1941
Casa-se no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro com a senhorita
Maria Madalena Guedes Pereira. Viagem ao Uruguai, Argentina e Paraguai. Torna-se
colaborador de La Nación (Buenos Aires), dos Diarios
Associados, do Correio da Manhã e de A Manhã (Rio de
Janeiro). Prefacia e anota as Memórias de um Cavalcanti, do seu
parente Félix Cavalcanti de Albuquerque Melo, publicadas pela Companhia
Editora Nacional (volume 196 da coleção Brasiliana).Publica-se no
Recife (Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste) a
conferência "Sociologia, Psicologia e Psiquiatria", depois expandida e
incluída no livro Problemas brasileiros de antropologia e
contribuição para uma Psiquiatria social brasileira que seria
destacada pela Sorbonne ao doutourá-lo H.C.
Publica-se no Rio de Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) e em Buenos Aires, a
conferência "Atualidade de Euclydes da Cunha" (incluída, em 1944,
no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Ao ensejo da
publicação, no Rio de Janeiro (José Olympio), do livro
Região e tradição, recebe homenagem de grande
número de intelectuais brasileiros, com um almoço no Jóquei
Clube, em 26 de junho, do qual foi orador o jornalista Dario deAlmeida
Magalhães.
1942
É preso no Recife, por ter denunciado, em artigo publicado no Rio de
Janeiro, atividades nazistas e racistas no Brasil, inclusive as de um padre
alemão a quem foi confiada, pelo governo do Estado de Pernambuco, a
formação de jovens escoteiros. Juntamente com seu pai, reage
à prisão, quando levado para "a imunda Casa
deDetenção do Recife", sendo solto, no dia seguinte, por
interferência direta do seu amigo General Góes Monteiro. Recebe
convite da Universidade de Yale para ser professor de Filosofia Social, que
não pôde aceitar. Profere, no Rio de Janeiro, discurso como
padrinho de batismo de avião oferecido pelo jornalista Assis
Chateaubriand ao Aeroclube de Porto Alegre. É eleito para o Conselho
Consultivo da American Philosophical Association. É designado
peloConselho da Faculdade de Filosofia da Universidade de Buenos Aires "Adscrito
Honorário" de Sociologia e eleito membro correspondente da Academia
Nacional de História do Equador. Discursa no Rio de Janeiro, em nome do
Sr. Samuel Ribeiro, doador do avião Taylor à campanha de
Assis Chateaubriand. Publica-se em Buenos Aires (Comisión Revisora de
Textos de História y Geografia Americana) a primeira edição
de Casa-grande & senzala em espanhol, comintrodução de
Ricardo Saenz Hayes. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro
Ingleses e a segunda edição de Guia prático,
histórico e sentimental da cidade do Recife. A Casa do Estudante do
Brasil divulga, em segunda edição, a conferência "Uma
cultura ameaçada: a luso-brasileira", proferida no Gabinete
Português de Leitura do Recife(1940).
1943
Visita a Bahia, a convite dos estudantes de todas as escolas superiores do
Estado, que lhe prestam excepcionais homenagens, às quais se associa
quase toda a população de Salvador. Lê na Faculdade de
Medicina da Bahia, a convite da União dos Estudantes Baianos,
conferências: "Em torno de uma classificação
sociológica" e no Instituto Histórico da Bahia, por iniciativa da
Faculdade de Filosofia do mesmo Estado, a conferência "A propósito
da Filosofia Social e suas relações com a Sociologia
Histórica" (ambas incluídas, juntamente com os discursos
proferidos nas homenagens recebidas na Bahia, no livro Na Bahia em 1943,
que teve quase toda a sua tiragem apreendida, nas livrarias do Recife, pela
Polícia do Estado de Pernambuco). Recusa, em carta altiva, o convite que
recebeu para ser Catedrático de Sociologia da Universidade do Brasil.
Inicia colaboração no O Estado de S. Paulo em 30 de
setembro. Por intermédio do Itamaraty. recebe convite da Universidade de
Harvard para ser seu professor, que também recusa. Publicam-se em Buenos
Aires (Espasa-Calpe Argentina) as primeiras edições, em espanhol,
de Nordeste e de Uma cultura ameaçada e a segunda, na mesma
língua, de Casa-grande & senzala. Publicam-se no Rio de
Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) o livro Problemas brasileiros de
antropologia e o opúsculo Continente e Ilha (conferência
lida, em Porto Alegre, no ano de 1940 e incluída na segunda
edição de Problemas brasileiros de antropologia).
Publica-se também, no Rio de Janeiro ( Livros de Portugal ) uma
edição de As Farpas, de Ramalho Ortigão e Eça
de Queiroz, selecionadas e prefaciadas por ele, bem como a 4a.
edição de Casa-grande & senzala, livro publicado a
partir deste ano, pelo editor José Olympio.
1944
Visita Alagoas e Paraíba, a convite de estudantes desses Estados.
