ESTUDO DA SALINIDADE DAS ÁGUAS DE IRRIGAÇÃO DAS PROPRIEDADES DO
GAT E DA SUA EVOLUÇÃO SAZONAL DURANTE OS ANOS DE 1988 E 1989

(Catálogo das observações de campo e dos resultados de análise)

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Pierre Audry - Pesquisador do ORSTOM/UFPE



A água no Semi-árido Nordestino é geralmente insuficiente e de má qualidade



APRESENTAÇÃO GERAL

Irrigar não significa apenas levar água às culturas por meio de tubulações ou canais previamente calculados. Significa, também, ajustar as quantidades aplicadas às necessidades hídricas das plantas, levando-se em conta as características do solo e clima locais, bem como a qualidade da água utilizada nesta atividade.

Este documento foi elaborado visando evidenciar as limitações destas premissas básicas na região, notadamente a da qualidade das águas dos mananciais, à disposição do pequeno produtor do Nordeste, especialmente os pequenos mananciais: lençóis aluviais, rios e pequenos açudes; assunto esse, até hoje pouco conhecido de modo geral e, menos ainda, no que diz respeito as suas variações sazonais.

Foi um trabalho realizado na ex-Agência Nordeste do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (ANE/CNPq), dentro do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para o Nordeste (PDCT/NE), programa este desenvolvido pelo Governo Federal, por intermédio do CNPq e Universidades da região, contando com o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O PDCT/NE atuou em cinco estados do Nordeste (Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte) e constou de dois sub-programas. O primeiro, relativo à pesquisa e o segundo, chamado de GAT (Geração e Adaptação de Tecnologia), direcionado para aplicações experimentais de tecnologias, dentre as quais, a pequena irrigação, em condições reais de campo, nas propriedades de pequenos produtores da região.

Os resultados aqui apresentados correspondem a dois anos de amostragens mensais (1988 e 1989) das águas efetivamente utilizadas nessas propriedades do GAT, em quatro dos cinco estados participantes (após desistência do Piauí), operação coordenada pelos autores do presente relatório que, eram respectivamente na época, um, responsável pelo sub-programa GAT e outro, pesquisador da ORSTOM e consultor técnico no sub-programa Pesquisa do PDCT.

As informações geradas nesta pesquisa deverão ser levadas ao conhecimento público, através de dois documentos: o primeiro, o presente relatório, é um catálogo de todos os dados coletados no trabalho (observações e medições de campo), resultados das análises químicas das águas, após análise crítica e homogeneização. Ele inclui, além da relação dos participantes, um mapa de localização das amostragens e uma exposição rápida da metodologia utilizada, tanto a nível de campo, como da análise de consistência dos dados. Os resultados assim criticados são apresentados a seguir, na forma de tabelas e de gráficos que pretendem facilitar a consulta. O segundo relatório, editado em livro, apresentará interpretações desses resultados, principalmente baseadas na análise estatística dos níveis de salinidade das águas e da sua amplitude de variação sazonal, para as diferentes fontes de água, com duas finalidades: 1) apresentar reflexões sobre os processos naturais que determinam a diversidade de qualidade observada, e daí propor algumas orientações para a extrapolação desses resultados, extensões futuras do presente inventário preliminar, bem como de imediato, relacionar algumas precauções para a escolha das fontes de água para a pequena irrigação e as suas condições de aproveitamento; 2) tentar avaliar as conseqüências do uso dessas águas no que diz respeito à produção das culturas irrigadas e ao risco de degradação dos solos por salinização e sodificação, no sentido de precisar essas regras de uso e de manejo. Além disso, pretende-se trazer subsídios para projetistas, extensionistas e planejadores, auxiliando-os na implantação de futuros Programas de Desenvolvimento, onde a componente Irrigação se faça presente.

Finalmente, registramos os nossos agradecimentos ao Instituto de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ, que nos acolheu quando da extinção da Agência Nordeste do CNPq, não permitindo que o trabalho sofresse solução de continuidade.

