecenas. Os críticos franceses chamam atenção para a qualidade do seu trabalho, destacando o vigor da concepção e a beleza da forma.
Além do talento, Vicente do Rego Monteiro era um homem conhecido pela disposição e alegria de viver. Venceu muitos concursos de dança de salão na Paris dos anos 20. Entre 1969 e 1970 fez várias viagens do Recife ao Rio de Janeiro, dirigindo um Gordini. Foi editor, automobilista, dançarino e ainda encontrou tempo para fabricar aguardente em Pernambuco, a famosa Gravatá, citada em Morte e Vida Severina. João Cabral de Melo Neto, lançado por ele na revista Renovação, recusa-se, no poema que leva o nome do artista, a chamá-lo de pintor ou professor. Palavras pobres, segundo ele, que não revelam seu caráter. Vicente é, diz o poeta, um inventor. |
![]() |