1921
Segue, na Faculdade de Ciências Políticas (inclusive as
Ciências Sociais Judiciais) da Universidade de Colúmbia, cursos de
graduação e pós-graduação dos professores
Giddings, Seligman, Boas, Hayes, Carl van Doren, Fox, John Basset Moore e
outros. Conhece pessoalmente Rabindranath Tagore e o Príncipe de
Mônaco (depois reunidos no livro Artigos de jornal), Valle-Inclane
outros intelectuais e cientistas famosos que visitam a Universidade de
Colúmbia e a cidade de Nova Iorque. A convite de Amy Lowell, visita-a em
Boston (ver, sobre essa visita, artigos incluídos no livro Vida, forma
e cor). Segue, na Universidade de Colúmbia, o curso do Professor
Zimmern, da Universidade de Oxford, sobre a escravidão na Grécia.
Visita a Universidade de Harvard e o Canadá. É hóspede da
Universidade de Princeton, como representante dos estudantes da América
Latina que ali se reúnem em congresso. Lê Patrick Geddes, Ganivet,
Max Weber, Maurras, Péguy, Pareto, Rickert, William Morris, Michelet,
Barres, Huysmans, Verlaine, Rimbaud, Baudelaire, Dostoievski, John Done,
Coleridge, Xenofonte, Homero, Ovídio, Ésquilo, Aristóteles,
Ratzel. Torna-se editor-associado da revista El Estudiante Latino-Americano,
publicada mensalmente em Nova Iorque pelo Comitê de
Relações Fraternais entre Estudantes Estrangeiros. Publica
diversos artigos no referido periódico.
1922
Defende tese para o grau de M.A. (Magister Artium ou Master of
Arts) na Universidade de Colúmbia sobre Social life in Brazil in
the middle of the 19th Century, publicada em Baltimore pela Hispanic
American Historical Review (v.5, n.4, nov. 1922) e recebida com elogios pelos
professores Haring Shepherd, Robertson, Martin, por Oliveira Lima e H. L.
Mencken, que aconselha o autor a expandir o trabalho em livro. Deixa de
comparecer à cerimônia de formatura, seguindo imediatamente para a
Europa, onde recebe o diploma, enviado pelo Reitor Nicholas Murray Butler.
Visita a França, a Alemanha, a Bélgica, tendo antes estado na
Inglaterra, demorando-se em Oxford. Demora na França, atravessa a Espanha
e conhece Portugal, onde se demora. Lê Simmel, Poincaré, Havelock
Ellis, Psichary, Rémy de Gourmont, Ranke, Bertrand Russel, Swinburne,
Ruskin, Blake, Oscar Wilde, Kant, Gracian. Tem o retrato pintado pelo modernista
brasileiro Vicente do Rego Monteiro. Convive com ele e com outros artistas
modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Brecheret. Na Alemanha conhece
o Expressionismo, na Inglaterra, o ramo inglês do Imagismo, já seu
conhecido nos Estados Unidos. Na França, o anarco-sindicalismo de Sorel e
o federalismo monárquico de Maurras.
1923
Continua em Portugal, onde conhece João Lúcio de Azevedo, o
Conde de Sabugosa, Fidelino de Figueiredo, Joaquim de Carvalho, Silva Gaio.
Regressa ao Brasil e volta a colaborar no Diario de Pernambuco. Da Europa
escreve artigos para a Revista do Brasil (SãoPaulo), a pedido de
Monteiro Lobato.
1924
Reintegra-se no Recife, onde conhece José Lins do Rego, incitando-o a
escrever romances, em vez de artigos políticos (ver referências ao
encontro e início da amizade entre o sociólogo e o futuro
romancista do "Ciclo da Cana-de-Açúcar" no prefácio que
este escreveu para o livro Região e tradição).
