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(Manuel Correia de Andrade)
1849, agosto, 19
- Nasceu às 8h30 da manhã, em velho sobrado na
Rua do Aterro da Boa Vista (atual Rua da Imperatriz Tereza Cristina), filho do
futuro senador José Tomás Nabuco de Araújo e de sua
esposa, Ana Benigna de Sá Barreto. Era um rebento de estirpe ilustre, de
vez que os Nabucos de Araújo eram uma influente família baiana
que dava senadores ao Império desde o Primeiro Reinado, e os Paes
Barreto se constituíam em uma família de grande influência
em Pernambuco, desde o século XVI, estando a ela vinculado Francisco
Paes Barreto, último morgado do Cabo e marquês do Recife.
1849, dezembro, 8
- Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo foi
batizado no Cabo, tendo como padrinhos os senhores do Engenho Massangana,
Joaquim Aurélio Pereira de Carvalho e d. Ana Rosa Falcão de
Carvalho. Esta madrinha teria uma grande influência na sua
formação, pois muito criança ainda ficou sob seus cuidados
quando os pais viajaram para a Corte. Em Massangana ele passou a
infância, até a morte da madrinha, tendo contato direto com a
escravidão, podendo compreender a sua crueldade e o mal que fazia ao
país.
1857 - Com a morte de d.
Ana Rosa transferiu-se para a residência dos
pais, no Rio de Janeiro, onde realizou os estudos de nível
primário e secundário, este último feito na cidade de Nova
Friburgo, em colégio dirigido pelo famoso barão de Tauthphoeus.
1866- Iniciou os estudos
de Direito na Faculdade de São Paulo,
destacando-se entre os colegas, como orador. Assim, a 2 de abril de 1868, foi o
orador que saudou José Bonifácio, o moço, quando este
regressou à sua cidade, após perder o lugar de ministro, com a
queda do Gabinete Zacarias.
1869- Transferiu-se para
a Faculdade de Direito do Recife, onde se aproximou
dos seus parentes maternos e de amigos; escreveu A escravidão,
que permaneceu inédito até 1988, quando foi publicado pela
Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, e escandalizou a elite local,
por defender, em um júri, um escravo negro que assassinara o seu
senhor.

1870, janeiro, 28
- Diplomou-se no Recife em Ciências Sociais e
Jurídicas. Após a formatura retornou ao Rio, tentando advocacia -
o pai tinha um excelente escritório - e iniciando-se no jornalismo em
A Reforma, defendendo princípios monárquicos.
1872- Publicou o seu
primeiro livro Camões e os Lusíadas,
com 294 páginas. Anteriormente publicara dois opúsculos: O
gigante da Polônia,em 1864, e O povo e o trono,em 1869;
publicou ainda, neste ano, um outro trabalho Le droit du meurtre, em
homenagem a Renan, que exercia grande influência no seu
espírito.
1872- Com o dinheiro
obtido com a venda do Engenho Serraria, herdado de sua
madrinha, passou um ano na Europa, viajando, fazendo contatos com intelectuais
e políticos e se preparando para o futuro.
1876, abril, 26 - Obteve
o seu primeiro cargo público, o de adido de
legação nos Estados Unidos, cargo que lhe proporcionou um melhor
conhecimento do país, onde na velhice seria embaixador, contatos e
estudos em Nova Iorque (onde viveu a maior parte do tempo) e em Washington.
1878- Foi eleito,
graças ao apoio do Barão de Vila Bela,
deputado geral pela província de Pernambuco, passando no ano seguinte a
participar do parlamento, com destaque, em face da sua origem, ao valor de sua
oratória e da independência frente ao governo Sinimbu, do seu
próprio partido. Ele, ao lado de outros jovens deputados, iniciou
então a campanha contra a escravidão, em favor da
abolição da escravatura. Nessa legislatura Nabuco combateu um
projeto de exploração do Xingu, defendendo os direitos dos
indígenas (1deg. de abril) e criticou o envio de uma missão
governamental à China, visando estimular à migração
de chineses que deveriam substituir os escravos nas fainas agrícolas.
Nabuco verberou este projeto que classificou de tentativa de
"mongolização do país".
1880-
Comemoração do terceiro centenário de
Camões, no Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, tendo
Nabuco sido o orador oficial, realizando brilhante discurso.
1880, setembro,7
- Nabuco organizou e instalou em sua residência a
Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, desafiando a elite
conservadora da época, que considerava a escravidão uma
instituição indispensável ao desenvolvimento do Brasil.
Assim ele aprofundou as divergências com o seu partido, o Liberal, e
inviabilizou a sua reeleição.
