
A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação
João
Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco
A produção de papel e celulose só é economicamente viável a partir de florestas homogêneas.
As indústrias florestais estão destinadas a representar
importantes papéis no
desenvolvimento econômico interno e no comércio exterior do
País, objetivos do Programa
Nacional de Papel e Celulose.
A dinâmica que ora caracteriza o setor resulta de
condições locais e internacionais
favoráveis. O Brasil tem o homem, o clima e as terras para isto. E os
países que dominam o
mercado de papel e celulose vão chegando aos limites das possibilidades
de aproveitamento
das reservas existentes e da expansão florestal.
As perspectivas que vão sendo abertas para o setor são
também acompanhadas de
expressões de preocupação quanto aos seus possíveis
reflexos sobre a ecologia. Tais receios
não se referem ao desflorestamento predatório, mas, às
atividades de reflorestamento que
estão sendo realizadas.
A produção de papel e celulose só é
economicamente viável a partir de florestas
homogêneas. Grandes florestas plantadas estão surgindo no
País. Eucalipitais, pinheirais e
outras. Entre as alegações dos que combatem o reflorestamento com
fins industriais, uma
muito freqüente é a de que as florestas plantadas tendem a criar
desertos.
Dado a importância que se atribui ao desenvolvimento das
indústrias florestais, e ao
seu significado para o País, seria conveniente que a questão fosse
abordada de forma mais
científica e menos polêmica.
No presente trabalho, o autor tece comentários acerca da cultura
do Pinus onde
procura retratar de uma forma simples e clara o cultivo dessa essência,
apresentando aspectos
que vão desde a obtenção das sementes de procedência
adequada à utilização da madeira do
referido vegetal.
GENERALIDADES
Quando as espécies que ocorrem naturalmente numa
determinada região apresentam
desenvolvimento muito lento, madeira de qualidade inferior, exigências de
clima e fertilidade
de solo, há necessidade de se introduzir espécies de outra
região.
Um exemplo da necessidade de introdução de espécies
é o Brasil, onde ocorrem
extensas áreas de solo arenoso, ácido, profundo e pobre, de boa
conformação e fácil de ser
trabalhado, apresentando ótimas condições para
florestamento e reflorestamento.
Paralelamente, há grande demanda de madeira de coníferas para
utilização geral. No Brasil
existem três espécies de coníferas que ocorrem naturalmente:
o Podocarpus lambertii,
Podocarpus selowii e Araucaria
angustifolia. Das três espécies, somente
Araucaria
angustifolia tem importância econômica, mas, por ser
exigente em clima e solo, não pode ser
usada no florestamento e reflorestamento das áreas citadas anteriormente.
Procurando utilizar economicamente as áreas que ocorrem no Estado
de São Paulo,
em 1936, o Serviço Florestal do Estado de São Paulo iniciou a
introdução de coníferas
exóticas, principalmente com espécies de origem européia,
destacando-se entre elas o Pinus
pinaster.
Em 1947-1948 foram introduzidos, do sudeste dos Estados Unidos, o
Pinus elliottii e
Pinus taeda, e do Chile, o Pinus
radiata, sendo o Pinus radiata praticamente dizimado pela
Diploidia pinae, após alguns anos.
Em 1955-1964, estabeleceram-se grandes programas de
reflorestamento, baseados
exclusivamente em Pinus elliottii e Pinus
taeda, sendo que, até 1974, somente o serviço
Florestal do Estado de São Paulo plantou 60.000.000 de árvores. O
crescimento inicial
rápido e uniforme e as facilidades de aquisição de sementes
fizeram com que a maior parte
das plantações fosse feita com Pinus
elliottii.
Muitas plantações foram efetuadas fora das
condições ecológicas normais exigidas,
resultando que o Pinus elliottii e o Pinus
taeda não encontraram condições de
desenvolvimento favoráveis, principalmente nas regiões de solos
pobres e secos.
Nas regiões Norte e Cetro do Estado de São Paulo, onde se
situam os cerrados,
caracterizados por inverno e primavera secos e solos pobres, as espécies
que melhor se
adaptaram foram as de origem tropical (Pinus caribaea hondurensis,
Pinus caribaea
caribaea, Pinus caribaea bahamensis, Pinus oocarpa e Pinus
kasiya).
Como no cerrado sulista, no Nordeste brasileiro, onde há
predominância do clima
semi-árido e solos pobres, as espécies tropicais também
estão se manifestando de modo
satisfatório. A espécie Pinus caribaea
hondurensis, por apresentar ótimo comportamento
no viveiro e, atualmente, no campo, é a que reputamos como a mais
promissora para os
futuros projetos de reflorestamento nesta região (Fotos 1 e 2).
Foto 1 - Talhão de Pinus caribaea hondurensis plantado na década de 70, pelo Convênio SUDENE/IBDF, no Posto Agropecuário da Delegacia do Ministério da Agricultura, na cidade de Igarassú (PE).
Foto 2 - Experimento de competição de procedências com
Pinus caribaea hondurensis
plantado na década de 70, pelo Convênio SUDENE/IBDF, no Posto
Agropecuário da
Delegacia do Ministério da Agricultura, na Cidade de Igarassú
(PE).
Com base no exemplo, pode-se afirmar que a introdução de
espécies exóticas tem
como finalidade determinar quais as espécies mais aptas para uma
determinada região,
visando, sobretudo, à rapidez de crescimento e à
produção de madeira de qualidade para
variados fins.
Para o sucesso da introdução, em primeiro lugar, deve-se
ter conhecimentos
detalhados sobre a espécie que se pretende introduzir, em
relação à ecologia, qualidade da
madeira, suscetibilidade a pragas e doenças etc. Através do
conhecimento detalhado da
espécie, pode-se avaliar se ela terá ou não
condições de suprir as exigências de mercado e,
provavelmente, adaptar-se às condições ecológicas.