Lê na Faculdade de Direito de Alagoas conferência sobre Ulysses
Pernambucano, publicada no ano seguinte. Deixa de colaborar nos Diarios
Associados e em La Nación, em virtude da
violação e extravio constantes de sua correspondência. Em 9
de junho de 1944, comparece à Faculdade de Direito do Recife, a convite
dos alunos dessa escola, para uma manifestação de regozijo em face
da invasão da Europa pelos exércitos aliados. Lê em
Fortaleza a conferência "Precisa-se do Ceará". Segue para os
Estados Unidos, onde lê, na Universidade do Estado de Indiana, 6
conferências promovidas pela Fundação Patten e publicadas no
ano seguinte, em Nova Iorque, no livro Brazil: an interpretation.
Publicam-se no Rio de Janeiro os livros Perfil de Euclydes e outros
perfis (José Olympio), Na Bahia em 1943 (edição
particular) e a segunda edição do guia Olinda. A Casa do
Estudante do Brasil publica, no Rio de Janeiro, o livro Gilberto Freyre,
de Diogo Melo Menezes, com prefácio consagrador de Monteiro
Lobato.
1945
Toma parte ativa, ao lado dos estudantes do Recife, na campanha pela
candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da
República. Fala em comícios, escreve artigos, anima os estudante
na luta contra a Ditadura. No dia 3 de março, por ocasião do
primeiro comício daquela campanha no Recife, começa a discursar,
na sacada da redação do Diario de Pernambuco, quando tomba
a seu lado, assassinado pela Polícia Civil do Estado, o estudante de
Direito Demócrito de Sousa Filho. A UDN oferece, em sua
representação na futura Assembléia Nacional Constituinte,
um lugar aos estudantes do Recife e estes preferem que seu representante seja o
bravo escritor. A Polícia Civil do Estado de Pernambuco empastela e
proíbe a circulação do Diario de Pernambuco,
impedindo-o de noticiar a chacina em que morreram o estudante Demócrito e
um popular. Com o jornal fechado, o retrato de Demócrito é
inaugurado na redação, com memorável discurso de Gilberto
Freyre: "Quiseram matar o dia seguinte" (cf. Diario de Pernambuco 10 abr.
1945). Em 9 de junho, comparece à Faculdade de Direito do Recife, como
orador oficial da sessão contra a Ditadura. Publicam-se no Recife
(União dos Estudantes de Pernambuco) o opúsculo de sua autoria em
apoio à candidatura Eduardo Gomes: Uma campanha maior do que a da
Abolição e a conferência lida, no ano anterior, em
Maceió: Ulysses. Publica-se em Fortaleza (edição do
autor) a obra Gilberto Freyre e alguns aspectos da antropossociologia no
Brasil, de autoria do médico Aderbal Sales. Publica-se em Nova Iorque
(Knopf) o livro Brazil: an interpretation.
1946
Eleito deputado federal, segue para o Rio de Janeiro, a fim de tomar parte
nos trabalhos da Assembléia Constituinte. Em 17 de junho, profere
discurso de críticas e sugestões ao projeto da
Constituição, publicado em opúsculo: "Discurso pronunciado
na Assembléia Nacional Constituinte" (incluido na 2a.
edição do livro Quase política). Em 22 de junho
lê no Teatro Municipal de São Paulo, a convite do Centro
Acadêmico "XI deAgosto", conferência publicada no mesmo ano pela
referida organização estudantil: "Modernidade e modernismo na arte
política" (incluída, em 1965, no livro 6 conferências em
busca de um leitor). Em 16 de julho, lê na Faculdade de Direito de
Belo Horizonte, a convite de seus alunos, conferência publicada no mesmo
ano: "Ordem, liberdade, mineiridade" (incluída em 1965, no livro 6
conferências em busca de um leitor). Em agosto inicia
colaboração no Diário Carioca. Em 29 de agosto,
profere na Assembléia Constituinte outro discurso de crítica ao
projeto da Constituição (incluído na 2a.
edição do livro Quase política). Em novembro, a
Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos
Deputados indica, com aplauso do escritor Jorge Amado, membro da
Comissão, o nome de Gilberto Freyre para o Prêmio Nobel de
Literatura de 1947, com o apoio de numerosos intelectuais brasileiros.
Publica-se no Rio de Janeiro a 5a. edição de Casa-grande &
senzala e em Nova Iorque (Knopf) a edição do mesmo livro em
inglês: The masters and the slaves.
1947
Apresenta à Mesa da Câmara dos Deputados, para ser dado como
lido, discurso sobre o centenário de nascimento de Joaquim Nabuco,
publicado no ano seguinte. Em 22 de maio, lê no auditório da
Associação Brasileira de Imprensa, a convite da Sociedade dos
Amigos da América, conferência sobre Walt Witman, publicada no ano
seguinte. Trabalha ativamente na Comissão de Educação e
Cultura da Câmara dos Deputados. Convidado para representar o Brasil no
19°
. Congresso dos P.E.N. Clubes mundiais, reunido em Zurique. Publica-se em
Londres a edição inglesa de The masters and the slaves, em
Nova Iorque a segunda impressão de Brazil: an interpretation e no
Rio de Janeiro, a edição brasileira deste livro em
tradução de Olívio Montenegro:
Interpretação do Brasil (José Olympio). Publica-se
em Montevidéu a obra Gilberto Freyre y la sociología
brasileña, de Eduardo J. Couture.