LISTA DOS PARTICIPANTES

   ESTADO DO CEARÁ: SUEP UFC - FORTALEZA
      Gerente da SUEP: Mauro Barros Gondim
      Coordenador do GAT: Carlos Henrique Martins Ximenes
      Coordenadores dos núcleos do GAT:
          Almiro Tavares de Medeiros (Canindé)
          Francisco Antônio Coutinho (Itapagé)
          Paulo Airton de Macedo e Silva (Tauá)
          Francisco José de Mesquita Sales (Boa Viagem)
                         
   ESTADO DA PARAÍBA: SUEP UFPB - CAMPINA GRANDE
      Gerente da SUEP: Hamilton Medeiros de Azevedo
      Coordenador do GAT: José de Arimatéa de Matos
      Coordenadores dos núcleos do GAT:
          Edilson Guedes da Costa (Souza)
          Maria de Fátima B. da Cunha (Boqueirão)
          Adilson David de Barros (Pombal)
          Cirinaldo Clarindo dos Santos (Picuí)

   ESTADO DE PERNAMBUCO: SUEP UFRPE - RECIFE
      Gerente da SUEP: Walderi Ribeiro
      Coordenador do GAT: José Benjamim M. Coelho
      Coordenadores dos Núcleos do GAT:
          Luiz Antônio de Araújo Silva (Afogados da Ingazeira)
          Geová Severo de Lima (Serra Talhada)
          Pedro Manoel de Sá (Parnamirim)

   ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE: SUEP ESAM - MOSSORÓ
      Gerente da SUEP: Henry Ramos Mattheus
      Coordenador do GAT: Francisco das Chagas Nogueira
      Coordenadores dos núcleos do GAT:
          Wilson Galdino de Andrade (Angicos)
          Francisco de Assis Costa (João Câmara)
          Maria Valdinete Rodrigues (Mossoró)
          Raimundo Nonato de Oliveira (Pau dos Ferros)


MAPA DE LOCALIZAÇÃO DAS AMOSTRAGENS





Em cada núcleo, um agrônomo tinha a responsabilidade de 4 a 5 pontos de amostragem.



METODOLOGIA

Amostragem das águas e observações de campo


As amostragens de água foram realizadas, mediante uma prévia instrução aos técnicos
responsáveis dos núcleos, conforme a seguir:

   . Quando era possível o acesso à superfície da água, os recipientes de amostragens eram cheios
longe da margem e perto do ponto de bombeamento, a uma profundidade da ordem de 10 cm;

   . No caso da impossibilidade de acesso à superfície da água, orientou-se no sentido de deixar
funcionar o sistema de bombeamento por alguns minutos antes de coletar a água bombeada;

   . Em todos os casos, o recipiente de amostragem foi previamente lavado, três vezes, com a água
amostrada, antes de ser totalmente cheio e bem fechado.  

   Foi solicitado, também, a cada responsável de núcleo, um relato de informações incluindo:

   . Medição do nível de água;
   . Medição da chuva diária. Para as propriedades sem pluviômetro, foi sugerido obter os dados do
     posto pluviométrico mais próximo;
   . Comportamento das culturas;
   . Outras informações pertinentes como: variação do volume da reserva de água, no caso de
     pequenos açudes, insuficiência da vazão para atender à demanda, no caso de poços,
     aparecimento de eflorescências salinas à superfície do solo, e outros acontecimentos climáticos
     ou agronômicos significativos.

Análise química das Águas(1)

   Técnicas de análises utilizadas.

           Todas as análises foram realizadas após filtração das amostras.

           . pH: potenciometria
           . Condutividade elétrica: condutivímetro
           . Resíduo seco: determinado sobre 100 ml de água evaporada em banho-maria e secagem
             final na estufa a 105 C°.
           . Cloretos: titulometria com nitrato de Ag 0.0141 N em presença de cromato de K como
             indicador.
           . Carbonatos e bicarbonatos: titulometria com ácido sulfúrico 0.02 N em presença de
             fenolftaleina como indicador para C03 --, e em presença de metilorangé como indicador
             para HC03 - .
           . Sulfatos: precipitação pelo BaCl2 e a seguir:
             para concentrações inferiores a 20 - 30 meq./l: método colorimétrico para concentrações
             superiores: gravimetria.
           . Soma Mg + Ca: complexometria com EDTA e titulometria em presença de eriocrome black
             como indicador.
           . Ca ++: complexometria com EDTA e titulometria em presença de murexida como indicador
             (viragem difícil de se observar com precisão).
           . Na + e K +: fotometria de chama.