Paralelamente, deve-se proceder a um
comparativo entre os fatores climáticos da região de origem e do
local de introdução.
Os principais fatores climáticos que podem ser limitantes para o êxito da introdução de uma espécie são:
- Temperatura máxima e mínima;
- Precipitação anual e sua distribuição durante o ano;
- Umidade relativa do ar e,
- Diferenças fotoperiódicas
Deve-se, contudo, ressaltar que não há necessidade de que
os climas coincidam
exatamente pois os fatores climáticos e suas interações
podem compensar pequenas
deficiências que possam existir.
Importante também é a plasticidade genética da
espécie, isto é, sua capacidade de
adaptação mesmo em ambientes diferentes dos da região de
ocorrência natural. Entretanto,
certos limites não podem ser ultrapassados: uma planta nativa de uma
região com 200 mm de
pluviosidade não poderá ser introduzida numa região onde a
pluviosidade atinja, digamos
2400 mm e vice-versa.
Para finalizar, além dos fatores acima mencionados, todos os
fatores ambientais - da
região de origem da semente e da área a ser plantada -
deverão ser convenientemente
estudados, destacando-se entre eles: latitude, longitude, altitude, solos etc..
CARACTERES BOTÂNICOS
Os Pinus são plantas lenhosas, em geral arborescentes, podendo
atingir grandes
alturas. Caracteristicamente, têm um tronco retilíneo que sustenta
a copa. O lenho é
secundário, apresentando traqueides e canais resiníferos.
As folhas são aciculadas (em forma de agulhas), espiraladas. Cada megasporófilo (escama carpelar) transporta dois óvulos, e é protegido por uma folha estéril, a escama de cobertura. Esta não se desenvolve após a fecundação e é incorporada à base da escama carpelar que cresce e se torna lenhosa. Sementes muitas vezes aladas. Alas formadas a partir de uma porção da escama carpelar. Flores masculinas em densos estróbilos alongados; cada microsporófilo transportando dois sacos polínicos (microsporângios). Os cones ou estróbilos femininos são formados por numerosos macrosporófilos pequenos sustentados por escamas protetoras, externas. Em cada macrosporófilo há dois óvulos totalmente concrescidos com a parte superior do mesmo
Gimnosperma com fecundação através de sinfogamia,
ou seja, através de um tubo
resultante da germinação do microsporo e que, partindo da
câmara polínica, alcança a
oosfera, através do tecido megasporângio (núcleo), lá
lançando os núcleos espermáticos. Este
modo de fecundação ocorre em todas as Angiospermas e nas
Gimnospermas só nas ordens
Coniferae, Taxales e Gnetales.
ESCALA TAXONÔMICA DA ESPÉCIE (A. Schultz)
- Reino: Vegetal
- Divisão: Embryophytae siphonogamae (Spermatophytae)
- Subdivisão: Gymnospermae
- Classe: Coniferopsida
- Ordem Coniferae
- Família: Pinaceae
- Subfamília: Pinoideae
- Gênero: Pinus
- Espécie: Pinus sp.
É muito difícil determinar as diferenças entre as espécies de Pinus mediante os caracteres botânicos. Há casos de técnicos que, mediante a vivência com as espécies, conseguem distinguí-las. Essas diferenças são determinadas, levando-se em consideração: número de acículas, coloração das acículas, disposição das acículas nos ramos, forma das sementes, tamanhos dos cones, coloração das sementes tec.
PROCEDÊNCIAS DE ALGUMAS ESPÉCIES INTRODUZIDAS NO
BRASIL
O Pinus tem um número muito grande de espécies, algumas
originárias dos Estados
Unidos, como são os casos do Pinus elliottii,
que ocorre desde o sul do Estado da Carolina
do Sul até a Flórida, estendendo-se a oeste até quase o Rio
Mississipi, e do Pinus taeda, que
é encontrado nos Estados de Nova Jersey, Flórida, Texas, Arkansas,
Oklahoma, Vale do
Mississipi e Tennessee.
Estas espécies estão plantadas em larga escala no sul do
País, compreendendo os
Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São
Paulo.
O Pinus elliottii necessita de invernos frios
com temperaturas mínimas de 0C e não
suporta períodos secos com déficit hídrico. Botanicamente
falando, esta espécie é
denominada Pinus elliottii var. elliottii. Existe
outra espécie que é o Pinus elliottii var.
densa muito pouco utilizada até agora. A dificuldade de se
obter sementes é ainda um
obstáculo à sua difusão. Em São Paulo, esta
espécie tornou-se promissora em áreas de
transição entre Pinus elliottii var.
elliottii e Pinus caribaea var.
caribaea.
O Pinus taeda,
está plantado em vários locais da região sul. Em altitudes
superiores a
1200 m, apresenta crescimento excelente, superior ao do Pinus
elliottii. Em contraste, os
plantios em outras regiões indicam a pouca conveniência de se
utilizar esta espécie nos
reflorestamentos.
Outra espécie que está sendo plantada em regiões
altas é o Pinus patula. São
condições ideais para o seu desenvolvimento: temperaturas baixas
no inverno, amena no
verão e chuvas periódicas com secas no inverno, mas sem
déficit hídrico. Aqui no Brasil os
melhores plantios estão na Serra da Mantiqueira, onde a região
apresenta mais ou menos as
características descritas anteriormente. Esta espécie é
originária das montanhas Oaxaca, Vera
Cruz, Puebla e Hidalgo, México.
Para os reflorestamentos do Nordeste, temos que introduzir as
espécies tropicais que
estão se desenvolvendo com êxito no cerrado paulista. Como algumas
espécies tropicais
podemos citar:
Pinus caribaea
Esta espécie compreende três variedades: a)
Pinus caribaea caribaea,
procedente do litoral atlântico da América Central (Cuba),
Pinus caribaea
bahamensis das Ilhas Bahamas, e o Pinus caribaea
hondurensis da região
continental centro-americana.