Funda-se no Recife, a 28 de abril o "Centro Regionalista do Nordeste", com
Odilon Nestor, Amaury de Medeiros, Alfredo Freyre, Antônio Inácio,
Morais Coutinho, Carlos Lyra Filho, Pedro Paranhos, Júlio Bello e
outros. Excursões pelo interior do Estado de Pernambuco e pelo Nordeste
com Pedro Paranhos, Júlio Bello (que a seu pedido escreveria as
Memórias de um senhor de engenho) e seu irmão Ulysses
Freyre. Lê, na capital do Estado da Paraíba conferência
publicada no mesmo ano: "Apologia pro generatione sua" (incluída no livro
Região e tradição).
1925
Encarregado pela direção do Diario de Pernambuco,
organiza o livro comemorativo do primeiro centenário de
fundação do referido jornal: Livro do Nordeste, onde foi
publicado pela primeira vez o poema modernista de Manuel Bandeira
"Evocação do Recife", escrito a seu pedido (ver referências
no capítulo sobre Manuel Bandeira no livro Perfil de Euclydes e outros
perfis). O Livro do Nordeste consagrou, ainda, o até
então desconhecido pintor Manoel Bandeira e publica desenhos modernistas
de Joaquim Cardozo e Joaquim do Rego Monteiro. Lê na Biblioteca
Pública do Estado de Pernambuco uma conferência sobre Dom Pedro II,
publicada no ano seguinte.
1926
Conhece a Bahia e o Rio de Janeiro, onde faz amizade com o poeta Manuel
Bandeira, os escritores Prudente de Morais, neto (Pedro Dantas), Rodrigo M. F.
de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, o compositor Villa-Lobos. Por
intermédio de Prudente, conhece Pixinguinha, Donga e Patrício e se
inicia na nova música popular brasileira em noitadas boêmias.
Escreve um poema longo, modernista ou imagista e ao mesmo tempo regionalista e
tradicionalista, do qual Manuel Bandeira dirá depois que é um dos
mais saborosos do ciclo das cidades brasileiras: "Bahia de todos os santos e de
quase todos os pecados" (publicado no Recife, no mesmo ano, em
edição da Revista do Norte, reeditado, em 20 de junho
de1942, na revista O Cruzeiro e incluído no livro Talvez
poesia). Segue para os Estados Unidos como delegado do Diario de
Pernambuco ao Congresso Pan-Americano de Jornalistas. Convidado para
redator-chefe do mesmo jornal e para oficial de gabinete do Governador eleito de
Pernambuco, então vice-presidente da República. Colabora (artigos
humorísticos) na Revista do Brasil com o pseudônimo de J. J.
Gomes Sampaio. Publica-se no Recife a conferência lida, no ano anterior,
na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco: "A propósito de Dom
Pedro II" (edição da Revista do Norte; incluída, em
1944, no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Promove no Recife o
1°
. Congresso Brasileiro de Regionalismo.
1927
Assume o cargo de oficial de gabinete do novo Governador de Pernambuco,
Estácio de Albuquerque Coimbra, casado com a prima de Alfredo Freyre,
Joana Castelo Branco de Albuquerque Coimbra.
1928
Dirige, a pedido de Estácio Coimbra, o jornal A
Província, onde passam a colaborar os escritores novos do Brasil.
Publica no mesmo jornal artigos e caricaturas com diferentes pseudônimos:
Esmeraldino Olímpio, Antônio Ricardo, Le Moine, J. Rialto e outros.
Lê Proust e Gide. Nomeado pelo Governador Estácio Coimbra, por
indicação do diretor A. Carneiro Leão, torna-se professor
da Escola Normal do Estado de Pernambuco: primeira cadeira de Sociologia que se
estabelece no Brasil com moderna orientação antropológica e
pesquisas de campo.
1930
Acompanhando Estácio Coimbra ao exílio, visita novamente a
Bahia, conhece parte do continente africano (Dacar, Senegal) e inicia, em
Lisboa, as pesquisas e estudos em que se basearia Casa-grande & senzala
("Em outubro de 1930 ocorreu-me a aventura do exílio. Levou-me
primeiro à Bahia: depois a Portugal, com escala pela África. O
tipo de viagem ideal para os estudos e as preocupações que este
ensaio reflete", como escreverá no prefácio do mesmo
livro) |