Precisão dos resultados

Com a finalidade de se avaliar a reprodutibilidade dos dados de análise, foram introduzidas, no decorrer das amostragens, três amostras testes, inicialmente preparadas em quantidade suficiente, cada uma correspondente a uma faixa de salinidade, ou seja: uma amostra pouco salinizada (condutividade elétrica da ordem de 500 microsiemens/cm), uma mediamente salinizada (C.E da ordem de 1100), e uma altamente salinizada (C.E da ordem de 3800).

A análise estatística dos resultados encontra-se nas tabelas de números 1 a 6 (3).

Foi escolhido como parâmetro sintético, para avaliar a precisão dos resultados, para cada faixa de concentração, o intervalo de confiança da média dos resultados a nível de probabilidade 0,05, expresso em percentagem da média, e que tem, assim, significação de um erro relativo provável.

Este indicador de precisão é apresentado de maneira comparativa para os vários parâmetros químicos e as três faixas de concentração, no gráfico abaixo, que permite formular os seguintes comentários:

Como observação liminar, vale salientar que quase todos os parâmetros, a precisão é menor para a faixa de salinidade alta e maior para a faixa de salinidade média; em alguns casos em que a maior precisão se observa para a faixa de salinidade baixa, a da faixa de salinidade média é pouco diferente.

Erros relativos comparados (i.é. intervalo de confiança da média em % da média)
para as várias características químicas e as três amostras

Parâmetros químicos

Examinando os resultados por tipo de análise, nota-se que:


    . Os parâmetros C.E., resíduo seco, Na +, K +, Cl -, soma dos cations, soma dos ânions,
      bicarbonatos, pH, apresentam uma precisão excelente com erro relativo inferior a 5%;
    . Os sulfatos mostram uma boa precisão nas faixas de salinidade baixa e média, mas o erro
      relativo atinge 30 % para a faixa de salinidade alta;
    . A soma Ca e Mg apresenta uma boa precisão nas faixas baixa e alta (erro de 5%), mas o
      erro chega perto de 15% na faixa concentrada;
    . O Ca ++ e, consequentemente, o Mg ++, que se obtém subtraindo o Ca ++ da soma já
      determinada, apresentam uma precisão apenas regular para as faixas baixa e média, nas
      quais o erro relativo fica inferior a 10%, podendo atingir até 20% para as amostras mais
      concentradas.
    . A Razão de Adsorção de Sódio - RAS, parâmetro importante para avaliar o risco de
      sodificação, e que combina a soma Ca e Mg com o teor de Na +, apresenta uma boa precisão
      nas faixas de salinidade baixa e média, com um erro relativo inferior a 5%, este erro
      ficando ainda inferior a 10%, isto é, uma precisão regular, para as águas mais
      concentradas.

Análise crítica dos dados

Observações de campo

Com relação à chuva e nível de água, que se expressam em valores numéricos, a observação das sucessões cronológicas evidenciou casos litigiosos, que foram tratados, comparativamente a outros dados climáticos e dados de propriedades vizinhas. No caso particular da chuva, ocorreu no primeiro ano, algumas mudanças do local de medição. Recorreu-se a um posto pluviométrico mais próximo, até a instalação definitiva de um pluviômetro na propriedade. No caso do nível de água, a diversidade de técnicas de medição introduziu mais um nível de dificuldade, que necessitou, em alguns casos, de entrevistas com o técnico responsável, a fim de melhor avaliar a confiabilidade do método.

No tocante ao acompanhamento das culturas, que ficou estritamente descritivo, e em grande parte, deixado a critério dos técnicos responsáveis, foi necessário um trabalho de homogeneização, incluindo reajustes, levando-se em consideração o conhecimento de questões relacionadas ao campo, adquirido através de visitas técnicas, e de outros dados levantados, como: produção das culturas, comercialização..., dados estes obtidos através de relatórios técnicos do GAT.

Todas essas informações e as conclusões deste trabalho de homogeneização estão contidas, para cada propriedade, no capítulo referente aos resultados, no quadro "Informações Gerais e Histórico", onde estão relacionados, em particular, o local do pluviômetro e a técnica de medição do nível de água, acompanhados de um índice de confiabilidade que sintetiza os resultados desta análise crítica.

Resultados das análises de água.