As espécies encimadas confirmam excelentes qualidades, mas não está claro a qual das três variedades convém das preferência nos diferentes locais. O que se pode adiantar a esse respeito é que o Pinus caribaea hondurensis, é, entre os três, o maior produtor de madeira, fato este que deverá ser levado em conta, caso o plantio tenha como propósito principal produzir matéria-prima para celulose. Se o objetivo do plantio é produzir madeira para serraria, convém dar preferência à variedade de Cuba, que produz fustes mais retos e madeira mais densa ou utilizar a variedade das Bahamas, que tem características intermediárias.
No que diz respeito à topografia e drenagem do solo, a
variedade das
Bahamas tolera também solos de baixadas, mal drenados,
condições estas que a
variedade continental suporta parcialmente e a variedade de Cuba, que gosta de
solos
altos e secos, não suporta em absoluto.
Com respeito ao balanço hídrico, a variedade de
Cuba apresenta melhor
adaptação do que as demais às regiões com pouco
déficit hídrico.
Outro problema a ser resolvido por experimentação
é o que se refere à
procedência geográfica da semente a ser utilizada para cada
variedade. Esta dúvida
não existe tanto com relação à variedade de Cuba,
que tem uma área de distribuição
pequena, quanto existe para a variedade das Bahamas e ainda para a variedade
continental, que tem uma área de ocorrência muito grande.
A seguir, alguns caracteres básicos das espécies:
Pinus caribaea caribaea -
Acículas agrupadas em 3, raramente 4. Cones 5 a
10 cm de comprimento. Sementes com asas ligadas (ficando aladas após
cairem do
cone).
Pinus caribaea hondurensis -
Acículas agrupadas em 3, as vezes 4, 5 e 6 em
árvores jovens; cones com 6 a 14 cm de comprimento; sementes com asas
articuladas
(as asas desprendem-se da semente quando caem do cone), à
exceção de uma
pequena porcentagem em que as asas ficam ligadas às sementes.
Pinus caribaea bahamensis -
Acículas agrupadas em 2 a 3; cones com asas
articuladas, raramente ligadas.
Resumindo, o Pinus caribaea é
considerado potencialmente apto às regiões
que se queira reflorestar no Nordeste.
Pinus oocarpa
Sua área de distribuição vai do
México até a Nicarágua, em áreas de colinas e
montanhas entre 600 e 2500 m de altitude. Em experimentações
realizadas em Minas
Gerais, nas cidades de Sacramento, Nova Ponte, Sete Lagoas, Itabira
Viçosa, Poços
de Caldas e Belmiro Braga, os resultados com sementes originárias de
algumas
regiões de Honduras e Nicarágua obtiveram resultados considerados
bons e ótimos;
porém, os obtidos com sementes da Guatemala foram menos
satisfatórios. Esta
espécie também poderá ser plantada no Nordeste, só
que apresenta maior
sensibilidade à baixa fertilidade do solo do que o Pinus
caribaea.
Pinus kesiya (sinônimo Pinus
insularis)
Espécie procedente das Filipinas e Vietnam. Pluviosidade
entre 1800 e 4500
mm, altitude 900 a 1500 m e curto período de seca. Geralmente a
produção
volumétrica desta espécie é muito boa, porém o mesmo
não acontece com a sua
forma, já que os exemplares exibem troncos cônicos, tortuosos e com
muitos galhos.
Esta pode ser uma espécie interessante para a produção em
ciclos curtos, de madeira
abundante, para a elaboração de chapas aglomeradas. Segundo
Golfari, não valerá a
pena introduzir-se esta espécie no Nordeste.
Pinus estrobus chiapensis
Espécie originária do sul do México e oeste
da Guatemala, onde cresce a uma
altitude entre 700 e 1800 m, em vales úmidos, às vezes, com
drenagem lenta ou em
áreas com elevadíssimo índice pluviométrico
(até 5000 mm). Esta espécie foi
introduzida no cerrado paulista e, segundo citações de Golfari,
não está com mau
aspecto.
De acordo com a experimentação, as seguintes
espécies não encontram
condições favoráveis de vida no País:
Pinus ayacachuite, P. clausa, P. canariensis,
P. densifolia, P. douglasiana, P. eldarica, P. halepensis, P. hartwegii, P.
insularis,
P. leiophylla, P. luchuensis, P. massoniana, P. nigra, P. montezumae, P.
oaxacana, P. ponderosa, P. pseudos trobus, P. rudis, P. teocote, P. silvestris,
P.
strobus, P. taiwanensis, P. tenuifolia, P. merkusii, P. thumbergii, P.
virginiana,
P. michoacana.
TESTE DE PROCEDÊNCIA
Em todo empreendimento florestal deve-se sempre
utilizar sementes melhor
adaptadas. A origem das sementes irá, como conseqüência,
limitar os ganhos genéticos e
condicionar o sucesso do empreendimento.
O melhor, mais rápido e mais econômico é aquele
obtido pela simples seleção da
fonte ou origem geográfica das sementes mais adaptadas.
Todo e qualquer método de melhoramento, por mais sofisticado que
seja, não
conduzirá a nada se os fatores acima mencionados não forem levados
em consideração no
programa.
As plantações de espécies não adaptadas,
normalmente, são denominadas plantações
fora de condições ecológicas e tal prática
pode originar, como conseqüências:
- Morte ou prejuízos causados pela não
adaptação - exemplos já observados em
algumas regiões do Brasil: Pinus elliottii, P. radiata, P.
taeda, P. pinaster (como espécies
não adaptadas).
- O crescimento e a sobrevivência são bons nos
estágios iniciais, mas, logo após, o
povoamento começa a perder o vigor e, muitas vezes, não
atingirá os limites comerciais para
exploração. Muitas vezes, apesar das perdas e da
produção insuficiente, o povoamento é
mantido, exclusivamente por estar quase nas dimensões de corte, existindo
relutância, por
parte dos técnicos, na sua eliminação e início de
novos testes (Pinus elliottii em São Paulo).
