GILBERTO FREYRE
Cronologia da vida e da obra por Edson Nery da Fonseca

1931 · 1940

1931
A convite da Universidade de Stanford, segue para os Estados Unidos, como professor extraordinário daquela Universidade. Volta, no fim do ano,para a Europa, demorando-se na Alemanha, em novos contatos com seus museus de antropologia, de onde regressa ao Brasil.

1932
Continua, no Rio de Janeiro, as pesquisas para a elaboração de Casa-grande & senzala, em bibliotecas e arquivos. Recusando convites para empregos que lhe foram feitos pelos membros do novo governo brasileiro -um deles José Américo de Almeida - vive, então, com grandes dificuldades financeiras, hospedando-se em casas de amigos e em pensões baratas do Distrito Federal. Estimulado pelo seu amigo Rodrigo M. F. de Andrade, contrata com o poeta Augusto Frederico Schmidt - então editor - a publicação do livro por 500 mil reis mensais, que recebe com irregularidades constantes. Regressa ao Recife, onde continua a escrever Casa-grande & senzala, na casa do seu irmão Ulysses Freyre.

1933
Conclui o livro, enviando os originais ao editor Schmidt, que o publica em dezembro.

1934
Aparecem em jornais do Rio de Janeiro os primeiros artigos sobre Casa-grande & senzala, escritos por Yan de Almeida Prado, Roquette Pinto, João Ribeiro e Agrippino Grieco, todos elogiosos. Organiza no Recife o1° . Congresso de Estudos Afro-Brasileiros. Recebe o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira pela publicação Casa-grande & senzala. Lê na mesma Sociedade conferência sobre "O escravo nos anúncios de jornal do tempo do Império", publicada na revista Lanterna Verde (v.2 fev. 1935). Regressa ao Recife e lê, no dia 24 de maio, na Faculdade de Direito e a convite de seus estudantes, conferência publicada, no mesmo ano, pela Editora Momento: "O estudo das ciências sociais nas universidades americanas". Publica-se no Recife (Oficinas Gráficas The Propagandist, edição de amigos do autor, tiragem de apenas 105 exemplares em papel especial e coloridos a mão por Luís Jardim) o Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, inaugurando, em todo o mundo, um novo estilo de guia de cidade, ao mesmo tempo lírico e informativo e um dos primeiros livros para bibliófilos publicados no Brasil.

1935
A pedido dos alunos da Faculdade de Direito do Recife e por designação do Ministro da Educação, inicia na referida escola superior um curso de Sociologia com orientação antropológica e ecológica. Segue, em setembro, para o Rio de Janeiro, onde, a convite de Anísio Teixeira, dirige na Universidade do Distrito Federal o primeiro curso de Antropologia Social e Cultural da América Latina (ver texto das aulas no livro Problemas brasileiros de antropologia). Publica-se no Recife (Edições Mozart) o livro Artigos de jornal. Profere, a convite de estudantes paulistas de Direito, no Centro XI de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, a Conferência "Menos Doutrina mais Análise", tendo sido saudado pelo estudante Osmar Pimentel.

1936
Publica-se no Rio de Janeiro (Companhia Editora Nacional, volume 64 da coleção Brasiliana) o livro que é uma continuação da série iniciada com Casa-grande & senzala: Sobrados e mucambos. Viagem à Europa, demorando-se na França e em Portugal.

1937
Mais uma viagem à Europa, desta vez como delegado do Brasil ao Congresso de Expansão Portuguesa no Mundo, reunido em Lisboa. Lê conferências nas Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto e na de Londres (King's College), publicadas no Rio de Janeiro no ano seguinte. Regressa ao Recife e lê conferência política no Teatro Santa Isabel, a favor da candidatura de José Américo de Almeida à presidência da República. A convite de Paulo Bittencourt, inicia colaboração semanal no Correio da Manhã. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Nordeste (aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil).

1938
Nomeado membro da Academia Portuguesa de História pelo presidente Oliveira Salazar. Segue para os Estados Unidos como lente extraordinário da Universidade de Colúmbia, onde dirige seminário sobre Sociologia e História da Escravidão. Publica-se no Rio de Janeiro (Serviço Gráfico do Ministério da Educação e Saúde) o livro Conferência na Europa.

1939
Primeira viagem ao Rio Grande do Sul. Segue, depois para os Estados Unidos, como professor extraordinário da Universidade de Michigan. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Açúcar e no Recife (edição do autor, para bibliófilos) Olinda, 2° . guia prático, históricoe sentimental de cidade brasileira. Publica-se em Nova Iorque (Instituto de las Españas en los Estados Unidos) a obra do historiador Lewis Hanke, Gilberto Freyre, vida y obra.

1940
A convite do Governo português, lê no Gabinete Português de Leitura do Recife a conferência (publicada no Recife, no mesmo ano, em edição particular) "Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira" Lê em Aracaju, na instalação da 2° . Reunião da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste, conferência publicada no ano seguinte pela mesma sociedade. Lê no dia 29 de outubro, na Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores e a convite da Casa do Estudante do Brasil, conferência sobre Euclides da Cunha, publicada no ano seguinte. Lê no dia 19 de novembro, na Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul, conferência por ocasião dascomemorações do bicentenário da cidade de Porto Alegre, publicada em 1943. Toma parte no 3° . Congresso Sul-Rio-grandense de História e Geografia, ao qual apresenta, a pedido do historiador Dantede Laytano, o trabalho "Sugestões para o estudo histórico-social do sobrado no Rio Grande do Sul", publicado no mesmo ano pela editora Globo e incluído, posteriormente, no livro Problemas brasileiros de antropologia. Publica-se em Nova Iorque (Columbia University Press) o opúsculo Some aspects of the social development on Portuguese America, separata da obra coletiva Concerning Latin American culture. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Um engenheiro francês no Brasil e O mundo que o Português criou, com longos prefácios, respectivamente, de Paul Arbousse Bastide e Antônio Sérgio. Prefacia e anota o Diário íntimo do engenheiro Vauthier, publicado no mesmo ano pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.