    Os resultados das análises de água podem ser afetados por dois tipos de erros:

    . Erro de análise do próprio laboratório (a);
    . A não representatividade da amostra (b), com numerosas causas possíveis: amostragem não
      realizada conforme a metodologia prescrita, recipientes de amostragem sujos, troca nas
      etiquetas dos recipientes, problemas de evolução da concentração das águas ao longo do
      transporte e do armazenamento, até chegar ao laboratório.

a) Análise de consistência do ponto de vista analítico

A recepção dos resultados do laboratório, a ausência de uma relação entre parâmetros
normalmente correlacionados (como por exemplo, condutividade elétrica e o teor de sódio,
ou - e neste caso, imprescindivelmente - soma dos cations e soma dos ânions), foi o critério
aplicado, que permitiu detectar erros grosseiros, principalmente de transcrição nas fichas
de resultados, que poderam ser imediatamente corrigidos.

Os gráficos de 1 a 8, a seguir, representam alguns exemplos destas relações entre
parâmetros. Eles permitem constatar que a dispersão das nuvens de pontos exprime
fielmente a faixa de erro dos métodos analíticos, tal como já descrito anteriormente, e
sugerem alguns comentários adicionais:

    . No tocante à avaliação global da salinidade, a condutividade elétrica é, provavelmente, o
      indicador mais utilizado. Relacionando-o com outros indicadores globais

CONSISTÊNCIA DOS RESULTADOS DAS ANÁLISES QUÍMICAS
RELAÇÕES ENTRE INDICADORES DA SALINIDADE GLOBAL

Gráfico 1

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. RESÍDUO SECO (ppm)

Resíduo seco (ppm)

Número total de pares de dados: 737. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 2

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. Na+ (meq./l)

Na+ (meq./l)

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 3

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. Cl- (meq./l)

Cl- (meq./l)

Número total de pares de dados 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 4

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. (Scations+Sânions)/2

(Scations+Sânions)/2

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

(gráficos 5, 6, 7 e 8): resíduo seco, Na +, Cl -, soma dos cations e dos ânions, constata-se excelentes relações com uma dispersão reduzida. Para os parâmetros: resíduo seco (gráfico 1) e soma dos cations e ânions (gráfico 4), que são mais precisos, a dispersão é muito reduzida, além da relação ser bem linear, como se observa classicamente.

Na prática, isto significa que a avaliação global da salinidade é confiável, a partir de um desses indicadores, e que os dados de C.E. utilizados no capítulo referente a resultados, para elaborar gráficos de evolução sazonal de salinidade, são analiticamente garantidos, pelo menos, para os dados do primeiro ano do experimento.

. No caso dos outros parâmetros químicos e, em particular, do R.A.S. e dos parâmetros que entram no cálculo do R.A.S., que também foi utilizado para representar o risco de sodificação das águas e sua variação sazonal, é mais complexo. Esses parâmetros são menos precisos, e o exame dos gráficos 5 a 8 mostra que a relação entre (C.E) e Ca ++ (gráfico 5) é nítida, mas que a dispersão dos pontos é grande; a dispersão é maior, mas, ainda, relativamente importante, quando se considera, ao nível de Ca ++, o Mg ++ (gráfico 6), a soma Ca e Mg (gráfico 7), ou o RAS (gráfico 8).

Sem dúvida, a eliminação de pontos litigiosos, evidenciados por esse segundo grupo de gráficos, poderia ser mais drástica, mas foi escolhida a alternativa de conservá-los. Ir mais adiante na "limpeza dos dados" para esses outros parâmetros químicos, supõe entrar na interpretação dessas relações, em termos de dinâmica e origem dos sais e, mais geralmente, de geoquímica das águas, interpretações estas, previstas para o próximo relatório (livro). Eliminar de imediato esses dados, sem essas bases interpretativas seguras, e sem critérios bem estabelecidos, simplesmente na base de uma interpretação visual e subjetiva do exame as nuvens de pontos, poderia eliminar uma parte do conteúdo interpretativo do trabalho a seguir.

Na prática, nos gráficos cronológicos do capítulo referente aos resultados, o RAS, indicador de risco de sodificação, cuja medição foi limitada ao primeiro ano do estudo, deve ser considerado com mais precaução.

b) A não representatividade das amostras.