- O crescimento e a sobrevivência são normais, mas um
conjunto de fatores climáticos
externos pode destruir a plantação. Geadas e, 1975 no sul do
Brasil, afetando o Pinus
caribaea hondurensis etc..
- O povoamento cresce normalmente mas, na época de
exploração, a madeira a ser
explorada não apresenta as condições exigidas para sua
industrialização. Este é um resultado
marginal da não adaptação.
- Podemos dizer que é difícil prever se as qualidades da
madeira a ser produzida serão
boas ou não, em função das diferenças ambientais
entre o local de plantio e a zona onde as
espécies introduzidas vegetam naturalmente.
Tendo em vista que nos países em desenvolvimento há
necessidade de serem
antecipados os resultados da introdução de espécies, pois
há urgência de serem instaladas
extensas plantações, podemos considerar que os principais riscos
de insucesso com a
utilização dos dados preliminares poderão ser devidos a:
- má adaptação;
- madeira sem qualidade básica para
industrialização;
- utilização de sementes baratas, de fontes ou
origens erradas, não idôneas;
- perda de crescimento, alta mortalidade resultante de secas,
geadas etc..
Para o estudo adequado dos testes de procedência, devemos entender
melhor o que
seja origem da espécie, procedência da espécie e fonte de
sementes.
Origem da espécie: é a sua zona de
ocorrência natural.
Procedência da espécie: é a localidade da
população de árvores identificadas
dentro da zona de ocorrência natural da espécie.
Fonte de sementes: Plantação ou árvores
dentro da zona natural ou de
introdução da espécie onde a semente foi colhida.
O teste de procedência desempenha alta importância na
determinação das fontes de
sementes para os plantios das espécies adequadas. Visa, acima de tudo,
determinar o porte da
árvore em função da variação em altitude numa
mesma localidade, porte da árvore em
função da variação na profundidade do solo. Visa
portanto, a determinação de uma mudança
contínua em uma característica associada a um gradiente ambiental.
OBTENÇÃO DE SEMENTES
Dentro de cada região geográfica da área de
ocorrência natural da espécie, deve-se
obter sementes dos melhores povoamentos. Geralmente, nos povoamentos escolhidos,
são
colhidas sementes de pelo menos 5 a 10 árvores que apresentam boa forma e
desenvolvimento.
A produção de sementes de boa qualidade
fisiológica, genética e física é o objetivo
final de um determinado sistema de produção de sementes.
Independentemente do sistema
em si, há necessidade de aplicar uma determinada tecnologia nas diversas
etapas do processo
de produção, bem como aplicar uma tecnologia adequada e
padronizada para avaliar a
qualidade das sementes produzidas.
Assim, produzir sementes tem certas implicações e,
consequentemente, exige uma
série de conhecimentos que podem ser gerais em alguns aspectos, mas que,
normalmente, são
específicos para as diferentes espécies.
Os conhecimentos que podem ser considerados prioritários
são:
a) conhecimentos sobre fatores ambientais e fatores inerentes
às plantas, que
afetam quantitativamente a produção de sementes;
b) conhecimentos sobre métodos de colheita mais adequados
para diferentes
situações e espécies;
c) conhecimentos sobre beneficiamento e
conservação de espécies;
d) conhecimentos sobre análise de sementes para avaliar a
qualidade das
sementes produzidas.
Produzir sementes significa mais do que colher sementes. Significa
colher árvores
superiores, na época mais adequada, beneficiar as sementes e
armazená-las sob boas
condições, bem como realizar testes para avaliar sua qualidade.
Estas diferentes etapas,
embora aparentemente dissociadas, fazem parte de um conjunto que visa assegurar
ao
produtor disponibilidade de sementes de qualidade superior, em quantidades
suficientes.
SEMENTES
A semente do Pinus é de tamanho variável (2 a 15 mm de
comprimento com 2 a 10
mm de largura); geralmente é mais ou menos do tamanho de um grão
de arroz.
A extração é um termo empregado para designar a
abertura dos frutos ou cones e a
conseqüente liberação das sementes. No caso dos cones de
Pinus, a abertura ocorre pela
perda de umidade. Como esta perda de umidade depende da umidade relativa do ar e
da
temperatura, a velocidade com que se dá a abertura depende das
condições naturais do clima,
na ocasião de maturação. Em termos práticos, o que
se faz é deixar os cones em tabuleiros ao
sol ou em estufas até que a secagem seja suficiente para a
liberação das sementes. Embora
seja mais rápida a extração das sementes com temperaturas
mais elevadas, deve-se tomar
certo cuidado com temperaturas muito elevadas, que são prejudiciais
às sementes. Além do
problema de danificação à semente por altas temperaturas,
devemos também observar que
pode haver indução à dormência de certas
espécies.
O beneficiamento de sementes, de uma forma geral, tem como principais
objetivos a
sua limpeza e classificação.
As sementes de Pinus, em razão de suas
características, como por exemplo, o
tamanho relativamente grande, permitem uma purificação melhor
(tratamento da semente em
peneiras, com movimentos vibratórios). Por isso apresentam-se,
normalmente, isentas de
impurezas, com exceção das asas aderentes (sementes aladas), que
necessitam ser removidas
para facilitar a semeadura e reduzir o volume de armazenamento. Esta
eliminação das asas,
feita manual ou mecanicamente, geralmente, causa injúrias às
sementes. No desalamento
feito mecanicamente, os danos são maiores e suas conseqüências
se manifestam tanto
imediatamente após a operação como também
após um certo período de armazenamento.