1948
A convite da Unesco, toma parte, em Paris, no conclave de 8 notáveis
cientistas e pensadores sociais (Gurvitch, Allport, Sullivan, entre eles)
reunidos pela referida organização das Nações Unidas
por iniciativa do então diretor Julian Huxley para estudar as
"Tensões que afetam a compreensão internacional": trabalho em
conjunto depois publicado em inglês e francês. Lê, no
Ministério das Relações Exteriores, a convite do Instituto
Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Comissão
nacional da Unesco) conferência sobre o conclave de Paris. Repete na
Escola do Estado-Maior do Exército a conferência lida
noMinistério da Relações Exteriores.
Inicia em 18 de setembro sua colaboração no O Cruzeiro. Em
dezembro, profere na Câmara dos Deputados discurso justificando a
criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, com sede
no Recife (incluído na 2a. edição do livro Quase
política). Lê no Museu de Arte de São Paulo duas
conferências: uma sobre Emílio Cardoso Ayres e outra sobre Dona
Veridiana Prado. Lê mais uma conferência na Escola do Estado-Maior
do Exército. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro
Ingleses no Brasil e os opúsculos O camarada Whitman
(incluído, em 1965, no livro 6 conferências em busca de um
leitor), Joaquim Nabuco (incluído, em 1966, na 2a.
edição do livro Quase política) e Guerra, paz e
ciência (este editado pelo Ministério das
Relações Exteriores). Inicia sua colaboração no
Diario de Notícias.
1949
Segue para os Estados Unidos, a fim de tomar parte, na categoria de ministro
como delegado parlamentar do Brasil, na 4a. Conferência Internacional da
Organização das Nações Unidas. Lê
conferências na Universidade Católica da América
(Washington, D.C.) e na Universidade de Virgínia. Lê em 12 de
abril, na Associação de Cultura Franco-Brasileira do Recife,
conferência sobre Emílio Cardoso Ayres (apenas pequeno trecho foi
publicado no Bulletin da Associação). Em 18 de agosto,
lê na Faculdade de Direito do Recife conferência sobre Joaquim
Nabuco, na sessão comemorativa do centenário de nascimento do
estadista pernambucano (incluída no livro Quase política).
Em 30 de agosto, profere, na Câmara dos Deputados, discurso de
saudação ao Visconde Jowitt, presidente da Câmara dos Lordes
do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (incluído em
Quase política). No mesmo dia, lê no Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro conferência sobre Joaquim
Nabuco. Publica-se, no Rio de Janeiro (José Olympio), a conferência
lida no ano anterior, na Escola de Estado-Maior do Exército:
Nação e Exército (incluída, em 1965, no livro
6 conferências em busca de um leitor).
1950
Profere na Câmara dos Deputados, em 17 de janeiro, discurso sobre o
pernambucano Joaquim Arcoverde, primeiro cardeal da América Latina, por
ocasião da passagem do primeiro centenário de seu nascimento
(incluído em Quase política). Profere na Câmara dos
Deputados, em 5 de abril, discurso sobre o centenário de nascimento de
José Vicente Meira de Vasconcelos, constituinte de 1891 (incluído
em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 28
de abril, discurso de "definição de atitude na vida
pública" (incluído em Quase política). Profere na
Câmara dos Deputados, em 2 de maio, discurso sobre o centenário da
morte de Bernardo Pereira de Vasconcelos (incluído em Quase
política). Profere na Câmara dos Deputados, em 2 de junho,
discurso contrário à emenda parlamentarista (incluído em
Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 26
dejunho, discurso no qual transmite apelo que recebeu de três
parlamentares ingleses, em favor de um governo supranacional (incluído em
Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 8 de
agosto, discurso sobre o centenário de nascimento de José Mariano
(incluído em Quase política). Profere no Parque 13 de maio,
do Recife, discurso em favor da candidatura do deputado João Cleofas de
Oliveira ao Governo do Estado de Pernambuco (incluído na 2a. ed. de
Quase política). Em 11 de setembro inicia
colaboração diária no Jornal Pequeno, do Recife, sob
o título "Linha de fogo" em prol da candidatura João Cleofas ao
Governo do Estado de Pernambuco. Profere, em 8 de novembro, na Câmara dos
Deputados, discurso de despedida por não ter sido reeleito para o
período seguinte (incluído na 2a. ed. de Quase
política). Publica-se em Urbana (University of Illinois Press) a obra
coletiva Tensions that cause wars, contendo as
contribuições dos 8 cientistas sociais reunidos pela Unesco, em
Paris, no ano de 1948. Contribuição de Gilberto Freyre :
"Internationalizing Social Sciences". Publicam-se no Rio de Janeiro
(José Olympio) a primeira edição do livro Quase
política e a sexta de Casa-grande & senzala. |