A fase a seguir da crítica foi realizada tentando relacionar as variações cronológicas de salinidade com os processos naturais mais evidentes de concentração (por evaporação) e de diluição (pelas chuvas), expressos, através dos dados de pluviometria e de nível de água. Quando não havia relação, esta suposta anomalia foi cuidadosamente tratada, sempre que possível, por comparação com amostras de locais próximos, na mesma época e da mesma fonte de água (caso dos açudes e dos rios), bem como foi levado em consideração, no caso dos rios perenizados, o manejo das instalações de regularização, antes da tomada de decisão, seja conservar ou eliminar os resultados.

Também no que diz respeito à evolução sazonal, certamente a eliminação poderia ser mais severa. De um lado, tem que se admitir a possibilidade de uma certa variação da concentração das amostras ao longo do transporte. Assim, foi necessário descartar um mês completo de amostragem de uma das universidades por apresentar, indiscriminadamente, em todas as águas, concentrações excessivas sem outra explicação, senão problemas de conservação. Por outro lado, uma eliminação sistemática dos resultados que não se enquadravam com as causas mais evidentes de concentração-diluição, consideradas para a análise crítica, ia consistir em eliminar a possibilidade de interferência de outras causas de variação, e assim limitar as interpretações futuras.

CONSISTÊNCIA DOS RESULTADOS DAS ANÁLISES QUÍMICAS
CASO DO R.A.S E DOS PARÂMETROS QUE ENTRAM NO CÁLCULO DO R.A.S

Gráfico 5

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. Ca++ (meq./l)

Ca++ (meq./l)

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 6

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. Mg++ (meq./l)

Mg++ (meq./l)

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 7

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. SOMA Ca+Mg (meq./l)

SOMA Ca + Mg (meq./l)

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Gráfico 8

CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (microsiemens/cm) vs. RELAÇÃO DE ADSORÇÃO DE Na (RAS)

Relação de Adsorção de Na (RAS)

Número total de pares de dados: 733. Foram descartadas 5 amostras
excessivamente salinizadas (CE > 5000) da Propriedade Porteiras (PB)

Balanço do trabalho de crítica dos dados

Finalmente, a quantidade de dados eliminados, por serem considerados inconsistentes, foi da ordem de 2%; tanto para os dados de nível de água, como para os resultados de análise química; e para estes resultados químicos, dois terços dos dados eliminados, correspondem as amostras de um mês de uma universidade, que apresentaram problemas de conservação.

RESULTADOS

SIGNIFICAÇÃO DOS SÍMBOLOS E NORMAS DE INTERPRETAÇÃO

Codificação das fontes de água


       AÇUDE = Ax
           Açude grande = AG
           Açude pequeno = AP
           Açude intercalado por poço = AI

       POÇO = Pxx
           Poço tubular = PT
           Poço amazonas = PA
           Poço no rio: sem estrutura = PRS
                               com estrutura = PRC
           Poço natural: permanente = PNP
                                intercalado por escavação = PNI

       RIO = Rx
           Rio temporário = RT
           Rio perene = RP
           Rio perenizado = RR

SIGNIFICAÇÃO DOS SÍMBOLOS UTILIZADOS NOS QUADROS DE RESULTADOS

       ???: Dados desconhecidos
       ---: Dados inexistentes (observação ou medição de campo não realizada, amostra não
            coletada, resultado de análise faltando por insuficiência de água...)
       ***: Amostragem ainda não iniciada ou já concluída no local
       nnn: Análise não prevista
       eee: Resultado eliminado por ser inconsistente


CASOS ESPECÍFICOS


   - Para os Poços tubulares, onde a mensuração do nível de água não foi possível, a ausência
     desta não foi interpretada como dado inexistente. Neste caso, no nível de água foi colocado,
     convencionalmente, o valor 99.99

   - Codificação do aspecto da amostra água (in natura e após filtragem)
        MT = Muito turva
        TU = Turva
        LT = Ligeiramente turva
        HI = Hialina

   - Codificação do resultado do teste de presença de nitratos na amostra
        A = Ausência
        T = Traços
        P = Presença
        C = Concentração alta