Ainda com relação à semente de Pinus, um aspecto
importante a ser observado é a
sua classificação, tornando os lotes uniformes, o que facilita a
semeadura mecânica. Além da
maior facilidade de semeadura, sementes uniformes quanto ao tamanho e peso
poderão
originar lotes de mudas mais uniformes. Embora a literatura cite casos em que
há influência
do tamanho e peso sobre germinação e vigor para algumas
espécies, os estudos, geralmente,
se referem a espécie de clima temperado, havendo a necessidade de estudos
mais detalhados
para as espécies utilizadas no clima tropical do Brasil.
Com relação à conservação das
sementes, um período de armazenamento é, em geral,
necessário por diversas razões.
Como a semente é um organismo vivo, após atingir sua
maturidade fisiológica, sofre
certas modificações irreversíveis, sendo a perda da
capacidade de germinar a última
conseqüência destas modificações. Este processo,
denominado deterioração, é inevitável, mas
pode ser minimizado proporcionando-se às sementes condições
adequadas de
armazenamento. A longevidade das sementes depende de uma série de
fatores, entre os quais
podemos destacar:
- Condições ambientais durante a
maturação;
- Condições ambientais após a
maturação;
- Danificação durante extração e
beneficiamento;
- Características da espécie;
- Teor de umidade da semente;
- Temperatura de armazenamento.
Uma vez colhida a semente, os principais fatores envolvidos na sua
conservação são a
temperatura e o teor de umidade. Baseado neste fato, procura-se armazenar as
sementes com
baixo teor de umidade e temperaturas baixas. Para sementes de Pinus de clima
temperado, a
literatura nos informa que temperaturas abaixo de zero graus centígrados
são melhores que
temperaturas imediatamente acima (3 - 5C). Por outro lado, os teores de umidade
entre 6 -
10% são considerados bons para armazenamentos por longos períodos.
As ações da
temperatura e do teor de umidade devem, entretanto, ser observadas em conjunto.
Em muitos
casos, uma semente se conserva melhor em temperaturas relativamente elevadas
(25C)
quando seu teor de umidade é baixo (6 - 8%), do que quando armazenada a
baixas
temperaturas com elevado teor de umidade. O inverso se verifica também em
certos casos.
Como para a maioria das espécies, um teor de umidade baixo (6 - 12%)
é o mais adequado
para um armazenamento seguro. Uma secagem até este teor de umidade parece
ser um meio
eficiente de se conseguir uma boa conservação. Entretanto, a
secagem por si só não resolve o
problema, pois uma semente armazenada em determinado ambiente entra em
equilíbrio com
a umidade do ar, atingindo um teor de umidade de equilíbrio. Assim, a
diferentes umidades
relativas, cada espécie apresenta um teor de umidade de
equilíbrio.
Procurou-se contornar o problema, armazenando as sementes em embalagens
impermeáveis. Os trabalhos realizados, principalmente com sementes de
hortaliças,
mostraram, contudo, que a conservação das sementes em embalagens
impermeáveis somente
é segura por períodos prolongados quando o teor de umidade destas
sementes estiver entre 4
- 8%.
Um outro problema relacionado com a conservação é a
oscilação de temperatura e
umidade. A literatura relata que as oscilações de temperatura e
umidade, em certos casos, são
mais prejudiciais à conservação do que a
manutenção nos extremos desta oscilação. Num
armazenamento em câmara fria, as sementes, geralmente, apresentam elevado
teor de
umidade, se bem que neste caso a baixa temperatura (3 - 5C) impede uma
rápida
deterioração, a despeito do elevado teor de umidade. Isto somente
é válido durante o período
que a semente permanece no interior da câmara. A retirada da semente e a
sua não utilização
imediata podem fazer com que ela se deteriore rapidamente.
PRODUÇÃO DE MUDAS
Neste item será apresentado um apanhado geral sobre os principais
tipos de
recipientes utilizados na produção de mudas de essências
florestais.
Recipientes
Podemos dizer que os principais aspectos a serem
observados quando se escolhe um
determinado tipo de recipiente para a produção de mudas
são: a resistência ao período de
encanteiramento, facilidade de enchimento, facilidade de manuseio e transporte,
permeabilidade às raízes, boa retenção de umidade,
custo acessível etc..
Tipos de recipientes
Torrão paulista - é um dos dos mais
tradicionais recipientes utilizados. Todavia, está
sendo progressivamente substituído por outros tipos, principalmente por
causa da mão-de-obra envolvida na sua confecção e das
perdas ocorridas por quebra durante o manuseio das
mudas até o plantio, especialmente em dia muito chuvosos.
Saco plástico - é o recipiente mais utilizado atualmente
na produção de mudas
florestais. Embora seja um recipiente de fácil manuseio, apresenta o
inconveniente de não
permitir uma permanência muito prolongada no viveiro pois ocasiona o
enovelamento das
raízes.
Laminado - Recipiente bastante utilizado, principalmente na
região sul do País.
Dependendo do tipo de madeira com que foi produzido, exige
também a retirada por ocasião
do plantio. O preço da lâmina e a dificuldade de ser encontrada
são os principais fatores
limitantes à utilização desse tipo de recipiente.
Paper-pot - é um tipo de recipiente que se aproxima do ideal. Sua
durabilidade em
serviço e permeabilidade às raízes são excelentes.
Sendo um recipiente de papel, não
necessita ser retirado por ocasião do plantio. Além dessas
vantagens, o sistema paper-pot
permite uma produção de mudas totalmente mecanizada, desde o
enchimento dos recipientes
até a semeadura, obtendo-se rendimentos de até 400.000 recipientes
semeados, por 8 horas
de trabalho. Este processo poderia ser utilizado num esquema de
produção centralizada de
mudas num distrito florestal e posterior distribuição das mesmas.
A maior limitação do paper-pot é a necessidade de
importação e o custo elevado
desse tipo de recipiente.
Fertil-pot - é um recipiente composto de turfa e fibras vegetais.