1882, fevereiro,1
- Derrotado nas eleições para a Câmara
dos Deputados, quando disputou um lugar pela Corte, como representante dos
abolicionistas, partiu para a Europa, para o que chamou de exílio
voluntário. Em Londres viveu como advogado e jornalista (representante
do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro) e escreveu um dos seus
principais livros, O abolicionismo, publicado em 1884.
1884- Realizou a
campanha para a eleição, por Pernambuco,
à Camara dos Deputados, defendendo ao lado de José Mariano, a
causa do abolicionismo. Seus discursos e conferências foram reunidos no
livro A campanha abolicionista, publicado em 1885, onde defendeu
idéias bastante avançadas. Vitorioso sobre o candidato
conservador, Machado Portela, foi entretanto expurgado pela Câmara.
1885, julho, 7 - O
expurgo de Nabuco causou a maior revolta em Pernambuco, e o
5deg. Distrito, por decisão dos chefes liberais Ermírio Coutinho
e Joaquim Francisco de Melo Cavalcanti, que renunciaram a disputa da vaga de
deputado, elegeu Joaquim Nabuco para a Câmara. O 5deg. Distrito era
formado pelos municípios de Nazaré e Bom Jardim.
1885-
Atuação de Nabuco na Câmara dos Deputados,
defendendo o Gabinete Dantas e o seu projeto de libertação dos
sexagenários, apesar de considerá-lo muito moderado. Em seguida
à queda de Dantas, ele atacou as modificações feitas ao
projeto pelo novo presidente do Conselho, J. A. Saraiva, que seria transformado
em lei pelo Gabinete Cotejipe, a 28 de setembro.
1885,setembro,14 -
Nabuco apresentou à Câmara dos Deputados um
projeto de lei em favor da federação das províncias,
tentando concretizar velha aspiração regionalista brasileira.
1886, janeiro, 15
- Nabuco foi derrotado em eleição para a
Câmara dos deputados ao tentar eleger-se pelo Recife. Dedicou-se ao
jornalismo escrevendo uma série de opúsculos, em que identificou
a Monarquia com a escravidão e fez sérias críticas ao
governo. Estes opúsculos se intitulavam O erro do Imperador, O
Eclipse do Abolicionismo e Eleições liberais e
eleições conservadoras, publicados em 1886.
1887,setembro,14
- Nabuco derrotou Machado Portela em eleição
memorável no Recife, quando este, ministro do Império, tentava
confirmar o seu mandato, voltando à Câmara para concluir o seu
apostolado em favor da abolição.
1888,fevereiro,10
- Teve audiência particular com o papa Leão XIII
e relatou a luta pelo abolicionismo no Brasil, tendo possivelmente influenciado
o grande pontífice na elaboração de uma encíclica
contra a escravidão.
1888, março, 10
- O Gabinete João Alfredo assume o governo com o
propósito deliberado de abolir a escravatura no Brasil. Nabuco, apesar
de o Gabinete ser conservador, o apoiou e deu uma grande
contribuição à aprovação da Lei
Áurea. Em seguida, quando os ressentidos com a abolição se
lançaram contra João Alfredo, Nabuco veio em sua defesa,
realizando, a 22 de maio de 1889, um dos seus mais memoráveis discursos
na Câmara dos Deputados.
1889, abril, 28 -
Casou-se com d. Evelina Torres Soares Ribeiro, filha do
barão de Inhoã e fazendeiro em Maricá, na então
província do Rio de Janeiro.
1889, agosto, 21
- Nabuco foi eleito deputado por Pernambuco, para a
última legislatura do Império, sem ir ao Recife e sem solicitar o
apoio do eleitorado. Começava a se desiludir dos processos
políticos no país e temia pela queda da Monarquia, a quem era
fiel, embora procurasse liberalizá-la e não poupasse
críticas à instituição e ao próprio
Imperador.
1889, novembro,15
- Proclamação da República e
posicionamento de Nabuco em favor da Monarquia, recusando-se inclusive, apesar
de solicitado, a postular uma cadeira na Assembléia Constituinte de
1891. Justificou sua posição no opúsculo Por que sou
monarquista.
1891, junho, 29 - Surgiu
o Jornal do Brasil, fundado por Rodolfo Dantas,
com a finalidade de bem informar a população e de defender, de
forma moderada, a restauração da Monarquia. Nabuco, convidado,
tornou-se colaborador desse jornal. Naquela ocasião, lutando pela vida,
voltou à advocacia, abrindo escritório em sociedade com o
conselheiro João Alfredo. Não foram bem sucedidos na
profissão e um ano depois fecharam o escritório.