NORMAS DE INTERPRETAÇÃO DAS ANÁLISES QUÍMICAS COMPLETAS
(ver tabelas 7 e 8)(3)
Qualidade e confiabilidade do conjunto: avaliada a partir do balanço cations-ânions (eletroneutralidade), sendo S+ igual a soma dos cations e S- igual a soma dos ânions, calcula-se o erro (coluna ERR das tabelas) conforme Scheller (1962) ERR = valor absoluto da diferença (S+ - S-)/Soma (S+ + S-) * 100, - Para ERR = < 5%: os resultados são considerados de primeira qualidade (1 na coluna QUA das tabelas) e de maior confiabilidade; - Para 5% < ERR = < 10%: os resultados são considerados de segunda qualidade (2 na coluna QUA) e ainda utilizáveis com precaução; - Para ERR > 10%: os resultados são considerados de qualidade ruim (R na coluna QUA) e imprestáveis. Qualidade da água para irrigação: avaliada conforme a norma do Laboratório de Riverside (Richards, 1954); comporta duas colunas nas tabelas: - Cálculo da relação de adsorção de sódio (RAS); - Classificação da água a partir da condutividade elétrica (C.E) e do RAS, com a formulação CxSy Caso a qualidade da análise apresente-se ruim, esses parâmetros não são calculados, aparecendo (xxxx) nas colunas correspondentes dos quadros.

GRÁFICOS: Uma interrupção nas linhas corresponde a dado(s) inexistente(s).

RESULTADOS (2)

____________________________________________________________________________________________________

Propriedade: PRENSA                           Núcleo: SOUZA 
(PB)

Fonte de água: Poço Amazonas (PA)

INFORMAÇÕES GERAIS E HISTÓRICO

Culturas irrigadas e sistema(s) de irrigação: Foram iniciados os trabalhos com banana e, posteriormente, substituída por coqueiro devido a salinidade da água. / Sulcos abastecidos por tubos janelados.


Fonte de água:
      Descrição: Poço amazonas, com 4,4 m de profundidade, localizado a 5 m de um rio (o poço
      apresenta baixa vazão).
      Código: PA

Medição do nível de água:
      Técnica de medição: A partir da boca do poço e transformado em altura de água
      Confiabilidade: 5/5

Coleta dos dados pluviométricos:
      Pluviômetro: Na propriedade
      Confiabilidade: 4/5

Observações de campo: Boas

Amostragem realizada: 1° ano: 12/12
                                       2° ano: 12/12 

Comentários adicionais: 
_______________________________________________________________________________________________________
                                               Dados atualizados em 19/09/92

TABELA 7

TABELA 8

EVOLUÇÃO AO LONGO DO TEMPO DA CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (CE)
E DA RELAÇÃO DE ADSORÇÃO DE SÓDIO (RAS). Escala referencial

Tempo (graduação em mês)

EVOLUÇÃO AO LONGO DO TEMPO DA CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (C.E)
E DA RELAÇÃO DE ADSORÇÃO DE SÓDIO (R.A.S). Escala reajustada

Tempo (graduação em mês)

FLUTUAÇÕES DO NÍVEL DA FONTE DE ÁGUA DURANTE O
EXPERIMENTO

Tempo (graduação em mês)

CHUVA MÉDIA DIÁRIA DURANTE O INTERVALO DE TEMPO DESDE A
AMOSTRAGEM ANTERIOR

Tempo (graduação em mês)

EVOLUÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO DURANTE O
PRIMEIRO ANO DO EXPERIMENTO, CONFORME A NORMA DE
"RIVERSIDE"

Cf. USDA Laboratory Salinty, 1969

1 As análises foram realizadas no Laboratório de Solo e Água do Geogrupo Engenharia Ltda (Recife), sob a responsabilidade da Química Maria Regina B. de Oliveira.

2 No trabalho foram analisadas as águas de 73 propriedades no Nordeste, sendo: 20 no Ceará, 19 na Paraíba, 15 em Pernambuco e 19 no Rio Grande do Norte. Neste capítulo, por uma questão de espaço, tratou-se apenas da informação de uma delas (Prop. PRENSA/PB). O interessado que desejar ter acesso às informações completas das demais propriedades poderá entrar em contato com o Departamento de Documentação sobr o Trópico -DETROP do Instituto de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, através de sua Diretora Lúcia Carvalheira Cunha, que prestará os esclarecimentos necessários.

3 As tabelas estão agrupadas no arquivo 'tabelas.doc', em formato MS Word 7.0, que pode ser obtido via o arquivo auto-descompactável.