Fácil de ser
manuseado, resiste bem ao enchimento e é permeável às
raízes. Durante a fase de produção
de mudas este recipiente não deve ser colocado em contato direto com o
solo, nem protegido
lateralmente com terra, evitando-se assim, o desenvolvimento das raízes
além das paredes do
recipiente. Uma forma adequada de disposição do ferti-pot é
sua colocação em estrados de
tela de arame, suspensos do solo.
Tal como o paper-pot, este tipo de recipiente apresenta como maior
limitação o seu
custo elevado e a necessidade de importação.
Outros tipos - atualmente os países com tecnologia
avançada na produção de mudas
florestais têm desenvolvido recipientes plásticos e recipientes de
isopor. Esses recipientes
aproximam-se mais das formas que moldam as raízes das plantas, as quais,
no momento do
plantio servem como protetoras do bloco de terra utilizado na
formação da muda.
As principais vantagens apresentadas pelos fabricantes desses tipos de
recipientes são:
a possibilidade de utilização do mesmo recipiente por diversas
vezes; a facilidade de
manuseio; elevado rendimento no transporte; características inerte e
estéril do material com
que é produzido.
As maiores limitações são o custo elevado e
necessidade de importação; a grande
ocupação de espaço quando o material não está
em uso; as possibilidades de quebra das
mudas quando da retirada das mesmas.
Esses recipientes necessitam de testes para verificar a possibilidade de
sua utilização
em nosso meio.
Pelas características dos recipientes apresentados, observa-se
que os recipientes de
papel são aqueles que apresentam as maiores possibilidades para preencher
os requisitos da
produção de mudas florestais.
Dessa forma deve ser dada ênfase especial aos estudos que visem a
produção em
nosso meio de recipientes de papel, que não atrasem o desenvolvimento das
mudas e que
sejam viáveis quanto ao aspecto econômico.
Preparo do solo para o enchimento dos recipientes
A terra utilizada para o enchimento dos recipientes é,
geralmente, de subsolo. Trata-se de um material mais pobre em nutrientes
minerais, de fácil drenagem e livres de
propágulos de ervas daninhas.
A complementação da fertilidade desse solo pode ser feita
pela incorporação de
adubo mineral antes da semeadura ou pela fertilização em cobertura
através de regas.
A incorporação do adubo antes da semeadura pode dar bons
resultados em termos de
crescimento das mudas. Todavia, em face da dificuldade de
homogeneização da mistura
adubo-subsolo, muitas vezes ocorrem diferenças no desenvolvimento das
mudas quando se
utiliza esse sistema.
Os melhores resultados têm sido obtidos quando se efetua a
aplicação do adubo em
cobertura através de regas. Nesse caso, recomenda-se fracionar a dosagem,
aplicando-se o
adubo em 4 a 5 vezes, o que permite um perfeito controle do crescimento das
mudas,
podendo-se apressá-lo ou retardá-lo através da
aplicação das dosagens.
Para os dois métodos de aplicação do adubo
apresentados, recomenda-se a utilização
de 2,5 g de NPK (10-34-6) por muda.
MICORRIZAÇÃO
As micorrizas são fungos que vivem em simbiose com as plantas das
florestas
naturais. Vivem em íntima associação com as raízes
das plantas e, de acordo com o tipo de
associação, podem ser divididas em três grupos:
1) Ectotróficas - envolvem as raízes e penetram
entre as células do cortex
radicular;
2) Endotróficas - enviam espécie de
haustórios dentro das células do cortex;
3) Ectoendotróficas - existem os dois tipos de estruturas
anteriormente citados.
Muitos têm sido os estudos e as discussões sobre a
importância da micorriza para
aquelas espécies nas quais ela se desenvolve. De acordo com estudos
modernos, as
micorrizas fornecem à planta NPK em troca dos hidrocarbonados elaborados
pela mesma.
Numerosas tentativas de plantio de coníferas foram efetuadas em
terrenos cultivados
com pastagens, mas com péssimos resultados. Assim, para se reflorestar
certa área com
coníferas (Pinus), torna-se necessário fazer a
inoculação nas mudas.
A formação da micorriza parece ser favorecida por relativa
deficiência de um ou mais
nutrientes minerais, ao passo que pouca ou nenhuma se forma em solos com grande
fertilidade.
Métodos práticos para a inoculação das
micorrizas.
a) incorporação de restos de acículas, humos e solo
superficial de plantações ou
viveiros bem estabelecidos;
b) incorporação de compostos fabricados com restos de
material que contenha fungos
micorríticos;
c) plantio de mudas obtidas de viveiro onde há abundância
de fungos micorríticos.
O item (a), parece ser o modo mais fácil e eficaz de
inoculação.
Semeadura direta
Existem, como sabemos, dois processos para a formação de
mudas em recipientes. O
primeiro deles consiste na semeadura em canteiros e posterior repicagem das
plântulas para o
recipiente escolhido. O outro processo é a semeadura direta nos
recipientes.
O processo de repicagem, além de exigir uma maior área
para produção das mudas,
exige também um maior tempo de permanência das mudas no viveiro, em
decorrência do
trauma radicular sofrido por ocasião da repicagem, exigindo ainda o
sombreamento do
canteiro após essa operação. Apesar desses fatos,
não deixa de ser um processo eficiente na
produção de mudas.
Todavia, com a expansão contínua dos programas de plantio,
a quantidade de mudas
a ser produzida anualmente pela maioria das firmas ligadas ao ramo florestal tem
aumentado
progressivamente.
Tendo em vista as vantagens do processo de semeadura direta nos
recipientes (melhor
sistema radicular, menor tempo para a formação da muda, menor
ocupação do viveiro, maior
rendimento nas operações envolvidas, menor necessidade de
mão-de-obra, menor risco de
doenças etc.), este sistema está tendendo a substituir
gradativamente o processo de
repicagem.