1892 - Viajou
à Inglaterra com a família, aí permanecendo
por alguns anos. Fazendo um balanço de sua vida, voltou à Igreja
Católica, que havia abandonado na juventude, passando a frequentar as
cerimônias religiosas e se confessando, em 28 de maio, na Capela de Nossa
Senhora das Dores. Sua comunhão só seria feita no Rio de Janeiro
a 22 de dezembro do mesmo ano. O livro Minha Fé, publicado em
1986 pela Fundação Joaquim Nabuco, relata o processo de
conversão do ilustre estadista.
1895 - No auge das
disputas entre monarquistas e republicanos escreveu um
opúsculo, O dever dos monarquistas, em resposta a outro escrito
pelo almirante Jaceguai, favorável ao novo regime intitulado O dever
do momento.
1896, janeiro, 12
- Foi publicado no Jornal do Commercio um manifesto do
Partido Monarquista, recém-fundado, tendo como signatários,
além de Nabuco, os conselheiros João Alfredo, Lafaiete Pereira, o
visconde de Ouro Preto, Afonso Celso e outros.
1893/1899 -
Período de intensa atividade intelectual de Nabuco.
Não aceitando os cargos nem encargos da República, Nabuco
dedicou-se às letras, escrevendo livros e artigos para jornais e
revistas. Alguns livros foram escritos inicialmente para
publicação de seus capítulos, como artigos, nos jornais e
na Revista do Brasil. Estes livros, quase sempre de comentários
políticos, foram Balmaceda (publicado em 1895) sobre a guerra
civil no Chile e A intervenção estrangeira na Revolta de
1893 (publicado em 1896) onde, além de analisar o desenrolar da
luta, faz confronto entre Saldanha da Gama, maior lider da Revolta, e Floriano
Peixoto, que encarnava a legalidade. Também deste período
é Um estadista do Império (1896), seu principal livro, em
que analisa a vida do senador Nabuco de Araújo e a vida política,
econômica e social do país durante a atuação do
mesmo. Ainda desta época é o seu livro de memórias,
intitulado Minha formação, publicado parcialmente na
imprensa e reunido em livro em 1900.
1896 - Participou da
fundação da Academia Brasileira de Letras,
que teve Machado de Assis como seu primeiro presidente e Nabuco como
secretário perpétuo.
1896, janeiro, 25
- Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro.
1899, março, 9
- Aceitou convite do governo da República para
defender o Brasil na questão de limites com a então Guiana
Inglesa de que seria árbitro o rei Victor Emanuel da Itália.
Iniciou um processo de afastamento do grupo monarquista e a sua
conciliação com a República.
1900, março
- Morte de Sousa Correia, ministro brasileiro na Inglaterra,
provocando o convite do gabinete do governo para que Nabuco aceitasse este
lugar, passando a ser funcionário da República. Nabuco
inicialmente aceitou ser "plenipotenciário em missão especial"
deixando a chefia da legação com o encarregado de
negócios.
1900, agosto -
Aceitou o cargo de chefe da legação em Londres e
tornou-se, finalmente, funcionário da República.
1900, dezembro -
Proferiu, no Rio de Janeiro, em banquete que lhe foi
oferecido, discurso considerado como a sua declarada adesão à
República.
1903 - Publicou-se em
Paris o livro O direito do Brasil (primeira parte)
em que analisou as razões do Brasil na contenda com a Inglaterra a
respeito de uma área territorial fronteiriça com a Guiana
Inglesa.
1904, junho, 14 - O rei
Victor Emanuel da Itália deu o laudo arbitral na
questão da Guiana Inglesa, dividindo o território disputado em
duas partes - 3/5 para a Grã-Bretanha e 2/5 para o Brasil - o que foi
considerado por todos, inclusive por Nabuco, como uma derrota para o Brasil.
1905 - Criada a
Embaixada do Brasil em Washington, Nabuco foi nomeado
embaixador do Brasil, apresentando suas credenciais ao presidente Teodoro
Roosevelt, a 25 de maio. Como embaixador em Washington ligou-se muito ao
governo norte-americano e defendeu uma política pan-americana, baseada
na doutrina de Monroe. Também viajou bastante pelos Estados Unidos e
proferiu dezenas de conferências em universidades americanas.
1906, julho -
Organizou a III Conferência Pan-americana, realizada no Rio
de Janeiro, com a presença do secretário de Estado dos Estados
Unidos.
1910, janeiro, 17
- Faleceu em Washington, como embaixador, após um
longo período de doença.
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