Quando do plantio, tiram-se as sementes da câmara
frigorífica, deixando-as em água
por quatro horas. Em seguida, semeiam-se duas sementes por recipiente a uma
profundidade
de aproximadamente 1 cm. Os recipientes são colocados em blocos de mais
ou menos 80 cm
de largura, e cobertos com acículas moídas (folhas do Pinus). A
cobertura com acículas
picadas mantém a umidade, protege as sementes e introduz a micorriza.
Outro aspecto importante a ser observado quando se realiza a semeadura
direta é a
irrigação. Dependendo do tipo de aspersor utilizado, pode-se
comprometer grande parte da
produção pelo excesso de água e conseqüente
remoção das sementes.
Atenção especial deve ser dada ao preenchimento correto
dos recipientes pois, caso
haja falta de terra nos mesmos, isto resultará numa camada muito espessa
de material de
cobertura, o que dificultará a germinação das sementes,
aumentando consequentemente o
número de falhas.
Algumas causas de perdas no viveiro
Fungos - são organismos patógenos que podem atacar as
plantas de várias maneiras;
podem causar o apodrecimento das sementes sob o solo ou das mudas antes de sua
emergência; podem atacar as mudas que já emergiram causando o
apodrecimento do caule
próximo ao solo e conseqüente tombamento, ou ainda podem atacar a
parte inferior da
muda. Dentre os fungos que causam o tombamento de mudas destacam-se os dos
gêneros
Cylindrocladium, Pythium, Rizoctonia e
Phytophtora.
Para o controle do tombamento várias medidas podem ser tomadas
como a
desinfecção do solo antes da semeadura, redução ou
eliminação do sombreamento a fim de
que o solo fique com sua superfície mais seca, redução dos
turnos de rega, aplicação de uma
camada de areia na superfície do canteiro ou recipiente para
torná-la mais seca, aplicação de
fungicidas etc..
Ataque de lagartas e grilos - dentre as lagartas, é muito
difundida, causando danos a
várias espécies florestais, a lagarta rosca. O combate destas
pragas às vezes é difícil, visto que
elas se escondem no solo ou entre os recipientes. A aplicação de
inseticidas líquidos é sempre
mais eficaz do que em pó ou iscas.
Também o ataque de grilos pode causar perdas no viveiro. Contudo
o seu controle é
mais fácil de ser feito, pelas aplicações de Aldrim ou
outro inseticida.
Formigas - estas são as inimigas mais sérias das plantas
florestais. Destacamos as
saúvas do gênero Atta sp. que, entre
outras, podem causar o insucesso do viveiro e no
plantio, se não combatidas devidamente. O combate desses insetos tem sido
feito com
diversos formicidas, que podem variar em eficiência segundo uma
série de causas. No
comércio são encontradas iscas, inseticidas líquidos e em
pó, que trazem, de modo geral,
instruções quanto à qualidade e modo de
aplicação.
Uso de Herbicidas na cultura do Pinus
O emprego de produtos químicos para a eliminação de
ervas daninhas aumenta
progressivamente. Isto se deve, principalmente, à falta e,
consequentemente, o elevado custo
da mão de obra no meio rural.
Embora esse aumento de utilização de herbicidas no setor
agrícola seja notório, no
meio florestal é uma prática muito pouco usada, principalmente
pela carência de estudos e
informações nesse sentido. Abaixo, apresentamos algumas
informações resumidas sobre
herbicidas:
Classificação - diversas são as formas de
classificação dos herbicidas, porém as de
maior interesse prático são as seguintes:
a) Em função da finalidade
desejada
Herbicida total - elimina todas as plantas atingidas,
sem distinção.
Herbicida seletivo - destrói as ervas daninhas,
causando pouco ou
nenhum dano à planta cultivada.
É importante lembrar que estas definições
não são rígidas. Um herbicida total pode
converter-se em seletivo, se baixarmos a sua dosagem, assim como um seletivo
pode
converter-se em total, se elevarmos a dosagem.
b) Em função do modo de
ação
Herbicida de contato - produto que destrói a
planta, ou a parte dela,
sobre a qual é aplicado.
Como podemos ver, estes produtos não têm ação
direta sobre as partes subterrâneas
das plantas (raízes, bulbos, rizomas etc.). Geralmente, esses produtos
apresentam ação menos
prolongada que os herbicidas de translocação.
Herbicida de translocação - produto que
é absorvido na parte da planta
em que foi aplicado e exerce sua ação tóxica em outras
partes da planta.
c) Em função da época de
aplicação (em relação à erva
daninha)
Herbicida de pré-emergência - são
aqueles que têm ação sobre as
sementes das ervas daninhas. Podem ser aplicados antes ou após o plantio
das mudas
florestais, dependendo da sua seletividade.
Herbicida de pós-emergência - atuam, como o
nome já indica, sobre as
ervas daninhas após sua emergência. Geralmente não
apresentam seletividade, devendo ser
aplicados antes do plantio das essências florestais ou em jato dirigido.
Um experimento foi conduzido no Departamento de Silvicultura da
ESALQ-USP
utilizando-se o Pinus caribaea caribaea. Os produtos
foram aplicados em pré-emergência
do mato e logo após o plantio das mudas no campo.
Os herbicidas utilizados foram os seguintes: Gesaprim (5 kg/ha); Hyvar X
(5 kg/ha);
Trifluralim (2,6 kg/ha); Karmex (3 kg/ha); Surflan (3 kg/ha); Dacthal (10
kg/ha); Dacthal +
Karmex (8 + 1 kg/ha); Dacthal + Surflan (8 + 2 kg/ha); Dacthal + Surflan (6 +
2,5 kg/ha).
Em ordem decrescente de controle das ervas daninhas, temos os seguintes
tratamentos: Gesaprim, Hyrvar X, Karmex, Surflan, Dacthal + Surflan, Dacthal +
Karmex,
Dacthal + Surflan (8 + 2), Trifluralin, Dacthal.
Quanto à fito-toxidez, os produtos que prejudicaram as plantas
foram: Hyrvar X
(morte das plantas) e Karmex.
Preparo do solo para plantio
É indispensável que o solo, antes do
plantio, seja muito bem preparado. Deve estar
limpo, arado e gradeado, fazendo-se, se necessário, a calagem e o combate
às formigas e
cupins.
Com respeito à adubação no campo, os Pinus, em
geral, respondem menos que outras
essências florestais, mas os incrementos de volume podem chegar a 20% ou
mais quando
sobre solo muito pobre. As melhores respostas têm sido mostradas à
aplicação de calcário
(Ca e Mg), de fósforo e de potássio. O nitrogênio
adicionado, em muitos casos, tem reduzido
o crescimento, fato este observado também em
experimentações realizadas na Austrália.
O fósforo deve ser aplicado não em cova, mas em sulco de
plantio, ou, de
preferência, a lanço sobre toda a superfície, seguido de
incorporação por gradagem. Em
condições de extrema pobreza de solo, os Pinus podem crescer mais
que as outras essências
florestais.
Ainda no que diz respeito à resposta dos Pinus à
adubação, devemos considerar que
na Nova Zelândia têm-se observado acréscimos acentuados na
produção de madeira, após
fertilização com uréia por ocasião do primeiro
desbaste. Esses acréscimos observados
ocorrem no terço superior da árvore, tendendo a melhorar o fator
de forma.
Há ainda muita contradição nas respostas à
adubação florestal em nosso meio,
necessitando-se de uma ampliação nas pesquisas e de um
aperfeiçoamento na
experimentação. Um dos problemas mais sérios é a
falta de homogeneidade dentro do
terreno onde se instalam os ensaios. Outro é a grande
variação do material genético que
muitas vezes se utiliza para a realização do ensaio. O controle
nas aplicações das adubações
previstas nos projetos experimentais, também tem sido, em muitos casos,
fator limitante para
o bom andamento dos ensaios.
Plantio
Após uma permanência de, aproximadamente, 6 meses no
viveiro, as mudas de Pinus
com 20 cm de altura já se encontram aptas a serem plantadas.
Com o solo preparado, procede-se à marcação do
terreno. Deve-se das a cada planta
4,5 a 6,0 metros quadrados de terreno. Usar 3,0 x 2,0; 2,0 x 2,5; 3,0 x 1,5 m de
espaçamento.
As covas devem ter, mais ou menos, 25 cm de profundidade. O plantio deve
ser
realizado no inicio do período chuvoso, obedecendo o seguinte
critério: abre-se a cova e
coloca-se a muda no seu interior; em seguida, completa-se a cova com solo,
fazendo-se uma
leve compressão em seu colo.
Em caso de morte das mudas, deve-se realizar o replantio tão cedo
quanto possível.
As limpas são muito importantes, principalmente no primeiro e
segundo ano; deve-se
realizar tantas quantas forem necessárias para manter o campo livre das
ervas daninhas.
As pragas devem ser combatidas o quanto antes, principalmente a
saúva, à qual se
deve dar combate sistemático, podendo-se usar o formicida Blenco, Mirex,
ou o formicida
Shell.
Os Pinus, por serem resinosos, queima-se com facilidade (mais facilmente
que outras
essências), por isso deve-se evitar seu plantio próximo de estradas
muito movimentadas,
como também deve-se separar os talhões com aceiros largos,
mantendo-os sempre limpos.
Exploração
Os Pinus, quando cortados, não rebrotam; o maciço é
explorado, para madeira e
lenha, uma vez só.
Deve-se realizar desbastes (cortes periódicos), de maneira a dar
às árvores não
abatidas condições de desenvolvimento; nos desbastes
obtém-se matéria-prima para celulose,
postes, estacas etc. e no final do ciclo, as árvores restantes
constituir-se-ão no material mais
valioso, que se destinará às serrarias.
O Pinus permite um primeiro desbaste já aos 6 ou 7 anos, quando
as árvores estão
com mais ou menos 5 m de altura e uns 12 cm de diâmetro; aos 10 ou 15 anos
pode ser
usado na extração de resinas (As árvores usadas para
extração de resinas podem ser usadas
para outra finalidade também); muitas vezes o Pinus já permite o
corte para madeira aos 15
anos.
O Pinus pode dar, no primeiro corte, aos 6-7 anos, 250 m³/ha
(média anual de 30-40
m³/ha).
Há uma série de recomendações na
condução da exploração do Pinus a seguir, para
efeito de orientação, um esquema que pode ser usado. Supondo que
tivéssemos plantado no
espaçamento 3 x 2 m, teríamos 1666 plantas por ha,
realizaríamos 5 cortes, da seguinte
maneira:
- 1° corte, aos 6 ou 7 anos; seriam cortadas 40% (660-670)
das árvores;
- 2° corte, 3 anos depois do primeiro, seriam retiradas 30%
(290-310) das
árvores restantes;
- 3° corte, 3 anos depois do 2°, seriam cortadas 35%
(240-250) das árvores;
- 4° corte, 3 anos depois do 3°, quando seriam
retiradas 35% (150-160) das
árvores;
- Restariam de 250 a 300 árvores, que seriam retiradas
num corte final, depois
de 20 anos; estariam bem espaçadas, com possibilidades de engrossar e
produzir, inclusive,
madeira de lei para serraria.
Ao término das considerações tecidas em torno desse
vegetal, registraríamos aqui, a
título meramente informativo, que a introdução do Pinus no
Nordeste parece oferecer bons
resultados, do ponto de vista econômico, abstendo-se de conclusões
mais categóricas por se
tratar de cultura ainda em fase de experimentação.
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OBS - Texto publicado na revista Brasil Florestal n° 29 -
Janeiro/Março de 1977 - Ano VIII